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08 agosto 2014

Agapan Debate: 11de agosto: "Que Rio Grande queremos?"



No próximo mês de outubro, serão escolhidos os futuros representantes que governarão o País e os Estados brasileiros até o final de 2018.

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), atenta à preocupante situação socioambiental do Brasil e do planeta, e com especial atenção ao futuro do Rio Grande do Sul, debaterá nesta edição o tema "Que Rio Grande queremos?".

A partir desse debate, reuniremos indicativos dos participantes para a elaboração de uma carta ambiental a ser encaminhada ao futuro (a) governador (a) do RS com questões relacionadas à administração dos recursos naturais e do patrimônio ambiental do nosso estado.

A Agapan convida os representantes de entidades ambientalistas e os cidadãos do RS a participarem desse evento , reforçando o processo democrático e contribuindo com a produção de propostas para a qualificação do documento final.

Participe!

Debatedores

Alfredo Gui Ferreira – .Biólogo, mestre em Botânica na UFRGS, doutor em Ciências na USP, pós-doutorado nos Estados Unidos. Professor e pesquisador aposentado da UFRGS. Tem perto de cem publicações científicas, foi orientador de mestres e doutores na UFRGS, UnB e UFSCar. Sócio fundador da Agapan e atual presidente da entidade.

Nilvo Luiz Alves da Silva – Engenheiro Químico, mestre em Ecologia e em Teoria e Prática do Desenvolvimento Sustentável. Atualmente é  Diretor Presidente da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luís Roessler (FEPAM). Trabalhou em posições executivas nos três níveis da Federação brasileira e internacionalmente. Foi Secretario-Executivo do Conselho Estadual de Meio Ambiente (1999-2002);Conselheiro do Conselho Nacional de Meio Ambiente (1999-2005), tendo presidido a Câmara Técnica Permanente de Qualidade e Controle Ambiental do CONAMA.Retornou à FEPAM em junho de 2013 para auxiliar na reconstrução da Fundação a partir da crise enfrentada pela instituição naquele período.

Paulo Brack – Biólogo, mestre em Botânica e doutor em Ecologia. Professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UFRGS. Pesquisador da flora do RS e envolvido em temas de políticas públicas em biodiversidade, com representações em conselhos de meio ambiente, pelo Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), onde é um dos coordenadores.


Serviço

Agapan Debate


Data: 11 de agosto de 2014
Hora: 19h
Local: Faculdade de Arquitetura da UFRGS - em Porto Alegre (RS)


A participação no evento é gratuita. Na oportunidade serão arrecadados agasalhos para serem doados, através da Defesa Civil do RS, aos desabrigados pelas últimas chuvas no estado.

Não é necessário confirmar presença, porém, lembramos que as vagas são limitadas à capacidade do auditório.

13 abril 2014

Recordações, amor e versos para Augusto Carneiro




(Credito: Facebook /Gonçalo de Carvalho)


Ambientalistas gaúchos fizeram uma homenagem ao seu pioneiro neste sábado, na banca na Feira Ecológica que ele ocupou por 25 anos

Saudades, mas sem dor – como bem lembrou o ex-presidente da Agapan, Francisco Milanez – foi o sentimento dominante na Feira de Agricultores Ecologistas neste sábado, 12 de abril, onde foi realizada uma homenagem a Augusto Carneiro, que faleceu na última segunda-feira, 7 , aos 91 anos. “É uma morte que não sofremos, pois Carneiro teve uma vida plena, foi incansável e só deixou amor entre nós”, disse o dirigente.


O ato, prestigiado por ambientalistas de distintas entidades e pelo público frequentador, resgatou da memória desse pioneiro em seu espaço de difusão da causa ambiental: a banca de livros que montava todos os sábados, desde a fundação da FAE, em 1989. “Aqui é tudo ecologia”, apresentava seu trabalho a quem passasse.



Livros voltaram à banca. (Crédito: CCardia/Agapan)




Embora sua atividade na feirinha fosse difundir teoria, Carneiro era um militante voltado para a ação. Para resgatar essa característica, os participantes do ato levaram para a banca que ele ocupou ao longo dos últimos anos, textos que ele distribuía para alertar sobre problemas da causa ambiental. Entre bergamotas e flores, também estavam expostos livros que contam sua trajetória como a recente biografia da jornalista Lilian Dreyer, Carneiro, depois de tudo um ecologista.
 
