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13 abril 2014

Recordações, amor e versos para Augusto Carneiro




(Credito: Facebook /Gonçalo de Carvalho)


Ambientalistas gaúchos fizeram uma homenagem ao seu pioneiro neste sábado, na banca na Feira Ecológica que ele ocupou por 25 anos

Saudades, mas sem dor – como bem lembrou o ex-presidente da Agapan, Francisco Milanez – foi o sentimento dominante na Feira de Agricultores Ecologistas neste sábado, 12 de abril, onde foi realizada uma homenagem a Augusto Carneiro, que faleceu na última segunda-feira, 7 , aos 91 anos. “É uma morte que não sofremos, pois Carneiro teve uma vida plena, foi incansável e só deixou amor entre nós”, disse o dirigente.


O ato, prestigiado por ambientalistas de distintas entidades e pelo público frequentador, resgatou da memória desse pioneiro em seu espaço de difusão da causa ambiental: a banca de livros que montava todos os sábados, desde a fundação da FAE, em 1989. “Aqui é tudo ecologia”, apresentava seu trabalho a quem passasse.



Livros voltaram à banca. (Crédito: CCardia/Agapan)




Embora sua atividade na feirinha fosse difundir teoria, Carneiro era um militante voltado para a ação. Para resgatar essa característica, os participantes do ato levaram para a banca que ele ocupou ao longo dos últimos anos, textos que ele distribuía para alertar sobre problemas da causa ambiental. Entre bergamotas e flores, também estavam expostos livros que contam sua trajetória como a recente biografia da jornalista Lilian Dreyer, Carneiro, depois de tudo um ecologista.
 
Sea Sheperd prestigiou a homenagem com cinco integrantes,aqui uma delas.  (Créditos: Agapan)


Houve ainda quem levasse fotos tiradas junto com o ambientalista, como os representantes do Sea Sheperd do Rio Grande do Sul. Galhos das árvores que Carneiro tanto defendeu serviram de suporte para documentos relacionados a sua história e atuação. E ele recebeu até uma canção, entoada à capela pelos poetas Mário Pirata e Pedro Marodin – O Samba dos Animais, de Jorge Mautner.


Pedro Marodin e Mário Pirata. (Credito: Agapan)
“O homem antigamente falava / Com a cobra, o jabuti e o leão

Olha o macaco na selva / Mas não é macaco baby, é meu irmão!

Porém durou pouquíssimo tempo / Essa incrível curtição

Pois o homem, rei do planeta / Logo fez sua careta / E começou a sua civilização

Agora já é tarde / Ninguém nunca volta jamais

O jeito é tomar um foguete / é comer desse banquete /Para obter a paz - aquela paz

Que a gente tinha quando falava com os animais”




Carneiro e Lutzenberger no início da Agapan. (Crédito: Já Editores)


Companheiro de Lutz

Carneiro foi fundador da Agapan em 1971, ao lado de José Lutzenberger e de dezenas de outros ambientalistas – uma cópia da ata estava exposta na banca na manhã deste sábado. “Se o Lutz alcançou essa culminância de ser uma personalidade mundial foi também porque tinha o Carneiro ao seu lado, secretariando tudo o que fazia”, registrou o também ex-presidente da Agapan, Celso Marques.


Lívia Zimermann. (Credito:Agapan)

A filha de outra pioneira da ecologia gaúcha, Hilda Zimmerman, Lívia, revelou que a amizade era tão intensa que Carneiro mais de uma vez financiou Lutz para que ele pudesse prestar serviços à preservação da natureza.

Como quando foi criado o Parque da Guarita, em Torres. “O governo não remunerava o Lutz no início, ele trabalhava de graça. E quem pagava o aluguel dele era o Carneiro”, lembrou ela.

Juntos, Lutz e Carneiro viajaram pelo interior do Rio Grande do Sul divulgando o trabalho da entidade – visitas essas que eram precedidas pelo envio de farto material sobre a iniciativas levadas a cabo pelos ambientalistas.


“Éramos recebidos com banda de música em todos os lugares que chegávamos porque o Carneiro já tinha se encarregado de mostrar o que fazíamos. Ele era um divulgador em massa na era pré-internet” definiu Marques.

As ideias de Carneiro inspiraram muitas outras iniciativas ligadas à causa em todo o Estado. Uma delas foi a criação da Afapan – Associação Farroupilhense de Proteção ao Ambiente Natural – levada a cabo pelo produtor agroecológico e coordenador da feirinha do Bom Fim Pedro José Lovatto após uma manhã de bate papo na casa de Carneiro, em 1982. “Aquela conversa foi decisiva não apenas para reorientarmos a nossa produção, que antes era feita com agrotóxicos, mas para criarmos essa organização na minha cidade”, recordou.


Celso Marques, ex presidente da Agapan, atual conselheiro. (Crédito:Agapan)



Militantes agradecem

As sentidas palavras daqueles que tomaram o microfone nesta manhã mostram o significado da luta ambientalista de Augusto Carneiro. Estes foram alguns dos depoimentos:

“Nunca vamos deixar de amar e respeitar essa pessoa insubstituível e essencial que foi o Carneiro. É uma fonte permanente de inspiração” - Celso Marques, ex-presidente da Agapan.

“Nossa responsabilidade enquanto ambientalistas aumenta diante desta perda, teremos que multiplicar o trabalho” - Ana Carolina Silveira Martins, pela Apedema.




