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28 julho 2020

SOBREVIVÊNCIA: Legislação Ambiental

O Sobrevivência desta semana recebe o conselheiro Beto Moesch, especialista em Direito Ambiental, para falar sobre a legislação que rege o setor de meio-ambiente no Brasil. Acompanhe e compartilhe!

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O Sobrevivência é transmitido ao vivo todas as terças-feira, às 20 horas, no canal da Agapan no YouTube e na página da entidade no Facebook.
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05 maio 2016

Parlamentares gaúchos tentam disfarçar ataque a leis ambientais

Preocupada com a possibilidade de retrocessos, a Agapan acompanha o tema em estado de alerta.


Foto: Marcelo Bertani / ALRS
Deputados estaduais que integram duas subcomissões da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do RS (ALRS) utilizam de eufemismo para mascarar a intenção de flexibilizar o Código Florestal (Lei 9.519/1992) e o Código Estadual do Meio Ambiente (Lei 11.520/2000) para satisfazer pressões de interesse econômico. Elton Weber (PSB) e Frederico Antunes (PP) são, respectivamente, os relatores das subcomissões. O referido eufemismo se dá, mais especificamente, por conta do uso do termo "aperfeiçoamento", que é utilizado pelas duas subcomissões que tentarão, na verdade, justificar a fragilização pretendida das leis ambientais.

21 março 2016

Assembleia Legislativa lança Relatório Verde

Acesse a versão digital
Com a colaboração da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), a Assembleia Legislativa do RS, através da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, editou o Relatório Verde: Ação em Defesa do Ambiente Natural. O lançamento da obra foi realizado no dia 16 de março no Vestíbulo Nobre do Palácio Farroupilha, em Porto Alegre (RS). A publicação tem o objetivo de apoiar as ações de proteção ambiental. 

O Relatório Verde conta com textos dos conselheiros da Agapan Ana Maria Daitx Valls Atz (organizadora), Maria Nazaré Melo, Francisco Milanez e do presidente Leonardo Melgarejo (organizador). 

O material reúne, em 300 páginas, informações sobre as 23 unidades de conservação do Estado, os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas para os próximos 15 anos e o Código Estadual do Meio Ambiente, que é reproduzido integralmente.

Rebes ressalta a importância do Relatório
Verde para a defesa ambiental
Durante a cerimônia de lançamento do Relatório, o vice-presidente da Agapan, Roberto Rebes Abreu, falou sobre a importância deste conjunto de informações para a formação e solidificação da consciência cidadã ecológica. "Em um único documento, se reúnem as informações necessárias para compreensão da causa ambiental, pois trata de questões relevantes à vida e a saúde", afirmou. Rebes também destacou que o lema da Agapan - A vida sempre em primeiro lugar - apresenta um referencial de ação que deve ser adotado para as políticas públicas no RS e no Brasil.
"Ao trazer artigos que tratam, de forma sintética e séria, sobre o que é importante saber sobre a necessidade da proteção ambiental, biodiversidade, sobre os efeitos da transgenia, os malefícios dos agrotóxicos, das radiações eletromagnéticas e não ionizantes, sobre o ambiente, saúde e poluição industrial, se dá elementos necessários para que o cidadão forme a sua consciência e abrace a causa da necessidade de preservação do meio ambiente natural saudável", 

A Assembleia Legislativa publica regularmente o Relatório Lilás e o Relatório Azul, que abordam, respectivamente, a questão dos direitos das mulheres e dos direitos humanos. "Nessa nova publicação, queremos pautar com mais consistência a defesa do meio ambiente e os canais existentes para tratarmos do tema”, afirma o presidente da Comissão de Saúde e Meio Ambiente, deputado Valdeci Oliveira (PT).

A versão digital do Relatório Verde pode ser acessada aqui

As edições impressas podem ser solicitadas diretamente à Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Alguns exemplares estarão a disposição dos participantes do Agapan Debate que será realizado no dia 11 de abril na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, a partir das 19h.

