Mostrando postagens com marcador agronegocio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador agronegocio. Mostrar todas as postagens

22 agosto 2014

Agronegócio: a farsa do admirável mundo novo

Por Najar Tubino
Carta Maior

No início de agosto os plantadores de soja e milho no Mato Grosso estavam revoltados com o prejuízo que a lagarta do cartucho promoveu na safrinha. Uma saca do milho transgênico da Monsanto custa R$ 450,00, enquanto a do convencional custa R$ 250,00, dizia um plantador de Campo Verde, ao lado de Primavera do Leste.

“- Fiz quatro aplicações no milho convencional da área de refúgio e três no milho transgênico.”

O transgênico comprado já vem com o veneno contra a lagarta, ou seja, compraram gato por lebre. Um dirigente da APROSOJA, a associação representa a classe no maior estado produtor de grãos do país, também se mostrava indignado, informava que a entidade entrou com uma ação de questionamento contra quatro empresas produtoras de sementes – Monsanto, Dupont, controladora da Pionner, Syngenta e Basf.

Esse é o resumo da ópera da disseminação pelo planeta de sementes transgênicas, nos últimos 20 anos, contando pela experiência dos Estados Unidos, país que lidera o plantio e também a venda desses produtos.

Em 2012, quase na mesma época 34 agricultores brasileiros, muitos do Mato Grosso, ganharam um concurso da Monsanto chamado “OS ELEITOS”, entre 500 concorrentes de todas as regiões do país. Eles foram os pioneiros no plantio da nova semente da Monsanto – Intacta RR2 PRO -, chamada de segunda geração, produzirá uma planta imune a dois tipos de herbicidas e também aos insetos.

“- Fiquei impressionado com a quantidade e o cuidado com a pesquisa para a resistência de pragas. Não imaginava que havia tanta tecnologia por trás do processo de desenvolvimento”, disse Rafael Kummel, da Fazenda Dr. Paulo, de Nova Mutum (MT), a 250 km de Cuiabá, onde marca o início das lavouras na BR-163, corta a Amazônia ao meio em Santarém (PA).


Carta ao Papa

No final de abril deste ano, um grupo de oito pesquisadores – Ana Maria Primavesi, Andres Carrasco, Elena Alvares-Buylla, Pat Mooney, Paulo Kageyama, Rubens Nodari, Vandana Shiva e Vanderley Pignati – enviaram uma carta ao Papa Francisco tratando do assunto.

“- A transgenia é uma ameaça aos camponeses, à soberania alimentar, à saúde e à biodiversidade no planeta. Ela reduz a produtividade, provoca o aumento exponencial do uso de agrotóxicos. É um instrumento chave para facilitara maior concentração corporativa da história da alimentação e da agricultura. Seis empresas transnacionais controlam a totalidade dos transgênicos semeados comercialmente. Como resultado do avanço da industrialização da cadeia alimentar nas mãos das corporações do agronegócio, aumentou o número de desnutridos e obesos, fenômeno que agora é sinônimo de pobreza e não de riqueza. O sistema agroindustrial produz 30% dos alimentos do mundo e usa 80% das terras e consome 70% da água. A tecnologia transgênica é uma técnica inexata sobre a qual não se tem controle de suas consequências”.

Fiz um resumo, porque além da carta os pesquisadores anexaram um documento técnico que é um resumo sobre os acontecimentos nesta área nos últimos 20 anos. Principalmente, pelo fato de tamanha mudança na produção de alimentos seja cercada de todo tipo de barreira, para discutir as fórmulas que as corporações usam para obter seus resultados. E o que é pior: quando um pesquisador inicia uma pesquisa que desmente tais resultados é logo execrado. Os pesquisadores também relataram o caso da soja na Argentina, de onde saíram os grãos contrabandeados para o Rio Grande do Sul, na implantação da transgenia no Brasil. São quatro mil fundos especulativos que arrendaram terras e hoje participam na produção de 55 milhões de toneladas de soja, o terceiro maior produtor mundial – o primeiro é o Brasil com 81 milhões, o segundo Estados Unidos com mais de 80 milhões. Ou seja, dos 267milhões de toneladas de soja produzidas no mundo, os três países contribuem com 216 milhões.