Sea Sheperd prestigiou a homenagem com cinco integrantes,aqui uma delas.  (Créditos: Agapan)


Houve ainda quem levasse fotos tiradas junto com o ambientalista, como os representantes do Sea Sheperd do Rio Grande do Sul. Galhos das árvores que Carneiro tanto defendeu serviram de suporte para documentos relacionados a sua história e atuação. E ele recebeu até uma canção, entoada à capela pelos poetas Mário Pirata e Pedro Marodin – O Samba dos Animais, de Jorge Mautner.


Pedro Marodin e Mário Pirata. (Credito: Agapan)
“O homem antigamente falava / Com a cobra, o jabuti e o leão

Olha o macaco na selva / Mas não é macaco baby, é meu irmão!

Porém durou pouquíssimo tempo / Essa incrível curtição

Pois o homem, rei do planeta / Logo fez sua careta / E começou a sua civilização

Agora já é tarde / Ninguém nunca volta jamais

O jeito é tomar um foguete / é comer desse banquete /Para obter a paz - aquela paz

Que a gente tinha quando falava com os animais”




Carneiro e Lutzenberger no início da Agapan. (Crédito: Já Editores)


Companheiro de Lutz

Carneiro foi fundador da Agapan em 1971, ao lado de José Lutzenberger e de dezenas de outros ambientalistas – uma cópia da ata estava exposta na banca na manhã deste sábado. “Se o Lutz alcançou essa culminância de ser uma personalidade mundial foi também porque tinha o Carneiro ao seu lado, secretariando tudo o que fazia”, registrou o também ex-presidente da Agapan, Celso Marques.


Lívia Zimermann. (Credito:Agapan)

A filha de outra pioneira da ecologia gaúcha, Hilda Zimmerman, Lívia, revelou que a amizade era tão intensa que Carneiro mais de uma vez financiou Lutz para que ele pudesse prestar serviços à preservação da natureza.

Como quando foi criado o Parque da Guarita, em Torres. “O governo não remunerava o Lutz no início, ele trabalhava de graça. E quem pagava o aluguel dele era o Carneiro”, lembrou ela.

Juntos, Lutz e Carneiro viajaram pelo interior do Rio Grande do Sul divulgando o trabalho da entidade – visitas essas que eram precedidas pelo envio de farto material sobre a iniciativas levadas a cabo pelos ambientalistas.


“Éramos recebidos com banda de música em todos os lugares que chegávamos porque o Carneiro já tinha se encarregado de mostrar o que fazíamos. Ele era um divulgador em massa na era pré-internet” definiu Marques.

As ideias de Carneiro inspiraram muitas outras iniciativas ligadas à causa em todo o Estado. Uma delas foi a criação da Afapan – Associação Farroupilhense de Proteção ao Ambiente Natural – levada a cabo pelo produtor agroecológico e coordenador da feirinha do Bom Fim Pedro José Lovatto após uma manhã de bate papo na casa de Carneiro, em 1982. “Aquela conversa foi decisiva não apenas para reorientarmos a nossa produção, que antes era feita com agrotóxicos, mas para criarmos essa organização na minha cidade”, recordou.


Celso Marques, ex presidente da Agapan, atual conselheiro. (Crédito:Agapan)



Militantes agradecem

As sentidas palavras daqueles que tomaram o microfone nesta manhã mostram o significado da luta ambientalista de Augusto Carneiro. Estes foram alguns dos depoimentos:

“Nunca vamos deixar de amar e respeitar essa pessoa insubstituível e essencial que foi o Carneiro. É uma fonte permanente de inspiração” - Celso Marques, ex-presidente da Agapan.

“Nossa responsabilidade enquanto ambientalistas aumenta diante desta perda, teremos que multiplicar o trabalho” - Ana Carolina Silveira Martins, pela Apedema.




Pedro José Lovatto vice-coordenador da Feira de Agroecologistas. (Crédito:Agapan)



“Desejo a ele tudo de melhor nessa nova etapa da sua grande existência. Ele partiu para uma nova jornada de paz” - Pedro José Lovatto, vice-coordenador da Feira de Agricultores Ecologistas.

“Carneiro era uma semente, que deu árvores, bosques, florestas. Que tenhamos muitas árvores Carneiros, Lutzenbergers, Hildas, Magdas, Giseldas, Roesslers” - Lívia Zimmerman, filha da pioneira Hilda Zimmerman.

