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23 agosto 2012

23 de Agosto: Três anos da vitória do Não à contrução de condominio privado na orla do Guaíba.


 
Há três anos ocorria uma consulta popular em Porto Alegre para decidirmos se queríamos ou não a construção de um condomínio residencial privado chamado Pontal do Estaleiro na beira do Guaíba, na área de marinha ocupada pelo antigo Estaleiro Só.

A campanha pelo "Não" foi tocada pela união de inúmeras associações de bairros, sindicatos e entidades ecológicas da cidade, que conseguiram se comunicar com o povo e alcançar a vitória com 18 mil votos versus 4 mil votos a favor da construção.

Abaixo, um texto do Flávio Tavares que explica o porquê votar no "Não" e a importância de cuidarmos para que a Orla do Guaíba seja de todos.

Não no Só,

por Flávio Tavares*
*Jornalista e escritor


 
Comparecer à consulta popular deste domingo em Porto Alegre é mais importante do que eleger senador, deputado, vereador ou toda a gentalha que nos faz de mortalha. Diferente de quando nos obrigam a escolhê-los, o voto, neste caso, não é obrigatório. Por isso, ir às urnas agora torna-se ato voluntário para dizer “não” à desastrosa orgia que quer transformar a Capital numa sucessão de caixotes verticais de cimento e tijolos, em que a visão do rio desaparece ou se torna privilégio de poucos.

Se o rio é um bem de todos (até daqueles que o chamam de “lago”), por que amuralhar o Guaíba com prédios e prédios no pontal que cresceu como aterro sobre as águas?

Sim, pois o pontal do Cristal era uma raquítica nesga de terra que adentrava o rio apenas alguns metros. Aterrada com entulho e pedra, expandiu-se para dar lugar ao Estaleiro Só, que – de fato – estava sobre o leito do rio. Em sua origem, é área do Estado concedida em aforamento. Quando o estaleiro faliu, a área foi vendida para pagamento de dívidas. Devia ter voltado ao domínio do Estado para ser gramada e arborizada, já que é uma APP, “área de proteção permanente” contígua ao rio e protegida por lei federal.


***
O “chique”, porém, é que as leis existam para serem ultrajadas – não para serem cumpridas – e chegamos ao absurdo de os vereadores decidirem que ali haveria uma minicidade. Em exíguos 60 mil metros quadrados se construiriam dois edifícios comerciais de 12 andares – um, de lojas e escritórios; outro, um hotel com 90 apartamentos, além de prédios residenciais.

Por acaso, a capital gaúcha é uma Holanda, que precisou ganhar espaço ao mar por falta de terra firme? Ou nos sobra espaço para a expansão urbana?

Será por isso que, das galerias da Câmara Municipal, choveram moedas sobre os vereadores, na sessão em que 20 deles votaram a favor da minicidade, dois se abstiveram e 14 disseram “não”?
***
Porto Alegre é demais! – reza uma das belas composições musicais do meu amigo José Fogaça, cantarolada com orgulho pelo Rio Grande inteiro. Mas o prefeito Fogaça não soube ou não quis (ou não pôde) articular a maioria de que dispõe entre os vereadores para dar ao pontal do Estaleiro Só uma solução que não fosse guiada pela hipocrisia.

Sim, pois que outra coisa será quando todos nós defendemos o rio com palavras mas, na prática, o escondemos, transformando o panorama das águas em beleza perceptível apenas a quem paga?

O Guaíba vem sendo ferido há dezenas de anos. Degradamos suas águas com fezes e detritos químicos, sem educar sobre o uso dos resíduos domésticos ou industriais. Os aterros encolheram o rio. O Centro Administrativo e os tribunais estão sobre o que era água, tal qual o estádio Beira-Rio e centenas de prédios residenciais, além do prolongamento da Avenida Borges de Medeiros. Os parques Marinha e Maurício Sirotsky, aterrados para serem pontos de convívio com a natureza, cada dia diminuem suas áreas verdes, perdidas para edificações de vários tipos e seus pátios de estacionamento.
***
A consulta popular sobre o pontal do Estaleiro Só não é assunto exclusivo da Capital, mas interessa ao Estado e ao país. Aqueles 60 mil metros quadrados têm em si um simbolismo profundo. Que tipo de cidade queremos? Aquela em que nos integramos com a natureza e a vida do planeta como um todo, em que água e terra se entrelaçam com ar e pássaros? Ou a cidade dura, em que asfalto e cimento são reis e os edifícios verticais ocultam morros, limitam espaços ou nos fazem cegos para as águas do rio?