“Admirável Mundo Novo” é um livro escrito pelo inglês Aldous Huxley, neto do biólogo Thomas Huxley, parceiro de Charles Darwin, no lançamento da Teoria da Evolução. Foi escrito em 1932, trata do avanço da industrialização, é uma metáfora, e constrói um mundo futurístico, onde as pessoas são divididas em castas desde o nascimento, andam de helicóptero, tomam um comprimido para alcançar a felicidade, tratam do corpo como um espetáculo e são cercados por uma tela metálica elétrica – 60 mil volts -, que os separam dos “selvagens”.

Pesquisando nos últimos dias sobre o tema da transgenia encontrei um artigo numa revista do interior paulista onde falava do “Admirável Mundo Transgênico”. Daí o título. Este é o primeiro fato. No início dos debates, antes da liberação da transgenia no Brasil, no início dos anos 2000, era comum professores de universidades, pesquisadores das mais variadas instituições defenderam a transgenia, como algo que mudaria a vida dos habitantes do planeta. Sempre citando a segunda e, mais recentemente, a terceira geração. Então tudo era possível: de frutas com mais vitamina C, de grãos enriquecidos com diferentes vitaminas, até os alimentos vacinas – “imagina uma criança comer uma banana e ficar vacinada contra a poliomielite?”.

Qual é a realidade em 2014? A lagarta do cartucho comendo o milho transgênico. E mais: a APROSOJA e seus associados ganharam da Monsanto uma cobrança de royalties que eles pagaram a mais pela primeira semente, porque a patente estava vencida. O Supremo Tribunal de Justiça julgou a questão e mandou a Monsanto pagar R$215 milhões aos plantadores. Resultado: a entidade fez um acordo com a corporação para descontar R$18,50 durante quatro anos dos próximos royalties que eles pagarão pela semente Intacta RR PRO, recém- lançada. Resumindo: eles pagavam R$ 26,00 por hectare pela primeira semente, e agora vão pagar R$ 96,50 – com o desconto – pela segunda semente. Não é uma beleza?

Entretanto, a questão dos transgênicos na realidade é somente mais um componente da atual situação da produção de alimentos industriais no mundo. O domínio das corporações é total. Na comercialização e exportação dos grãos apenas quatro empresas dominam 75% dos negócios – Cargill, Louis Dreyfus, Bunge e ADM. O faturamento das quatro em 2013 passou de US$230 bilhões. A maior delas, a Cargill, alcançou US$ 136,7 bilhões, seguida pela Louis Dreyfus – a única da Europa – com US$ 66 bilhões, as outras duas, Bunge e ADM, na casa dos US$ 15 bilhões. A questão não é somente soja, farelo e óleo, elas dominam os principais grãos, mais cacau – caso da francesa Louis Dreyfus-, açúcar e todos os derivados possíveis.

Proteína na salsicha

A Cargill tem a marca Innovatti e a Bunge, uma associação com a Dupont, com a marca The Solae Company. Em resumo, elas produzem proteína isolada de soja, que é utilizada na produção de suplementos alimentares, alimentos funcionais, bebidas líquidas e em pó e barras de cereais. A proteína concentrada é empregada na fabricação de salsichas, mortadelas ou itens que levam carne moída. A lecitina de soja, outro derivado, e encontrada em qualquer produto do mercado, de sorvete a biscoitos, chocolates. Em 2013, a indústria de alimentação no Brasil teve um faturamento de R$ 487 bilhões, sendo que 85% desses alimentos são processados.

Sobre a Cargill, tem um adendo: há 14 anos, ela mantém no Brasil o Banco Cargill S/A, com ativos de quase R$ 2 bilhões, e carteira em vários segmentos: financiamento rural, câmbio, gerenciamento de riscos. É corrente a história no Mato Grosso, que a maioria dos plantadores de soja e milho está nas mãos das “tradings”, que financiam as lavouras, adiantam dinheiro e insumo, em troca da safra futura. A pesquisadora Emilia Jomalinis de Medeiros Silva, da UFRJ tem um trabalho sobre o funcionamento das tradings no MT e o avanço da soja na BR-163. Ela cita a safra 2005/2006 quando o financiamento chegou a R$ 30 bilhões.