“Carneiro é hoje nome de uma área no Jardim Botânico de Porto Alegre que guarda espécies raras endêmicas. É muito adequada, ele era uma espécie rara” - Rodrigo Marques, coordenador gaúcho do Sea Sheperd.



Milanez ex-presidente da Agapan. (Credito:Agapan)

“O que ele nos ensinou é a nunca desistir. Nunca. Estava aí, aos 90 anos, com sua simplicidade, humildade, fazendo o trabalho mais difícil. Eu queria ser como ele” - Francisco Milanez, ex-presidente da Agapan.


Naira Hofmeister

Assessoria de Imprensa Agapan

Créditos: Agapan, CCardia, Gonçalo de Carvalho(facebook)

30 dezembro 2013

Bioma Pampa: um Presente com que Futuro?


Bioma Pampa com extração de carvão em Candiota-RS 
(foto:Cia Riograndense de Mineração)

O documento a seguir é resultado de um processo de cobrança de parte da sociedade para com os governos no que se refere à realização do seminário ocorrido no dia 10 de dezembro de 2013, no Auditório da Faculdade de Economia da UFRGS, no Painel "Bioma Pampa, Presente e Futuro: o que temos a apresentar aos gaúchos?"

O objetivo do encontro foi avaliar a situação atual do bioma e as perspectivas quanto às 
políticas públicas voltadas tanto ao Pampa como aos Campos Sulinos, no 
Rio Grande do Sul. 

Estiveram presentes nas apresentações do painel o Professor Dr. Valério De Pata Pillar (Departamento de Ecologia da UFRGS); o Biólogo, Dr. Luís Fernando Perelló, Secretário Adjunto da SEMA-RS, representando o Governo do Estado; e o Biólogo, MSc. João Soccal Seyffarth, pelo Ministério de Meio Ambiente.



Bioma Pampa: ocupa 63% do RS, ocupa posição marginal nas políticas de meio ambiente.  (foto: FZB)


O Pampa é um bioma oficial (IBGE, 2004) compartilhado entre Brasil 
(RS), Argentina e Uruguai, que ocupa 63% do território estadual 
(176.496 km²), o que corresponde a 2,07% da superfície do Brasil. 
Atualmente, o bioma Pampa mantém-se, como outros, numa posição 
marginal nas políticas de meio ambiente. As informações disponíveis 
apontam para um quadro altamente preocupante com relação à conservação 
da biodiversidade e à sustentabilidade socioambiental no Estado, 
tanto na Metade Sul ou mesmo no Planalto (bioma Mata Atlântica).

Os dados mais recentes sobre a área de remanescentes do Pampa provêm 
de 2008. Ou seja, há cinco anos não se sabe sobre a sua situação real. 
As estimativas da cobertura restante, até 2002, correspondiam à 
existência de 41,32% de remanescentes do bioma, sendo que o resultado 
mais atual (2008), apontava a presença de apenas 36,03% de cobertura 
com vegetação nativa (CSR/IBAMA, 2010). Assim, o Pampa possuía, até 
aquele ano, um pouco mais de 1/3 de sua área coberta por campos 
nativos e outros tipos de vegetação natural, enquadrando-se como o 
segundo bioma mais devastado do País, depois da Mata Atlântica.


Perda da biodiversidade para silvicultura e lavouras empresariais com muito agrotóxicos:
Silvicultura na BR-290 próximo a Caçapava. (foto: Ingá) 
A perda acelerada de biodiversidade também acontece nos Campos de Cima 
da Serra, onde predominam formações campestres pertencentes ao Bioma 
Mata Atlântica, principalmente em decorrência do avanço desenfreado 
da silvicultura e das imensas lavouras empresariais de batata e de 
outras hortaliças, que se utilizam de alta carga de agrotóxicos. É 
importante destacar que estes plantios comprometem campos virgens 
(nunca lavrados) no Planalto das Araucárias, onde ocorrem 
originalmente mais de 1.100 de espécies de plantas nativas. Estas 
lavouras destroem áreas úmidas das cabeceiras dos rios das principais 
bacias hidrográficas do Rio Grande do Sul (bacia do rio Uruguai e 
bacia do rio Guaíba), liberando elevada carga de CO2, e depreciam uma 
paisagem única da região, com enorme riqueza em atributos turísticos. 
Por outro lado, tanto o órgão ambiental do Estado como o Ibama não 
dispõem até agora de estrutura necessária para a fiscalização, o 
licenciamento e a prevenção quanto a este processo que destrói 
milhares de hectares de campos nativos por ano. Por exemplo, várias 
empresas expandem sem limites suas lavouras ou ainda mantêm milhares 
de hectares de plantios de pinus em imensas áreas e sem o devido 
licenciamento ambiental.