Imprensa Agapan

06 maio 2013

Apoio à Polícia Federal pela Operação Concutare



Ambientalistas manifestam apoio à Polícia Federal pela Operação Concutare
Diversas entidades ambientalistas levaram seu apoio à Polícia Federal
A gratidão e o apoio dos ambientalistas às ações da Polícia Federal na Operação Concutare foram expressadas com palmas e flores, dirigidas e entregues ao delegado Renato Madsen Arruda, da Divisão de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente. A manifestação aconteceu no final da tarde de sexta-feira (3/5), em frente ao prédio da PF, em Porto Alegre, logo após coletiva sobre a operação, que teve como ápice críticas à decisão da juíza Karine da Silva Cordeiro, da 1ª Vara Criminal da Justiça Federal no RS que libertou os indiciados, rejeitando o pedido de prorrogação da prisão temporária de dez dos 18 suspeitos presos no Presídio Central de Porto Alegre.
Ambientalistas da Agapan, do Ingá, do Mogdema e do Movimento em Defenda da Orla, entre outras representações, lamentam a decisão da juíza, pelas possibilidades de os indiciados, agora em liberdade, influenciarem ou intimidarem outras testemunhas e depoentes, “podendo inclusive subornar e acabar com as provas”, ponderou a conselheira da Agapan, Edi Fonseca. Para o delegado Arruda, que demonstrou preocupação, é provável que ocorra pressão sobre determinadas pessoas envolvidas e que possam ser indiciadas. Em conversa com os ambientalistas, o delegado agradeceu o apoio e os elogios à ação da PF. “Os delegados estão contente com o apoio recebido dos ambientalistas e dos técnicos dos órgãos públicos, que têm auxiliado nas investigações”, afirmou.
Delegado Renato Madsen Arruda recebendo documento dos ambientalistas
Durante a manifestação de apoio, Arruda destacou que as pessoas podem colaborar ligando para o Plantão da Polícia Federal ou enviando correspondências para a Divisão de Crimes Ambientais. “Não precisa, mas caso a pessoa se identifique, terá sua identidade resguardada”, observou. O telefone de plantão fica disponível 24h, pelo número (51) 3235-9013.
Augusto Carneiro, um dos fundadores da AGAPAN, esteve presente
“Vamos encaminhar denunciais e solicitar audiências também com o delegado Roger Cardoso, que coordena as investigações sobre a ocorrência de fraude ambiental, com o governador e com o prefeito”, antecipou o presidente da Agapan, Francisco Milanez.

IRREGULARIDADES DENUNCIADAS
À esquerda, Francisco Milanez, presidente da AGAPAN
Em abril do ano passado, a Agapan e outras entidades ambientais do Estado, através da Apedema, lançaram um manifesto intitulado O Caos e A Crise, alertando o Governo do RS sobre a “crítica” situação em que se encontra a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e o assédio moral por que passam os servidores. “Até agora o governador Tarso Genro não nos recebeu”, reafirmou Edi Fonseca.
Para a ambientalista, é preciso rever os licenciamentos de grandes empreendimentos, tornando o processo mais transparente. “Além de uma ‘limpa’ nos Cargos de Confiança (CCs) de responsabilidade do secretário indiciado (Carlos Fernando Niedersberg), defendemos a suspensão das reuniões dos Conselhos Municipal e Estadual do Meio Ambiente, até que algum técnico com atuação ambiental seja nomeado”, complementou o biólogo e ambientalista do Ingá, Paulo Brack.
Segundo Brack, há muitas ações tramitando na justiça contra empreendimentos no Litoral Norte. “É preciso trazer a tona essas irregularidades e os danos causados ao ambiente ao longo dos anos”, alertou, ao defender a reconstrução do modelo de licenciamento ambiental no Estado. “Os CCs estão tomando conta e desvirtuando o processo de licenciamento”, criticou Brack.
Milanez comemora a ação da Polícia Federal em relação às fraudes nos licenciamentos ambientais, com prisão e indiciamento dos envolvidos, “em parte, desmascarados”. Para ele, “o trabalho da Polícia Federal faz com que as pessoas na Sema e na Smam (Secretaria Municipal do Meio Ambiente), que estavam marginalizadas e muitas vezes foram deslocadas para outros setores, tenham seus espaços de trabalho reconquistados”.

LOTEAMENTO É A CAUSA
“A Operação Concutare confirma e traz à tona as denúncias dos movimentos ambientais, incluindo os conselhos municipal e estadual de Meio Ambiente (Comam e Consema)”, diz o biólogo e integrante do Mogdema, Eduardo Rupenthal. Para ele, a manifestação é positiva, principalmente pelo apoio prestado aos delegados federais, “que estão surpresos com as muitas denúncias da sociedade civil sobre ações e crimes cometidos por essa quadrilha”.
Para Rupenhal, a burocracia na obtenção dos licenciamentos ambientais não é a causa das irregularidades, mas o “loteamento político-partidário” das secretarias e dos conselhos, que mantêm a questão ambiental em posição secundária de importância, sendo ocupada por políticos que não se elegeram. “É preciso reverter essa lógica, investir em infraestrutura e em pessoal qualificado, valorizando o corpo técnico”, defendeu.
Durante a manifestação de sexta-feira, os ambientalistas citaram alguns empreendimentos que podem estar na mira das investigações, como a Companhia Riograndense de Celulose e as barragens de Taquarembó, em Dom Pedrito, e Jaguari, em São Gabriel, liberadas em 2007, além dos empreendimentos no Litoral Norte, que privatizam e destroem Áreas de Preservação Permanente, como dunas e banhados, e a mineração extrativista e criminosa nos já poluídos rios gaúchos, entre muitos outros.
De acordo com o delegado da Polícia Federal, Roger Cardoso, em coletiva pra a imprensa ainda na sexta-feira à tarde, os cerca de 50 indiciamentos devem ser concluídos até o próximo dia 25. A partir de segunda-feira (6/5), dez peritos da PF de outros Estados auxiliarão o trabalho pericial a campo que vai confirmar as irregularidades e crimes ambientais. “Somente os valores apreendidos garantem a corrupção”, disse Cardoso. Segundo o delegado, entre suspeitos, investigados e testemunhas são 70 pessoas. “Queremos quantificar os danos ambientais em valores para que os responsáveis arquem com esses prejuízos”, afirmou Cardoso.
Indignados e aguardando o desenrolar das investigações, em segredo de justiça, os ambientalistas e apoiadores preveem um ato para comemorar a Operação Concutare na próxima sexta-feira, dia 10 de maio, na esquina das ruas Lima e Silva e da República, na Cidade Baixa, em Porto Alegre.

Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
51-9813-1785/8204-3730
Fotos: Adriane Bertoglio Rodrigues e Cesar Cardia/AGAPAN

04 abril 2013

Grande Expediente Especial na Assembleia Legislativa do RS, destacou os 30 anos da lei de controle dos agrotóxicos e biocidas.

Grande Expediente Especial da sessão dessa quarta-feira (3 de abril) na Assembleia Legislativa do RS, destacou os 30 anos da lei de controle dos agrotóxicos e biocidas.
Ex-presidente da Assembleia Antenor Ferrarie e o atual presidente da AGAPAN,
Francisco Milanez, na mesa diretora. Foto: Cesar Cardia/AGAPAN
A comemoração dos 30 anos da Lei dos agrotóxicos e biocidas, teve como ponto alto o reiterado reconhecimento por parte dos representantes daquela Casa do Povo, da importância desse feito histórico, que teve no ex-presidente da Assembléia Legislativa na época, Antenor Ferrari e na AGAPAN, representada por seu presidente Francisco Milanez, a base para desse pioneirismo vitorioso em nível nacional.

O proponente do evento, deputado Adão Villaverde, rememorou os fatos históricos que antecederam a promulgação da Lei, que teve no qualificado corpo técnico/científico da AGAPAN, seu grande e decisivo mentor.

Livia Zimmermann levou reprodução de cartaz feito na época da aprovação da Lei.
Foto: Cesar Cardia/AGAPAN
Reverenciou os ecologistas de vanguarda como José Lutzenberger, Flávio Lewgoy, Francisco Milanez, Hilda Zimmermann, Magda Renner, Giselda Castro, Celso Marques, Jacson Saldanha, entre outros, que tanto batalharam para que a referida Lei fosse aprovada.
Na platéia muitos ambientalistas e apoiadores da luta
contra os agrotóxicos. Foto: Cesar Cardia/AGAPAN
Na platéia encontram-se representantes de entidades do ambientalismo gaúcho, bem como de outras entidades simpatizantes para com a causa, cujo protagonismo à época contribuiu e continua contribuindo para que a Lei, 30 anos depois, prossiga respeitada!

Ex-deputado Antenor Ferrari com integrantes da AGAPAN.
Foto: Divulgação/AGAPAN
O ex-deputado Antenor Ferrari recebeu uma placa alusiva a data.

27 outubro 2009

PL 154/09: Assembleia gaúcha pode destruir legislação ambiental modelo



O retrocesso ambiental do RS se chama PL 154/09.

O Projeto de Lei n 154/09, encabeçado pelo deputado estadual Edson Brum (PMDB), corre o risco de receber parecer favorável da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do RS. A reunião será nesta terça-feira, 27, às 9h, na sala da Comissão.

A Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) considera a proposta uma mutilação do Código Estadual do Meio Ambiente. A aprovação provocará danos irreparáveis à nossa biodiversidade e contribuirá ainda mais para o aquecimento global.

A superexploração econômica do solo ameaça a sobrevivência da natureza e põe em risco a sustentabilidade da base da economia gaúcha. Ou seja, o RS tem uma legislação ambiental modelo, que está em vias de ser destruída.

Quem vai assumir essa responsabilidade?

Participe da nossa resistência!!

Vá à Assembleia!!



Imagem: Giora Meisler - Direitos livres de imagem.

18 setembro 2009

Agapan Debate contesta constitucionalidade de projeto de lei que enfraquece legislação ambiental gaúcha


Foto: (da esquerda para a direita), Eduardo, Marchesan e Moesch

Participantes do evento fortalecem parceria e programam ações em defesa dos recursos naturais do Estado.

