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19 junho 2016

Escritor de A Fraude da Celulose visita Guaíba

Víctor Bacchetta - Foto: Imprensa Agapan
A convite da recém fundada Associação Comunitária do Balneário Alegria (ABA), o jornalista e escritor uruguaio Víctor Bacchetta, 73, autor de obras como A Fraude da Celulose e Aratiri y Otras Aventuras, esteve visitando a cidade de Guaíba (RS) neste sábado (18). A Agapan e a Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), de Guaíba, acompanharam a visita.

Referência no jornalismo ambiental, Bacchetta veio ao Estado a covite do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCom/Ufrgs). No dia 14, palestrou em uma edição do evento Terça Ecológica, promovido pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Nos dias 15 e 16 integrou a programação da jornadas de estudos sobre Jornalismo e Conflitos Ambientais.
Esta não é a primeira vez que o escritor veio a Porto Alegre. Em 2008, palestrou durante o lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), realizado na Assembleia Legislativa do RS. 

Para a Agapan, todas as iniciativas que tenham o objetivo de conscientizar a população sobre os perigos que ameaçam o ambiente natural e, consecutivamente, a vida merecem o apoio da entidade.

Conhecendo Guaíba

15 junho 2016

Guaíba | Moradores criam associação para se defenderem dos impactos de fábrica de celulose


Moradores vistoriam as margens do Guaíba, ao fundo da fábrica de celulose 
Foto: Arquivo ABA
No dia 4 de junho deste ano, um grupo de moradores da cidade de Guaíba (RS) fundou a Associação Comunitária do Balneário Alegria (ABA). 

Entre as finalidades descritas no Artigo 2º do Estatuto Social da entidade, consta a "defesa da habitação dos moradores da área de abrangência da Associação". O artigo também apresenta o objetivo de promover a defesa do meio ambiente e, em seu parágrafo único, "auxiliar a desenvolver um projeto sustentável, sem exploração e alternativo ao modelo econômico social".

Confira a entrevista com a presidente da Associação Comunitária do Balneário Alegria, Cristiane Montemezzo Simões.

04 março 2016

Agapan e moradores de Guaíba questionam reunião do MP/RS com a CMPC

Foto: Arquivo Agapan | Incêndio na CMPC em janeiro de 2016
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) publicou em sua página da internet notícia sobre a reunião que o promotor Daniel Martini, Coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, e o promotor de Justiça de Guaíba, Valter Priebe, realizaram no dia 25 de fevereiro com diretores da empresa CMPC - Celulose Riograndense. 

"Por que não chamaram a Agapan ou representantes dos moradores?", questionou um morador do bairro Alegria, o mais impactado pelas emissões irregulares da fábrica. “Acho que vai virar pizza”, desabafou, demonstrando poucas esperanças de ter uma solução real e definitiva para o problema que enfrenta já há vários anos. 

18 janeiro 2016

Incêndio em fábrica de celulose preocupa moradores de Guaíba

Um incêndio que está ocorrendo (17h) na fábrica de celulose da empresa chilena CMPC preocupa moradores de Guaíba (RS). Conforme relato, equipe da Fepam já se dirigiu ao local para averiguar a situação. A suspeita é que o fogo tenha iniciado "no quadro elétrico na linha de fibras de branqueamento".

Confira o vídeo gravado por moradores.



Imprensa Agapan



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25 julho 2015

Empresa é multada cinco vezes e Pellini diz que é "bobagem"

Foto enviada por morador de Guaíba
Em reportagem publicada neste sábado (25) no jornal Zero Hora, o repórter Itamar Melo apresentou o resultado de uma investigação com dados apontados pela Agapan e por moradores da cidade de Guaíba (RS), conforme publicado aqui (22/7), aqui (7/7) e aqui (16/7), que revelam preocupantes irregularidades ocorridas na fábrica da empresa Celulose Riograndese. 

