Mostrando postagens com marcador transgenicos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transgenicos. Mostrar todas as postagens

03 setembro 2014

O veneno está na mesa 2 é lançado em Torres com apresentação de Leonardo Melgarejo


Ongs se uniram para realizar o evento. (foto:Sandra Ribeiro/Agapan)

Auditório lotado e degustação de alimentos orgânicos marcaram o aniversário de três anos do Cineclube Torres com o lançamento do filme O veneno está na mesa 2, na noite de 1 de setembro de 2014, no Centro Municipal de Cultura. Após a sessão, o documentário que mostra os efeitos dos agrotóxicos  sobre o ambiente, a sociedade e a saúde humana,  foi comentado em uma apresentação do agrônomo e mestre em Economia Rural Leonardo Melgarejo.

Auditório lotado em  Torres. (foto: Sandra Ribeiro/Agapan)
O coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Agrotóxicos e Transgênicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA) alertou que o  consumidor não sabe que os estudos que existem sobre as quantidades  aceitáveis de veneno avaliam somente qual a quantidade provoca intoxicação aguda. ¨Esses estudos garantem que a pessoa que consumir aquela quantidade não vai ter um choque, mas não garantem que uma pequena quantidade não vá afetar uma rota metabólica não vá provocar alguma alteração hormonal que vai se manifestar mais adiante¨.
Leonardo Melgarejo na palestra após o filme. 

Conjunto de economias associadas baseadas na agroecologia são economicamente mais vantajosas para o Brasil

Sobre o agronegócio, Melgarejo entende que a argumentação de que gera divisas para a economia não leva em conta os rastros negativos deixados por ciclos monocultores do passado, como borracha, café, cacau, charque, entre outros.

Não há nenhum lugar no planeta onde se tenha uma espécie apenas. A pujança está onde existem parcerias e articulaçãoes: muitos insetos, plantas, animais. A transformação de uma região de floresta numa área de exploração da monocultura implica na eliminação de muitas espécies, o que quer dizer a eliminação de muitas possibilidades de utilização dos recursos daquele ambiente. Uma monocultura, seja do que for, demanda sempre muito esforço, com aplicação de veneno, adubo químico, transferência de dinheiro de outros ambientes para lá.

 Melgarejo sendo entrevistado pela jornalista Miriam
 (Centro Ecológico).
Para Melgarejo, o melhor para o Brasil seria um conjunto de economias associadas à produção de leite, animais, frutas e hortaliças ecológicas da agricultura familiar. 

Evento faz parte da campanha Orgânicos para todos

O lançamento do filme O veneno está na mesa 2 em Torres foi uma promoção da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural ( Agapan), Centro Ecológico, Cineclube Torres, Cooperativa EcoTorres e Onda Verde. 

O evento integra a campanha Orgânicos para todos, promovida pela Sociedade Sueca de Proteção à Natureza (SSPN). No Litoral Norte e na Serra do Rio Grande do Sul esta campanha mundial é organizada pela ONG Centro Ecológico.

Fotos: Sandra Ribeiro/Agapan
Agapan

31 agosto 2014

1º Setembro: Exibição do filme "O Veneno está na Mesa 2" em Torres


A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Centro Ecológico, a Ong Onda Verde,  Cooperativa Ecotorres e o Cineclube convidam  para o lançamento do filme "O Veneno Está na Mesa II", do consagrado documentarista Silvio Tendler na próxima segunda-feira, dia 01 de setembro, às 19h, no Centro Municipal de Cultura de Torres /RS. 

O evento dará continuidade ao lançamento do filme "Veneno Está na Mesa II" em nível estadual.

Após a  projeção haverá  uma palestra do engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo,da Agapan, que é mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção. Extensionista rural da EMATER-RS, atua no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-RS), e coordena o Grupo de Trabalho (GT) Agrotóxicos e Transgênicos da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA).

Serviço:
Dia 01 de setembro - segunda-feira
Filme - Palestra - Degustação de produtos orgânicos.
Hora: 19 h
Local: Centro Municipal de Cultura de Torres/RS.
  