Pedro José Lovatto vice-coordenador da Feira de Agroecologistas. (Crédito:Agapan)



“Desejo a ele tudo de melhor nessa nova etapa da sua grande existência. Ele partiu para uma nova jornada de paz” - Pedro José Lovatto, vice-coordenador da Feira de Agricultores Ecologistas.

“Carneiro era uma semente, que deu árvores, bosques, florestas. Que tenhamos muitas árvores Carneiros, Lutzenbergers, Hildas, Magdas, Giseldas, Roesslers” - Lívia Zimmerman, filha da pioneira Hilda Zimmerman.

“Carneiro é hoje nome de uma área no Jardim Botânico de Porto Alegre que guarda espécies raras endêmicas. É muito adequada, ele era uma espécie rara” - Rodrigo Marques, coordenador gaúcho do Sea Sheperd.



Milanez ex-presidente da Agapan. (Credito:Agapan)

“O que ele nos ensinou é a nunca desistir. Nunca. Estava aí, aos 90 anos, com sua simplicidade, humildade, fazendo o trabalho mais difícil. Eu queria ser como ele” - Francisco Milanez, ex-presidente da Agapan.


Naira Hofmeister

Assessoria de Imprensa Agapan

Créditos: Agapan, CCardia, Gonçalo de Carvalho(facebook)

11 abril 2014

Feira Ecológica faz homenagem a Augusto Carneiro



Carneiro na sua banca na Feira Ecológica do Bom Fim. (Credito: C Cardia)




Ambientalistas de Porto Alegre, frequentadores e produtores rurais da Feira de Agricultores Ecologistas do Bom Fim levarão recordações para a banca do pioneiro do movimento, falecido na última segunda-feira


O movimento ambientalista gaúcho fará a uma homenagem ao pioneiro da ecologia Augusto Carneiro, que faleceu na última segunda-feira, 7 de abril, em Porto Alegre, aos 91 anos. Um ato ocorrerá na Feira de Agricultores Ecologistas (FAE) do Bom Fim, espaço que Carneiro frequentou semanalmente desde sua criação, em 1989.


O ambientalista mantinha uma banca de livros na primeira quadra da FAE, onde vendia obras relacionadas à temática ambiental. "Aqui é tudo ecologia", dizia sempre, sorrindo, em um convite aos transeuntes para que parassem por alguns minutos em seu espaço. Aos que aceitavam a sugestão, Carneiro oferecia longos bate-papos sobre árvores, baleias, petróleo, indústria, etc...


Não havia quem saísse de sua banca sem pelo menos um xerox, esse dado por Carneiro, também sobre assuntos relativos à natureza. Para que a lembrança de sua figura e suas atitudes permaneça, a sugestão dos organizadores da homenagem é que cada participante leve algum material impresso, xerocado, e com a data a que se refere colocada a mão na parte superior do documento. A banca de Carneiro ficará totalmente preenchida por estas manifestações.


Um ato vai acontecer dia 12 de abril às 10h, mas o espaço estará montado desde as primeiras horas da manhã, como era costume do ambientalista.

Carneiro e Lutzenberger. (Credito: Jornal Já)


Augusto Carneiro integrou o grupo de expositores que deu origem à FAE, que em 2014 completa 25 anos. Foi também fundador da Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - a primeira ONG ambientalista do Brasil, ao lado de José Lutzenberger.

Naira Hofmeister
Assessoria de Imprensa
Agapan


03 abril 2013

Trinta anos da Lei dos Agrotóxicos

Amostras de alilmentos com resíduos de agrotóxicos. (Fonte: Anvisa)
Faz trinta anos que o Rio Grande do Sul reafirmou seu pioneirismo em Ecologia com a lei dos Agrotóxicos. Neste momento em que marcamos este importante passo da luta ambiental brasileira é importante refletirmos sobre tudo o que veio depois e os porquês de passamos de lideranças ambientais a lanternas nacionais na valorização do meio ambiente.

Para a AGAPAN, gaúchos adoram verdades claras e oposições claras, por isso seguimos divididos e maniqueístas. Talvez isto dê segurança para se posicionar no mundo, mas não salva almas. Na verdade somos frutos de uma falta de diálogo que tem nos mantido em extremos opostos sem jamais levar a consensos. Semeando constantemente revanchismo e perdas.



Ora, nosso Estado foi pioneiro ao denunciar o fato de que estávamos destruindo
nossa qualidade de vida através da desconexão com o meio onde vivemos e do qual
dependemos. Criamos a mais requintada e complexa rede de agroecologistas do país,
a primeira cooperativa de produtos agroecológicos, a grande feira da José Bonifácio e
tantas outras, mas não conseguimos ampliar verdadeiramente, em nossa sociedade,
a importância que tem tudo isto. A explicação é simples, mas não fácil, temos uma
sociedade surda. Não conseguimos ouvir uns aos outros.

Francisco Milanez
Agapan
Alimentos com alto índice de agrotóxico.

30 Anos da Lei dos  Agrotóxicos


Dia 3 de abril (quarta-feira) 
Horário: 14 h

Local: Plenário 20 de Setembro
Primeiro andar da Assembleia Legislativa 
Praça Marechal Deodoro, 101


16 maio 2012

Camara se prepara para a votação do projeto que declara áreas de túneis verdes


                                       Representantes da Agapan fizeram seus relatos na Câmara.