A reportagem informa que a empresa "foi autuada cinco vezes pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) nos últimos 12 meses" e "teve que pagar R$ 446 mil em multas por emissões atmosféricas fora do padrão, excesso de ruído, produção de mau cheiro, liberação de enxofre e devido ao vazamento de dióxido de cloro". 

Ainda segundo a reportagem, a diretora-presidente da Fepam, Ana Pellini (que acumula o cargo de secretária da pasta ambiental do Estado), afirma que, com exceção do vazamento de cloro, "o resto foi bobagem". Esta afirmação causou surpresa aos dirigentes da Agapan, visto que a própria Fepam aplicou as multas. "Esta não é uma postura que possa ser aceita de quem está no comando dos órgãos ambientais do Estado", afirma o presidente da Agapan, Leonardo Melgarejo. "Se aconteceram infrações que motivaram multas,  estas não podem ser consideradas 'bobagens'", complementa. 

No dia 14 de julho, a Agapan protocolou ofício na Fepam, encaminhado à sua diretora presidente, dando conhecimento ao órgão ambiental sobre as denúncias oferecidas ao Ministério Público (MP/RS) e solicitando esclarecimentos sobre os dados apontados pelos relatórios. O ofício também solicita que a Fepam esclareça a população sobre descumprimentos dos limites das licenças de operação e suspenda imediatamente as atividades que apresentem irregularidades e riscos às comunidades, entre elas os moradores da cidade de Guaíba e cidades que se abastecem com a água do rio Guaíba.
Até a presente data (25/7) a Fepam não respondeu ao ofício.

Confira a reportagem completa da Zero Hora aqui.

07 julho 2015

Inquérito deve apurar denúncias de irregularidades em fábrica de celulose

Ministério Público do RS (MP/RS) vai instaurar inquérito civil para apurar denúncias de irregularidades na fábrica Celulose Riograndense, em Guaíba (RS). 

Gráficos apresentados em relatórios da fábrica
As denúncias foram encaminhadas por moradores impactados pelas atividades da fábrica e pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), que apresentou ao coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MP/RS (Caoma/RS), promotor de Justiça Daniel Martini, no dia 19 de junho, documentos que comprovam o descumprimento de limites de emissões máximas de resíduos estabelecidos pela Licença de Operação concedida pelo Estado do RS. 

Em reunião realizada nesta segunda-feira (6) na comarca de Guaíba do MP/RS, o vice-presidente da Agapan e membro da Comissão Jurídica da entidade, Eduardo Finardi Rodrigues, acompanhou o grupo de moradores que apresentou as denúncias à promotora Ana Luiza Domingues. 

"Os atuais danos lembram a época do início da empresa, quando ainda era chamada de Borregaard. Ou seja, houve a expansão da empresa, mas a situação ambiental aparenta regresso", denunciou um dos representantes dos moradores. 

Entre os principais problemas, os moradores citaram as fuligens, poluição sonora, redução da margem do rio Guaíba em virtude do porto construído pela fábrica, isolamento do bairro, tráfego intenso de caminhões, danos aos prédios residenciais e anel verde de tamanho inadequado em relação ao porte da fábrica. Também foi alertado sobre os perigos decorrentes das liberações de dioxinas no rio.
Paralelo ao inquérito do Ministério Público, a Agapan vai encaminhar ofício à Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam) solicitando esclarecimentos sobre as irregularidades apresentadas pela fábrica Celulose Riograndense e exigindo providências preventivas do Estado para evitar que consequências danosas possam prejudicar ainda mais os moradores de Guaíba e afetar a população de Porto Alegre e cidades próximas que se abastecem da água do rio Guaíba.

Leia também:
Agapan e moradores de Guaíba denunciam irregularidades em fábrica de celulose

22 junho 2015

Agapan e moradores de Guaíba denunciam irregularidades em fábrica de celulose

Monitoramentos indicam descumprimentos de padrões de lançamentos de efluentes líquidos e gasosos estabelecidos na licença ambiental. 