Após o filme haverá degustação de produtos orgânicos. 

Agapan

22 agosto 2014

Agronegócio: a farsa do admirável mundo novo

Por Najar Tubino
Carta Maior

No início de agosto os plantadores de soja e milho no Mato Grosso estavam revoltados com o prejuízo que a lagarta do cartucho promoveu na safrinha. Uma saca do milho transgênico da Monsanto custa R$ 450,00, enquanto a do convencional custa R$ 250,00, dizia um plantador de Campo Verde, ao lado de Primavera do Leste.

“- Fiz quatro aplicações no milho convencional da área de refúgio e três no milho transgênico.”

O transgênico comprado já vem com o veneno contra a lagarta, ou seja, compraram gato por lebre. Um dirigente da APROSOJA, a associação representa a classe no maior estado produtor de grãos do país, também se mostrava indignado, informava que a entidade entrou com uma ação de questionamento contra quatro empresas produtoras de sementes – Monsanto, Dupont, controladora da Pionner, Syngenta e Basf.

Esse é o resumo da ópera da disseminação pelo planeta de sementes transgênicas, nos últimos 20 anos, contando pela experiência dos Estados Unidos, país que lidera o plantio e também a venda desses produtos.

Em 2012, quase na mesma época 34 agricultores brasileiros, muitos do Mato Grosso, ganharam um concurso da Monsanto chamado “OS ELEITOS”, entre 500 concorrentes de todas as regiões do país. Eles foram os pioneiros no plantio da nova semente da Monsanto – Intacta RR2 PRO -, chamada de segunda geração, produzirá uma planta imune a dois tipos de herbicidas e também aos insetos.

“- Fiquei impressionado com a quantidade e o cuidado com a pesquisa para a resistência de pragas. Não imaginava que havia tanta tecnologia por trás do processo de desenvolvimento”, disse Rafael Kummel, da Fazenda Dr. Paulo, de Nova Mutum (MT), a 250 km de Cuiabá, onde marca o início das lavouras na BR-163, corta a Amazônia ao meio em Santarém (PA).


Carta ao Papa

No final de abril deste ano, um grupo de oito pesquisadores – Ana Maria Primavesi, Andres Carrasco, Elena Alvares-Buylla, Pat Mooney, Paulo Kageyama, Rubens Nodari, Vandana Shiva e Vanderley Pignati – enviaram uma carta ao Papa Francisco tratando do assunto.

“- A transgenia é uma ameaça aos camponeses, à soberania alimentar, à saúde e à biodiversidade no planeta. Ela reduz a produtividade, provoca o aumento exponencial do uso de agrotóxicos. É um instrumento chave para facilitara maior concentração corporativa da história da alimentação e da agricultura. Seis empresas transnacionais controlam a totalidade dos transgênicos semeados comercialmente. Como resultado do avanço da industrialização da cadeia alimentar nas mãos das corporações do agronegócio, aumentou o número de desnutridos e obesos, fenômeno que agora é sinônimo de pobreza e não de riqueza. O sistema agroindustrial produz 30% dos alimentos do mundo e usa 80% das terras e consome 70% da água. A tecnologia transgênica é uma técnica inexata sobre a qual não se tem controle de suas consequências”.

Fiz um resumo, porque além da carta os pesquisadores anexaram um documento técnico que é um resumo sobre os acontecimentos nesta área nos últimos 20 anos. Principalmente, pelo fato de tamanha mudança na produção de alimentos seja cercada de todo tipo de barreira, para discutir as fórmulas que as corporações usam para obter seus resultados. E o que é pior: quando um pesquisador inicia uma pesquisa que desmente tais resultados é logo execrado. Os pesquisadores também relataram o caso da soja na Argentina, de onde saíram os grãos contrabandeados para o Rio Grande do Sul, na implantação da transgenia no Brasil. São quatro mil fundos especulativos que arrendaram terras e hoje participam na produção de 55 milhões de toneladas de soja, o terceiro maior produtor mundial – o primeiro é o Brasil com 81 milhões, o segundo Estados Unidos com mais de 80 milhões. Ou seja, dos 267milhões de toneladas de soja produzidas no mundo, os três países contribuem com 216 milhões.

