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20 junho 2014

Espaços de convivência e ruas com árvores atraem mais turistas durante a Copa do Mundo em Porto Alegre


Torcedores da Holanda se deslocaram a pé ao estádio Beira Rio, quarta (18/06).
                         
Os locais mais procurados em nossa cidade durante a Copa do Mundo são os espaços que aproximam as pessoas: Cidade Baixa, Parque da Redenção, Praça XV e Rua Padre Chagas. Ruas charmosas com árvores, parque  e a praça central ao lado do Mercado Público se destacaram. 







Laranjinhas em frente ao Parque Marinha do Brasil em Porto Alegre.
Os viadutos, trincheiras e o alargamento da Edvaldo Pereira Paiva com 118 árvores derrubadas não serviu muito no deslocamento de veículos motorizados, pois estes não puderam circular em dias de jogos da Copa. Todos os torcedores foram a pé ao estádio Beira Rio. 

Porto Alegre merece ter suas árvores preservadas, pois contribui para a menor poluição do ar,embeleza a cidade, evita alagamentos, beneficia o turismo e a fauna.


Laranjinhas na avenida Borges de Medeiros em Porto Alegre.
#‎meioambienteeprahojeagapan‬ ‪
#‎meioambienteehpraagoraagapan

‬( Fotos sem autor/ Facebook)

Vanessa Melgaré, assessoria de comunicação
Agapan 

06 junho 2014

Movimento Ocupa Árvores: um ano da prisão dos ativistas

Na manhã do dia 29, mesmo com chuva, a prefeitura retalhava as árvores depois da prisão dos ativistas – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho

Para não esquecer: a prisão de ativistas em 29 de maio de 2013

Via POA Resiste
A ação na madrugada do dia 29 de mais foi mais que uma Operação de Guerra, um planejamento típico de crime, como nos filmes de gangsters.

Às 4,20 da madrugada do dia 29 de maio, a Brigada Militar do estado do Rio Grande do Sul com mais de 200 homens de suas tropas de elite, inclusive cavalaria, invade o acampamento dos ativistas em Defesa das Árvores, prendem e algemam 27 jovens ativistas, atiram os pertences dos acampados em um caminhão e a prefeitura municipal de Porto Alegre inicia imediatamente o corte das árvores.


Curiosamente a prefeitura não respeita a Lei do Silêncio que TODOS são obrigados a cumprir, mas isso não surpreende  ela já não havia apresentado alternativas para uma obra, exigível para o licenciamento ambiental, que com a “desculpa” da Copa do Mundo cortaria mais de uma centena de árvores. As propostas que entidades ambientalistas apresentaram, nem foram consideradas, mesmo tendo CUSTO ZERO para a prefeitura. O que realmente há por trás disso? Apenas teimosia de nosso executivo municipal ou algo que só muito mais adiante teremos uma visão mais clara?

No dia 6 de fevereiro 14 árvores foram cortadas antes da ação dos ativistas – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho
A obra de alargamento das vias não solucionarão o alardeado engarrafamento (que não existe) de tráfego, mas corta árvores que propiciam melhor qualidade de vida para a cidade. Cada uma das árvores de grande porte cortadas captura carbono de 100 carros ao dia! A prefeitura arranca os “filtros naturais” que combatem a poluição e pretende colocar mais carros nas vias. Isso é realmente “progresso”?

Jovens foram levados para sede de batalhão da Brigada Militar e só foram liberados perto das 9h da manhã do dia 29 de maio de 2013 – Foto: Cesar Cardia/Amigos da Gonçalo de Carvalho
A prefeitura municipal de Porto Alegre havia desistido no dia 29 da Ação Judicial que dera 48h para os ativistas desocuparem o local, então sob que ordens a Brigada Militar atuou? Ordens da prefeitura ou do governo do estado? Até o presente momento o governo do estado silencia, não emitiu nenhuma esclarecimento sobre o ocorrido nem para tentar justificar “operação de guerra” de sua polícia militar. Desde o dia 30 de maio pedimos esclarecimentos ao governo do estado e nenhuma resposta recebemos, talvez por constrangimento.

Nada justifica a maneira como trataram os ativistas, como se fossem perigosos bandidos, eles NÃO SÃO BANDIDOS, são nossos HERÓIS e temos muito ORGULHO deles!