O projeto de lei de autoria do vereador Beto Moesch (PP), que declara os túneis verdes de áreas de uso especial, foi tema de audiência pública na noite de terça-feira (15/5) na Câmara Municipal de Porto Alegre. De acordo com o projeto, seriam 70 logradouros da cidade. Durante a audiência, representantes da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) participaram do debate, resgatando a história de lutas da instituição, que no último dia 27 de abril completou 41 anos de atuação. Destaque para a presença de um pioneiro da ecologia, Augusto Carneiro, fundador da Agapan, e que com seus 89 anos participou da audiência.

“É muito importante preservarmos nossas árvores e áreas verdes, pois assim é possível manter o conforto térmico da cidade, amenizar as oscilações climáticas e atrair e manter a avifauna urbana”, destacou a bióloga e vice-presidente da Agapan, Sandra Ribeiro, ao resgatar a história da entidade a partir do trabalho pioneiro de Carneiro e da sempre lembrada subida na árvore Tipuana, na avenida João Pessoa, em Porto Alegre, pelo estudante Carlos Dayrell, “ato fundamental, realizado em 1975, para evitar a derrubada e chamar a atenção para a preservação das árvores e contra as podas em nossa cidade”, afirmou Sandra.

Da Agapan, também participou a conselheira e ex-presidente Edi Fonseca, que ressalta a necessária e urgente valorização dos serviços ambientais prestados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam), “que está perdendo técnicos, pela falta de investimento e qualificação, em especial na área de urbanização”, disse.

AUDIÊNCIA
A reunião atendeu pedido do vereador João Carlos Nedel (PP), que discorda de parte do projeto. Segundo Nedel, entende-se por túnel verde “o conjunto arbórico cujas copas das árvores se unem”. Por isso o vereador diz não concordar que avenidas como a Osvaldo Aranha, Getúlio Vargas, Borges de Medeiros, Coronel Marcos e Terceira Perimetral estejam incluídas no projeto. “Nestas avenidas todos sabem que as árvores não se unem”, disse Nedel, alertando para outro item do projeto, determinando que no calçamento do logradouro definido como túnel verde fica vedada qualquer modificação que comprometa a paisagem. “Talvez não esteja bem claro, porque não fala nada em relação ás arvores”, justifica Nedel. 
O autor do projeto considerou que Nedel está mal informado. “Ele desconhece o que está dizendo, pois estas avenidas não constam mais da proposta”, disse Moesch. O vereador ressaltou que a proposta diz apenas que: “declara áreas de uso especial ruas que tenham túneis verdes como patrimônio da cidade”, deixando os detalhamentos para decretos futuros do prefeito, “dependendo da especificidade de cada uma”, disse Moesch. O vereador disse que a proposta da discussão é decidir que cidade queremos. “Se mais humana, ou sem planejamento estratégico”, questionou Moesch. 

O vereador Carlos Todeschini (PT) disse que não entende o temor de Nedel, pois, na sua opinião o projeto é singelo. “Declara como objeto de especial proteção as áreas de interesse ecológico, cultural e turístico, conhecidos como túneis verdes”, ressaltou Todeschini. Para ele, é preciso entender que Porto Alegre é uma cidade distinta, que tem na sua característica fundamental as árvores. 

O chefe de gabinete da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, André Carus, falou que qualquer referência de desconformidade do projeto com o Plano Diretor da Cidade é descabível. “A proposta respeita e pretende fazer cumprir a legislação federal. Está bem ajustada”, considerou Carus. Na opinião de Carus, o projeto merece respeito e uma analise com responsabilidade. “Não no afã da política ideológica.”
Para o secretário de Planejamento Municipal, Ricardo Gothe, a cidade precisa dos túneis verdes. “Não há como a prefeitura vetar este projeto. Ele precisa de ajustes, mas tem todos os méritos”, disse ele, garantindo que a Secretaria do Planejamento irá produzir ações para colocar Porto Alegre num patamar de cidade sustentável.

A audiência pública foi dirigida pelo presidente do Legislativo, vereador Mauro Zacher (PDT), e acompanhada pelo vereador Airto Ferronato (PSB) e por representantes dos Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho, Movimento Menino Deus Sustentável, Região 1 de Planejamento do CMDUA, Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, Agapan e Sindipoa, que aprovaram a proposta de Moesch. 


Informações
Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues, com colaboração de Regina Andrade, da Câmara de Vereadores de Porto Alegre

Imagens: Agapan/ Edi Fonseca

03 maio 2012

Morre, aos 89 anos, a ambientalista gaúcha Hilda Zimmermann



Hilda é a quarta da esquerda para a direita, presente nos 40 anos da AGAPAN


A ambientalista gaúcha Hilda Zimmermann, 89 anos, morreu na manhã desta quinta-feira em Porto Alegre. Ela se recuperava de uma pneumonia. 

Natural de Santa Rosa, Hilda foi uma das pioneiras do movimento ambientalista no Estado e fundadora da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN). No movimento ecológico, trabalhou ao lado de José Lutzenberger. 

O gosto pela ecologia, ela havia herdado do pai, Gustavo Wrasse, um defensor dos índios. Os indígenas acabaram se tornando objeto de 40 anos de trabalho de Hilda. Ela fundou e foi presidente da Associação Nacional do Índio (Anaí), cuja luta principal foi a devolução e demarcação das terras indígenas. Por isso, os xavantes a chamavam de Mãe Xavante.