“Admirável Mundo Novo” é um livro escrito pelo inglês Aldous Huxley, neto do biólogo Thomas Huxley, parceiro de Charles Darwin, no lançamento da Teoria da Evolução. Foi escrito em 1932, trata do avanço da industrialização, é uma metáfora, e constrói um mundo futurístico, onde as pessoas são divididas em castas desde o nascimento, andam de helicóptero, tomam um comprimido para alcançar a felicidade, tratam do corpo como um espetáculo e são cercados por uma tela metálica elétrica – 60 mil volts -, que os separam dos “selvagens”.

Pesquisando nos últimos dias sobre o tema da transgenia encontrei um artigo numa revista do interior paulista onde falava do “Admirável Mundo Transgênico”. Daí o título. Este é o primeiro fato. No início dos debates, antes da liberação da transgenia no Brasil, no início dos anos 2000, era comum professores de universidades, pesquisadores das mais variadas instituições defenderam a transgenia, como algo que mudaria a vida dos habitantes do planeta. Sempre citando a segunda e, mais recentemente, a terceira geração. Então tudo era possível: de frutas com mais vitamina C, de grãos enriquecidos com diferentes vitaminas, até os alimentos vacinas – “imagina uma criança comer uma banana e ficar vacinada contra a poliomielite?”.

Qual é a realidade em 2014? A lagarta do cartucho comendo o milho transgênico. E mais: a APROSOJA e seus associados ganharam da Monsanto uma cobrança de royalties que eles pagaram a mais pela primeira semente, porque a patente estava vencida. O Supremo Tribunal de Justiça julgou a questão e mandou a Monsanto pagar R$215 milhões aos plantadores. Resultado: a entidade fez um acordo com a corporação para descontar R$18,50 durante quatro anos dos próximos royalties que eles pagarão pela semente Intacta RR PRO, recém- lançada. Resumindo: eles pagavam R$ 26,00 por hectare pela primeira semente, e agora vão pagar R$ 96,50 – com o desconto – pela segunda semente. Não é uma beleza?

Entretanto, a questão dos transgênicos na realidade é somente mais um componente da atual situação da produção de alimentos industriais no mundo. O domínio das corporações é total. Na comercialização e exportação dos grãos apenas quatro empresas dominam 75% dos negócios – Cargill, Louis Dreyfus, Bunge e ADM. O faturamento das quatro em 2013 passou de US$230 bilhões. A maior delas, a Cargill, alcançou US$ 136,7 bilhões, seguida pela Louis Dreyfus – a única da Europa – com US$ 66 bilhões, as outras duas, Bunge e ADM, na casa dos US$ 15 bilhões. A questão não é somente soja, farelo e óleo, elas dominam os principais grãos, mais cacau – caso da francesa Louis Dreyfus-, açúcar e todos os derivados possíveis.

Proteína na salsicha

A Cargill tem a marca Innovatti e a Bunge, uma associação com a Dupont, com a marca The Solae Company. Em resumo, elas produzem proteína isolada de soja, que é utilizada na produção de suplementos alimentares, alimentos funcionais, bebidas líquidas e em pó e barras de cereais. A proteína concentrada é empregada na fabricação de salsichas, mortadelas ou itens que levam carne moída. A lecitina de soja, outro derivado, e encontrada em qualquer produto do mercado, de sorvete a biscoitos, chocolates. Em 2013, a indústria de alimentação no Brasil teve um faturamento de R$ 487 bilhões, sendo que 85% desses alimentos são processados.