Parceiras na dominação

A natureza sabe que o orgânico é  melhor.
O fato é que as corporações dominam o planeta de cabo a rabo. Na área de sementes e agrotóxicos começaram a realizar pesquisas conjuntas, para reduzir custos. Em 2013,

Monsanto e Basf lançaram um milho transgênico que eles dizem ser “tolerante à seca”. É assim que é divulgado, como se fosse possível. A boca pequena os executivos dizem que é “resistente a uma seca moderada”. Lembrando que o lançamento sempre ocorre primeiro nos Estados Unidos, onde o Meio-Oeste sofreu a maior seca dos últimos 50 anos. Bayer e Syngenta se preparam para lançar uma semente de soja transgênica para a América Latina em 2015. A Bayer só tem 0,5% desse mercado e quer chegar a 2%. A Pionner (Dupont) pagou quase dois bilhões de dólares para ter acesso às sementes de segunda geração transgênica.

Integrados de luxo

Claro, todo esse movimento envolvendo a soja para vender aos chineses, que em 2013 compraram 62 milhões de toneladas, para transformar em ração para aves e suínos. Eles compram grãos, porque Cargill, Bunge e ADM estão expandindo o esmagamento de soja na China, construindo fábricas ou se associando com empresas locais, inclusive estatais. A industrialização da soja na China saltou de 4% para 27%, na Argentina foi de 9 para 16%, porque existem facilidades e menores custos na exportação. No Brasil, o maior produtor, se manteve em 16%, e nos Estados Unidos caiu de 37% para 21%. As corporações calculam que o mercado de rações na China continue crescendo 5% ao ano.

Luiz Carlos Oliveira Lima, também da UFRJ, é o autor da pesquisa “Sistema de Produção de Soja um Oligopólio Mundial”. Ele registra:

“- As empresas aumentam a escala de operações, aprofundando a concentração e a centralização do capital na indústria da soja e derivados, visando aumentar sua liderança no mundo global. O cluster de empresas globais é caracterizado pela sua inserção no oligopólio mundial de soja, integrando a atividade industrial com bancos corporativos e, pelo investimento estratégico em aquisições e fusões, em produção, em logística integrada e gestão do conhecimento. O cluster de empresas globais adotou como mecanismo de coordenação a organização multidivisional e em rede, integrando produtores de grãos de soja, que foram incorporados como fornecedores de matérias-primas necessárias na produção de óleo e farelo”.

Alimento de péssima qualidade

Ou seja, não são produtores, são tarefeiros de luxo, executam pacotes tecnológicos que as corporações vendem. Não decidem nada, a não ser o avanço na fronteira agrícola, porque o “mundo” precisa de soja. Nessa estratégia avançaram na Amazônia, desde que a Cargill montou um terminal em Santarém no início dos anos 2000. E o avanço vai aumentar, com a transformação do distrito de Mirituba, no município de Itaituba (PA), em estação de transbordo – os caminhões trazem a soja e o milho em caminhões pela BR-163 e descarregam nos comboios de balsas, que entregarão no terminal de Barcarena (PA). A Bunge investiu R$700 milhões nessa operação, que já está funcionando. E ainda se associou com o grupo do senador Blairo Maggi, criando a Navegação Unidas Tapajós Ltda., com aporte inicial de R$300 milhões.

Tudo isso para aumentar a oferta de carnes de aves, suínos, patos, perus no mundo. Que são criados de uma forma “homogênea”, como definem os manuais técnicos. São galpões de 126 metros de comprimento por 16 metros de largura e capacidade para 31.500 frangos. Para o bem-estar dos frangos a União Avícola Brasileira preconiza 39 kg por metro quadrado. Um frango é abatido aos 42 dias em média, com 2,3 kg. Significa que, ao atingir dois quilos convivem 20 frangos por metro quadrado. Mais: eles não são criados com hormônios, como se divulga popularmente. Não, as corporações químicas descobriram que os antibióticos – vários de uso para humanos – funcionam como “promotores de crescimento”, dando um impulso de 10% e mais 10% na conversão alimentar, que é a medida de quanto o frango come em ração e converte em carne.

Por sinal, recentemente a Comissão Técnica de Avicultura da Federação da Agricultura do Paraná, estado maior produtor de frangos – 3,8 milhões de toneladas-, promoveu um debate entre os integrados, termo que define os criadores de frangos, que são funcionários das empresas, sem a estabilidade e os direitos trabalhistas. Eles reclamam dos contratos “leoninos”, que são obrigados a cumprir. Eles ganham conforme a eficiência na conversão alimentar dos frangos.

Tudo definido pela empresa, que traz todo o pacote até a propriedade do integrado. Se o frango não converte o que está no contrato, ou se os componentes da ração – fabricada pela empresa – mudarem, e for impossível ter tal ganho de peso, azar do integrado.