Não nos calarão. Vivemos em um regime democrático e temos o direito de lutar pela vida e pela preservação ambiental. Se a grande mídia silencia ou distorce nossos argumentos, estamos pedindo auxílio na mídia do exterior, mídia alternativa e entidades que defendam a democracia. Exigimos também que seja retirada a expressão “Copa Verde” da Copa do Mundo de Futebol de 2014.*

As futuras gerações é que sofrerão com a irresponsabilidade dos que poderiam fazer algo hoje, mas infelizmente se omitem…


Um mês da ação que envergonhou Porto Alegre!

*A presidência da República, ainda em 2013, mandou retirar a expressão “Copa Verde” de todo a material de divulgação da Copa do Mundo de 2014 e do site da FIFA, atendendo a solicitação dos ativistas de Porto Alegre.


14 outubro 2013

16/10: Marcha contra os Transgênicos e Agrotóxicos



A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) convida a população gaúcha para participar da Marcha Contra Transgênicos e Agrotóxicos que será realizada em Porto Alegre no dia 16 de outubro.

A manifestação integra a Mobilização pela Soberania Alimentar Campo e Cidade, que está sendo promovida pela Via Campesina e outras organizações do campo e da cidade.

A concentração será na Usina do Gasômetro, às 9 horas. 

Participe! 

Compartilhe esse evento, convide mais pessoas e reforce a luta por uma alimentação mais saudável e natural.

Dia: 16.10.2013
Hora: 9 horas (concentração)
Local: Usina do Gasômetro - Porto Alegre.

Agapan - A vida sempre em primeiro lugar.

26 agosto 2013

Agapan comemora 25 anos de defesa da Orla do Guaíba


Ambientalistas da Agapan que subiram na chaminé para alertar a população de Porto Alegre, em Agosto de 1988.
 Não ao projeto Praia do Guaíba – Agapan”. Com estes dizeres, quatro ecologistas da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) subiram na chaminé da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, e estenderam uma faixa de 45 metros para protestar contra a privatização. Isso aconteceu em 17 de agosto de 1988, mas a declaração pela preservação da Orla e manutenção da área como pública ecoa até os dias atuais.
Mais de 25 anos se passaram e hoje o 25º aniversário da subida da chaminé será comemorado na Câmara de Vereadores da capital gaúcha, no Plenário Ana Terra, às 18h30. Também estarão presentes os ambientalistas que protagonizaram o ato e integrantes do Ocupa Árvores, que acamparam e fizeram vigília durante 43 dias para evitar o corte de árvores em função da duplicação da avenida Edvaldo Pereira Paiva, a Beira Rio. Também será exibido Será exibido o documentário "Tomada da Chaminé do Gasômetro: Não ao Projeto Praia do Guaíba”.
A comemoração hoje, dos 25 anos da tomada da chaminé do Gasômetro, objetiva chamar a atenção da opinião pública para um conjunto de fatos que evidenciam que a Orla do Guaíba ainda não está com sua integridade garantida para as futuras gerações”, lamenta o presidente da Agapan, Alfredo Gui Ferreira, ao destacar, como uma ameaça da Orla como espaço público as obras da Copa do Mundo. “O cartão-postal de Porto Alegre ainda sofre estas ameaças e não está totalmente seguro para ser uma área de parques, lazer, cultura, esporte e preservação ambiental”, analisa.