Sobre a Cargill, tem um adendo: há 14 anos, ela mantém no Brasil o Banco Cargill S/A, com ativos de quase R$ 2 bilhões, e carteira em vários segmentos: financiamento rural, câmbio, gerenciamento de riscos. É corrente a história no Mato Grosso, que a maioria dos plantadores de soja e milho está nas mãos das “tradings”, que financiam as lavouras, adiantam dinheiro e insumo, em troca da safra futura. A pesquisadora Emilia Jomalinis de Medeiros Silva, da UFRJ tem um trabalho sobre o funcionamento das tradings no MT e o avanço da soja na BR-163. Ela cita a safra 2005/2006 quando o financiamento chegou a R$ 30 bilhões.

Parceiras na dominação

A natureza sabe que o orgânico é  melhor.
O fato é que as corporações dominam o planeta de cabo a rabo. Na área de sementes e agrotóxicos começaram a realizar pesquisas conjuntas, para reduzir custos. Em 2013,

Monsanto e Basf lançaram um milho transgênico que eles dizem ser “tolerante à seca”. É assim que é divulgado, como se fosse possível. A boca pequena os executivos dizem que é “resistente a uma seca moderada”. Lembrando que o lançamento sempre ocorre primeiro nos Estados Unidos, onde o Meio-Oeste sofreu a maior seca dos últimos 50 anos. Bayer e Syngenta se preparam para lançar uma semente de soja transgênica para a América Latina em 2015. A Bayer só tem 0,5% desse mercado e quer chegar a 2%. A Pionner (Dupont) pagou quase dois bilhões de dólares para ter acesso às sementes de segunda geração transgênica.

Integrados de luxo

Claro, todo esse movimento envolvendo a soja para vender aos chineses, que em 2013 compraram 62 milhões de toneladas, para transformar em ração para aves e suínos. Eles compram grãos, porque Cargill, Bunge e ADM estão expandindo o esmagamento de soja na China, construindo fábricas ou se associando com empresas locais, inclusive estatais. A industrialização da soja na China saltou de 4% para 27%, na Argentina foi de 9 para 16%, porque existem facilidades e menores custos na exportação. No Brasil, o maior produtor, se manteve em 16%, e nos Estados Unidos caiu de 37% para 21%. As corporações calculam que o mercado de rações na China continue crescendo 5% ao ano.

Luiz Carlos Oliveira Lima, também da UFRJ, é o autor da pesquisa “Sistema de Produção de Soja um Oligopólio Mundial”. Ele registra:

“- As empresas aumentam a escala de operações, aprofundando a concentração e a centralização do capital na indústria da soja e derivados, visando aumentar sua liderança no mundo global. O cluster de empresas globais é caracterizado pela sua inserção no oligopólio mundial de soja, integrando a atividade industrial com bancos corporativos e, pelo investimento estratégico em aquisições e fusões, em produção, em logística integrada e gestão do conhecimento. O cluster de empresas globais adotou como mecanismo de coordenação a organização multidivisional e em rede, integrando produtores de grãos de soja, que foram incorporados como fornecedores de matérias-primas necessárias na produção de óleo e farelo”.

Alimento de péssima qualidade

Ou seja, não são produtores, são tarefeiros de luxo, executam pacotes tecnológicos que as corporações vendem. Não decidem nada, a não ser o avanço na fronteira agrícola, porque o “mundo” precisa de soja. Nessa estratégia avançaram na Amazônia, desde que a Cargill montou um terminal em Santarém no início dos anos 2000. E o avanço vai aumentar, com a transformação do distrito de Mirituba, no município de Itaituba (PA), em estação de transbordo – os caminhões trazem a soja e o milho em caminhões pela BR-163 e descarregam nos comboios de balsas, que entregarão no terminal de Barcarena (PA). A Bunge investiu R$700 milhões nessa operação, que já está funcionando. E ainda se associou com o grupo do senador Blairo Maggi, criando a Navegação Unidas Tapajós Ltda., com aporte inicial de R$300 milhões.