Não, não é essa a cidade que queremos.



Fonte: ZH Dominical, 23 de agosto de 2009

23 agosto 2011

A grande vitória do NÃO à edifícios comerciais na Orla do Guaíba, em 2009

Clique na imagem para ampliar.
Campanha em vídeo produzido pela Casa de Cinema.

Motivos para votar no "Não"


Neste dia 23 de agosto comemora-se a vitória do NÃO na consulta pública sobre as alterações no regime urbanístico da Ponta do Melo, promovidas pela maioria da Câmara Municipal de Porto Alegre.

Com a alteração do regime urbanístico naquele local seria possível a construção de espigões residenciais na área do antigo Estaleiro Só.

Foi mais uma grande vitória da consciência ecológica e da cidadania de Porto Alegre.

FRENTE do NÃO:
•AGAPAN – ASSOCIAÇÃO GAUCHA DE PROTEÇÃO AO AMBIENTE NATURAL
•AMA – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DA AUXILIADORA DE PORTO ALEGRE
•AMBI – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO IPANEMA
•ASCOMJIP – ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA JARDIM ISABEL
•AMOVITA – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA VILA SÃO JUDAS TADEU
•ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO CENTRO DE PORTO ALEGRE
•CCD – CENTRO COMUNITÁRIO DE DESENVOLVIMENTO DA TRISTEZA, PEDRA REDONDA, VILA CONCEIÇÃO E ASSUNÇÃO
•NÚCLEO AMIGOS DA TERRA/BRASIL
•ONG SOLIDARIEDADE
•SIMPA – Sindicato Municipários de Porto Alegre
•SINDIBANCÁRIOS – Sindicato dos Bancários
•SINDICATO DOS SOCIÓLOGOS DO RIO GRANDE DO SUL
•MOVIMENTO EM DEFESA DA ORLA DO RIO GUAÍBA (Integrantes: •AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural •Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho •AMABI – Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência •AMBI – Associação dos Moradores do Bairro Ipanema •ASCOMJIP – Associação Comunitária Jardim Isabel •AMOVITA – Associação dos Moradores da Vila São Judas Tadeu •Associação de Moradores do Centro •Movimento Viva Gasômetro •Associação Moinhos Vive •CMVA – Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção •Associação dos Moradores da Cidade Baixa •AMOBELA – Associação dos Moradores da Bela Vista •Conselho Popular do Partenon •Conselho de Usuários do Parque Farroupilha •CCD – Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vila Conceição e Assunção •CEUCAB/RS – Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS •AMSC – Associação dos Moradores do Sétimo Céu •AMATRÊS – Associação dos Moradores do Bairro Três Figueiras •AMA – Associação dos moradores da Auxiliadora •AMACHAP – Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras) •NAT/Brasil – Núcleo Amigos da Terra •ONG Solidariedade)

Apoios:
•Casa de Cinema de Porto Alegre •NEJ/RS – Núcleo de Ecojornalistas do RS •Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico •IAB/RS – Instituto de Arquitetos do Brasil/Departamento do RS •Grafar – Grafistas Associados do Rio Grande do Sul •Associação Profetas da Ecologia •Devoção Senhora das Águas •Pastoral da Ecologia •Associação Comunitária do Campo da Tuca •AMFA – Associação de Moradores Fim da Linha do Alameda – Bairro São José •Comissão de Moradores da Rua da Represa – Bairro São José •Associação Clube de Mães Batista Xavier – Bairro Partenon •Associação de Moradores Quinta do Portal – Bairro Lomba do Pinheiro •Associação de Moradores da Vila São Pedro – Bairro Partenon •Associação de Moradores Estrela Cristalina – Bairro Partenon •Associação de Moradores Paulino Azurenha – Bairro Partenon •Pequena Casa da Criança – Vila Maria da Conceição •MEP – Movimento Ecológico Popular

Fonte: Gonçalo de Carvalho

20 agosto 2010

Domingo, Movimento em Defesa da Orla do Guaíba comemora um ano do NÃO

População lembra e comemora o NÃO à construção de residências na área do Pontal do Estaleiro.