Os integrantes da Comissão Jurídica da Agapan Eduardo Finardi, vice-presidente da entidade, e Beto Moesch, conselheiro, acompanhados do secretário-geral, Heverton Lacerda, estiveram reunidos nesta sexta-feira (19), em Porto Alegre (RS), com o novo coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio Grande do Sul (Caoma/RS), promotor de Justiça Daniel Martini.
Também participaram da reunião três moradores do bairro Alegria, de Guaíba (RS), que, na ocasião, relataram a gravidade da situação que ocorre com relação à poluição oriunda da empresa Celulose Riograndense. 
Os moradores denunciaram as constantes emissões de materiais particulados no ar e ruídos excessivos, dia e noite. Também demonstraram preocupação com relação aos efluentes lançados no rio Guaíba.


Ultrapassando limites


Clique para ampliar.
A Agapan apresentou relatórios, divulgados pela própria empresa, que indicam descumprimentos de padrões de lançamentos de efluentes líquidos e gasosos estabelecidos na licença ambiental. No relatório de maio de 2015, mês em que houve vazamento de Dióxido de Cloro na fábrica, foi constatado o "não atendimento do padrão de Sulfetos no efluente tratado".

Os relatórios também apresentam uma série de problemas e ultrapassagens de limites de emissões nos meses de janeiro (dias 7, 23 e 24), fevereiro (dias 1 e 2), março (dia 7), abril (dia 28) e ainda nos dias 4, 6, 7, 9, 10, 12, 13 e 27 do mês de maio. 

Gráfico produzido pela Agapan a partir dos dados dos relatórios
Além dos riscos iminentes para os moradores do bairro Alegria (alguns moram a menos de 50 metros dos muros da fábrica), um parecer técnico informa que o índice de risco da fábrica para acidente com cloro é de 38,19 pontos, quase dez vezes mais do que permite a categoria máxima do manual de risco da Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam-RS), que é de apenas quatro.

Conforme dados apurados pelo químico e geneticista Flávio Lewgoy, conselheiro da Agapan, as emissões de elementos químicos da fábrica para a atmosfera e para o rio Guaíba são extremamente preocupantes. Segundo Lewgoy, as lagoas de tratamento de efluentes líquidos da fábrica lançarão aproximadamente 1.920 toneladas de clorofórmio por ano. Diariamente, serão lançados no ar 91 kg de flúor, 309 kg de cloro gasoso e 123 kg de cinza finíssima inalável. Já o Guaíba deverá ser impactado com até 180 toneladas diárias de organoclorados mutagênicos e cancerígenos, 28,8 toneladas de cloreto de sódio e 792 gramas de mercúrio (aproximadamente 280 kg por ano).

Fábrica é autuada por danos ambientais

Reunião no Caoma/RS
Durante a reunião, o promotor Daniel Martini recebeu informações da Fepam sobre a existência de dois autos de infração lavrados contra a empresa por crime de supressão vegetal.
Por solicitação do coordenador do Caoma, a Promotoria de Justiça Especializada de Guaíba designou uma audiência naquele município para dar prosseguimento ao Inquérito Civil que apura as denúncias. Por se tratar de demanda da área ambiental, o Caoma deverá acompanhar o inquérito.


Luta histórica
"Em 1972, a multinacional norueguesa Borregaard Celulose se instalou em Guaíba, no Rio Grande do Sul, em frente a Porto Alegre. Era terrível o mau cheiro que ela exalava, provocado pelo ácido sulfídrico (próprio da produção de celulose)."

Por se tratar de uma fábrica que representa grandes riscos para as populações dos municípios de Guaíba, Porto Alegre e outros próximos à fábrica e que dependem das águas do rio Guaíba para sobreviverem, a Agapan vem lutando desde a década de 1970 para alertar a população e, principalmente, os gestores públicos estaduais e municipais sobre o problema. 