Este é o panorama do agronegócio mundial, que mais uma vez no Brasil, se prepara para reforçar sua bancada no Congresso e implantar sua plataforma política, e como bons integrados, tarefeiros das corporações, cumprir as metas globais. O custo, o restante da população continuará pagando: na saúde, pela destruição dos ecossistemas, pela contaminação das águas, pela destruição de margens e nascentes de rios. Por comer um alimento de péssima qualidade.

Carta Maior



Imagem: sem creditos/ papel parede.

07 agosto 2013

Lavouras transgênicas e o retrocesso ambiental é tema do Agapan Debate da próxima segunda-feira, 12


" Peru: Não ao Milho das plantas Frankenstein": campanha contra lei dos Transgênicos no Peru.



O Agapan Debate da próxima segunda-feira (12/8) vai abordar sobre "As lavouras transgênicas e o desenvolvimento gaúcho: promessas, resultados e riscos sob a perspectiva do retrocesso ambiental”.  O debate, aberto ao público, inicia às 19h e será realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. Participam o engenheiro agrônomo e doutor em Engenharia de Produção, Leonardo Melgarejo; o doutor em Biotecnologia pela Ufrgs, Júlio Xandro Heck; e o advogado-ambientalista José Renato de Oliveira Barcelos, autor do livro A Tutela Jurídica das Sementes, lançado pela Editora Verbo Jurídico.
Prateleira de supermercado com campanha Anti-Transgênicos. (Foto: infiny foods)

A proposta do Agapan Debate é aprofundar as informações sobre os transgênicos, especialmente quando o Conselho Administrativo do Feaper (Fundo Estadual de Apoio aos Pequenos Empreendimentos Rurais) aprovou, em 23 de abril deste ano, a reintrodução das sementes geneticamente modificadas (transgênicas) no Programa Troca-troca de Sementes de Milho. A medida vale para a safra 2013/2014.



"Ilustração" para o Milho Transgênico.

DEBATEDORES

Leonardo Melgarejo é membro do GEA-NEAD (Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade - Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural, representante do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural, doutor em Engenharia de Produção, extensionista rural da Emater/RS-Ascar, atuando no INCRA.

 Júlio Xandro Heck, graduado em Química Industrial de Alimentos, Mestre em Microbiologia Agrícola e do Ambiente e Doutor em Biologia Celular e Molecular (Biotecnologia) pela Ufrgs. Fez pós-doutorado no Laboratório de Biotecnologia do Instituto de Ciência e Tecnologia da Ufrgs . Foi professor substituto no Departamento de Química Inorgânica do Instituto de Química e professor do curso de Especialização em Ciência e Tecnologia de Alimentos do ICTA - Ufrgs. Atualmente é Pró-reitor de Pesquisa e Inovação do IFRS (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), na sede da Reitoria, em Bento Gonçalves/RS. Tem experiência nas áreas de Microbiologia, Processos Fermentativos, Bioquímica, Alimentos transgênicos, Purificação de proteínas, Química e Bioquímica de Alimentos. Possui publicações nos seguintes assuntos: cultivo em estado sólido, otimização de bioprocessos, xilanases, purificação de proteínas, transgênicos e qualidade de águas naturais.

 José Renato de Oliveira Barcelos é advogado- ambientalista, pós-graduado em Direito Ambiental Nacional e Internacional. Foi assessor jurídico das Federações dos Trabalhadores da Agricultura do RS (Fetag) e do PR (Fetaep) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag). Foi chefe da Assessoria Jurídica da Emater/RS-Ascar, onde, por 15 anos, exerceu a função de extensionista rural. Presta assessoria jurídica a diversos sindicatos em defesa da agricultura familiar. Atualmente, se dedica aos estudos do Agroambientalismo, com abordagem socioambiental.


 
SERVIÇO:

AGAPAN DEBATE

Dia 12 de agosto  às 19 horas
Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs
Rua Sarmento Leite, 320
 

Facebook: Agapan Associação
Twitter: @agapan_rs


Obs. Vamos fazer uma grande "vitrine" com as embalagens de Transgênicos, se possível venha com as suas  embalagens.