Tudo isso para aumentar a oferta de carnes de aves, suínos, patos, perus no mundo. Que são criados de uma forma “homogênea”, como definem os manuais técnicos. São galpões de 126 metros de comprimento por 16 metros de largura e capacidade para 31.500 frangos. Para o bem-estar dos frangos a União Avícola Brasileira preconiza 39 kg por metro quadrado. Um frango é abatido aos 42 dias em média, com 2,3 kg. Significa que, ao atingir dois quilos convivem 20 frangos por metro quadrado. Mais: eles não são criados com hormônios, como se divulga popularmente. Não, as corporações químicas descobriram que os antibióticos – vários de uso para humanos – funcionam como “promotores de crescimento”, dando um impulso de 10% e mais 10% na conversão alimentar, que é a medida de quanto o frango come em ração e converte em carne.

Por sinal, recentemente a Comissão Técnica de Avicultura da Federação da Agricultura do Paraná, estado maior produtor de frangos – 3,8 milhões de toneladas-, promoveu um debate entre os integrados, termo que define os criadores de frangos, que são funcionários das empresas, sem a estabilidade e os direitos trabalhistas. Eles reclamam dos contratos “leoninos”, que são obrigados a cumprir. Eles ganham conforme a eficiência na conversão alimentar dos frangos.

Tudo definido pela empresa, que traz todo o pacote até a propriedade do integrado. Se o frango não converte o que está no contrato, ou se os componentes da ração – fabricada pela empresa – mudarem, e for impossível ter tal ganho de peso, azar do integrado.

Este é o panorama do agronegócio mundial, que mais uma vez no Brasil, se prepara para reforçar sua bancada no Congresso e implantar sua plataforma política, e como bons integrados, tarefeiros das corporações, cumprir as metas globais. O custo, o restante da população continuará pagando: na saúde, pela destruição dos ecossistemas, pela contaminação das águas, pela destruição de margens e nascentes de rios. Por comer um alimento de péssima qualidade.

Carta Maior



Imagem: sem creditos/ papel parede.

25 janeiro 2014

Agapan no FST2014: propostas sustentáveis X inviabilidade das monoculturas



Antônio Andrioli considera "apenas a quantidade  regulariza o plantio e o  uso de soja e milho transgênicos no Brasil para alimentar rebanhos na Euroopa. Para ele é preciso mudar este foco e incentivar os países a utilizar outras plantas."
Dez anos de transgênicos no Brasil é pauta de palestra no FST


Quase 50 pessoas participaram da oficina temática sobre o plantio e consumo de alimentos transgênicos, realizada na noite desta terça-feira (21/1), primeiro dia do Fórum Social Temático (FST), que acontece até domingo (26) em Porto Alegre e Canoas. O objetivo do debate foi analisar os dez anos de cultivo de transgênicos no Brasil, abordando os aspectos socioeconômicos dos transgênicos e enfatizando suas implicações para a saúde humana e ambiental. O debate foi realizado no Memorial do RS, e integra o Eixo 3 do FST, sobre Justiça Social e Ambiental. O evento foi promovido pela Agapan, Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).

Se analisássemos todos os fatores (ambientais, sociais, éticos e técnicos) que envolvem a produção de transgênicos, concluiríamos que seria proibido produzir monoculturas, como a soja”, destacou, em sua palestra, Antônio Andrioli, vice-reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente e representante da Agricultura Familiar na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Andrioli relatou discussões sobre o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Europeia sobre a produção e consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), que participou na Alemanha e na Áustria, em novembro e dezembro de 2013. Segundo o palestrante, a principal diferença entre Brasil e União Europeia é a mobilização dos consumidores, muitas delas relacionadas a temas ambientais. “O pimentão ter veneno é quase nada se comprado com o milho e a soja que comemos em muito maior quantidade, pois estão embutidos em muitos outros alimentos que ingerimos todos os dias”, comparou.