A inconstitucionalidade do Projeto de Lei 154/2009, em tramitação na Assembleia Legislativa do RS, pode ser requerida junto ao Tribunal de Justiça do Estado caso os deputados gaúchos aprovem as alterações propostas pelo deputado Edson Brum (PMDB) ao Código Estadual de Meio Ambiente. A possibilidade foi defendida na noite desta quinta-feira, 17, em Porto Alegre, durante o Agapan Debate sobre "Leis Ambientais são Ameaçadas no RS". O evento, promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, aconteceu na sala Sarmento Leite, da Comissão de Saúde e Meio Ambiente e reuniu mais de 30 pessoas, entre pesquisadores, ambientalistas, representantes de movimentos sociais e de associações de bairro, e jornalistas. Foram debatedores a procuradora de Justiça, Ana Maria Marchesan, o advogado, vereador e conselheiro da Agapan, Beto Moesch, o biólogo e assessor da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da AL, Amadeu Pirotti, e o biólogo, arquiteto e também conselheiro da Agapan, Francisco Milanez. O debate foi mediado pelo presidente da Associação, Eduardo Finardi.

A procuradora Ana Maria Marchezan lamenta o momento de "crise política, de identidade e de valores instalado no Estado, que atinge inclusive a área ambiental". Ela critica a justificativa apresentada pelo deputado, de que a Constituição Federal de 1988 ampliou, para estados e municípios, o poder de legislar sobre florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição. Ana Maria também questiona a "inércia da legislação federal", salientada na justificativa, reafirmando que o RS já tem Código Estadual de Meio Ambiente, que durante os 10 anos de elaboração envolveu todos os setores econômicos e produtivos do Estado. "Construímos uma legislação que é referência para o Brasil inteiro", diz.

"Não é por falta de leis que o ambiente está em degradação", afirma a procuradora, ao analisar que "a justificativa ao projeto de lei começa muito mal". Para ela, "nosso Código é de 2000, é recente". Sobre a proposta de lei em tramitação, Ana Maria cita "absurdos", como a redução da metragem das matas ciliares, a admissão de atividades de manejo em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e a consideração das Unidades de Conservação (UCs) como Bacias Hidrográficas. "A Promotoria de Meio Ambiente do Ministério Público não comunga desse retrocesso que revela total imediatismo e falta de altruísmo, porque precisamos deixar um ambiente mais preservado para o futuro da humanidade", salienta.

GRAVIDADE DAS INTENÇÕES

Para Beto Moesch, advogado, vereador e conselheiro da Agapan, a possível alteração da legislação ambiental do RS é um problema mais grave do que o do Estaleiro Só e do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre, pois "desconstitui um avanço que teve a participação de todos os segmentos da sociedade e a maior parte ainda não foi implementada". Para ele, "antes de alterar as leis é preciso aprimorar e melhorar o que já foi aplicado da própria constituição do RS, que regulamenta as diversas leis". Moesch questiona o que considera "aberrações que vão contra a própria história da Assembleia Legislativa, que centrou 10 anos de discussões contra os poucos mais de 70 dias de reuniões, neste ano, para determinar o projeto".

Entre os absurdos listados por Moesch estão a eliminação do capítulo da Mata Atlântica, reconhecida pela ONU como reserva da biosfera e que pode favorecer ao Estado o repasse de até R$ 40 milhões a fundo perdido via banco alemão GTZ. "Este é um exemplo da gravidade de tirar esse capítulo, diante da possibilidade de continuarmos a ganhar dinheiro de graça", diz Moesch, ao observar que "a maioria dos deputados sequer sabe que temos remanescentes de Mata Atlântica aqui no Estado".

Além de liberar o plantio de espécies exóticas sem licença, a proposta de lei libera as queimadas. "Que agricultura é essa que depende de queimadas? Cadê as tecnologias", questiona Moesch, ao afirmar a intenção de fragilizar e quase aniquilar a legislação ambiental do RS. O advogado e conselheiro cita ainda "o absurdo em diminuir a metragem de preservação de mata ciliar para um máximo de 50 metros, a retirada das ONGs do processo de discussão e a eliminação do sistema de informação do Executivo, em disponibilizar os laudos e outros dados técnicos, e da população, em não ter mais acesso às informações ambientais. Para ele, "a legislação ambiental deve ser usada pelas Secretarias da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura e não apenas pela Ambiental".

FAVORECIMENTOS AO "AGRIBUSINESS"

O biólogo Amadeu Pirotti, assessor da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da AL, lembra que em 70 dias foram feitas três audiências públicas (em Passo Fundo, Santo Ângelo e Santa Cruz) e reuniões em diversas cidades, que culminaram com a vinda do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a Porto Alegre, e denuncia que o projeto de lei "não foi debatido e, por isso, não representa o anseio social".

Pirotti observa que a CSMA vê o PL 154 com muita restrição. "Se chegar a plenário, não passa, e, se passar, a vedação do retrocesso é o mote da situação", diz. O biólogo lembra que há interesse do pequeno produtor em ser ressarcido pelos serviços ambientais e de preservação prestados. Para ele, "todo o Código Ambiental proposto é voltado ao agribusiness".