OCUPAÇÃO E RESISTÊNCIA
Em 29 de maio de 2013, em função das obras da Copa 2014 e sem discutir projetos urbanísticos e de mobilidade urbana alternativos com setores afins, o movimento ambientalista assistiu a retirada agressiva de 27 pessoas do Ocupa Árvores e a derradeira derrubada das 100 árvores.
Juliana Costa, integrante do Ocupa Árvores, foi uma das pessoas que resistiu à derrubada e vai contar a história do grupo, e falar sobre o que aprendeu com essa manifestação. “Tudo valeu a pena, o que não valeu foi terem cortado as árvores. Acredito também que poderíamos ter pensado em mais estratégias para mobilizar as pessoas, tivemos muito apoio, mas não foi suficiente para a administração pública reconsiderar o projeto”, observa Juliana, 32 anos. Ela tinha apenas sete anos quando a população de Porto Alegre se deu as mãos no chamado Abraço ao Guaíba, reunindo em torno de 12 mil pessoas entre o Gasômetro e o estádio Beira Rio, e nem tinha nascido em 25 de fevereiro de 1975, quando o militante da Agapan, Carlos Dayrell, subiu em uma Tipuana, na avenida João Pessoa, em Porto Alegre, para impedir que a mesma fosse derrubada. Aquele ato protagonizado por Dayrell evitou também que outras árvores fossem cortadas. A prefeitura visava construir o Viaduto Imperatriz Leopoldina naquele local.
Para Juliana, há similaridade no ato do Dayrell, que evitou o corte de árvores na João Pessoa há quase 40 anos, e a vigília do Ocupa Árvores. “No caso do Dayrell foi um ato individual e que chamou atenção para esta importante questão que é a do meio ambiente e das árvores na nossa cidade, expressando a resistência do cidadão diante de uma política injusta”, afirma, ao destacar que, “por outro lado, estávamos questionando também todo o projeto de duplicação da Edvaldo e a utilização da Orla, que entendemos deva continuar com o povo e não ser privatizada, como já foram tantos outros locais queridos dos porto-alegrenses”.
A "resistência" ficou como "marca" do Ocupa Árvores, mas Juliana defende também a ocupação de espaços públicos e política de rua. “São as armas que nós temos contra as políticas de gabinete que decidem tudo a portas fechadas, pelas costas da população”, defende.

HOMENAGEM
Os quatro heróis de 25 anos atrás são Gert Schinke, Gerson Buss, Sidnei Zommer e Guilherme Dornelles. Haverá exibição do documentário "Tomada da Chaminé", produzido e editado por Leonardo Caldas Vargas e apresentado por Simone Lazzari. Para a conselheira e ex-presidente da Agapan, Edi Fonseca, “esse documentário é um registro muito importante sobre este episódio, que teve um papel fundamental na manutenção da nossa orla, sem edificações”.
A Orla do Guaíba, este espaço nobre que faz parte da ecologia e da identidade paisagística de Porto Alegre, ainda não está com a sua integridade garantida para as futuras gerações”, alerta Celso Marques , ao anunciar que os 72 km de Orla do Guaíba continuam ameaçados e até hoje a Orla do Guaíba não foi privatizada pela permanente mobilização da sociedade civil. “Precisamos lutar contra a prefeitura, a construção civil e a especulação imobiliária”, conclama Marques.

Para os homenageados, é preciso resgatar o radicalismo do discurso ecológico. "São lutas dignas que nos mantêm nesse enfrentamento pelo respeito às leis", defende Gerson Buss. Para Gert Schinke, "o assédio à orla deve acabar", afirma, ao citar o Parque Marinha do Brasil como uma área resultante daquele "áureo momento da militância ecopolítica, que deve ser resgatada". Para Guilherme Dornelles, momentos como esse alertam a população sobre o que os governos estão fazendo e sobre as consequências dessas decisões políticas. “Falta informação sobre os reflexos que a ocupação de morros e da orla vão nos causar”, diz. Gerson Buss, ao reforçar a importância dos cidadãos fiscalizarem as ações e atitudes dos governos.



Informações
Assessoria de Imprensa da Agapan/RS
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

22 abril 2013

Mesmo com corte suspenso, prossegue acampamento em defesa das árvores

Palestras no acampamento - Foto: Adriane B. Rodrigues

Mesmo com corte suspenso, prossegue acampamento em defesa das árvores

Árvores, pessoas, corações. A vida pulsa na Orla do Guaíba. Seja de dia ou à noite, desde a última quarta-feira (17 de abril), um grupo de 15 pessoas está acampado entre a Usina do Gasômetro e a Câmara de Vereadores. No acampamento de vigília contra o corte de árvores da área do Gasômetro, eles se revezam, pois trabalham e estudam, e persistem na defesa das árvores, conversando com as pessoas que passam por lá e atraindo adeptos e apoiadores. O grupo recebe doações de água, comida e vinho, além de lonas, cordas e lenha, para manter a fogueira acesa.