As dioxinas geradas pelo uso do cloro no processo de branqueamento na celulose adotado pela fábrica é de extrema preocupação e pode causar grande impacto em caso de acidente. Dioxina é um subproduto industrial de certos processos, como produção de cloro, certas técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas que pode gerar câncer e causar mutações genéticas. 

Imprensa dominada

Estratégias de comunicação buscam aproximação com a sociedade

Causadora de fortes impactos ambientais, tanto nas áreas de instalações industriais quanto nos campos onde plantam milhares de hectares de terras com eucaliptos para obtenção de matéria-prima, a atividade de produção de celuloso para fabricação de papel gera grande desgaste de imagem para as empresas que investem neste segmento. Para amenizar e tentar reverter essa imagem, as industrias aplicam grandes volumes de dinheiro para seduzir a opinião pública. Elas investem, por exemplo, em projetos culturais de aproximação com as comunidades das regiões onde atuam - para inserirem-se - e propagandas em jornais de grande circulação, assim como nos pequenos veículos de comunicação locais.

Com esta estratégia, a Celulose Riograndense - e suas antecessoras em Guaíba - consegue os beneplácitos do imprensa. Ao comprar páginas inteiras, estampar pseudo-mensagens alusivas à proteção ambiental e patrocinar projetos editoriais dos jornais, a fábrica busca o abafamento de debates e notícias quanto à sua pouca importância social para as comunidades, sobressaindo-se o aspecto econômico, que tanto agrada empresas, políticos e gestores públicos.
O jornal Zero Hora, em reportagem especial, por exemplo, chegou a chamar a monocultura de eucaliptos plantados no bioma Pampa de "ouro verde", uma clara evidência da influência do poder econômico sobre a produção jornalística do veículo. Muito pouco, ou quase nada, é discutido sobre os impactos culturais, sociais e ambientais da invasão da monocultura de eucaliptos no Rio Grande do Sul.


Heverton Lacerda
Secretário-geral
Jornalista

21 maio 2015

Vazamento em fábrica de celulose confirma suspeitas da Agapan

Moradores próximos à fábrica relatam acordar com olhos irritados e manifestam preocupação.

Imagem: Vapor d'água sendo emitido pela chaminé da fábrica
Arquivo pessoal morador de Guaíba registrada no dia 07.05.2015
O vazamento de Dióxido de Cloro ocorrido na manhã desta quarta-feira feira (20) na planta química da fábrica Celulose Riograndense (CMPC), em Guaíba (RS), reforça o indício de grande perigo que a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) tem alertado há algum tempo.

Em nota de esclarecimento divulgada hoje (21), a empresa CMPC afirma que “o incidente – que durou cinco minutos – foi provocado por um aumento de pressão numa linha de gases, impactando 16 prestadores de serviços que trabalhavam no local”. Segundo as informações, dez prestadores foram encaminhados para atendimento hospitalar e liberados em seguida. A área foi isolada pelo plano de emergência e “a situação foi normalizada”, afirma a nota. 

O comunicado diz, ainda, que “o vazamento foi local e não foram registrados impactos externos que afetassem à comunidade ou qualquer tipo de dano à fauna e à flora local”. No entanto, moradores dos arredores relatam terem acordado com olhos irritados hoje pela manhã e acreditam ser efeito do Dióxido de Cloro vazado da fábrica.

Conforme dados levantados pelo químico e geneticista Flávio Lewgoy, conselheiro da Agapan, com a quadruplicação da fábrica de celulose, que teve investimento financeiro na ordem dos R$ 5 bilhões, as emissões de elementos químicos para a atmosfera e para o lago Guaíba são extremamente preocupantes. Segundo Lewgoy, as lagoas de tratamento de efluentes líquidos da fábrica lançarão aproximadamente 1.920 toneladas de clorofórmio por ano. Diariamente, serão lançados no ar 91 kg de flúor, 309 kg de cloro gasoso e 123 kg de cinza finíssima inalável. Já o Guaíba deverá ser impactado com até 180 toneladas diárias de organoclorados mutagênicos e cancerígenos, 28,8 toneladas de cloreto de sódio e 792 gramas de mercúrio (aproximadamente 280 kg por ano).