A vitória do NÃO à ocupação residencial da Orla do Guaíba, em Consulta Pública realizada há um ano (dia 23 de agosto) em Porto Alegre, será comemorada no próximo domingo, dia 22, no Parque da Redenção, entre 10 e 14h. “Mesmo sem a obrigatoriedade do voto e sem propagandas de esclarecimento, mais de 18 mil pessoas, de um total de 22 mil eleitores que foram às urnas naquele domingo de agosto, disseram NÃO à proposta de construir prédios residencias na área às margens do Guaíba”, lembra Cesar Cardia, cartunista e coordenador do Grupo de Comunicação do Movimento em Defesa da Orla do Guaíba.

A concentração para a comemoração será às 10h, entre o Colégio Militar e o Monumento ao Expedicionário. “Venha de camiseta do Movimento ou do Não, ou vista uma roupa preta ou verde”, conclama Cardia, ao destacar a importância da participação no Movimento. Caso chova, será adiada para outra data.


Em 2009, 80,7% dos eleitores que participaram da Consulta Popular votaram NÃO ao projeto imobiliário Pontal do Estaleiro, que previa construir espigões na Orla do Guaíba. “Pela primeira vez, era dado à população o direito de decidir o futuro de uma área da cidade: pela construção ou não de residências no Pontal do Melo”, destaca o urbanista Nestor Nadruz, conselheiro da Agapan, ao analisar como “importante a vitória da cidadania e da participação popular na cidade, dando um belo exemplo que estimula ações semelhantes inclusive fora de nosso país”.

Inúmeras entidades, especialmente ambientalistas e associações de moradores, uniram-se e resistiram a uma mudança da legislação municipal que beneficiaria apenas a especulação imobiliária. Pressionado pela opinião pública, o Executivo Municipal foi obrigado a alterar a lei prevendo um referendo, depois alterado na Câmara para Consulta Pública, sem obrigatoriedade de voto e sem espaço de propaganda que esclareceria a população sobre o que estariam decidindo.

“Com a colaboração de muitos, as entidades da cidadania fizeram panfletos, cópia xerox, cartazes, banners, mandavam e-mails, pediam divulgação na internet e conseguiram aquilo que o poder econômico não queria: 80,7% dos cidadão que sairam de casa para votar disseram Não aos Espigões na Orla!”, lembra Sandra Ribeiro, da Associação dos Moradores do Bairro Ipanema.

DATA ESTÁ NA HISTÓRIA DE PORTO ALEGRE

23 de agosto de 1808, a cidade de Porto Alegre é oficialmente criada, desmembrando-se de Viamão. Por um decreto do Príncipe Regente D. João, o povoado de Porto Alegre, fundado em 1772, foi elevado à vila. Um momento importantíssimo na história de nossa cidade, que cresceria muito nos tempos que viriam. Trecho do decreto: “Alvará de 23 de Agosto de 1808. Erige em Villa a povoação de Porto Alegre e crea nella o logar de Juiz de Fóra. Eu o Principe Regente faço saber aos que o presente Alvará com força de lei virem, que havendo-me sido presente o augmento de povoação e riqueza, em que estava o logar de Porto Alegre no Continente do Rio Grande de S. Pedro, por effeito da prosperidade da sua agricultura e commercio; e quanto convinha ao meu real serviço, e ao bem commum dos meus fieis V assallos habitantes delle, que a justiça não fosse administrada por Juizes leigos, que por falta de conhecimentos das minhas leis, e por mais sujeitos às paixões de affeição, ou odio, não cumprem as obrigações inherentes aos seus cargos com a necessaria exactidão e imparcialidade”.

Informações

Movimento em Defesa da Orla do Guaíba

Imprensa

Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

Agapan

22 de agosto: Aniversário do "Não" na Consulta Popular


clique na imagem para ampliar.


