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17 abril 2013

Manifesto da AGAPAN aos cidadãos de Porto Alegre

A AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, pioneira na luta ambiental, revive seus momentos de glória na defesa dos direitos coletivos para que todos tenhamos uma cidade mais humana e solidária para se viver.
6 de fevereiro de 2013 - jovens impedem a derrubada de árvores em Porto Alegre
Nos últimos tempos, foram muitas as manifestações e movimentos que agitaram as ruas e os bastidores da política municipal, que apreensiva, insiste em passar por cima dos direitos das pessoas de serem ouvidas e de terem garantido seu acesso a espaços públicos, como a hoje tão disputada Orla do Guaíba.
Já vimos esse filme de desrespeito às leis e às pessoas e hoje as reivindicações despertam em todos nós sentimentos cívicos de solidariedade, esperança e de autoconfiança.

Dayrell - fevereiro de 1975
Como ambientalistas e defensores da vida, sentimos renovadas nossas esperanças ao acompanharmos a renovação do gesto exemplar do então estudante e membro da AGAPAN Carlos Alberto Dayrell, em 25 de fevereiro de 1975, que subiu em uma árvore tipuana, na avenida João Pessoa, impedindo seu corte para dar lugar à construção do Viaduto Imperatriz Leopoldina, defronte à Faculdade de Direito da Ufrgs. Outro momento inesquecível na história de Porto Alegre foi em agosto de 1988, quando militantes da AGAPAN subiram até o topo da chaminé da Usina do Gasômetro e colocaram uma faixa de 40 metros de comprimento com os dizeres “NÃO AO PROJETO PRAIA DO GUAÍBA – AGAPAN”. O objetivo da manifestação foi conclamar a população a comparecer na Câmara de Vereadores e impedir a votação do Projeto, cuja aprovação transformaria a Orla do Guaíba, privatizando o mais valioso patrimônio público de Porto Alegre, entregando-o à sanha da especulação imobiliária. Mas, como dizia José Lutzenberger, “nossas derrotas são permanentes e nossas vitórias, temporárias”. Isso significa que os 72 km de Orla do Guaíba continuam ameaçados e até hoje não foi privatizada pela permanente mobilização da sociedade civil.
 
Agosto de 1988 - a subida na Chaminé da Usina do Gasômetro
A luta continua.
A AGAPAN considera que a dimensão política do movimento ecológico vai além de ideologias partidárias. As vitórias que obtivemos em quatro décadas não teriam acontecido sem a participação inteligente, criativa e generosa dos estudantes e de todos os militantes que fazem parte da AGAPAN. Neste momento de glória, em que o movimento estudantil e os cidadãos ressurgem com força e vigor, saudamos e nos colocamos como personagens e protagonistas de mais essa luta. Ao comemorar 42 anos, a AGAPAN continua lutando para preservar a Orla do Guaíba como patrimônio publico e sempre à disposição do bem-estar coletivo da sociedade.

Saudações ecológicas da AGAPAN!

Porto Alegre, abril de 2013.

15 abril 2010

Programação do CCCEV pelo Dia Nacional da Botânica irá relembrar o despertar da consciência ecológica no Brasil

Foto: Dayrel sobe na árvore


Coincidindo com o Dia Nacional da Botânica, celebrado a 17 de abril, o Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) promoverá programação que relembra o despertar da consciência ecológica no Brasil. Exposições e debates têm o propósito de enaltecer a flora brasileira e de reverenciar o aniversário de 35 anos da primeira manifestação ecológica nacional, protagonizada por Carlos Alberto Dayrell, sócio da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), que impediu o corte de uma árvore Tipuana em Porto Alegre

O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV) irá relembrar, através de debates, exibição de programa do Canal Futura e exposições, o despertar da consciência ecológica no Brasil. Entre os dias 14 e 22 deste mês, coincidindo com o Dia Nacional da Botânica, celebrado a 17 de abril, a programação do CCCEV terá como fio condutor o aniversário de 35 anos da primeira manifestação ecológica nacional, protagonizada pelo engenheiro agrônomo Carlos Alberto Dayrell que, em 25 de fevereiro daquele ano, impediu o corte de uma árvore Tipuana em Porto Alegre, situada na Avenida João Pessoa, em frente à Faculdade de Direito da UFRGS. Naquela data, funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir o viaduto Imperatriz Leopoldina.

Reprimido violentamente pela força policial da época, o gesto espontâneo de Carlos Alberto Dayrell, então estudante de engenharia elétrica da UFRGS, de subir em uma árvore para protegê-la das motosserras, foi um marco na luta pela defesa do meio ambiente e aproximou adeptos. A capital gaúcha foi, portanto, pioneira nas ações de defesa ecológica e a iniciativa acarretou na criação da Secretaria do Meio Ambiente de Porto Alegre (Smam) – a primeira do País em nível municipal. O protesto ecológico passou para a posteridade e provocou outras mudanças, como a de considerar, já no projeto, o impacto ambiental que uma obra causará.

No CCCEV, este marco na salvaguarda da vida vegetal será reverenciado à altura de sua importância. No próximo dia 14, às 10h, haverá a abertura da exposição O Despertar da Consciência Ecológica, na qual estará reunida a cobertura jornalística efetuada ao longo dos últimos 35 anos sobre o “caso Carlos Alberto Dayrell”. No dia 15, às 18h, será exibido episódio do programa “Um Pé de Que?”, veiculado há seis anos pelo Canal Futura, com abordagem sobre o caso. Apresentado pela atriz Regina Casé, a exibição de “Um Pé de Que? Tipuana” será seguida por um debate com o jornalista Sérgio Becker (primeiro repórter a chegar ao cenário do protesto de Dayrell) e o agrônomo e fotógrafo Paulo Backes. Em 22 de abril, a partir das 10h, terá início a exposição Ave, Flor – do livro homônimo de poemas de Cleonice Bourscheid, com ilustrações botânicas da artista Anelise Scherer. Com entrada franca, a programação tem realização e curadoria do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo e recebe apoio da Fundação Gaia, do Canal Futura, Ar do Tempo e Grupo CEEE.