O velório começa às 17h desta quinta-feira no Cemitério Luterano, na Capital. O enterro está marcado para as 11h de sexta-feira.




Hilda na Redenção protegendo o Código Florestal

17 março 2012

A ecofeminista Giselda Castro(1923-2012): Cidadã do Mundo e exemplo de cidadania local-global.


O falecimento da ecologista e feminista gaúcha Giselda Castro deixou a Diretoria, o Conselho Superior e os membros mais antigos da ASSOCIAÇÃO GAÚCHA DE PROTEÇÃO AO AMBIENTE NATURAL (AGAPAN) em estado de consternação.    Sua longa doença e a idade avançada nos privaram do seu convívio nos últimos anos. No entanto, mesmo afastada da militância diária do movimento ecológico e feminista, a simples consciência da  existência da sua pessoa era uma força inspiradora para o nosso cotidiano de ativismo ecológico. Pois Giselda era uma mulher guerreira, uma destas pessoas raras,  indispensáveis e insubstituíveis, uma liderança exemplar e carismática. 

A convivência desta cidadã do mundo, junto com Magda Renner, Hilda Zimmermann e José Lutzemberger e a AGAPAN,  foi decisiva para levantar  a bandeira de luta dos movimentos ecológico e feminista em um mesmo e inseparável movimento. Este feito pioneiro inaugurou entre nós o ecofeminismo como movimento social, ampliando e radicalizando o horizonte político tanto do movimento feminista como do movimento ecológico.

A opressão da mulher e a repressão da expressão da sua  feminilidade na cidadania são aspectos inseparáveis da cultura e da estrutura de poder que sustenta e legitima a ordem social existente. Partindo-se deste pressuposto, o legado político do caminho que Giselda e suas companheiras feministas começaram a desbravar através do ecofeminismo, levou a uma novidade radical. No movimento feminista, a prioridade dada ao enfoque de gênero, tende a polarizar os conflitos entre os âmbitos masculino e feminino, reduzindo o alcance e o horizonte  crítico do movimento. Da mesma forma, a não-inclusão da opressão-repressão da feminilidade no movimento ecológico, empobrece e estreita o seu horizonte.

A novidade radical descoberta por Giselda, Magda, Hilda e suas companheiras, aboliu as fronteiras entre feminismo e movimentos ecológico. A superação das limitações impostas pela separação entre os dois movimentos deu-se através da participação delas no movimento ecológico. Desta maneira, a luta ecológica ampliou o horizonte político do exercício da cidadania como expressão de plenitude da condição feminina. Este foi um feito pioneiro do qual todos nós nos orgulhamos.

Ao longo dos anos, em numerosas oportunidades, testemunhamos a participação brilhante de Giselda Castro no cotidiano do movimento ecológico. Celso Marques, lembra a  a sua atuação em Washington, na primeira reunião de ecologistas do mundo inteiro com a direção do Banco Mundial, em outubro 1989. Lá estava ela, já uma respeitável senhora, combativa, exemplar, indignada, com o dedo em riste, questionando em inglês fluente a política de financiar o etnocídio e o ecocídio praticada pelo Banco Mundial. Naquela ocasião ele estava lá. Mas inúmeras vezes que ela atuou com generosidade e desprendimento, encarnando os ideais do ecofeminismo na defesa dos interesses do Brasil e do Planeta, sem nenhuma testemunha.

As mulheres sempre tiveram uma forte presença no movimento ecológico. Atualmente a participação feminina é dominante e majoritária na AGAPAN, condição que faz da entidade um reduto ecológico do feminismo e de admiração por Giselda Castro e suas demais companheiras. Para nós, homens e mulheres da AGAPAN, o culto à lembrança desta personalidade emblemática de agora em diante será inseparável do Dia Internacional da Mulher e da inspiração do seu exemplo no nosso cotidiano.

Finalizando, dirigimo-nos aos familiares de Giselda Castro e aos companheiros de lutas da antiga ADFG-Ação Democrática Feminina Gaúcha-Amigos da Terra, atual Núcleo de Amigos da Terra-NAT para dizer: nós,  da AGAPAN, que tivemos o privilégio de conviver com a Giselda em anos e anos de lutas conjuntas, jamais a esqueceremos. Juntos com vocês  cultuaremos a memória da sua liderança carismática até o fim dos nossos dias. 

Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. 

Foto: Arquivo do Núcleo Amigos da Terra.

19 janeiro 2012

Pioneirismo gaúcho marca movimento ambientalista brasileiro










Ainda na primeira metade do século XX, com Henrique Luis Roessler, e mais recentemente com José Lutzenberger e a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), criada em abril de 1971, os ecologistas do Rio Grande do Sul deram grande contribuição à ciência que será um dos temas centrais do Fórum Social Temático de 2012, que será realizado em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, de 24 a 29 de janeiro. Esses pioneiros lançaram as bases do ativismo ambiental no país.

Naira Hofmeister - Especial para Carta Maior

Porto Alegre - Quando os participantes do Fórum Social Temático – uma das edições descentralizadas do Fórum Social Mundial, que ocorre desta forma nos anos pares – iniciarem a tradicional marcha de abertura do evento, dia 24 de janeiro, vão testemunhar um pouco do legado que o movimento ambientalista gaúcho deixou para Porto Alegre.