“Aqui cada um contribui com o que pode, somos todos protagonistas”, diz Juliana Vieira, mãe, estudante e trabalhadora. “Venham tomar chimarrão, propor um bate-papo, fazer uma aula de Yoga”, chama.

Entre várias entidades parceiras e simpatizantes da causa, Juliana convidou a Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural) para, no sábado que passou (20 de abril) falar sobre a história da ONG, que completa 42 anos no próximo dia 27, e os marcos da luta em defesa da Orla, como a subida na chaminé, em agosto de 1988 (Projeto Praia do Guaíba), que culminou com o abraço ao Guaíba, que reuniu em torno de 12 mil pessoas entre o Gasômetro e o Beira Rio. “Essa área é patrimônio público da cidade e está preservada graças à mobilização, por isso precisamos lutar contra a prefeitura, a construção civil e a especulação imobiliária”, conclamou Celso Marques, conselheiro e ex-presidente da Agapan.


Foto: Cesar Cardia
PÚBLICO X PRIVADO

É de 1989 o início das discussões sobre um projeto para a Orla do Guaíba. “Defendíamos um plano que contemplasse interesses de todo cidadão, até porque tem morador da Zona Norte que não conhece a Zona Sul de Porto Alegre”, exclama Francisco Milanez, presidente da Agapan, ao lamentar que o técnico é educado para achar que sabe tudo sobre determinada área. “Eles só pensam a área deles, não veem que pode ser diferente do que simplesmente cortar uma árvore”.

Para Milanez, a lógica da construção da cidade é injusta, e critica o baixo orçamento (0,02%) destinado à primeira Secretaria Municipal de Meio Ambiente do país. “Isso mostra muito da importância que é dada ao setor. É nesse mundo que estamos imersos”, diz. “Nosso desafio é assumir que todos temos lugar na cidade, lutando por uma vida melhor para todos”, afirmou.
O grupo também trocou ideias sobre o Pontal do Estaleiro. Sylvio Nogueira Junior, do Movimento em Defesa da Orla, lembrou a primeira consulta pública realizada no Brasil para discutir um projeto imobiliário para determinada área. “Foi aqui em Porto Alegre, num processo de participação decisivo para nossa cidade”, destacou.

“As lutas não são isoladas e esse movimento em defesa das árvores e da Orla pública se combina com a mobilização contra o aumento das passagens. É por isso que a mobilização é fundamental, pois envolve a discussão de que sociedade que queremos”, diz Sylvio, do alto de seus 75 anos.

Fim da tarde no acampamento - Foto: Adriane B. Rodrigues
Foto: cesar Cardia
SUSPENSÃO DO CORTE

No último dia 19/04, o desembargador Carlos Eduardo Zietlow Duro, da 22ª Câmara Cível do TJRS, suspendeu a liminar que permitia o corte de árvores localizadas no traçado da Avenida Edvaldo Pereira Paiva, também conhecida como Av. Beira Rio. O Ministério Público, autor da Ação Civil Pública, postulou a antecipação de tutela, sustentando que o processo de licenciamento ambiental da duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva ignorou a presença do Corredor Parque do Gasômetro, previsto no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA).  O MP entende que este fato produz danos irreparáveis à qualidade de vida da população de Porto Alegre, que ficará privada de um local tradicional de dedicação à cultura, ao esporte e ao lazer, qual seja a Usina do Gasômetro.

Ativistas recortando corações - Foto: Cesar Cardia
De acordo com o Agravo de Instrumento n° 70054203187, “Embora se reconheça a relevância do projeto em andamento e os reflexos da duplicação da via pública, trazendo grande benefício à população, conveniente seja afastada a supressão de árvores no local neste momento processual, conforme pretendido pelo Ministério Público, evitando-se a irreversibilidade da medida, tendo em vista que a ausência de concessão da medida acabaria por possibilitar o rápido corte de árvores, fazendo com que, ao final, quando do julgamento do recurso pela Câmara, haverá o fato consumado, culminando na ineficácia do recurso.”


Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

Fotos: Adriane Rodrigues e Cesar Cardia/ AGAPAN

19 março 2013

MANIFESTO DA AGAPAN NA AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE PROJETO COPA 2014 E O CORTE DESENFREADO DE ÁRVORES EM PORTO ALEGRE

Quarto jovens no dia 6 de fevereiro subiram nas árvores para impedir obra da Copa 2014 que planeja derrubar 115 árvores no cartão-postal da cidade. (foto: Cintia Barenho/CEA) 

A seiva da Tipuana é vermelha como sangue. (foto: Cintia Barenho/CEA) 

1. O mínimo que desejamos para a nossa cidade é o melhor. Por esta razão, a AGAPAN não aceita o projeto da Prefeitura de Porto Alegre nos termos em que está proposto. QUEREMOS UMA MUDANÇA SUBSTANCIAL NO PRÓPRIO PROJETO, mas a PMPA até agora só admite compensações.
2. A PMPA decidiu derrubar 115 árvores para ampliação da Av. Edvaldo Pereira Paiva, no entorno da Usina do Gasômetro. Já foram suprimidas mais de uma dezena de magníficas árvores. Este número só não foi maior pela consciência de preservação da arborização urbana iniciada em 1975, com a subida do militante da AGAPAN, Carlos Dayrell, em árvores da AV. João Pessoa, gesto reeditado por jovens que também subiram nas árvores daquela avenida, impedindo que as mesmas fossem cortadas. Esta atitude expressa o quanto o sentimento de preservação ambiental da população de Porto Alegre, iniciado com a fundação da AGAPAN em 1971, consolidou-se ao logo destes 42 anos. Lastimamos, porém, que a visão do poder público municipal não tenha acompanhado o sentimento dos porto-alegrenses, que desejam suas árvores preservadas e não o alargamento de vias que atendam apenas aos carros e não aos anseios de seus habitantes.
3. Queremos o melhor para Porto Alegre. Por esta razão, é imperioso que a PMPA cumpra a legislação e apresente "o Estudo de alternativas locacionais e tecnológicas, para ser comparado, inclusive, com a alternativa zero". Enquanto não provar que o projeto proposto é a melhor alternativa para a cidade, a Prefeitura irá impor sua posição irracional e autoritária, não discutindo com a coletividade e acenando apenas com compensações.
4. Desde 1988 estamos sob nova Constituição, que obriga e valoriza a participação popular. Foi essa participação popular que, aprimorando o Plano Diretor vigente, criou o Parque do Gasômetro, sancionado pelo próprio prefeito José Fortunati. Parque este que inclui as Praças Brigadeiro Sampaio e Júlio Mesquita, a Usina do Gasômetro e sugere uma avenida subterrânea, para não cortar e comprometer o parque das pessoas. Ora, a Prefeitura tem que cumprir sua obrigação legal assumida, e não propor o alargamento dessa avenida! O Parque do Gasômetro, além de referência cultural e símbolo da cidade, é o ponto predileto dos porto-alegrenses matearem e assistirem o pôr do sol diariamente.
6. Portanto, a AGAPAN propõe que a PMPA tenha a grandeza de reconsiderar o projeto, contemplando alternativas e abandonando a intransigência técnica de considerá-lo uma opção única e inegociável, dando como contrapartida apenas compensações.
7. A AGAPAN, nos seus 42 anos de atuação pioneira, deu uma contribuição decisiva para a democratização do Brasil, a ecologização do imaginário porto-alegrense, gaúcho e brasileiro; para a criação da legislação ambiental e de instituições públicas encarregadas de implementarem uma política e uma administração ambiental. A própria Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre, a nossa SMAM, primeira secretaria municipal do meio ambiente a ser criada no Brasil, veio a existir graças à atuação da AGAPAN.
Os 70 km de Orla do Guaíba, menina dos olhos da especulação imobiliária e o mais valioso patrimônio público da coletividade porto-alegrense, não foram privatizados graças à vigilância e atuação política da sociedade civil organizada. Nenhuma sustentabilidade econômica e ecológica pode ser construída à revelia do que de melhor a ética e a racionalidade política produziram na cultura da humanidade. Não podemos aceitar, hoje, a vigência tão atual do diagnóstico feito há quase cem anos por Assis Brasil, um dos maiores gaúchos de todos os tempos, quando disse: “UM DESERTO DE HOMENS E IDEIAS”.
AGAPAN

03 março 2013

Carta da AGAPAN ao Dayrell: estamos esperançosos com a sensibilidade do Prefeito de Porto Alegre

Mobilização contra derrubada de árvores na Praça Julio Mesquita. Fev/2013


Caro Dayrell,


Com prazer imenso recebo tua carta que demonstra o quão acertada foi a honraria de cidadão honorário de Porto Alegre que te foi ofertada, visto que continuas conectado com esta terra que tanto te quer.