Assessoria de Imprensa da Agapan

Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

05 julho 2013

Conselheira da Agapan palestra sobre Agrotóxicos e o equilíbrio de Gaia na próxima terça-feira, na Livraria Cultura


“Impacto dos agrotóxicos no equilíbrio de Gaia” é tema da palestra que a farmacêutica especialista em toxicologia e conselheira da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Ana Valls, fará na próxima terça-feira, dia 9, às 19h, no auditório da Livraria Cultura, em Porto Alegre. Com entrada franca, a palestra integra os debates promovidos pela Fundação Gaia – Legado Lutzenberger realiza nas segundas terças-feiras de cada mês.

O objetivo da palestra de Ana Valls é apresentar e discutir sobre os danos mais graves provocados pelos agrotóxicos e como evitá-los. Inicialmente, Ana apresentará um histórico dos agrotóxicos na sociedade humana com seus impactos no planeta Terra, chegando à situação atual. “Na época em que foi criada a nossa pioneira lei para controlar os agrotóxicos, em 1982, ainda havia como classificá-los em grupos, hoje com o avança da química isto está muito complicado” alerta Ana.

O principal enfoque da palestrante serão questões de saúde decorrentes do uso e aplicação dos agrotóxicos. Segundo ela, é muito importante saber o que cada um pode fazer para evitar o mal provocado por eles, o que será bastante ressaltado na palestra.

Ana Valls atua na área de análise dos agrotóxicos nos alimentos. Além de conselheira da Agapan, é fundadora da Associação Brasileira de Agroecologia. Atualmente sua atuação está voltada para questões de mobilização ambiental e saúde pública. Integra o Conselho Estadual de Saúde, representando a Agapan.

O Auditório da Livraria Cultura no Bourbon Shopping Country, em Porto Alegre, fica na rua Túlio de Rose, 80. Os interessados podem obter certificado de participação nas palestras devem enviar e-mail para reservas@fgaia.org.br.


Assessoria de Imprensa da Agapan, 
com apoio da Fundação Gaia

09 dezembro 2011

Essa é uma lei da produção agrícola e não tem nada a ver com o Código Florestal

Entrevista especial com Francisco Milanez

“Para manter esta orgia de crescimento econômico e exportação, aprovam um Código que autoriza aumentar a área plantada”, declara o ambientalista.

Confira a entrevista.














A aprovação do Código Florestal no Senado na noite de terça-feira representa “perdas para uma lei que é essencial para a manutenção da saúde econômica do país”, avalia Francisco Milanez, em entrevista concedida por telefone à IHU On-Line. Aprovada por 59 votos a favor e sete contra, a reforma do Código Florestal não considerou os efeitos das mudanças climáticas no meio ambiente. De acordo com ele, “nesta conjuntura, o Brasil deveria estar aumentando as suas proteções às florestas. Estamos vendo o Brasil andando contra a corrente e reduzindo as suas proteções naturais, as proteções de nascentes, das matas ciliares”.

Na avaliação do ambientalista, as alterações na legislação causarão impactos ambientais e agrícolas. “O assoreamento provocado pelas chuvas e enchentes vai arrancar as plantações. Hoje os rios estão cada vez mais rasos por causa da agricultura, e agora, cada vez que tiver uma chuva menos intensa, teremos perda de safra e lavoura. Teremos seca, porque as nascentes serão destruídas, diminuirá a

retenção de umidade no ar que é fruto da evapotranspiração, pois este processo é fortemente produzido pelas florestas”, esclarece.

Para Milanez, a medida parlamentar, que propõe restauração de áreas degradas em vez do pagamento de multas, será ineficiente. Ele explica: “Os desmatadores serão anistiados e vão fingir que estão recuperando as áreas degradadas. Vão plantar culturas exóticas e dizer que isso é recuperação florestal. Desde quando eucalipto é recuperador da natureza?”

Francisco Milanez é educador ambiental, arquiteto, biólogo e membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural – Agapan e da Fundação para o Desenvolvimento Ecologicamente Sustentado – Ecofund.

Confira a entrevista.

IHU On-Line Como o senhor avalia a aprovação do novo texto do Código Florestal no Senado?

Francisco Milanez A aprovação deste texto é uma tristeza porque estamos diante de uma crise mundial acelerada. A mudança climática é uma realidade, está começando causar prejuízos profundos para o planeta, e até os conservadores já não negam a desorganização climática e a aceleração com que ela está acontecendo. Nesta conjuntura, o Brasil deveria estar aumentando as suas proteções às florestas. Estamos vendo o Brasil andando contra a corrente e reduzindo as suas proteções naturais, as proteções de nascentes, das matas ciliares.