No próximo domingo, dia 22 de agosto, vamos nos reunir no Bric da Redenção para comemorar o PRIMEIRO ANIVERSÁRIO DA VITÓRIA DO NÃO.
Caso chova, será adiado para outra data.
É importante não deixar passar em branco essa data tão importante para a cidadania de nossa cidade e do estado! Vencemos a Consulta Popular em que pretendia permitir a construção de um condomínio privado com edifícios de 14 andares em plena Orla do Guaíba.
Comunidade unida vence unida!


Foi uma vitória importante e não podemos deixar que esqueçam isso.
Caso possa, vá de camiseta do Movimento ou do "Não", leve um adesivo do NÃO, ponha uma roupa preta ou verde, mas fundamentalmente APAREÇA.


Convidem mais pessoas!
Mandem e-mails!
Mandem convites por torpedo!
Convide seus amigos, seus parentes, seus vizinhos.

Das 10h até 14h nas imediações do Colégio Militar ao monumento ao Expedicionário.


Movimento em Defesa da Orla do Guaíba
AGAPAN

27 agosto 2009

Porque NÃO!



por Carlos Gerbase* em 24 de agosto de 2009

Venceu o NÃO, de goleada: 18.212 x 4.362. O que isso significa? Legalmente, que está proibida a construção de residências na área do Pontal. O que é proibir muito pouco, dizem alguns. Concordo. Também dizem que a consulta deveria ser muito mais ampla. Concordo. Também dizem que a pergunta deveria ser algo assim: "Você, como cidadão de Porto Alegre, admite a construção de qualquer coisa que prejudique a orla do Guaíba, paisagística ou ecologicamente, em nome do progresso?"

Concordo que seria uma pergunta muito mais bacana. Mas não concordo que seja uma pergunta viável. Teríamos que, primeiro, determinar o que é uma construção "paisagística e ecologicamente prejudicial à orla". Também teríamos que determinar o que significa a palavra "progresso". Em outras palavras: teríamos que colocar o Plano Diretor da nossa cidade para ser amplamente debatido e depois referendado numa Consulta Popular. Talvez seja uma boa idéia! Alô, prefeito Fogaça, fica a sugestão. Aí, sim, teríamos uma discussão ecológica com repercussão mundial.

Por enquanto estávamos "apenas" discutindo as possíveis residências no Pontal. Pode parecer pouco, mas era muito. A vitória do NÃO era fundamental neste momento. Aprendi, faz tempo, que a política – durante um processo eleitoral – é a conquista de consciências, e que isso acontece no campo do imaginário, e não na fria racionalidade dos argumentos. Também aprendi que, sem emoção, o imaginário não existe. Isso explica a derrota e a goleada sofrida pelo SIM, que prometia "mais empregos" e "mais progresso".

Uma única bela imagem do pôr do sol derruba uma grande fila de argumentos racionais. Que bom! Foram exatamente a racionalidade, a modernidade, a crença no poder das máquinas e dos edifícios imensos que levaram a humanidade para esse beco sem saída que é o nosso planeta hoje. Cada vez mais, a racionalidade e a ciência precisam ser devidamente temperadas com a emoção e os sentimentos. Ou viveremos como máquinas em cidades construídas para máquinas.

A vitória do NÃO extrapola, e muito, o campo legal. É uma vitória que será citada milhares de vezes daqui pra frente. É uma vitória da noção de "ecologia" contra a noção de "progresso". Desconfio dos que enchem a boca para falar de progresso. Esse progresso que está aí não me serve. É um progresso para poucos. É um progresso bom para quem ganha dinheiro com especulação imobiliária, com latifúndios nos campos, com fábricas de alimentos envenenados, e depois vai curtir o final de semana num sítio bacana, cheio de verde, longe da cidade poluída que ajudou a construir. É um progresso péssimo para a maioria da população, que já aprendeu algumas coisas sobre promessas de empregos e de lugares bonitos construídos pela iniciativa privada.

A Zero Hora de hoje (página 10, coluna de Rosane Oliveira) diz que "foi irrelevante a participação dos porto-alegrenses na consulta popular". É uma frase muito estranha. A colunista política - que cotidianamente lida com pesquisas de opinião sobre a intenção de voto, e as utiliza para mapear o que está acontecendo na política da cidade – desconsidera uma amostragem de mais de 22 mil porto-alegrenses? Estranho.