Pássaro do Pampa. (foto: FZB)

Compromissos internacionais até 2020:
Somente as áreas de monoculturas arbóreas, tanto no bioma Pampa como 
nos Campos de Altitude (Planalto) devem superar mais de 800 mil 
hectares, ou seja, ultrapassam em muitas vezes a superfície das áreas 
protegidas do Estado, que, mesmo precariamente, não passam de 2,6% do 
território estadual. Cabe lembrar que os compromissos internacionais 
assinados pelo Brasil indicam que se alcance até 2020 a proteção de 
17% da superfície de cada bioma, constituídos por unidades de 
conservação.

Política de proteção ambiental não é avaliada com aliada do crescimento econômico:  
Verificou-se que as poucas iniciativas ambientais para os campos do RS 
somente tenham surgido de alguns anos para cá demandadas, em geral, 
por iniciativas de técnicos dos órgãos de meio ambiente, acadêmicos e 
ambientalistas. Por outro lado, a preocupação da cúpula dos governos, 
ao contrário, segue de forma hegemônica na busca do crescimento 
econômico, a qualquer custo, com base em atividades que realimentam a 
tendência de aprofundamento da situação, com destaque à exportação de 
commodities (grãos, pasta de celulose, minérios, etc.). Tudo isso 
pressionado pelas federações empresariais da agricultura e pelo setor 
ruralista, que logrou o afrouxamento do Código Florestal Federal, em 
2012.

Faltam recursos orçamentários:
Em definitivo, percebe-se que os governos, em geral, não buscam prover 
recursos orçamentários necessários para a efetiva política de 
proteção e promoção ambiental dos biomas brasileiros, e, ademais, 
impõem constantes cortes e contingenciamentos nos escassos recursos 
disponíveis. A "solução" dada é deixar que os projetos dos órgãos 
ambientais sobrevivam basicamente com recursos internacionais e/ou 
compensações decorrentes de projetos degradadores. A falta de vontade 
política do centro dos governos também se refletiu, até recentemente, 
na escassa articulação para a proteção ambiental do bioma, entre as 
esferas federal, estadual e municipal.

"Boom" do incremento à celulose:
Até poucos anos atrás, com o "boom" do incremento à celulose, viu-se 
canalizar, como prioridade número um, muitas centenas de milhões de 
reais, de recursos advindos do Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES) e outros bancos oficiais, para o 
atendimento do setor da silvicultura. Isso segue se aprofundando, 
agora, com o megaprojeto industrial da chilena CMPC Celulose, em 
Guaíba. Da mesma forma, verificava-se uma maior flexibilização da 
legislação e tentativas de não implantação, de fato, do Zoneamento 
Ambiental da Silvicultura (ZAS), instrumento técnico fundamental para 
dar limites às monoculturas arbóreas.

Ciclo vicioso no financiamento privado de campanhas eleitorais:
Para fechar o ciclo vicioso, as grandes empresas de celulose, com 
capital muitas vezes estrangeiro, investem muitos milhões de reais no 
financiamento privado de campanhas eleitorais para políticos em 
regiões de seu interesse e nos principais partidos brasileiros. E 
estes setores também investem elevados recursos na propaganda 
indiscriminada dos supostos benefícios de uma atividade concentradora 
que, na realidade, representa um maior empobrecimento da matriz 
produtiva do Estado.

Temática ambiental é vista como entrave aos projetos:
Apesar da existência de algumas iniciativas de proteção à 
biodiversidade do Pampa, principalmente devido a iniciativas de parte 
do corpo técnico de carreira dos órgãos ambientais, estas são vistas 
de forma marginal pelo centro dos governos. Essas políticas carecem, 
portanto, de conexão com o planejamento das atividades econômicas. 
Ganham corpo os projetos governamentais, e dos grandes setores 
econômicos a eles aliados, na lógica da mundialização econômica, 
perversamente competitiva. Promovem-se atividades de atração de 
investimentos vultosos do governo federal ou de capitais externos em 
projetos megalomaníacos (megabarragens, megaindústrias de celulose, 
megamineração de carvão com suas megatérmicas poluentes). E, mais uma 
vez, os benefícios ficam centrados em grandes corporações econômicas 
que estão acostumadas a manter o processo degradatório que assegura 
seus lucros imediatos. Nisso, a temática ambiental é vista, em geral, 
como entrave aos seus objetivos.