É que a preservação das copas das árvores que tornarão o trajeto de quatro quilômetros entre o Largo Glênio Peres e o Anfiteatro Pôr-do-sol mais ameno é fruto da luta de um grupo de pessoas engajadas na preservação da natureza, cuja atuação convicta iniciou em abril de 1971 com a criação da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), capitaneada pelo engenheiro agrônomo José Lutzenberger e pelo ex-militante do Partido Comunista Brasileiro Augusto Carneiro.

“Há várias menções sobre qual foi a primeira entidade do País (…). A fundação da Agapan inaugurou a corrente ativista no Brasil”, reivindica Carneiro em seu livro A História do Ambientalismo (Editora Sagra Luzzatto).

Logo que foi criada, uma das principais bandeiras da Agapan era combater a poda anual das árvores de Porto Alegre operada pelo executivo municipal. “A prefeitura mandava os operários saírem com uma taquara, para medir a altura. Eles podavam na altura da taquara, sem se importar com a grossura do tronco. Pensamento reducionista, né?!”, expôs outro fundador da Agapan, José Lutzenberger (falecido em 2002) em um depoimento publicado na obra Pioneiros da Ecologia (JÁ Editores).

Um dos episódios mais folclóricos que envolvem a entidade, aliás, está relacionado ao ímpeto de proteção dos vegetais urbanos. Ocorreu também em um dia de janeiro, só que no ano de 1975. Ouvindo os conselhos do 'mestre' Lutz, de que só havia um jeito de fazer a prefeitura desistir do corte de árvores na cidade, o estudante de engenharia Carlos Dayrell subiu em uma tipuana da avenida João Pessoa para impedir que fosse derrubada para a construção de um viaduto.

A foto que imortalizou o momento mostra dois rapazes se segurando em galhos na copa do exemplar que fica na calçada do núcleo de prédios históricos da UFRGS. “Deu uma baita repercussão para nós. Saiu matéria no Estado de S.Paulo e nos maiores jornais de Buenos Aires. Até nosso manifesto foi publicado”, lembra Carneiro em seu depoimento no livro Pioneiros da Ecologia.

A tipuana segue no mesmo lugar, 37 anos depois, e o traçado do viaduto teve que ser alterado depois da atitude de Dayrell.

A pressão dos ecologistas fez com que, em 1976, Porto Alegre se tornasse a primeira cidade brasileira a ter uma secretaria municipal do meio ambiente. Herança dos ambientalistas também é o Código Estadual de Meio Ambiente, aprovado no ano 2000 igualmente de forma pioneira.

Em Porto Alegre 771 árvores estão declaradas imunes ao corte por decretos do executivo, sendo que a capital gaúcha possui uma média de uma árvore por habitante em vias públicas, excluindo as que estão nos parques.

Outra conquista contemporânea do movimento ambientalista gaúcho é a existência de cinco túneis verdes declarados patrimônio ecológico da cidade. São trechos de 14 ruas nas quais as copas das árvores plantadas de ambos lados da calçada de fecham formando uma cobertura natural. E desde 2006 a cidade possui um Plano Diretor de Arborização Urbana, que determina que os passeios públicos devem manter, no mínimo, 40% de área vegetada.

Agrotóxicos e Borregaard, vitórias dos ecologistas
Foi através dos discursos de José Lutzenberger no início dos anos 70 que o Brasil ficou sabendo da batalha capitaneada pela Agapan para que o país adotasse o termo agrotóxicos no lugar de defensivos agrícolas para se referir aos pesticidas colocado nas plantações para combater pragas.

“Vejam o absurdo: se eu quisesse comprar 50 gramas de material para fabricar pólvora, precisaria de uma licença do Exército. No entanto, qualquer guri podia comprar 200 litros de veneno, que se cair uma gota na perna, o sujeito está morto uma hora depois”, comparava o engenheiro agrônomo e ambientalista em suas reflexões que integram a obra Pioneiros da Ecologia.

Anos depois, o Rio Grande do Sul seria o primeiro estado da nação a criar leis que regulamentassem o uso de tais substâncias e em 1988, o tema acabaria incluído na Constituição Federal sob o artigo que comenta a proibição de envenenar rios.

Foi também a preocupação com a qualidade da água que levou a Agapan a investir contra a Borregaard – fábrica de celulose norueguesa que se instalou em Guaíba, às margens do lago que banha a cidade e a Capital do Rio Grande. Corria o ano de 1972 e a indústria, aprovada pelo governo militar recebeu incentivos fiscais e financiamento de bancos públicos, mas não incluía em seu projeto cuidados com o meio ambiente.

“O discurso desenvolvimentista da época chegava ao ponto de fazer com que ministros de Estado brasileiros, ao convidar investidores, proclamassem: “venham poluir aqui”. Os noruegueses da Borregaard levaram o convite tão ao pé da letra que não destinaram um único centavo a equipamentos antipoluição”, revela a jornalista Lilian Dreyer, biógrafa de José Lutzenberger, no artigo Borregaard: um marco na luta ambiental, publicado no site Agenda 21.

Apesar do risco que a deposição de resíduos químicos no Guaíba representava para a saúde nas cidades que abastecidas por suas águas, foi mesmo o mau cheiro que exalava da chaminé da Borregaard que causou uma mobilização sem precedentes contra a fábrica.