Fui pesquisar qual é a amostragem de uma pesquisa do Ibope para uma eleição municipal. O Instituto Methodus, em 3 de outubro de 2008, entrevistou 1.050 eleitores e determinou que, com 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%, o candidato José Fogaça estava na frente no primeiro turno e, num segundo turno, também venceria folgadamente. Quem é o prefeito da cidade?

Mesmo que a Consulta Popular não tenha estratificado a "amostra" (de acordo com classe social, região do eleitor, etc.), a amostra é vinte vezes maior! E tem mais: não se trata de responder a um pesquisador, muito antes da eleição, que depois anota a resposta num formulário, que depois entrega o formulário para alguém, que depois faz as contas e manda para o jornal. Foram votos em urnas eletrônicas!

Se essa "amostra" não vale para determinar a vontade da população, cara Rosane, por favor, não considere mais o resultado de nenhuma pesquisa eleitoral em sua coluna. Elas são todas "escassas" e "irrelevantes". Menosprezar ou diminuir o resultado dessa votação é, no mínimo, pouco democrático. Aliás, se a democracia quiser ser mais ecológica e funcionar melhor, para o bem de todos, terá que ser cada vez mais participativa e menos representativa. Só por esse fato a Consulta Popular já se justifica.

Carlos Gerbase, jornalista, professor,músico, rockeiro dos Replicantes, cineasta da Casa de Cinema de Porto Alegre.

22 agosto 2009

Consulta Popular do projeto Pontal do Estaleiro é neste domingo, 23, em Porto Alegre


Que tipo de pôr-do-sol você quer para Porto Alegre?


População definirá no voto o destino da Orla do Guaíba. Movimento Defenda a Orla e Fórum do NÃO mantêm mobilização para transformar área em espaço público.

É neste domingo, dia 23, a Consulta Popular que definirá o futuro da Orla do Guaíba. A votação do projeto Pontal do Estaleiro acontece das 9h às 17h. Nesse período, os cidadãos com domicílio eleitoral em Porto Alegre respondem “não” ou “sim” para a construção de prédios residenciais no local, conhecido também como Ponta do Melo. Os locais de votação foram definidos por zona eleitoral. Assim, o cidadão deve se dirigir a sua zona eleitoral, munido de identidade ou título de eleitor. O local pode ser conferido no site

http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/cs/usu_doc/local_de_vota_por_zona.pdf

Pioneira no país para decidir os rumos de uma área urbana, a votação em Porto Alegre acontece em 330 urnas distribuídas em 89 locais. A apuração ocorre no auditório Dante Barone, na Assembleia Legislativa, e o resultado deverá ser divulgado às 19h. O software para a apuração dos votos foi desenvolvido na Procempa. O programa de apuração atualizará na internet (www.portoalegre.rs.gov) a contagem, voto a voto. Ao fechar as urnas, o software compila as informações para o boletim anexado às atas de eleição.

A pergunta da Consulta, questionada pelos integrantes do Movimento Defenda a Orla, é a seguinte: Além da atividade comercial já autorizada pela Lei Complementar nº 470, de 02 de janeiro de 2002, devem também ser permitidas edificações destinadas à atividade residencial na área da Orla do Guaíba onde se localiza o antigo Estaleiro Só?” O NÃO é a primeira opção.

“A vocação turística e culturaL da área do Estaleiro Só deve ser garantida, assim como o respeito às leis, que reforçam a preservação das margens de rios e lagos”. A afirmação é de Cesar Cardia, que integra o Movimento em Defesa da Orla. “Conversando com vizinhos e conhecidos, panfleteando nas ruas, mandando torpedos, repassando e-mails, por mensagens no Orkut, sempre dizendo: Defenda a Orla do Guaíba! VOTE NÃO no dia 23 de agosto!”, salienta.