Agradeço tuas palavras, especialmente porque vêm de alguém que ama esta cidade, conhece e olha com o devido distanciamento que permite o equilíbrio.

Estamos de fato num momento difícil como aquele de 1975, com a diferença que agora numa democracia, não tão madura quanto gostaríamos, mas não tão injusta quanto aqueles dias.

Por outro lado, estamos num momento belo e cheio de oportunidades, pois estou esperançoso que o nosso prefeito tenha a sensibilidade de ver a grande oportunidade transformadora que se abre para todos nós de pensarmos e carinhosamente debatermos a cidade que desejamos e depois, unidos, nos dedicarmos a construí-la muito diferente daquela que os militares em 1974 projetaram e que ainda está sendo implementada, voltada a um meio de transporte falido e egoísta, como o automóvel.

Porto Alegre merece muito mais. A cidade que soube ser pioneira na luta por um mundo melhor e ambientalmente coerente merece um destino melhor. Por isto te agradeço o carinho da participação que certamente ajudará a criar este momento especial de mudança em nossa cidade em direção à construção de uma referência para as outras cidades também se encorajarem a construírem as suas.

Grande abraço saudoso ao amigo,

Francisco Milanez
AGAPAN

foto: jova fotografias

22 fevereiro 2013

Carta de Dayrell ao prefeito Fortunatti: está em tempo de rever e repensar soluções.


Dayrell subiu na árvore na Av João Pessoa em frente ao Direito da UFRGS  em fevereiro de 1975.
Mais dois jovens subiram também e evitaram que um viaduto cortasse todas as árvores. Estas estão lá até hoje. O projeto foi modificado. Em plena ditadura.
Em 6 de fevereiro de 2013, um estudante subiu nas árvores da praça Julio Mesquita para evitar o corte de 118 árvores. É seguido por mais dois jovens.  (Foto: CCardia)

Dayrell, o jovem estudante e associado da AGAPAN, que evitou a derrubada das árvores na av. João Pessoa em fevereiro de 1975, enviou para Milanez da AGAPAN a cópia de sua carta ao prefeito Fortunatti. 

"Esta discussão de fundo proporcionada pela movimentação em torno da Anita e, em seguida, do Gasômetro, não podia ser deixada para depois. No dia 21 de janeiro, reagindo à uma proposta que saiu na rede social de manifestarmos uma posição falando diretamente com o Fortunatti no seu blog, enviei esta carta (segue anexa). Não tive resposta, mas a movimentação puxada pela juventude e por todos vocês está provocando a resposta que não tínhamos tidos. Parabéns a todos vocês!

De fato, estamos vivendo um período onde não temos mais como deixar para depois as questões que nos afetam diretamente.

Aqui, no sertão norte mineiro, infelizmente estamos vivendo uma nova onda de desmatamento sobre os cerrados, caatingas e matas secas. E agora a mineração avança sobre as altas montanhas, ameaçando a destruir o que nos resta de nossas reservas de água. As comunidades começam a se levantar ... e nossa esperança vai crescendo com as noticias que nos chegam do sul!" 


Um grande abraço,

Carlos Dayrell 

Moradores protestam com faixas pretas nas 240 árvores ameaçadas de corte
 para Obra da Copa  na rua Anita Garibaldi. (Nessa/AGAPAN)


Carta de Dayrell ao Prefeito de Porto Alegre Fortunatti:

Caro Fortunatti,

Tomo a liberdade de me dirigir a você desta maneira. E desde aqui do Norte de Minas onde venho construindo minha vida, onde cheguei após tantas caminhadas, por muitos lugares. 

De Porto Alegre com certeza o lugar e o período que mais orientou e marcou minha trajetória, além dos tantos amigos e familiares que aí tenho. Um carinho que cresceu muito mais quando após tantos anos aqui, neste sertão, me descobriram e me chamaram de volta. 