IHU On-Line Quais são, em sua avaliação, os principais equívocos e acertos do novo texto? O que mudou em relação à proposta inicial de Aldo Rebelo?

Francisco Milanez O texto melhorou, mas a base é a mesma. Nenhum país no mundo poderá ser chamado de sério quando pratica crimes e depois utiliza o poder econômico para descriminalizá-los. Uma sociedade que decide que determinado comportamento deve ser considerado um crime e depois modifica a lei para autorizar este crime dá péssimos exemplos para as futuras gerações.

Implicações ambientais

Com a aprovação deste texto, em poucos anos não haverá mais água para a agricultura e a produção agrícola não irá sobreviver às secas e enchentes frequentes. O assoreamento provocado pela agricultura provocará enchentes e irá destruir as plantações. Hoje os rios estão cada vez mais rasos por causa da agricultura, e agora, cada vez que tiver uma chuva menos intensa, teremos perda de safra e lavoura. Teremos seca, porque as nascentes serão destruídas, aumentará a retenção de umidade no ar que faz toda a evapotranspiração, pois este processo é fortemente controlado pelas florestas. A Amazônia, por exemplo, controla as chuvas no Sul e na América toda através do sistema de controle térmico e de umidade. O que dizer desta seca terrível em Porto Alegre?

Os parlamentares utilizaram do seu poder de forma troglodita para andar contra a história. Com a aprovação deste texto, os centros urbanos sofrerão em função da comida mais cara, enquanto que os políticos continuarão escravizados pelas empresas que eles obedecem de cabeça baixa. A agricultura é controlada por esquemas internacionais e esses “vassalos”, ao mudarem a lei, estão prejudicando a própria produção.

O que aconteceu é uma loucura, é difícil falar sobre isto. Desculpe a minha aparente agressividade, mas eu ainda tenho emoções. É muito difícil entender um país camicase. Como um Congresso Nacional aprova um código como este? Quem votou a favor ou é um boçal, ou é corrupto. Uma pessoa com dois neurônios funcionais não pode dizer que este Código será bom para a agricultura. Falam que para alimentar o mundo temos que aumentar a área plantada. Isso é uma estupidez. Mas por que não falam mais de produtividade, como falavam anos atrás? Porque a tecnologia da revolução verde, juntamente com a transgenia, tem diminuído a produtividade. Então, para manter esta orgia de crescimento econômico e exportação, aprovam um Código que autoriza aumentar a área plantada.

Estamos desqualificando a alimentação, utilizando mais agrotóxicos. A própria Organização Mundial de Saúde – OMS aumentou a tolerância para agrotóxicos em seres humanos, e agora os agrotóxicos “passaram a fazer menos mal”, porque aceitamos mais agrotóxico na comida, e, obviamente, os transgênicos são feitos para isso. Tudo é uma piada. Estamos piorando a nossa alimentação, diminuindo a produtividade e destruindo mais florestas e contaminando a água, que ainda são as únicas coisas saudáveis que temos para compensar tanta destruição. Nós vamos ficar sem água. O Rio Grande do Sul é talvez a segunda região mais rica em água no Brasil e duas bacias hidrográficas já estão sem água: a do Santa Maria e a do litoral norte.

IHU On-Line A decisão de anistiar as multas, caso os proprietários de terras recuperem as áreas, é uma decisão ambígua?

Francisco Milanez Não acredito nesta medida. Os desmatadores serão anistiados e vão fingir que estão recuperando as áreas degradadas. Vão plantar culturas exóticas e dizer que isso é recuperação florestal. Desde quando eucalipto é recuperador da natureza?

Eu sempre fui favorável a medidas que não prejudicassem os produtores; mas, para isso, é preciso dialogar com eles. Nossa finalidade não é punir ninguém, mas proteger a natureza. A ideia de as pessoas recuperarem as áreas florestais, em lugar de pagarem multas, não é ruim. Mas não é preciso criar uma lei. A autoridade administrativa tem que ter o poder de intimar as pessoas a recuperarem as áreas degradadas. Quando há a necessidade de criar uma lei para recuperar tais áreas, com certeza existe alguma “coisa mal explicada” por trás.

IHU On-Line Então o senhor concorda que o novo texto deixa brechas para intensificar o desmatamento?

Francisco Milanez Caso aprovado, o novo Código Florestal irá aumentar, autorizar e regularizar o desmatamento. Essa é uma lei da produção agrícola e não tem nada a ver com o Código Florestal.