Barragem de Taquarembó. RS (foto: Site Os Verdes)
Construção de megabarragens de irrigação:
No ápice desta insustentabilidade, ganha destaque a construção de 
megabarragens de irrigação para a expansão da fronteira agrícola dos 
mesmos tipos de monoculturas  de tolerância zero com a biodiversidade 
- que se espraiam pelo Rio Grande do Sul. Neste sentido, no coração 
do Pampa, o tema refere-se principalmente às barragens de Jaguari e 
Taquarembó, obras do PAC, que correspondem a investimentos públicos de 
algumas centenas de milhões de reais. Os dois empreendimentos 
tiveram como resultado imediato a destruição de mais de 1,2 mil 
hectares das poucas matas ciliares remanescentes dos rios da região. 
As obras foram interrompidas até alguns meses atrás, por apresentarem 
várias irregularidades, denunciadas pelo Ministério Público e Polícia 
Federal (Operação Solidária), principalmente no tocante a problemas 
no licenciamento ambiental e a denúncias de fraude nas licitações e 
tráfico de influência. Seus supostos benefícios não justificam o 
gigantismo e os volumosos recursos gastos e centralizados para 
irrigação de algumas dezenas de grandes propriedades que investem em 
monoculturas que envenenam o ambiente e a saúde do homem do campo. 
Infelizmente, este modelo de investimentos "deu certo" e segue dando 
vez a outros grandes empreendimentos que estão terminando com muitas 
das últimas matas em galeria na região.

Termelétricas a carvão mineral:
Como se isso não bastasse, na mesma linha da insustentabilidade, 
verifica-se a retomada de megaempreendimentos poluentes representados 
por grandes termelétricas a carvão mineral, principalmente no 
município de Candiota. Isso ocorre, justamente, num momento em que os 
relatórios mundiais apontam para a maior certeza com relação ao papel 
dos gases de efeito estufa nas mudanças climáticas e na acidificação e 
crescente morte dos oceanos (ácido carbônico). E surgem quando 
outros países investem massivamente nas energias alternativas (solar 
e eólica), com custos decrescentes. A Alemanha, por exemplo, já 
investiu em energia solar o equivalente à geração elétrica de uma 
Itaipu e meia, apesar de seu território apresentar insolação em menos 
da metade do que a média do Brasil.

Incentivo governamental e financiamento público negam a crise socioambiental no Planeta:
Lamentavelmente, a hegemonia dos grandes projetos econômicos 
degradantes somente se torna possível graças ao amplo incentivo 
governamental, principalmente, através de financiamento com recursos 
público (centenas de milhões ou bilhões de reais), provenientes em sua 
maioria do BNDES, e com apoio de políticos que teimam em negar a 
grave crise socioambiental sistêmica sobre o Planeta.

Reconhecemos as iniciativas importantes:
Após a apresentação das iniciativas dos representantes do governo da 
SEMA e MMA, reconhecemos anúncios importantes como: a Criação da 
Reserva da Biosfera do Bioma Pampa; o RS Biodiversidade; a atualização 
da lista das espécies ameaçadas do RS (SEMA) e do Brasil (MMA); 
alguns incentivos ao projeto Pastizales; o aperfeiçoamento das áreas 
prioritárias para a conservação da biodiversidade no Pampa; a 
realização de concursos públicos para técnicos da área ambiental do 
Estado.

Entretanto, é praticamente inverossímil admitir-se coerência entre 
algumas políticas setoriais meritórias, mas que são profundamente 
contraditórias com as demais áreas governamentais, que prezam pela 
lógica do crescimento econômico, em esgotamento crescente, e que vem 
gerando concentração, dependência e acentuadas perdas ambientais e de 
culturas locais.