FRENTE DO NÃO

•AGAPAN - ASSOCIAÇÃO GAUCHA DE PROTEÇÃO AO AMBIENTE NATURAL
•AMA – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DA AUXILIADORA DE PORTO ALEGRE
•AMBI – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DO BAIRRO IPANEMA
•ASCOMJIP – ASSOCIAÇÃO COMUNITÁRIA JARDIM ISABEL
•AMOVITA – ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES DA VILA SÃO JUDAS TADEU
•ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO CENTRO DE PORTO ALEGRE
•CCD – CENTRO COMUNITÁRIO DE DESENVOLVIMENTO DA TRISTEZA, PEDRA REDONDA, VILA CONCEIÇÃO E ASSUNÇÃO
•NÚCLEO AMIGOS DA TERRA/BRASIL
•ONG SOLIDARIEDADE
•SIMPA – Sindicato Municipários de Porto Alegre
•SINDIBANCÁRIOS – Sindicato dos Bancários
•SINDICATO DOS SOCIÓLOGOS DO RIO GRANDE DO SUL


•MOVIMENTO EM DEFESA DA ORLA DO RIO GUAÍBA (Integrantes: •AGAPAN – Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural •Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho •AMABI – Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência •AMBI – Associação dos Moradores do Bairro Ipanema •ASCOMJIP – Associação Comunitária Jardim Isabel •AMOVITA – Associação dos Moradores da Vila São Judas Tadeu •Associação de Moradores do Centro •Movimento Viva Gasômetro •Associação Moinhos Vive •CMVA – Conselho Gestor dos Moradores da Vila Assunção •Associação dos Moradores da Cidade Baixa •AMOBELA – Associação dos Moradores da Bela Vista •Conselho Popular do Partenon •Conselho de Usuários do Parque Farroupilha •CCD – Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vila Conceição e Assunção •CEUCAB/RS – Conselho Estadual da Umbanda e dos Cultos Afro-Brasileiros do RS •AMSC – Associação dos Moradores do Sétimo Céu •AMATRÊS – Associação dos Moradores do Bairro Três Figueiras •AMA – Associação dos moradores da Auxiliadora •AMACHAP – Associação dos Moradores do Bairro Chácara das Pedras) •NAT/Brasil – Núcleo Amigos da Terra •ONG Solidariedade)

Apoios:

•Casa de Cinema de Porto Alegre •NEJ/RS – Núcleo de Ecojornalistas do RS •Defender - Defesa Civil do Patrimônio Histórico •IAB/RS - Instituto de Arquitetos do Brasil/Departamento do RS •Grafar - Grafistas Associados do Rio Grande do Sul •Associação Profetas da Ecologia •Devoção Senhora das Águas •Pastoral da Ecologia •Associação Comunitária do Campo da Tuca •AMFA - Associação de Moradores Fim da Linha do Alameda - Bairro São José •Comissão de Moradores da Rua da Represa - Bairro São José •Associação Clube de Mães Batista Xavier – Bairro Partenon •Associação de Moradores Quinta do Portal – Bairro Lomba do Pinheiro •Associação de Moradores da Vila São Pedro – Bairro Partenon •Associação de Moradores Estrela Cristalina – Bairro Partenon •Associação de Moradores Paulino Azurenha – Bairro Partenon •Pequena Casa da Criança – Vila Maria da Conceição •MEP - Movimento Ecológico Popular
Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência de Notícias.

21 agosto 2009

Secretário da SMAM declara: " A zona sul já está sofrendo uma mutilação.Votarei Não!"

O Secretário da SMAM, professor Garcia concedeu entrevista para o programa "Cidadania Ambiental" da Rádio Ipanema Comunitária, terça-feira, declarando vários pontos que o motivam a votar pelo Não à construção de edifícios na Orla.

Pergunta: O que o senhor vê aqui para Ipanema? Vê Ipanema "Cidade Jardim" ou uma Copacabana?

“Primeiro Porto Alegre, nunca em sua história, em mais de 200 anos, autorizou edifícios com moradia na orla. Se nós autorizarmos moradias naquele local, Vila Assunção, Conceição, Avenida Guaíba todas estes lugares vão ter edifícios com moradias. E aí vamos virar uma "nova Copacabana", "nova Camboriú". Não é esse tipo de cidade que eu gostaria. Eu vou lutar para que isso não ocorra. O Plano Diretor não permite obras com mais de três andares, por isso não sairam as obras de uma construtora aqui em Ipanema. “


“A zona sul já está sofrendo uma mutilação. Os terrenos estão reduzindo. Tu fazes uma casinha ao lado da outra. Ipanema tem característica forte de bairro. O que nos caracteriza é que a vegetação é intensa, tem uma área com grande circulação de ventos. Tu enxergas a orla de qualquer lugar, mas com edifícios nós não teríamos.”