Se o momento que vivemos hoje é de crise por causa da falta de florestas, por falta de água, deveríamos criar uma lei mais exigente que garantisse a produção de mais reservas legais, ou, na pior das hipóteses, manter as reservas que já temos, em vez de diminuí-las. O Brasil está desrespeitando todos os tratados internacionais de biodiversidade, mudanças climáticas, que o país assinou. Isso é estelionato. Não tem outro nome.

IHU On-Line Entre as propostas do novo texto está a de que os proprietários de terras de 20 a 400 hectares não precisem recuperar a reserva legal. Quais as implicações dessa medida e da não proteção de reservas legais?

Francisco Milanez Essa medida é a legalização do crime. Além de os desmatadores não terem de pagar a multa, não precisarão recuperar as áreas desmatadas ou preservar as reservas legais.

Recentemente, um parlamentar disse que o Brasil não tinha dinheiro para recuperar as áreas degradadas, porque isso custaria o dobro do Produto Interno Bruto – PIB. Isso é ridículo. Recuperar áreas degradadas é a coisa mais barata que existe. Além disto não é o governo que tem que recuperar as áreas e sim quem degradou. 80% das propriedades do país têm de 20 a 400 hectares. Portanto, esse é o percentual de proprietários é quase todos os agricultores.

Poderia haver um conselho que, em raríssimas exceções, autoriza-se a produção em áreas que deveriam ser preservadas. Têm milhares de propriedades que, ambientalmente, não estão em condições de produzir e agora os proprietários querem desmatá-las para investir em produção. Mudar a lei depois que os crimes foram feitos é uma loucura. Por que determinaram de 20 a 400 hectares? É uma decisão estúpida.

IHU On-Line O Código Florestal vigente deveria ser alterado?

Francisco Milanez Toda lei pode melhorar, mas, antes, ela precisa ser cumprida. O Código Florestal vigente não é cumprido. As mudanças propostas no novo Código não têm uma explicação séria. Da mesma maneira que não existe uma explicação séria para um país se ajoelhar diante de seis multinacionais e aceitar o patenteamento da vida, como aceitamos há alguns anos atrás, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. É por isso que hoje o Brasil paga um monte de royalties a troco de nada por causa da soja que a Embrapa “fez o favor” de cruzar com a soja RR patenteada. Isso não tem explicação. Existe muita corrupção, falsos cientistas e muita sujeira a ser levantada por trás dessas instituições de interesse, que cada vez mais governam o mundo.

IHU On-Line Qual sua expectativa em relação à decisão da presidente Dilma?

Francisco Milanez Eu quero ver se a presidente tem palavra. Acreditei quando ela disse que vetaria o texto caso ele fosse aprovado. Estou apostando que ela irá cumprir o que disse.

IHU On-Line Deseja acrescentar algo?

Francisco Milanez Uma questão importante é que não existe nenhuma lei superior ao Código Florestal em termos de preservar a qualidade de vida e a produção agrícola. Daqui a cinco anos, quero ser crucificado ou ver os congressistas que aprovaram essa lei crucificados. Quero que a população não esqueça o nome desses congressistas que aprovaram o texto do Código Florestal, que a carreira política deles acabe ou que eu seja difamado por ter dito o óbvio. Alguém tem que ser responsabilizado neste país caso esse Código seja aprovado. Não é possível que tenhamos de pagar mais tarde por essa decisão irresponsável. Os congressistas que votaram favoravelmente ao texto devem ser responsabilizados pela destruição agrícola, pela fome, pela desgraça dos agricultores. É triste acabar um ano assim. Vejo perdas para uma lei que é essencial para a manutenção da saúde econômica do país.

Fonte: IHU On-Line

06 julho 2010

Ciclo de Debates: Agronegócio: impactos no homem e no ambiente


Os impactos na saúde do trabalhador e no ambiente gerado pelo uso de agrotóxicos é o tema de dois encontros com palestra e debates realizados pelo Semapi nos dias 12 e 30 de julho. O evento servirá para reconhecer os efeitos danosos à saúde dos trabalhadores envolvidos na atividade laboral do agronegócio, ou seja, quem está no contato direto com o veneno e com a terra. O debate também mostrará o reflexo disso para quem está na cidade.

O público alvo será trabalhadores e militantes dos setores de saúde, ambiente e agricultura e representantes dos movimentos sociais e sindicais.