Chamado à sociedade gaúcha e brasileira:
Apesar disso, os promotores do evento do dia 10/12, e em homenagem ao 
dia 17/12, Dia do Bioma Pampa, conclamam a sociedade gaúcha e 
brasileira no sentido de cobrar o conjunto de políticas públicas 
necessárias a este e aos demais biomas, com destaque aos seguintes 
temas:

a) Revisão das grandes obras de irrigação do PAC no Pampa e discussão 
democrática do tema dos grandes empreendimentos impactantes no Brasil 
com a sociedade;

b) Consolidação e efetivação do Mapa das Áreas Prioritárias para a 
Conservação da Biodiversidade (Portaria MMA n. 09 de 23 de janeiro de 
2007);

c) Realização imediata e implementação do Zoneamento Econômico 
Ecológico (ZEE/RS);

d) Manutenção da Faixa de Fronteira que assegure a soberania quanto 
aos investimentos estrangeiros sobre nosso território, com limite às 
grandes propriedades e distribuição de terras a quem mais precisa e 
pode desenvolver a pecuária familiar e outras atividades compatíveis 
com o bioma;

e) Implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), por parte do Estado, 
sem interferência do setor econômico ruralista, considerando a 
necessidade de Reserva Legal na proteção à área de vegetação nativa 
(20%) das propriedades;

f) Criação da Reserva da Biosfera do Bioma Pampa (Unesco) e inclusão 
do Pampa como patrimônio reconhecido pela Constituição Federal;

g) Criação de Unidades de Conservação no Pampa, e que permitam o 
manejo através da pecuária, em especial a pecuária familiar;

h) Reestruturação dos órgãos ambientais com fortalecimento do 
orçamento anual que reflete em melhores condições de trabalho e 
recursos humanos através de concurso público;

i) Inversão da lógica atual de financiamento, como o abandono de 
atividades altamente degradadoras, como as monoculturas e os 
megaempreendimentos (ligados ao carvão mineral, celulose, barragens, 
etc.) e apoio às atividades que historicamente conviveram de forma 
sustentável com os campos nativos, como no caso da pecuária familiar;

j) Atualização anual e monitoramento da cobertura da vegetação natural 
remanescente do bioma Pampa.

Porto Alegre, 17 de dezembro de 2013.

Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente

Projeto Construindo Consciência Crítica - Inst. Biociências - UFRGS

AGAPAN

11 julho 2013

Agapan se desliga do Consema



 

A composição ambiental minoritária e a constatação de que o Conselho Estadual de Meio Ambiente “não representa os supremos interesses da população na busca de uma verdadeira sustentabilidade ecológica” são alguns dos motivos que levaram a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) a se desligar do Consema, após quase 20 anos de participação ativa da entidade.
Em documento encaminhado à Apedema na quarta-feira (10/7), os representantes da Agapan, que integram Câmaras Técnicas de Controle e Qualidade Ambiental e de Biodiversidade e Política Floresta, Edi Xavier Fonseca e Sandra Ribeiro, e Flávio Lewgoy e Alfredo Gui Ferreira, expressam os motivos do afastamento.
 “Estamos cumprindo o nosso dever de comunicar ao coletivo ambientalista a decisão de abrirmos mão da representação para a qual fomos investidos pela Apedema”, diz a conselheira Edi, ao observar que “a composição minoritária que temos nos coloca em uma condição de incompatibilidade, gerada pelos conflitos de interesses inconciliáveis, que inviabilizam as finalidades institucionais do próprio Consema”.


Assessoria de Imprensa da Agapan/ Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
 Imagem:  Guilherme Eugenio http://guilhermeeugenio.com

03 maio 2013

Manifestação: Hoje 03 de Maio: Ato em Defesa de uma Política Ambiental e Apoio à Concutare



 Ato em Defesa de uma Política Ambiental e Apoio à Operação Concutare

Olá!


No dia 29 de abril, a sociedade gaúcha tomou conhecimento do esquema de corrupção da "quadrilha*" da liberação de licenças ambientais nas esferas municipal e estadual.

O histórico do descaso com que é tratada a questão ambiental por parte dos poderes públicos governamentais é preocupante, pois destinam  e usam as Secretarias e Òrgãos ambientais para acomodar interesses político-partidários e do poder econômico.


O que veio a tona não é nenhuma surpresa, somente confirmou o que há tempos é denunciado pelos movimentos socioambientais.

Ao mesmo tempo que parabenizamos a ação da Polícia Federal e do Ministério Publico Federal, exigimos justiça, reparação dos danos ambientais e condenação a todos os integrantes das quadrilhas, os corruptos e os corruptores.

E não queremos que tudo continue o mesmo, a mesma lógica, como as primeiras medidas anunciadas pelos governos. (conforme a nossa carta aberta da Apedema postada no post abaixo.)