“Hotéis não tem mercado para toda orla, edifícios têm mercado para toda orla.
Edifícios são o grande filé, e o meio empresarial fica de olho. Temos estudos que apontam a tendência em que nos próximos dez anos vamos ter o acréscimo de 50 mil habitantes para a zona sul. Eu não sou saudosita, não, mas eu quero uma Cidade Jardim aqui em Ipanema e que ela continue assim. “

Pergunta: Dia 23 o senhor vai votar não?

Estou incentivando o “Não”. E vou aproveitar este espaço para votar “não”. Não se desmobilizem, cada voto é importante. Seu voto é decisivo para esse processo.

Escute a entrevista aqui.


Fonte: Radio Ipanema Comunitária 87,9 FM
http://www.ipanemacomunitaria.com.br

20 agosto 2009

Mais apoiadores ao Não!!!


O "espigão" e a faixa-arte de Zoravia Bettiol

O Guaíba não nos pertence; ele percence à História e
pertence ao Futuro. Temos de honrar esse compromisso de um
espaço do qual somos mero detentores.

Votar pelo NÃO é ter consciência de que a Natureza, como bem comum, não
pode estar sujeita aos transitórios equívocos de nossas
fraquezas.
Luiz Antonio de Assis Brasil


Não!!! Óbvio que nãooooo! Sou um dos maiores incentivadores pela recuperação do Lago... rio ...chame como quiser... Guaíba! Certa feita fui gravar uma reportagem pela Ulbra Tv. Um simples passeio de barco e de cara me deparei com uma fralda suja boiando. Mas que barbaridade! Disse eu como um bom gaúcho. Durante anos promessas foram feitas e nada de salvarem a orla do Guaíba!

Algo deve ser feito. Concordo! Uma praça quem sabe... junto com uma limpeza! Tudo limpo e para o povo! Meu falecido e amado pai me falava sobre a época em que o povo desfrutava do rio! Ou lago! Enfim... mas daí entregar este patrimônio para poucos, com o aval da construção civil? Da famigerada construção civil! Fala sério!

Sou um crítico feroz dos "espigões" e do "pombal" de 20 andares!!! Estabelecimentos comerciais pelo menos trarão o povo para a orla, mas residências?

Duvido muito que todos serão convidados a desfrutar de tal regalia oferecida para poucos! Eu queria uma praça bonita! Aceito estabelecimentos que me levem a passar uma tarde perto do meu rio, do nosso rio ou lago! Mas residências nãooooooooo! E ponto Final!!!
Se ajudar em algo...fico feliz! E vamos Votar hein!!!

Bjão e boa sorte para o nosso povo...e para o nosso rio... ou lago hehehehehe!

Luiz Gustavo Ferreira - BIVIS da POP ROCK




Votar Não é dizer sim ao Guaíba, ao por do sol, às pessoas e a Porto Alegre.
Mirna Spritzer


Aos doze anos tomei banho no GUAIBA na PRAIA de BELAS em frente ao PÂO dos POBRES. Não me fez mal, pois cheguei - lúcido e satisfeito- aos 73 anos. A poluição não atigia as águas do rio. havia o trem para Tristeza que levava a poluição bem longe e para lugar seguro.

Por que não se pode fazer isto por meios mais modernos do que uma velha Maria FUMAÇA?
Em vez de projetos adequados e coerentes para esta solução dentro dos parãmetros contemporâneos ... joga-se para a população se dividir ... projeto de ocupar o lugar do ESTALEIRO SÒ - que era um templo de trabalho e bem comum

- Este lugar NÃO PODERÁ se transformar em um instrumento para exercício de avareza para alguns privilegiados e a desgraça de toda população da capital e do estado.
Círio Simon

Desde que eu cheguei por estas terras (1977) assisto (e as vezes participo) de lutas por derrubar o muro da Mauã que separa o Porto do Alegre, que afasta o porto-alegrense do seu rio, que impede que desfrutemos o pôr-do-sol... luta antiga.