Data do I Encontro: 12 de julho de 2010

Palestrantes:

- Vanira Matos Pessoa
- Enfermeira, Mestre em Saúde Pública, Especialista em Educação Comunitária em Saúde, Integrante do Núcleo Tramas – Trabalho, Meio Ambiente e Saúde para a Sustentabilidade/ Universidade Federal do Ceará;

-Sebastião Pinheiro
– Engenheiro Agrônomo e Florestal, Ambientalista, membro do Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Ação em Agricultura e Saúde (GIPAAS);

- Lia Giraldo da Silva Augusto
– Médica, Mestre em Clínica Médica, Doutora em Ciências Médicas, professora da Universidade de Pernambuco e pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz.

Data do II Encontro: 30 de julho de 2010

Palestrantes:
- Fernando Carneiro - Biológo, Especialista emVigilância em Saúde Ambiental, Mestre em Ciências da Saúde, Doutor em Ciência Animal, Professor do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB;
- Marcelo Firpo - Engenheiro de Produção e Psicólogo, Mestre e Doutor em Engenharia de Produção, Doutor e Pós-Doutor em Medicina Social, pesquisador titular do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana da Fundação Oswaldo Cruz.

Apoio da Secretaria de Meio Ambiente da CUT/RS.

Mais informações podem ser obtidas no Setor de Saúde do Trabalhador do Semapi pelo 51-3287-7500.
Não é preciso inscrição prévia. Será fornecido certificado.

Dias: 12 e 30/ Julho
Hora: 13h30 às 18hs.
Local: Porto Alegre (Auditório do SEMAPI / Rua General Lima e Silva, 280)


Semapi/ AGAPAN

20 novembro 2009

Abaixo assinado Contra a PL 154 que objetiva terminar com o CODIGO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE DO RS.


Clique no link e assine:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5246



Você sabia que a PL-154 está Derrubando as Leis do Código Estadual do Meio Ambiente?

Neste momento de desequilíbrio climático e planetário, a Legislação Ambiental do Rio Grande do Sul sofre uma agressão sem precedentes.

Falamos do Projeto de Lei e Estadual nº 154, que tramita em nossa Assembléia Legislativa que tem como proponente o setor agrícola do estado com objetivo de expandir a área plantada, com o sacrifício do que ainda resta de cobertura vegetal e atropelando qualquer tentativa de agricultura sustentável.

Pedimos que você assine e que lute conosco, pois a única arma da sociedade é assinando este abaixo-assinado, mandando e-mails contra este projeto de lei para os deputados, e através do voto, pois em 2010 será um ano de eleições e estes deputados a favor da 154 não merecem continuar em seus cargos.

Clique no link e assine:

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5246

O que a PL 154 quer fazer?

1. Termina com Sete (07) Leis Ambientais.

2. Reduz as Áreas de Preservação Permanente.

3. Termina com as Áreas de Reserva Legal (para Controle do Desmatamento)

4. Retira 13 artigos que OBRIGAM O ESTADO A PRESTAR CONTAS sobre as condições ambientais para a população.

5. Retira diversos conceitos importantes como: Animais Silvestres, Estudo de Impacto Ambiental (EIA RIMA),

6. Permite que Estímulos e Incentivos Financeiros sejam dados a Municípios que não executam a Legislação Ambiental.

7. O Estudo Prévio de Impacto Ambiental não deverá mais ser divulgado.

8. Reduz consideravelmente o valor das multas.

9. Fauna Silvestre: extingue o artigo que protege a vida da fauna silvestre.

10. Recursos Hídricos (Água): altera a presidência deste conselho do Secretário do Meio Ambiente para o Secretário Estadual de Planejamento Territorial e Obras (que não existe).

11. Sistema de Proteção Ambiental: retira do Consema ( Conselho Estadual do Meio Ambiente) e das entidades representativas da sociedade civil (ONGS ambientais) a responsabilidade de estabelecer critérios de controle sobre a qualidade do meio ambiente natural.

12. Retira o poder de polícia do Batalhão Ambiental da Brigada Militar.

Sabemos que falamos a alguém consciente do risco que a ambição desmedida de poucos impõe à qualidade de vida de todos, e que conhece a importância da preservação da qualidade ambiental.

Sua colaboração e disponibilidade mostram que não estamos sós.

Desde já, agradecemos pela sua colaboração.

Clique no link e assine:
http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5246


AGAPAN : Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural WWW.agapan.org.br

AGAPAN é associada à APEDEMA RS - ”Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente”.