Portanto, convidamos a todos e todas para manifestarmos Apoio à Operação Concutare  e exigir soluções verdadeiras que apontem uma Política Ambiental consequente ao atual caos institucional com respeito ao meio ambiente e à sociedade. 

                            Hoje, sexta-feira, 03 de maio, às 17 horas, em frente à sede
                         da Polícia Federal na Avenida Ipiranga, 1365, Bairro Azenha.

                                               Traga sua faixa e indignação!

                  Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - AGAPAN
                              Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais - INGÁ
                  Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente - MOGDEMA


Quadrilha = termo utilizado pela Polícia Federal

07 outubro 2010

CHEGA DE HIPOCRISIA!

2010. Ano em que a economia mundial e a Brasileira crescem a passos largos. Cada vez mais pessoas, principalmente aqui saem da linha da pobreza. Na China duas usinas termoelétricas movidas a carvão mineral são inauguradas por mês. Infelizmente aquele ditado popular que diz que Alegria de pobre dura pouco está se concretizando.

Pois está opção mundial, apesar dos discursos da liderança mundial na Conferência do Clima em Copenhague, em continuar o crescimento econômico com base na queima de combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão mineral e o gás natural é o caminho do nosso suicídio em questão de poucas décadas Sem dúvida estamos vivendo tempos difíceis. Difíceis pois estamos à beira de uma catástrofe eminente e pouco está sendo feito para entendê-la e evitá-la.

Pois os fatos são esses: 67% do volume da calota polar ártica já foi perdida pelo aquecimento da atmosfera em relação a existente no século passado e com isso há a previsão científica de sua extinção quase total daqui a 3-9 anos, entre os anos 2013-2019, segundo estudos da Escola de Pós-graduação da Marinha Americana, da Universidade de Cambridge, Inglaterra, Do Ano Polar Internacional e da Universidade de Manitoba, Canadá e apoiados pela Rede Climatológica Oficial da Suécia, Noruega, Islândia, Dinamarca e Groenlândia.

A liberação natural de gases de efeito estufa dos ex-solos congelados da Sibéria, Canadá Alaska e Escandinávia e do interior dos mares setentrionais dentro e fora do circulo polar ártico aumentarão exponencialmente pelo efeito da amplificação do calor via efeito albedo a um ponto onde mesmo com a redução drástica das emissões humanas destes gases, a liberação destes gases causarão um aumento muito significativo da temperatura e o fracasso sistêmico da produção agrícola mundial em poucas décadas, o colapso das cidades litorâneas em todo o planeta pela subida do nível do mar e a convivência cotidiana com furações, secas anuais, chuvas catastróficas, alagamentos e falta de energia elétrica e de água potável períodicas.

Este pesadelo pode ser evitado, mas precisamos de políticas publicas efetivas rapidamente...


Nós temos as condições de mudar esta situação

Você está agindo para evitar este pesadelo?

Nós estamos...

Junta-se a nós



AGAPAN

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01 agosto 2010

Conama: Manifesta defesa à Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e ao Código Florestal

Manifesta defesa à Lei da Política Nacional do Meio

Ambiente e ao Código Florestal Federal e repúdio

ao risco de retrocesso à legislação ambiental.



O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE-CONAMA, no uso de suas

atribuições e competências que lhe são conferidas pela Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto no 99.274, de 6 de junho de 1990, e tendo em vista o disposto em seu

Regimento Interno, Anexo à Portaria no 168, de 13 de junho de 2005, e


Os conselheiros do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA repudiam, mais uma

vez, as investidas de parlamentares contra as importantes conquistas da sociedade brasileira consolidadas na legislação ambiental, sob a égide do art. 225 da Constituição de 1988 e da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981.


Essas tentativas nefastas estão reunidas em Projetos de Lei apensados no PL 5367.

Além das mudanças propostas ao Código Florestal Federal, há propostas de redução de

competências do CONAMA, inclusive retirando seu poder deliberativo.

Clamamos aos Presidentes do Senado Federal e da Câmara do Deputados, bem como ao

Presidente da Republica, à Ministra Chefe da Casa Civil e em especial ao Deputado Aldo Rebelo, para

que assegurem os marcos legais que colocam o Brasil entres os protagonistas do desenvolvimento

sustentável.



IZABELLA TEIXEIRA

Presidente do Conselho

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE



MOÇÃO No

108, DE 03 DE MAIO DE 2010

Agapan/ LC