O assunto, levado aos jornais pelos ambientalistas da Agapan, mereceu inclusive uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa, onde médicos apresentaram estudos sobre casos de dores de cabeça, irritação nos olhos, náuseas e vômitos relacionados à poluição provocada pela Borregaard.

Três anos depois os noruegueses desistiram do negócio cansados das exigências que teriam que cumprir para manter a atividade. O empreendimento foi nacionalizado e passou a chamar-se Riocell. Investiu no controle ambiental e contratou José Lutzenberger para ser consultor.

Depois a fábrica passou para as mãos da Klabin, Aracruz e, desde 2009, é tocada por chilenos do grupo CMPC. Mesmo depois de todas essas trocas de comando foram mantidos os programas de conservação de fauna e flora autóctones implementados por Lutz.

Lutz desafia Collor
A trajetória de José Lutzenberger à frente do movimento ambientalista tem muitas anedotas. “O ex-vendedor de produtos químicos (funcionário da Basf), que consumiu 30 anos de sua vida brigando, xingando e fazendo adeptos, se manteve irredutível até o fim. Foi rotulado de louco, retrógrado, irresponsável, visionário e gênio.” Essa é a descrição que os jornalistas Elmar Bones e Geraldo Hasse fazem de Lutz no livro Pioneiros da Ecologia – que contém uma das últimas entrevistas do militante, concedida em agosto de 2001, poucos meses antes de morrer, no ano seguinte.

Uma das mais curiosas facetas da personalidade do ambientalista se mostrou durante o período em que foi ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Collor de Melo, entre 1990 e 1991. Lutz ficou um ano e três meses no cargo e sua demissão nunca foi esclarecida. Ele, entretanto, tem uma hipótese para justificar o rompimento do então presidente com seu assessor.

Em uma viagem à Áustria acompanhando o chefe do Executivo federal, Lutz irritou-se com um pedido de Collor ao primeiro-ministro austríaco – na época Branitski – feito “naquele inglês todo enrolado dele”. Collor dizia que o Brasil era um país pobre e que precisava da ajuda dos ricos. Em seguida passou a palavra a Lutzenberger, que narrou assim, em Pioneiros da Ecologia, o momento.

“Eu falei alemão e disse para o primeiro-ministro: 'Olha, nós brasileiros temos um país incrivelmente rico. Vocês austríacos não podem nem imaginar como somos ricos! Vocês tem um território de 83 mil km², o nosso é de 8,5 milhões de km², isto é, mais de 100 vezes maior que o de vocês. Metade do território de vocês é de montanha gelada, dá para fazer esqui e ganhar um pouco com o turismo. Aqueles vales verdes de vocês são lindos, frutíferos, mas tem oito meses de vegetação por ano. A maior parte do Brasil, com exceção daqueles desertozinhos lá do nordeste, tem doze meses de vegetação por ano. Nós temos um clima maravilhoso. Temos tudo quanto é recurso. Mas nós somos um país muito pobre. Incrivelmente pobre. Não se imagina como nós somos pobres em político decente”. Na saída, Collor me perguntou porque o homem riu tanto. Eu expliquei o que tinha dito, ele deu uma risadinha amarela. Três semanas depois me mandou embora”.

Roessler, ecologista antes da ecologia
Antes de José Lutzenberger, Augusto Carneiro e da Agapan, o Rio Grande do Sul despontou para o ainda incipiente cenário de defensores do meio ambiente com um homem natural de porto-alegrense e capilé de coração.

Henrique Luis Roessler nasceu em Porto Alegre em 16 de novembro de 1896, mas sua batalha ambiental teve como palco as margens do Rio dos Sinos, onde atuava como funcionário da Delegacia Estadual dos Portos e foi delegado florestal voluntário do Ministério da Agricultura.

“O cara que começou tudo isso não veio apenas antes de José Lutzenberger. Sua União Protetora da Natureza (UPN) precedeu em 16 anos a Agapan. Roessler e a UPN vieram antes de Chico Mendes e do Greenpeace. Roessler, na verdade, veio antes do ambientalismo”, define o biógrafo do homem que hoje dá nome à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), Ayrton Centeno nas páginas de Roessler – O primeiro ecopolítico (JÁ Editores).

A conscientização pública dos cuidados que o meio ambiente requer foi empreendida por Roessler e incluía a distribuição de cartazes e panfletos ilustrados por ele nos quais alertava para os “tarados” passarinheiros, que caçavam os bichinhos e colecionavam suas cabeças em colares, por exemplo. Mas Roessler também tinha métodos menos ortodoxos para “convencer” proprietários de animais a tratarem bem seus companheiros de jornada. Como o caso relatado por Centeno na biografia do militante, em que, em plena década de 50, Roessler surpreende um homem dando relhaços em seu cavalo. Revoltado, arranca o instrumento de maltrato das mãos do dono e lhe aplica uma surra igual a que o homem dava no cavalo.

Além da ação direta na região do Vale do Sinos, foi através de crônicas publicadas semanalmente no jornal Correio do Povo – na época o principal diário em circulação no Rio Grande do Sul – que ele tornou-se o patrono da ecologia no Rio Grande do Sul. “Ele é o fundador da ecologia política no Brasil”, atesta em depoimento a Ayrton Centeno outro pioneiro, Augusto Carneiro, sobre Roessler.