O geneticista estima, ainda, que as emissões diárias da caldeira de força devem ficar na casa de 236g de flúor, 310g de manganês, 320g de zinco, 53g de chumbo, 81g de cromo e 270g de vanádio, entre outros elementos. As emissões diárias de dióxido de enxofre – que, em contato com outros elementos, pode gerar chuva ácida – podem chegar até sete toneladas. 

Segundo a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), as atividades de produção foram suspensas no local atingido até que a empresa apresente o relatório da ocorrência, medidas para a solução do problema e analise de risco. “Uma vez que a operação do sistema foi suspensa, não há risco iminente à população com relação ao fato ocorrido”, informa nota divulgada pela Fundação.

Riscos
Índice de risco é quase dez vezes acima do máximo estabelecido pela Fepam-RS.

Segundo o parecer da empresa DNV Energy Solutions (001/2007) que analisa e determina o índice de risco da fábrica, onde foram estudados - com base no Manual de Análise de Riscos da Fepam-RS - os sistemas e as substâncias perigosas envolvidas no processo produtivo e que podem ser liberadas acidentalmente (cloro, ácido clorídrico, hidrogênio, dióxido de enxofre e gás liquefeito de petróleo), o valor identificado em relação ao risco de acidente com cloro foi de 38,19 pontos, quase dez vez mais a categoria máxima do manual da Fepam-RS, que é de apenas quatro. O índice igual ou maior do que quatro identifica “instalações e atividades que podem causar danos significativos em distâncias superiores a 500 m do local” onde fica localizada a planta.

Imagem: Reprodução Relatório 001/2007


Dioxinas
Outra preocupação da Agapan é em relação às dioxinas geradas pelo uso do cloro no processo de branqueamento na celulose adotado pela fábrica. As análises das amostras coletadas do efluente tratado e do lodo bruto (reunião de lodos saídos da prensa desaguadora) não são realizadas por laboratórios nacionais.

A dioxina é um subproduto industrial de certos processos, como produção de cloro, certas técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas que pode gerar câncer e causar mutações genéticas. 


Heverton Lacerda
Assessor de imprensa
51 9862 7228

12 dezembro 2012

Movimento Ecológico Gaúcho manifesta-se sobre a ampliação de megainvestimento da Celulose Riograndense no RS

Máquina corta, derruba e descasca eucalipto. (imagem: Minamar Júnior)




Ampliação de megainvestimento da Celulose Riograndense: o “salva-vidas
de chumbo 2.0” para o Estado?



A Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do Rio
Grande do Sul – APEDEMA/RS, vem a Vossa Senhoria manifestar sua
posição em relação à ampliação de megainvestimento da Celulose
Riograndense em nosso Estado.
 
Na década de 70, justamente durante o surgimento do movimento
ambientalista no Brasil, e em especial com a criação da AGAPAN, houve
um dos mais importantes embates contra as empresas poluidoras no
Estado do Rio Grande do Sul. Tratava-se do caso da empresa de celulose
Borregaard, que começou suas atividades, em 1972, na cidade de Guaíba.
O nome da empresa chegou a ser sinônimo de mau cheiro (odor de repolho
podre) que afetava a zona sul de Porto Alegre e, não raras vezes, toda
a cidade.
Fábrica da Borregaard e movimento ecológico que contou com participação 
  de crianças contra a fábrica de celulose.