"Tirar o capítulo da Mata Atlântica é como proibir a palavra amor". A comparação foi feita pelo também biólogo Francisco Milanez, ao questionar a "atitude mal intencionada e boçal de alguns deputados em anti-educar a população gaúcha". Para ele, a lei menor não pode ser mais permissiva que a lei maior, diz, ao destacar a intenção de reformar a lei federal (Código Florestal), em discussão no Congresso Nacional.

Milanez critica a possibilidade de eucaliptos serem plantados em rolos rasos, como nos Campos de Cima da Serra, "onde as pedras crescem, a partir da erosão provocada pelas chuvas", e no Pampa, "onde as sedentas exóticas, com suas longas raízes, vão rebaixar o lençol freático, tirando a água do capim, de raízes curtas, mas próprias para aquele ecossistema". Para o biólogo, um Estado inteligente planeja, faz o zoneamento e conhece todos os seus biomas. "Temos vocações no nosso Estado que devem ser incentivadas e implementadas, preservando o ambiente e não flexibilizando a legislação".

O PL 154/2009 foi apresentado na Sala das Sessões da AL, em 9 de julho deste ano, assinado pelos deputados Edson Brum e Gilberto Capoani (PMDB), Adolfo Brito e Jerônimo Goergen (PP), Zilá Breitenbach, Mauro Sparta e Coffy Rodrigues (PSDB), Aloísio Classmann (PTB) e Gerson Burmann (PDT). Não assinaram os deputados Heitor Schuch (PSB) e Dionilso Marcon e Elvino Bohn Gass (PT). Desde o último dia 1º está sob análise na Comissão de Constituição e Justiça.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues
Foto: César Cardia

19 setembro 2008

O GOVERNO FORA DA LEI

”O problema do Brasil é que o estado está contra a nação.”
Ulisses Guimarães


Cabe a um procurador de Justiça ou a um secretário do Meio Ambiente cumprir e fazer cumprir a legislação em vigor e não questioná-la, dando a entender publicamente a sua disposição a desrespeitá-la. Também caberia a um secretário do Meio Ambiente respeitar a atuação dos ecologistas, voltada para fiscalizar o cumprimento da Lei e da missão institucional do órgão que preside e que existe graças às reivindicações dos próprios ecologistas. Entretanto, sintomaticamente, a mais alta autoridade ambiental do Rio Grande do Sul, Carlos Otaviano Brenner de Moraes, procurador de Justiça cedido pelo Ministério Público Estadual para ocupar o cargo de secretário do Meio Ambiente, na entrevista coletiva dada na reunião-almoço da Federasul (06/08/08) declarou ser contra o Princípio da Precaução e fez críticas improcedentes e desrespeitosas aos ecologistas.

Estas manifestações são sintomas da crise, impasse e retrocesso institucional e legal das conquistas realizadas pelo movimento ecológico em quase quatro décadas de ativismo democrático. O pivô dessa crise foram às pressões bilionárias do florestamento do Pampa gaúcho sobre o Governo do Estado e sobre a Fundação Estadual de Proteção Ambiental, a Fepam, órgão ambiental do Estado. A crise se instaurou com a recusa dos empreendedores em aceitar o ZAS, o Zoneamento Agro-florestal da Silvicultura, normatização técnico-científica feita pela Fepam, que disciplinaria o florestamento na Metade Sul do Estado. Os empreendedores consideraram que o ZAS prejudicaria os investimentos já realizados, pressionaram o governo e este cedeu. Presentemente a Fepam está sob um clima de intervenção governamental, pressionando a sua autonomia institucional. As críticas do senhor Carlos Otaviano revelam a irritação governamental diante da intransigência dos ecologistas que participam do Conselho Estadual de Meio Ambiente. Estes não admitem o retrocesso político que consiste na perda das prerrogativas institucionais e legais, representadas pela autonomia técnica e administrativa da Fepam, órgão ambiental que existe como uma conquista democrática do movimento ecológico. Este é o contexto político real das declarações absurdas do atual secretário do Meio Ambiente contra os ecologistas e contra o Princípio da Precaução.

O Princípio da Precaução é um dos fundamentos basilares do Direito Ambiental. Conseqüentemente, um procurador de Justiça e secretário do Meio Ambiente afirmar publicamente ser contra este princípio é, no mínimo, um escândalo ético e jurídico. O jurista Paulo Affonso Leme Machado, sumidade mundial em Direito Ambiental, há alguns anos afirmou em Porto Alegre que “O Estado brasileiro é réu em 97% dos processos tramitando na Justiça na área ambiental.” Não cabe a um governante discordar da legislação, mas cumpri-la. Portanto, as afirmações do titular da pasta ambiental do Rio Grande do Sul, discordando do Princípio da Precaução e criticando a defesa da autonomia da Fepam, feita pelos ecologistas, endossam como normalidade a patologia política de governos habituados a desrespeitar a Lei e a colocar o Estado no papel de delinqüente.