Carta Maior


01 maio 2011

Mais velha que o Greenpeace, ONG gaúcha comemora 40 anos

Fundada em 1971, Agapan é considerada uma das mais antigas organizações ambientalistas do Brasil

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul | 01/05/2011 07:00

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Em 1971, eles tinham meia dúzia de ideias vagas sobre ambientalismo e a vontade de fazer algo pela natureza – começando por evitar os cortes de árvores em Porto Alegre. Hoje, perto dos 90 anos, os fundadores da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) celebram o pioneirismo da entidade que inspirou o movimento ambientalista no Brasil.

Um jantar na noite da última quarta-feira, em um restaurante de Porto Alegre, celebrou os 40 anos da Agapan, considerada a primeira entidade ambientalista do Brasil. Fundada em abril de 1971, ela é mais velha até que o famoso Greenpeace, criado em setembro do mesmo ano.

Estiveram no jantar três dos fundadores: Hilda Zimmermann, Flávio Lewgoy e Augusto Carneiro, todos próximos de completar 90 anos. Eles foram contemporâneos do mais famoso ambientalista gaúcho, José Lutzenberger, primeiro presidente da entidade, morto em 2002.

Admirador das ideias do também gaúcho Henrique Luiz Rössler, um dos primeiros ecologistas brasileiros, que morreu em 1963, Carneiro foi apresentado por Hilda a José Lutzenberger, na época executivo da multinacional alemã Basf. Naquela época, a empresa decidiu parar de vender os defensivos agrícolas e passou a condenar o uso dos agrotóxicos nas lavouras do Estado.

“Ele puxou do bolso uma lista com mais de 20 pessoas ligadas à história natural, entre elas a Hilda. Ele viajou para a Alemanha e, quando voltou, eu já havia visitado todas aquelas pessoas”, conta Carneiro.

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

Augusto Carneiro, de 88 anos, um dos fundadores da Agapan, durante jantar de comemoração de aniversário da entidade

A Agapan surgiu da percepção de algumas pessoas de que algo deveria ser feito para preservar a natureza. Hilda Zimmermann lembra de ficar até as duas horas da madrugada, na praia de Torres, ouvindo Lutzenberger falar sobre ecologia. “Foi a primeira lição que recebemos”, lembra. Hilda conta as peripécias de Lutzenberger a bordo de um Fusca, ameaçando funcionários da prefeitura de Porto Alegre que cortavam árvores na rua Santo Antônio, no bairro Bom Fim. “Ali, a luta começou mesmo”, diz.

Foto: Arquivo pessoal

Protesto contra construções no Guaíba, em 1988: membros da Agapan colocam faixa no gasômetro, em Porto Alegre

A primeira causa da Agapan foi combater a poda indiscriminada de árvores em Porto Alegre, que acabava por matar as plantas. Quatro anos depois da fundação, a entidade ficou famosa pela atitude do então estudante de engenharia elétrica, Carlos Dayrell, que subiu em uma árvore que seria abatida para a construção de um viaduto. O protesto correu o Brasil e é considerado um marco do movimento ambientalista.

Ex-militante do Partido Comunista, do qual saiu após as denúncias dos crimes do sanguinário ditador Josef Stalin, nos anos 50, Augusto Carneiro diz que a Agapan não chegou a enfrentar problemas com a ditadura militar brasileira. “Não assustamos a ditadura, porque o nosso objetivo inicial era combater o escândalo de como matavam as arvores em Porto Alegre”, recorda.

Da defesa das árvores, a entidade alçou voos maiores. Ajudou na criação de um parque ecológico entre Porto Alegre e Viamão, combateu as construções na orla do lago Guaíba, discutiu poluição, legislação ambiental, energia nuclear e acabou influenciando na criação de outras entidades pelo Brasil.

“Até hoje, encontramos muitas entidades que dizem que a Agapan foi a inspiração”, afirma o atual presidente, Eduardo Finardi. A Agapan permanece como uma das entidades ambientalistas mais atuantes do Rio Grande do Sul. No cadastro, existem cerca de 1,8 mil pessoas associadas à entidade.

Aos 88 anos, mais que o dobro da idade da entidade que ajudou a fundar, Augusto Carneiro se dedica a distribuir os artigos e recortes de jornal que recolheu ao longo da vida. À reportagem, oferece três: um sobre a Amazônia, outro sobre o Parque Nacional do Araguaia e um terceiro sobre a problemática da pintura nos troncos de árvores.

Foto: Arquivo pessoal

Entidade foi uma das primeiras a fazer manifestações ambientais no Brasil

Mesmo parecendo se despedir aos poucos da militância, desfazendo-se de seus materiais, Carneiro não deixa de acompanhar as questões atuais do ambientalismo. Para ele, a atuação do governo federal na área é “fraquíssima”.

“Nenhum governo no mundo enfrenta a questão ambiental como deveria enfrentar”, lamenta. “As margens dos rios não devem ser mexidas”, continua, referindo-se às mudanças propostas no Código Florestal brasileiro. E ataca o deputado federal Aldo Rebelo (PC do B), relator da proposta: “O Aldo Rebelo, comunista, está a serviço dos latifundiários”. Rebelo é do mesmo partido o qual Carneiro deixou nos anos 50. “É, mas não tenho nenhuma culpa nisso”, finaliza.