Andrioli observou que o mercado, “que considera apenas a quantidade, regulariza o plantio e o uso de soja e milho transgênicos no Brasil para alimentar rebanhos na Europa”. Para ele, é preciso mudar esse foco e incentivar os países a utilizarem outras plantas, a exemplo do que fazem Alemanha e Áustria. “Precisamos recuperar o custo ambiental da monocultura da soja, que é absurda e economicamente inviável”, afirmou, ao criticar que o agronegócio brasileiro continua se afirmando como um bom negócio.
Mais de 50 pessoas estiveram presentes no Memorial do RS. (foto:ABRodrigues/Agapan)
Para Andrioli, o problema ambiental é de conhecimento, enquanto que a lógica da concorrência, que é a base do mercado, destrói a natureza e torna o ar, a água, a semente e a vida expropriáveis, ou seja, objetos de proprietário privado, fortalecendo a palavra sagrada do lucro a qualquer preço. Ao se dizer otimista, Andrioli argumenta que “há muitas coisas nas contradições que mostram que não seguimos apenas um único caminho”, e complementa que “temos que nos desafiar para novas ideias para que não digam que não existem ou que não dá para fazer diferente”.

Após a palestra, houve debate e as manifestações da plenária serão reunidas pela Agapan para a construção de propostas de encaminhamento aos futuros candidatos nas próximas eleições.

Com o tema central Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, o FST acontece entre os dias 21 e 26 de janeiro, em Porto Alegre e Canoas. Mais informações pelo http://www.forumsocialportoalegre.org.br e www.agapan.org.br

Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
Fotos: Adriane Rodrigues/ Heverton Lacerda para Agapan

20 janeiro 2014

Agapan promove oficina no FSTemático sobre plantio e consumo de transgênicos

No momento em que o Brasil contabiliza dez anos de cultivo de transgênicos e que Porto Alegre sedia mais uma edição do Fórum Social Temático, a Agapan promove debate sobre os aspectos socioeconômicos dos transgênicos, enfatizando suas implicações para a saúde humana e ambiental. O debate será realizado neste primeiro dia de FSTemático (21/1), das 19h às 21h, no Memorial do RS, e integra o Eixo 3, sobre Justiça Social e Ambiental (inscrição nº 1129 - atividade autogestionada).

A palestra será proferida por Antônio Andrioli, vice-reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente e representante da Agricultura Familiar na Comissão Técnica Nacional de Biossegureança (CTNBio). Andrioli relatará discussões que participou na Alemanha e na Áustria, em novembro e dezembro de 2013, enfatizando o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Europeia sobre a produção e consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), traçando um paralelo com a situação nacional no momento em que contabilizamos dez anos de cultivo de transgênicos no Brasil.

Após palestra de contextualização, coordenada pelo engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, membro do GEA e da AGAPAN, será aberto espaço de debates e manifestações da plenária. “Durante o evento serão coletadas manifestações da plenária com vistas à construção de propostas de encaminhamento”, destaca o presidente da Agapan, Alfredo Gui Ferreira.

 A promoção é da: Agapan, Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Com o tema central Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, o FST acontece entre os dias 21 e 26 de janeiro, em Porto Alegre e Canoas.

Convite no Facebook:
https://www.facebook.com/events/406665602769215/

 Informações pelo http://www.forumsocialportoalegre.org.br  


Assessoria de Imprensa da Agapan

www.agapan.org.br

28 outubro 2013

Procurador da República rebate texto de Kátia Abreu

O doutorando em Direito Constitucional e procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes publicou texto no jornal Folha de São Paulo nessa quinta-feira (24) rebatendo as afirmações da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), que no dia 12 de outubro, no mesmo jornal, divulgou texto com o título "Pragas ideológicas". A senadora, grande interessada no dinheiro da indústria química e "defensora dos interesses econômicos das empresas estrangeiras", criticou a solicitação do Ministério Público Federal (MPF) para que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) promovesse audiência pública e estudos técnicos antes de liberar sementes transgênicas de soja e milho resistentes a agrotóxicos perigosos para comercialização. 

Segundo Lopes, "o pedido do MPF foi motivado por informações prestadas por vários pesquisadores, alguns membros da própria CTNBio".


"A sociedade não silenciará", afirma Lopes no título do artigo. Como a solicitação não teve acolhimento na CTNBio, o MPF decidiu promover, ele próprio, uma audiência pública para "debater com a sociedade civil os efeitos diretos e indiretos que podem ser produzidos caso sejam liberadas as sementes transgênicas de soja e milho tolerantes ao herbicida 2,4-D."