Em 1974, a referida empresa teve o cancelamento de seu funcionamento
por mais de três meses até que resolvesse todos os aspectos relativos
às emissões aéreas e aos efluentes resultantes de sua operação,
considerados nocivos à saúde pública e ao meio aquático. Depois da
Borregaard, veio a Riocell, logo depois a Aracruz, e agora a Celulose
Riograndense, de capital chileno (CMPC). Esta última anuncia agora sua
ampliação (de 400 milhões de toneladas para 1,75 milhões de
toneladas), alardeando a criação de milhares de empregos, como a
Aracruz fez em 2008, antes de quebrar. Mas pouco se fala que 90% da
celulose produzida serão para exportação e menos de 10% para sua
transformação em papel, aqui no Brasil.
Fábrica passou de Aracruz para Companhia Riograndense de Celulose, planta  em 2009. " Dizia na foto da ZH:   Planta em Guaíba precisa de mais US$1,5 bilhão de investimento Foto: Divulgação"

Cabe lembrar que em 2008, a então empresa Aracruz, que anunciava
também a ampliação da planta industrial, e que possuía investimentos
do BNDES, tinha aplicado em derivativos (especulação financeira),
tendo sido afetada pela crise econômica mundial, gerada nos EUA, vindo
a perder em poucas semanas algo como 2 bilhões de reais.

Nestas quatro décadas, o crescimento da planta industrial não
eliminou, de todo, o cheiro ruim, principalmente no município de
Guaíba. Além disso, pairam sérias dúvidas, de parte de técnicos da
FEPAM e também de ambientalistas de renome, como o Prof. Flávio
Lewgoy, sobre os sérios riscos à saúde humana e meio ambiente, ligados
a enorme carga de poluentes (dioxinas, furanos, gases de enxofre,
etc.) gerados por este e outros empreendimentos industriais
concentrados na região.

 
Qualidade do ar em Porto Alegre e Canoas  - BR 116 (Imagem ZHora)

Cabe destacar que estamos lidando com um voo no escuro, tanto do ponto
de vista ambiental como econômico. Atualmente, a FEPAM tem sua rede de
monitoramento da qualidade do ar na Região Metropolitana de Porto
Alegre praticamente sucateada, ou seja, sem funcionar. Por outro lado,
a SEMA não consegue fiscalizar a implantação de todos os megaplantios
de eucalipto que convertem parte importante do que resta de campos
nativos do bioma Pampa, por falta crônica de técnicos e de condições
adequadas de trabalho. Esta semana, mais uma vez, documentos das
associações de funcionários da FEPAM e DEFAP chamam a atenção à
sociedade gaúcha sobre a falta de solução também com respeito ao
prédio parcialmente interditado da SEMA, há quase 10 meses.

Em relação a estes megaempreendimentos de celulose associados a
monoculturas arbóreas – também criticados no Chile, Uruguai e
Argentina - há alguns anos, o escritor uruguaio Eduardo Galeano
escreveu um artigo marcante, denominado “Salva vidas de Chumbo” (2007)
questionando semelhantes megainvestimento de celulose em seu país:

Passivo resultante da plantação de eucalipto e pinus.

O que esses esplendores nos deixaram? Nos deixaram sem herança nem
bonança. Jardins transformados em desertos, campos abandonados,
montanhas esburacadas, águas apodrecidas, longas caravanas de
infelizes condenados à morte antecipada, palácios vazios onde
perambulam fantasmas...Agora, chegou a vez da soja transgênica e da
celulose. E outra vez repete-se a história das glórias fugazes, que ao
som de seus clarins nos anunciam longas tristezas.[...] A celulose
também está na moda, em vários países. Agora, o Uruguai está querendo
se transformar num centro mundial de produção de celulose para
abastecer de matéria prima barata as longínquas fábricas de papel.
Trata-se de monocultivos para a exportação, na mais pura tradição
colonial: imensas plantações artificiais que dizem ser bosques e se
convertem em celulose num processo industrial que arroja detritos
químicos nos rios e torna o ar irrespirável.

O Estado do Rio Grande do Sul não merece ser, mais uma vez, palco de
megainvestimentos de alto risco, ligados a um jogo econômico que, de
antemão, concentra capital na mão de poucos, espalha monoculturas e
ameaça a saúde da população e ao meio ambiente.