Exposição Ave, Flor

De 22 de abril a 15 de maio, a exposição Ave, Flor poderá ser conferida no terceiro andar do CCCEV, na Sala Memorial Erico Verissimo. Na dimensão de 80x80, o público poderá admirar 12 imagens e dez poemas retirados do livro homônimo de poemas de Cleonice Bourscheid, com ilustrações botânicas da artista Anelise Scherer. Com prefácio de Armindo Trevisan, o livro Ave, Flor enaltece a flora brasileira ao abarcar 50 poemas e 32 imagens. A edição do livro e a curadoria da exposição é de Alfredo Aquino.

Saiba mais sobre Carlos Alberto Dayrell

O responsável pelos primórdios do movimento ecopolítico no Brasil trocou a engenharia elétrica pela profissão de engenheiro agrônomo, trabalhando atualmente com agroecologia junto a comunidades tradicionais. Natural de Minas Gerais, Carlos Alberto Dayrell chegou a Porto Alegre em 1970, para trabalhar no Banco Mineiro do Oeste, posteriormente comprado pelo Bradesco. Residiu na capital gaúcha até 1976, quando, em virtude de problemas de saúde, retornou a Minas Gerais e obteve uma transferência para a Universidade Federal de Viçosa.

À época do famoso episódio de 1975, Dayrell era sócio da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e morava na Casa do Estudante, em frente a Faculdade de Direito da UFRGS. Hoje, 35 anos depois do ato provocado por Dayrell, a árvore da Avenida João Pessoa continua no local, simbolizando o início de uma mudança de consciência. No dia de seu protesto, o jovem estudante estava saindo de casa e sentiu-se chocado com as várias árvores caídas ao chão. O fato foi notícia nos principais jornais brasileiros e a foto foi utilizada na capa do diário O Estado de São Paulo.

Saiba mais sobre os debatedores

A idéia desta programação no CCCEV partiu do jornalista Sérgio Becker, que propôs a exibição do episódio Tipuana, do programa “Um Pé de Que?”, veiculado pelo Canal Futura. O material jornalístico que estará disponível na exposição O Despertar da Consciência Ecológica, reúne, inclusive, o acervo do jornalista que, em 1975, trabalhava na sucursal de O Estado de São Paulo. Sérgio Becker conta que soube da manifestação por acaso. Ele passava de ônibus pelo local do protesto e decidiu acompanhar aquele manifestante em cima de uma árvore. Foi o primeiro repórter a noticiar o acontecimento. “Sinto-me no dever de relembrar aquele inesquecível 25 de fevereiro para as novas gerações”, justifica.

Nascido em 1945, Becker graduou-se em Jornalismo pela UFRGS e exerceu a profissão por mais de 30 anos. Trabalhou nos jornais Folha da Tarde, Zero Hora e nas sucursais de Porto Alegre de O Estado de São Paulo e O Globo, entre outros veículos. Do jornalismo evoluiu para a literatura, dedicando-se à pesquisa histórica e à poesia. Sérgio Becker atribui aos seis anos em que trabalhou na sucursal de Porto Alegre do jornal O Estado de São Paulo, durante a década de 70, o seu melhor período de exercício profissional, quando entrevistou José Lutzemberger, Brizola, Luís Inácio Lula da Silva, Nelson Marchezan, Paulo Brossard e Pedro Simon. Além da primeira manifestação ecológica nacional protagonizada por Dayrell, participou de dezenas de coberturas jornalísticas, como o enterro do ex-presidente João Goulart, em 1976.

Agrônomo, fotógrafo, paisagista e pós-graduado em Botânica pela UFRGS, Paulo Backes cria e participa de projetos editoriais, como o Atlas Ambiental de Porto Alegre, Lutzemberger e a Paisagem, entre outros. Idealizou e ministrou por três anos o curso de Fotografia Ambiental na UFRGS e atua como fotógrafo comercial, atendendo agências de publicidade e editoras. Backes é colaborador eventual de jornais e revistas e administra um arquivo com mais de 20 mil imagens das paisagens naturais e culturais do Cone Sul.

O que: programação pelo Dia Nacional da Botânica do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo que inclui exposições, debate e exibição de documentário.

Quando: de 14 a 22 de abril. A exposição Ave, Flor ocorre de 22 de abril a 15 de maio.

Onde: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

Observação: no dia 15 de abril, às 18h, será exibido o episódio “Um Pé de Que? Tipuana”, produzido pelo Canal Futura. Em segudia, haverá sessão comentada com participação do jornalista Sérgio Becker e do agrônomo e fotógrafo Paulo Backes.

Curadoria e realização: CCCEV.

Apoio: Fundação Gaia, Canal Futura, Ar do Tempo e Grupo CEEE.

O que: exposição O Despertar da Consciência

Quando: De 14 a 24 de abril, com horário de visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h.

Onde: Sala O Retrato, no 4º andar do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

Curadoria e realização: Sérgio Becker.

Apoio: CCCEV e Grupo CEEE.

O que: exposição Ave, Flor

Quando: De 22 de abril a 15 de maio, com horário de visitação de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h.

Onde: Sala Memorial Erico Verissimo (3º andar) do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

Curadoria e realização: Alfredo Aquino.

Apoio: CCCEV e Grupo CEEE.


foto: ZHora on line