14 outubro 2013

16/10: Marcha contra os Transgênicos e Agrotóxicos



A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) convida a população gaúcha para participar da Marcha Contra Transgênicos e Agrotóxicos que será realizada em Porto Alegre no dia 16 de outubro.

A manifestação integra a Mobilização pela Soberania Alimentar Campo e Cidade, que está sendo promovida pela Via Campesina e outras organizações do campo e da cidade.

A concentração será na Usina do Gasômetro, às 9 horas. 

Participe! 

Compartilhe esse evento, convide mais pessoas e reforce a luta por uma alimentação mais saudável e natural.

Dia: 16.10.2013
Hora: 9 horas (concentração)
Local: Usina do Gasômetro - Porto Alegre.

Agapan - A vida sempre em primeiro lugar.

08 setembro 2013

Nota Conjunta ABRASCO, FIOCRUZ e INCA: não aceitaremos pressões de setores interessados na venda de agrotóxicos

A nota conjunta da ABRASCO, FIOCRUZ e INCA vem a encontro do sentimento que temos. A AGAPAN (Associação Gaucha de Proteção ao Ambiente Natural), partilha da mesma opinião quanto ao usos de defensivos agricolas, que nada são que venenos mascarados de aura candida de defesa agrícola, quanto na verdade são ataques mortais a qualidade de vida dos entes humanos e de toda biosfera.

Como diz a nota, há uma intima relação entre o envenamento e o uso de transgênicos como soja, milho e canola, por exemplo. Todos gerando enormes lucros as transnacionais a custa da saúde do agricultor e todos brasileiros banhados por venenos fortíssimos.

 
Sala dos Conselhos - AGAPAN
Alfredo Gui Ferreira - Presidente

Nota Conjunta ABRASCO, FIOCRUZ e INCA: não aceitaremos pressões de setores interessados na venda de agrotóxicos:

Uma verdade cientificamente comprovada: os agrotóxicos fazem mal à saúde das pessoas e ao meio ambiente
Historicamente, o papel da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Instituto Nacional de CâncerJosé Alencar Gomes da Silva (Inca) e da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) é de produção de conhecimento científico pautado pela ética e pelo compromisso com a sociedade e em defesa da saúde, do ambiente e da vida. Essas instituições tiveram e têm contribuição fundamental na construção e no fortalecimento do Sistema Único de Saúde.

Quando pesquisas desenvolvidas nas referidas instituições contrariam interesses de negócios poderosos, incluindo o mercado de agrotóxicos, que movimenta anualmente bilhões de reais, eventualmente elas sofrem ataques ofensivos que, transcendendo o legítimo debate público e científico, visam confundir a opinião pública utilizando subterfúgios e difamações para a defesa e manutenção do uso de substâncias perigosas à saúde e ao meio ambiente.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não se eximem de seus papéis perante a sociedade e cumprem a missão de zelar pela prevenção da saúde e proteção da população. Por esta razão têm se posicionado claramente no que diz respeito aos perigos que os agrotóxicos e outras substâncias oferecem à saúde e ao meio ambiente. Desde 2008, o Brasil lidera o ranking de uso de agrotóxicos, o que gera um contexto de alto risco e exige ações prementes de controle e de transição para modelos de produção agrícola mais justos, saudáveis e sustentáveis.
As pesquisas sociais, clínicas, epidemiológicas e experimentais desenvolvidas a partir de pressupostos da saúde coletiva, em entendimento à complexa determinação social do processo saúde-doença, envolvem questões éticas relativas às vulnerabilidades sociais e ambientais que necessariamente pertencem ao mundo real no qual as populações do campo e das cidades estão inseridas.