A Sociedade Gaúcha clama a responsabilidade de seus governantes para
que se abandonem as atividades calcadas em gigantescos
empreendimentos, de alto risco, e priorizem sua atenção aqueles
setores que mais estão associados à sustentabilidade
econômico-ecológica como as tecnologias sociais, associadas
prioritariamente em energias brandas, a agroecologia, ao turismo rural
e ecológico, entre outros.

Porto Alegre, 12 de dezembro de 2012.


Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do RS

Excelentíssimo  Senhor
Tarso Genro
Governador de Estado

Excelentíssimo  Senhor
Alexandre Postal
Presidente da Assembleia Legislativa do Estado

Excelentíssimo  Senhor
Helio Corbellini
Secretário Estadual do Meio Ambiente


Imagens: Zero Hora
Site Poa resiste

05 dezembro 2010

Imperdível-Terça na Fabico-18:30- Dossiê sobre Silvicultura e Celulose no RS

Imperdível, quem já teve o prazer de dar uma olhadinha nessa trabalho afirma que:

Na Terça Ecológica do EcoAgência, Conceição Carrion apresenta o Dossiê sobre a implantação da Silvicultura no Pampa. Pesquisado desde 2004, conta com farto material que permite aos observadores perceberem como se deu, inclusive no imaginário do gaúcho, a implantação da política da Silvicultura/celulose aqui no Rio Grande do Sul.

A separação dessa genial obra em títulos e subtítulos, semeia a criatividade e oportunizara entendermos a imposição dessa monocultura por setores poderosos da nossa sociedade, realidade pela qual o povo riograndense passou e ainda passa.

Afirmo que a fórmula utilizada aqui no Sul do Brasil para ocupação do solo pelas monocultivo de pinus e eucalipitos é semelhante à ocupação feita na América Latina e mundo, pois a silvicultura ainda avança nos países classificados como “emergentes” ou “subdesenvolvidos” (com bons reservatórios de água, é claro)...

A amiga Conceição Carrion segue firme em sua corajosa pesquisa, cujo Dossiê, com matérias publicadas pela grande mídia, acaba provando, inclusive, que a lógica do lucro ainda impera, indicando as alianças entre as classes abastadas- "donos do poder", com de setores do mundo politicos, empresarial e transnacionais.

Dia especial contando com depoimentos especiais de:

Ludwig Buckup.

Paulo Brack.

Glayson Bencke.

Silvia Pagel.

Rodrigo Venzon.

Está valendo conferir!

Até la... (é na terça dia 07, 18:30 na Fabico).

Mogdema

Agapan

14 dezembro 2009

17 DE DEZEMBRO – DIA DO BIOMA PAMPA

17 DE DEZEMBRO – DIA DO BIOMA PAMPA


Depois de muita luta, conseguimos recursos para fazer uma pequena edição em português de "La Fraude da Celulosa" (A Fraude da Celulose).


Resolvi traduzir essa obra por que ela faz um contraponto às desinformações veiculadas por nossa grande mídia, que colocam o modelo florestal da celulose como a salvação econômica da metade sul do RS. Nela, o autor comprova que as promessas do setor são uma fraude, ou seja, ela aumenta a exclusão social, pois emprega ainda menos gente que o grande latifúndio e concentra renda nas mãos de poucos grupos. Demonstra ainda que estas corporações estão se instalando aqui pela terra e mão de obra extremamente baratas para os padrões europeus, por órgãos ambientais sucateados e sem condições de fazer um monitoramento adequado e incentivos e isenções fiscais que não obteriam em nenhuma outra parte do planeta.

Tudo isso também por que a Europa, em função do imenso passivo ambiental dessa atividade, começou a fazer exigências que diminuiram muito a lucratividade dessas empresas lá.