Mas, além de recusar o Princípio de Precaução, as críticas que ele dirigiu aos ecologistas foram de (1) fazerem política partidária com a questão ambiental; (2) estarem infiltrados na mídia e (3) em conselhos; de professarem (4) “um eco-idealismo preconceituoso e tendencioso”...) que (5) “acaba contribuindo negativamente para o meio ambiente.” (Ecoagência, 07/08/08). Ou seja, só faltou afirmar que os problemas ecológicos foram criados pelos ecologistas. A inconsistência, o primarismo, o desrespeito e a total falta de sentido destas críticas não mereceriam resposta. Entretanto, vindas de um secretário do Meio Ambiente, na atual conjuntura, elas evidenciam uma visão da atuação dos ecologistas sob um prisma conspiratório e uma atitude autoritária, incapaz de lidar democraticamente com o contraditório no contexto do Conselho Estadual do Meio Ambiente.

Eis a refutação das críticas que revela a sua total inconsistência: (1) Política partidária: há décadas o movimento ecológico gaúcho assumiu como diretriz política que a problemática ecológica é de natureza suprapartidária, não comportando a sua monopolização por nenhum partido político. (2) Infiltração na mídia: a mídia, em geral comprometida com os interesses do poder econômico e político, raramente expressa com fidelidade as posições dos ecologistas nos debates públicos. (3) Infiltração nos conselhos: a participação dos ecologistas nos Conselhos Estadual e Nacional do Meio Ambiente, na CTNbio e em outros órgãos deliberativos e consultivos tem sido sempre minoritária e frustrante. Nestes órgãos colegiados somos sistematicamente boicotados na nossa participação e derrotados nas votações. As alianças dos interesses imediatistas dos setores governamentais e empresariais, representados sempre em composições majoritárias, fazem com que, na prática, os encaminhamentos e decisões não sejam a favor do meio ambiente e das gerações futuras. Conseqüentemente, estes órgãos primam por funcionar de maneira precária, perversa e antidemocrática, na contramão das finalidades institucionais para as quais eles, supostamente, foram criados. Por esta razão, atualmente muitos ecologistas estão se opondo à participação de entidades ambientalistas no Conselho Estadual do Meio Ambiente e órgãos similares, pois esta participação legitima e ajuda a manter as aparências do simulacro de democracia que estamos vivendo e que ali se pratica.


Mas o secretário do Meio Ambiente ainda acusou os ecologistas de (4) “eco-idealismo preconceituoso e tendencioso”. Ora, ao contrário, somos nós, os ecologistas, que há quase 40 anos nos defrontamos com os preconceitos ideológicos ultrapassados e o imediatismo limitadores dos horizontes, das responsabilidades e da criatividade das nossas lideranças políticas e empresariais. Desde 1971 apresentamos a essas lideranças as provas científicas da inviabilidade ecológica da economia industrial contemporânea. Até os dias de hoje estas provas não apenas não foram refutadas, como foram confirmadas por novas evidências científicas.Tentamos mostrar que a questão ecológica é um paradigma civilizacional que não está nem à direita e nem à
esquerda, mas é um novo horizonte à nossa frente. Procuramos chamar a atenção para as vantagens estratégicas de não sermos hoje um país desenvolvido, pois ainda temos a oportunidade de não embarcar na canoa furada de um modelo de desenvolvimento insustentável, falido, ecocida e suicida. Apregoamos a possibilidade de atalharmos o caminho para uma civilização sustentável, com uma qualidade de vida melhor do que a existente nos países ditos desenvolvidos de hoje em dia. Tentamos seduzir o empresariado para o desafio, a criatividade e a iniciativa, indispensáveis à aventura coletiva e pioneira de desbravar os caminhos da sustentabilidade.

A maior receptividade ao nosso “idealismo preconceituoso e tendencioso” deu-se no setor da produção primária. Os movimentos da agricultura orgânica e da agroecologia hoje congregam milhares de agricultores no Rio Grande do Sul e em outras partes do Brasil; as feiras ecológicas são uma realidade na capital, em numerosos lugares do Interior e fora do Estado; a campanha por alimentos sem venenos criou um novo mercado local, regional e nacional para produtos ecológicos; atualmente o Brasil é campeão mundial em reciclagem de latas de refrigerantes, ocupando uma posição de destaque na reciclagem de plásticos e de outros materiais, bem como na indústria da reciclagem, etc.