Neste sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco estão seguros do cumprimento de seu papel. Portanto, repudiam a acusação de que são guiados por um “viés ideológico” e sem qualidade científica. As referidas instituições defendem os interesses da saúde pública e dos ecossistemas, em consonância com os direitos humanos universais, e firmados pelos princípios constitucionais que regem o Brasil.
A Fiocruz, o Inca e a Abrasco atuam há décadas em parceria com diversas universidades e institutos de pesquisas, como a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em que atua o professor e pesquisador Wanderlei Pignati – citado em reportagem da revista “Galileu” mencionada abaixo –, e outros que desenvolvem pesquisas sobre os impactos dos agrotóxicos e de micronutrientes na saúde e no ambiente que são idôneas, independentes, críticas, com metodologias consistentes e livres de pressões de mercado. Tais pesquisas vêm revelando a gravidade, para a saúde de trabalhadores e da população em geral, do uso de agrotóxicos, e reforçam a necessidade de medidas mais efetivas de controle e prevenção, incluindo o banimento de substâncias perigosas já proibidas em outros países e o fim da pulverização aérea.
O “Dossiê Abrasco–Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde” registra e difunde a preocupação de pesquisadores, professores e profissionais com a escalada ascendente de uso de agrotóxicos no Brasil e a contaminação do ambiente e das pessoas dela resultante, com severos impactos na saúde pública e na segurança alimentar e nutricional da população.

Os agrotóxicos podem causar danos à saúde extremamente graves, como alterações hormonais e reprodutivas, danos hepáticos e renais, disfunções imunológicas, distúrbios cognitivos e neuromotores e cânceres, dentre outros. Muitos desses efeitos podem ocorrer em níveis de dose muito baixos, como os que têm sido encontrados em alimentos, água e ambientes contaminados. Além disso, centenas de estudos demonstram que os agrotóxicos também podem desequilibrar os ecossistemas, diminuindo a população de espécies como pássaros, sapos, peixes e abelhas. Muitos desses animais também desempenham papel importante na produção agrícola, pois atuam como polinizadores, fertilizadores e predadores naturais de outros animais que atingem as lavouras. O “Dossiê Abrasco” cita dezenas dos milhares de estudos publicados em periódicos científicos nacionais e internacionais de renome que comprovam esses achados.

É direito da população brasileira ter acesso às informações dos impactos dos agrotóxicos. Faz-se necessário avançar na construção de políticas públicas que possam proteger e promover a saúde humana e dos ecossistemas impactados negativamente pelos agrotóxicos, assim como fortalecer a regulação do uso dessas substâncias no Brasil, por meio do SUS.

Nesse sentido, a Fiocruz, o Inca e a Abrasco repudiam as declarações do diretor-executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, e de Ângelo Trapé, da Unicamp, veiculadas na revista “Galileu” nº 266, edição de setembro de 2013, e também na entrevista divulgada no site da publicação, que atentam contra a qualidade científica das pesquisas desenvolvidas nessas instituições e, em especial, contra o “Dossiê Abrasco – Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”.

As palavras do diretor-executivo da Andef, que tentam desqualificar e macular a credibilidade dessas instituições, são inéditas, dado o prestígio nacional e internacional e a relevância secular que temos na área da pesquisa e formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação em saúde, bem como na formação de profissionais altamente qualificados.

A Andef é uma associação de empresas que produzem e lucram com a comercialização de agrotóxicos no Brasil. Em 2010, o mercado dessas substâncias movimentou cerca de US$ 7,3 bilhões no país, o que corresponde a 19% do mercado global de agrotóxicos. As seis empresas que controlam esse segmento no Brasil são transnacionais (Basf, Bayer, Dupont, Monsanto, Syngenta e Dow) e associadas à Andef. As informações sobre o mercado de agrotóxicos no Brasil, assim como a relação de lucro combinado das empresas na venda de sementes transgênicas e venenos agrícolas, estão disponíveis no referido Dossiê Abrasco “Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na Saúde”.

A Fiocruz, o Inca e a Abrasco não aceitarão pressões de setores interessados na venda de agrotóxicos e convocam a sociedade brasileira a tomar conhecimento e se mobilizar frente à grave situação em que o país se encontra, de vulnerabilidade relacionada ao uso massivo de agrotóxicos.

Rio de Janeiro, 06 de setembro de 2013