Antes da sessão de autógrafos, 6a. feira às 18h30min na Livraria Palmarinca, o autor falará sobre o assunto no dia 17 (programação abaixo), juntamente com o professor Valério Pillar, do Depto de Ecologia da UFRGS.
Grato,,
Renzo Bassanetti




Palestras

IMPACTOS SÓCIO-ECONÔMICOS E AMBIENTAIS DA SILVICULTURA PARA CELULOSE NO CONE SUL

Jornalista Victor Bacchetta, do Uruguai (autor de “A Fraude da Celulose”)


AMEAÇAS DAS MONOCULTURAS ARBÓREAS À BIODIVERSIDADE DO BIOMA PAMPA

Professor Valério Pillar, do Departamento de Ecologia da UFRGS

Local e horário: Plenarinho da Assembléia Legislativa, às 19 h

Realização e apoio:


Ingá - Semapi - SindiÁgua, Sinpro CS e Sindisprev RS




20 março 2009

PROPOSTA DE EMPREGO

Guilherme Dornelles, Membro do Conselho Superior da Agapan

Precisa-se de pessoa que consiga convencer os políticos à não aprovarem financiamentos com verbas públicas (dinheiro dos impostos e outras receitas) para projetos ou para os chamados mega-empreendimentos ou pacotes tecnológicos, como por exemplo:


* implantação, duplicação ou quadruplicação de plantas industriais de papel e celulose que utilizam cloro no branqueamento do papel gerando os chamados “ultravenenos” ou dioxinas;


* construção de grandes e médias hidroelétricas que alagam terras férteis derrubam florestas, alteram o regime hidrológico das regiões, colocam em risco de extinção diversas espécies da flora e fauna e expulsam os agricultores que vão engrossar as favelas das médias e grandes cidades;


* plantio e comercialização de sementes transgênicas devido ao desconhecimento quanto aos seus efeitos nocivos à saúde humana, animal e ambiental e a dependência e segurança alimentar do nosso povo pelo patenteamento destas sementes pelas grandes indústrias de agrotóxicos (pagamento de “royalties”);


* construção de usinas atômicas para produção de energia elétrica, devido aos riscos de acidente nucleares ( Tchernobyl, Césio 137 em Goiânia) e a impossibilidade técnica de solução para disposição segura dos rejeitos radioativos – lixo atômico;


* monoculturas em grandes áreas da Amazônia e do Cerrado que venham substituir a vegetação original, cujo decréscimo vem provocando interferência na circulação atmosférica da umidade, trazendo como conseqüência mudanças perigosas no regime das chuvas e deslocamentos das massas de ar, tornando imprevisíveis a agricultura e a produção de alimentos;


* implantação de plantas industriais que introduzam produtos ou substâncias no ambiente com potencial estrogênico - que provocam diminuição da fertilidade em mamíferos, répteis e anfíbios e responsáveis por câncer de útero e de testículos, dentre outros - como plásticos à base de petróleo, detergentes, pvc, agrotóxicos, etc.; instalação de ERBs (antenas de celular) próximo à residências, locais de trabalho, áreas de lazer, etc. devido aos efeitos deletérios das ondas e campos eletromagnéticos não-ionizantes;


* produção de moradias energívoras ( edifícios acima de 05 pavimentos e ou prédios sem projeto de conservação de energia) e produção de moradias em grandes loteamentos em áreas de preservação permanente; construção de mega-estações de tratamento de esgotos ou obras que visem “levar” o esgoto para ser tratado em outra bacia hidrográfica;

NENHUMA POSSIBILIDADE DE PROGRESSÃO

SEMANA DE 07 DIAS

NÃO OFERECEMOS: vale alimentação, vale transporte, plano de saúde e aposentadoria;

SALÁRIO: nenhum

VAGAS: incontáveis

ENDEREÇO PARA CONTATO: AGAPAN

e-mail: agapan.comunica@gmail.com


Foto "Mãos fazem o pão" de Kriss Szkurlatowski/ Polônia