No entanto nosso “idealismo preconceituoso e tendencioso” não conseguiu remover os preconceitos e o imediatismo do setor empresarial-industrial. As iniciativas de mudanças de processos industriais e de produtos visando à minimização dos impactos ambientais da produção e do consumo, a otimização do uso das matérias-primas, a diminuição do lixo industrial e das embalagens, a economia de energia, o tratamento e a redução das emissões de resíduos poluentes, etc., ficaram muito aquém dos paliativos mínimos necessários e desejáveis, até para uma economia convencional como a nossa. Existem exceções, é claro, mas que apenas confirmam a regra.

Nosso setor industrial, em vez de tomar a iniciativa e agir de maneira proativa, apenas reagiu defensivamente diante das novas exigências da legislação, normatização e disciplinamento dos diversos ramos industriais, feitas pelos órgãos ambientais do Estado e da União. A situação crítica do Rio Gravataí, por exemplo, e a mortandade de peixes, ali ocorrida em 2007, são resultados de décadas de resistência do nosso empresariado em assumir sua responsabilidade ambiental. E, por outro lado, da complacência dos sucessivos governos com as indústrias poluidoras e a sua inação em busca de tratamento de esgotos domésticos.

Atualmente, nenhuma pessoa educada e bem informada coloca em dúvida a inviabilidade ecológica do modelo de desenvolvimento que preside o
atual processo civilizatório. Mesmo que as soluções ainda não sejam de amplo domínio público, o fato é que hoje existe em todo o mundo uma abundante disponibilidade de conhecimento e informação sobre alternativas científicas, tecnológicas e institucionais para a sustentabilidade. É fundamental compreender que a sustentabilidade ecológica, condição de sobrevivência e de evolução da civilização, é uma problemática complexa, cujo encaminhamento está a exigir uma resposta coletiva comparável a um esforço de guerra.

O desafio que temos pela frente exige uma mobilização de criatividade, coragem, iniciativa e cooperação sem precedentes. No entanto, os últimos quase 40 anos de imediatismo da nossa cultura empresarial-governamental revelam um imobilismo, uma inércia, uma falta de coragem e de iniciativa que evidenciam uma espantosa irresponsabilidade e incapacidade de encarar a realidade.

Nós, ecologistas, tivemos um relativo sucesso em ecologizar a cultura, a legislação e o Estado. Mas fracassamos quase que completamente na nossa tentativa de ecologizar nossas lideranças políticas e empresariais. Como resultado deste fracasso, estamos diante de um impasse: temos uma legislação ambiental avançada, mas em franco retrocesso, sendo “flexibilizada” e negociada no seu cumprimento; temos um Estado aparentemente moderno, equipado com órgãos públicos para atender a demanda ambiental, mas administrado por políticos a serviço de minorias corruptas, autoritárias, antidemocráticas, parasitárias e retrógradas, ou da avidez das grandes empresas transnacionais.

Não conseguimos ser ouvidos, não conseguimos despertar nossas elites para a compreensão de que a sustentabilidade não é um retrocesso, mas o desafio de um avanço na direção de um novo projeto de civilização. Fracassamos em convencer nossas lideranças que a sustentabilidade é a primeira oportunidade histórica real que temos para ocupar um lugar ao sol entre as nações. Depois de quase 40a anos de pregação, esse fracasso nos faz pensar na atualidade do diagnóstico de Assis Brasil fez, há quase 100 anos, sobre a nossa realidade cultural e política: “um deserto de homens e idéias”.

(5) Finalmente, a declaração oficial de que os ecologistas estão “contribuindo negativamente para o meio ambiente”. Trata-se de uma avaliação que expressa a visão de um mundo virado de cabeça para baixo, a expressão quase demencial do abismo que hoje separa o Estado e os governos dos interesses maiores da sociedade. Mas a declaração do secretário do Meio Ambiente não é um fato isolado. Ele é um porta-voz da nossa cultura política do “Estado contra a nação.” Representa os interesses de um segmento social que perdeu completamente o sentido da realidade por nunca ter entendido a questão ecológica. É um absurdo afirmar que os ecologistas estão “contribuindo negativamente para o meio ambiente” quando tudo o que existe na área ambiental, a consciência ecológica, as leis, os órgãos ambientais, absolutamente tudo, inclusive a própria Secretaria Estadual do Meio Ambiente e o próprio cargo que o secretário ocupa, tudo isso existe devido às reivindicações dos ecologistas, que podem ser comprovadas historicamente.

Em 1971, a AGAPAN, através da liderança de José Lutzenberger, iniciou sua atuação pioneira questionando o modelo de desenvolvimento da civilização industrial e cobrando dos governos a criação de órgãos públicos e de uma legislação ambiental. Fomos vitoriosos. A ressonância da questão ecológica entre nós levou a um questionamento coletivo sem precedentes, que ocorreu paralelo ao processo de “redemocratização” do Brasil.