Um convite demais honroso – ser agraciado com o título de Cidadão Honorário de Porto Alegre. Honraria que foi construída por muitas mãos de porto-alegrenses ilustres, e entre estas, as suas. Onde falou alto, muito mais do orgulho que tive ao receber esta honraria, foi o de poder compartilhar com a minha mãe, D. Doxinha, aquele momento. Afinal, foi minha mãe que tinha costurado minha saída de Porto Alegre para Viçosa em Minas Gerais, o que aconteceu em julho de 1976. 

Saindo quase no silêncio, foi a orientação que recebi então, a tratamento médico. O que minha mãe tinha feito, e fui saber muito tempo depois, foi movida por um medo imenso ao ver estampada em uma matéria de jornal (Zero Hora, 06.11.75) a fala do então comandante do III Exercito, general Oscar Luiz da Silva. Este, ao apresentar o general Adolpho de Paula Couto, que faria uma palestra para a ADR – Ação Democrática Renovadora – ele abordou como a primeira de um total de treze indagações: “Porque há alguns meses aqui em Porto Alegre, um estudante, em plenas férias, subiu em uma árvore para impedir que ela fosse derrubada pela prefeitura?” Vivíamos quase o ocaso da ditadura, mas as forças repressivas continuavam agindo, "a subversão está contida, mas os subversivos continuam agindo": em outubro de 1975, assassinato Vladimir Herzog; em janeiro de 1976, Manuel Fiel Filho. Quantos outros não estariam sendo divulgados na imprensa?

Foi neste clima que mudei para Viçosa, em Minas Gerais, quase na calada da noite. Certamente D. Doxinha nunca imaginaria que, vinte e dois anos após, seu filho retornaria a Porto Alegre para receber o título de Cidadão Honorário.

Faço esta breve introdução caro Fortunati, apenas para você ter ideia da gratidão que guardo por todos vocês que foram responsáveis pela decisão de outorga deste título que muito me honra. E é por esta gratidão que guardo com Porto Alegre que tomo a liberdade de escrever esta carta a você. 

Estou aqui a acompanhar de longe a movimentação dos porto-alegrenses que lutam para que as árvores da Anita sejam preservadas. Já vi os que defendem e justificam a obra, já vi os que se posicionam contrário à obra. E me posicionei: as árvores da Anita precisam ser resguardadas. E com as árvores, um novo conceito de cidade precisa ser abarcado por nossos gestores. 

Um conceito de cidade de futuro – que saiba reconhecer e valorizar sua história, suas tradições, seu patrimônio natural e cultural – e ir construindo alternativas para além daquelas geradas pela enorme pressão dos setores industriais imediatamente envolvidos no binômio – automobilismo – petróleo. 

Pressão que além de provocar apetites insaciáveis por mais e mais produtos, por mais e mais espaços, o fazem em cima do descarte, da obsolescência planejada. Nossa sociedade não pode ficar a mercê destes interesses, pois eles não têm fim. 

Cabe aos poderes públicos construir efetivamente os limites. Tenho certeza de que existe uma solução que tanto vai garantir a preservação das árvores da Anita – pelo menos de sua maioria – onde os engenheiros de tráfego e outros especialistas em mobilidade urbana vão encontrar não apenas uma solução imediata – mas, principalmente, uma solução de longo prazo – prezando a historia, a tradição, e acionando soluções inovadoras que acautelem desde já enorme crise ambiental que apenas muito superficialmente antevemos. É com este espírito que escrevo esta carta. Está em tempo de rever e repensar soluções. Criatividade nosso povo tem de sobra.

Um grande abraço,
Carlos Alberto Dayrell 

Montes Claros / MG – aos 21 de janeiro de 2013.



08 fevereiro 2013

Usina do Gasômetro: Manifestação contra o corte de árvores para a Copa 2014 reúne centenas de pessoas

Contra o Corte de Árvores para Copa 2014 - Usina do Gasômetro - 118 árvores marcadas pra morrer -7/0


Centenas de pessoas, famílias, amigos, ambientalistas e jovens estiveram na Manifestação contra o corte de árvores da Obras da Copa de 2014 em praça da Usina do Gasômetro.

Para chamar atenção e apelar ao Prefeito que reveja e abandone projetos de obras que destroem a arborização de Porto Alegre.

Veja as fotos: Manifestação na Praça e após manifestação na Prefeitura de Porto Alegre.