Fonte: Portal ig
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rs/mais+velha+que+o+greenpeace+ong+gaucha+comemora+40+anos/n1300119235440.html

07 outubro 2010

8 de Outubro às 9 horas: CONVITE – Palestra sobre Incêndios Florestais no Brasil com Augusto Carneiro

É com alegria que convidamos a todos e todas para a palestra sobre INCENDIOS FLORESTAIS NO BRASIL, a ser proferida pelo nosso querido Mestre Sr. AUGUSTO CARNEIRO, a partir das 9h. no auditório do Jardim Botânico de Porto Alegre (Rua Doutor Salvador França, 1427).

Será o momento para uma reflexão histórica sobre o tema das queimadas, que foi extremante preocupante este ano em todo o país, a partir das lutas atuais e das décadas passadas. A palestra será seguida de homenagem no Jardim ao Pioneirismo na Ecologia.

O evento é aberto ao público e uma iniciativa da Assembléia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente (APEDeMA-RS), organizada pelo Amigos da Terra Brasil, com o apoio da Fundação Zoobotânica/Porto Alegre, Instituto Biofilia/Porto Alegre, IGRÉ – Amigos da Água/Porto Alegre, Os Verdes/Tapes, ASPAN/São Borja, Marica/Viamão, Mira-Serra/Porto Alegre e Instituo Gaúcho de Estudos Ambientais – InGá/Porto Alegre.

O que: Palestra com Augusto Carneiro sobre Incêndios Florestais no Brasil e Homenagem ao Pioneirismo na Ecologia

Onde: Auditório do Jardim Botânico de Porto Alegre - Rua Doutor Salvador França, 1427

Quando: Dia 8 de outubro de 2010, sexta-feira, a partir das 9 horas da manhã

30 agosto 2010

Rádio Ipanema Comunitária 31/08 20 horas : Ecologistas comentam o Encontro Estadual

O Cidadania Ambiental desta semana divulgará a reportagem inédita sobre o 28º Encontro Estadual de Entidades Ecológicas do Rio Grande do Sul realizado em Viamão e terminado neste sábado, 28/8. Depoimentos de sete participantes foram gravados e serão divulgados no programa especial - Carlos Sander, Leandro da Silveira, Lucinda Pinheiro, Eduino de Mattos, Auricí da Rosa, Cintia Barenho e Vicente Medaglia que também dá uma palhinha no seu violão e voz.

O programa irá ao ar na terça-feira, às 20h, pela Ipanema Comunitária 87,9 FM, e poderá ser escutado ao vivo também na Internet por meio do saite www.ipanemacomunitaria.com.br. E no sábado, a partir do meio-dia, retransmissão.

O Cidadania Ambiental é uma produção e apresentação do jornalista João Batista Aguiar. Na mesa de som, Lothar Gutierrez. Os programas já transmitidos estão sendo disponibilizados neste endereço.

16 dezembro 2008

Conselheiros da Agapan são homenageados no lançamento do MoGDeMA, em Porto Alegre


Os conselheiros da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Flávio Lewgoy e Sebastião Pinheiro e os ex- dirigentes Caio Lustosa (vice-presidente) e Augusto César Carneiro (fundador e tesoureiro), foram homenageados ontem, segunda-feira (15/12), durante o lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, realizado no Plenarinho da Assembléia Legislativa. O MoGDeMA é uma articulação para envolver toda a sociedade, reunindo cidadãos, sindicatos, movimentos sociais da cidade e do campo, ONGs, religiosos e professores preocupados com o meio ambiente. Para a presidente da Agapan, Edi Fonseca, a homenagem é um reconhecimento da importância da atuação da entidade nas lutas que envolvem políticas públicas sócio-ambientais. Os homenageados são refências na luta da defesa dos direitos do ecocidadãos.



O Movimento se reúne há alguns meses com atividades periódicas, reuniões semanais e eventos públicos, com destaque para a Audiência Pública sobre a Redução de Faixa de Fronteira e os Seminários de Descentralização, que ocorrem freqüentemente em municípios do interior do Estado. O objetivo é definir ações conjuntas que fortaleçam as políticas públicas em defesa da natureza, promovendo o debate e a luta sócio-ambiental.


Após a homenagem aos pioneiros na luta ambientalista aqui no RS, como Caio Lustosa, Augusto César Carneiro, Giselda Castro, Hilda Zimmermann, Irmão Cecchin, Flávio Lewgoy e Sebastião Pinheiro, foi lida a Carta de Princípios. Participou da cerimônia o ex-senador pelo Acre, Sibá Machado.


No final da manhã, Victor Bacchetta, jornalista e editor uruguaio, especialista em meio ambiente, ciência e desenvolvimento, que recentemente lançou o livro "La Fraude de La Celulosa", abordou sobre a conjuntura geopolítica do Cone Sul, referindo-se à cadeia produtiva da celulose.


O professor Antônio Libório Philomena, doutor em Ecologia pela University of Geórgia e professor titular do Departamento de Ciências Morfo-Biológicas da Furg na área de Ecologia, analisou o contexto ambiental mundial e brasileiro, com a palestra Contexto Ambiental no limite e o futuro da humanidade. Ao final do dia, Bacchetta palestrou sobre O Modelo Florestal da Celulose e seus Impactos sobre o Bioma Pampa, no Auditório do Semapi

Informações: Assessoria de Impresa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues





Fotos: SEMAPI