No plano institucional tivemos a inclusão da questão ambiental nas Constituições Federal, Estaduais e nas Leis Orgânicas Municipais; criou-se um novo ramo do Direito, o Direito Ambiental; nas universidades a ecologia levou à criação de novas especializações científicas e tecnológicas em praticamente todos os campos do conhecimento. A ecologia entrou na educação e na pedagogia; passou a inspirar poetas, escritores, intelectuais e artistas; abriu-se um novo campo de trabalho para profissionais nos órgãos públicos ambientais recém criados e na iniciativa privada, etc.

Esta mudança de paradigma cultural-institucional aconteceu graças à ressonância da atuação dos ecologistas na sociedade gaúcha e brasileira. Nós, respondendo pelos interesses maiores da sociedade civil, fomos vitoriosos. A concessão do Prêmio Nobel Alternativo, dada a José Lutzenberger em 1986, representou o reconhecimento mundial do seu trabalho pioneiro entre nós, no Brasil e no mundo. A realização da Conferência Mundial Sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a ECO-92, organizada pela ONU no Rio de Janeiro, também foi um acontecimento preparado pelo movimento ecológico gaúcho, brasileiro e internacional. A concepção de modernidade política, instaurada por três décadas de atuação pioneira do movimento ecológico gaúcho, contribuiu significativamente para a realização do Fórum Social Mundial por quatro vezes consecutivas em Porto Alegre, trazendo em cada vez cerca de 100 mil pessoas e tornando nossa capital, pela primeira vez, conhecida no mundo inteiro.

O fato é que conseguimos formar um consenso cultural em torno do novo paradigma civilizatório e a sua incorporação institucional e legal ao funcionamento do Estado e da sociedade brasileira. Este feito colocou a coletividade gaúcha no centro das atenções de todo o mundo, tornando realidade o verso do Hino Riograndense que diz: “Sirvam nossas façanhas de modelo a toda a Terra”.


Tanto durante a ditadura como após o seu término, época em que a sociedade brasileira conseguiu montar o embrião institucional e legal para dar início ao
novo paradigma da sustentabilidade, o movimento ecológico sempre considerou que o caminho para a ecologização da economia passa obrigatoriamente pela democracia e pela democratização da cultura e das instituições sociais.

Não pode existir democracia sem a autonomia dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com suas prerrogativas de mútua fiscalização e controle. E sem uma sociedade civil também autônoma e participativa, fiscalizando atentamente os governos e as políticas públicas. É sintomático que o Governo do Estado do Rio Grande do Sul tenha atualmente um procurador de Justiça do Ministério Público Estadual ocupando o cargo de secretário Estadual do Meio Ambiente. A decisão governamental de escolher um secretário proveniente do Ministério Público Estadual vai contra o princípio democrático da autonomia dos três poderes.

Nós, ecologistas, acreditamos que a democracia é o único regime político capaz de promover a criatividade e a racionalidade social indispensáveis a um novo projeto de civilização voltado para a sustentabilidade. A democracia hoje é um imperativo de sobrevivência. Não temos opção: ou a democracia e a viabilização da nossa espécie neste Planeta ou a irreversibilidade da crise ecológica que prepara o colapso da civilização.

Consideramos que cumprimos a nossa missão histórica, ao colocar e institucionalizar parcialmente a questão ecológica. O atual impasse e o retrocesso das conquistas institucionais e legais na questão ambiental devem ser atribuídos, não aos ecologistas, mas ao fracasso da sociedade gaúcha, brasileira e internacional em se constituir como uma verdadeira democracia.

Consideramos que a democratização da sociedade e da nossa cultura política, a superação desta nossa democracia de fachada, é o único meio que temos para conservar e ampliar o legado do movimento ecológico. Agora cabe à coletividade gaúcha e brasileira fazer a sua parte: encaminhar, manter e ampliar estas conquistas através da consolidação de uma cultura verdadeiramente democrática que ainda não temos.

A principal convicção que adquirimos com a nossa experiência histórica é que sem democracia não há sustentabilidade e possibilidade de sobrevivência. A democracia é uma missão para todas as pessoas, e não apenas dos ecologistas. Somos democratas e não podemos aceitar a política do “Estado contra a nação”. Não podemos aceitar como normalidade democrática um Estado-delinqüente e apátrida, dirigido por governantes a serviço do atraso e do obscurantismo de minorias parasitárias e predatórias, nacionais e internacionais, dissociadas dos verdadeiros interesses da nação.

Portanto, o que nós, ecologistas gaúchos, estamos denunciando e exigindo dos poderes constituídos não é nenhum favor, nenhum privilégio, nenhum “eco-idealismo preconceituoso e tendencioso”: para começar, estamos exigindo apenas que o Estado cumpra o seu papel na consolidação da democracia: cumpra a Lei e as finalidades institucionais dos órgãos públicos que nós, democraticamente, junto com a sociedade civil, ajudamos a criar em quase quatro décadas de sacrifícios e lutas.

Porto Alegre, setembro de 2008.

Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - AGAPAN