Vejamos se eu entendi bem: no dia 23 de agosto terá um plebiscito sobre si queremos quer esse muro seja aumentado? Que mais muros (sejam da forma que for) nos separem do Guaíba? E depois virá mais o quê? Um super-mercado na praia de Ipanema? Uma revenda de carros na Vila Assunção? O progresso tem que ser para os seres humanos e não para as empresas. Construir cidadania e não muros. Defender a natureza e não o lucro que jamais voltará em nosso benefício. Vou votar não.
Néstor Monasterio


Porto Alegre precisa de civilidade, não de empreendimentos megalômanos. Precisamos de respeito ao meio ambiente e, principalmente, precisamos respeitar as pessoas que vivem e trabalham em nossa cidade.

O projeto de reformulação do Pontal do Estaleiro é ousado e tem ares de coisa nova e boa. No entanto, descaracteriza de forma grosseira o perfil da cidade.

A orla do Guaíba não merece ser povoada por construções de gosto árido e duvidoso. Sendo rio ou não sendo rio, o Guaíba ainda resiste heroicamente às investidas da urbanidade selvagem e de suas obras de gosto pedestre e padronizado. Precisamos preservar com amor o pouco, bem pouco, que temos.
Cíntia Moscovich

Na qualidade de escritor, de médico de saúde pública e de cidadão portoalegrense, posiciono-me ao lado daqueles que defendem a preservação ambiental na cidade de Porto Alegre. Nossa capital sempre foi um reduto da consciência ecológica no Brasil, e é importante mantermos fidelidade a uma luta da qual depende o futuro de nossa população.
Moacyr Scliar

Vamos defender a orla para todos e dizer não à privatização da paisagem.
Luis Fernando Veríssimo

Cravaram antes um muro da vergonha no coração da cidade. Mataram, para quem passa por ali, a visão da água. Depois estreitaram o caminho fluvial para plantar asfalto e concreto administrativo.

Deixaram, ao menos, um rastro de verde no Parque Marinha. Agora, por absoluta ganância, querem invadir a ponta do estaleiro. Porto Alegre não merece tanta agressão. O Guaíba, estrangulado, precisa respirar. E todos os moradores querem aproveitar - sem muros, barreiras e espigões - a beleza única do nosso estuário.
Carlos Urbim

19 agosto 2009

Matrix e o Pontal

No filme Matrix, dirigido e roteirizado pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, há 10 anos, a questão filosófica central era: O que é o real? Num determinado momento do filme, há o encontro para explicar que o mundo no qual se vive não é o mundo real e verdadeiro. Essa possibilidade de explicação é dada pela escolha da pílula azul ou a vermelha. Tomando a azul, volta à ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhece a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real.

Por essas ironias da vida, a liberdade poética permite traçar uma analogia entre Porto Alegre: Matrix e o Pontal do Estaleiro. A Matrix é o projeto virtual apresentado pelos empreendedores à população da cidade, vendendo uma ilusão de “progresso” e “desenvolvimento”. Matrix é arregimentar uma bancada de vereadores para aprovar Lei Complementar, em regime de urgência, num processo crivado de irregularidades e suspeitas de propina. Matrix é permitir a alteração do uso comercial da área, para uso misto (comercial e residencial) , numa canetada. Matrix é ver terreno leiloado por R$ 7 milhões pelo Município - para pagar passivo trabalhista aos ex-funcionários do Estaleiro Só - passar a valer algo em torno de R$ 70 milhões. Pra quem não sabe, é a finalidade de uso que determina o valor territorial de uma área, urbana ou rural.

No contexto da Matrix, o vereador Valter Nagelstein (PMDB), líder do governo municipal na Câmara, declara: "Quando olho para o Pontal, pergunto-me o quanto a cidade vai ganhar com o empreendimento e não quanto o empresário vai ganhar com a obra". Como cidadãos, contrapormos: quando olhamos para o Pontal, perguntamos quanto à cidade deixou de ganhar em benefício de um único empreendedor. Resposta: R$ 63 milhões.

O digníssimo vereador vai além, ao dizer que muitos argumentos contrários beiram o irracionalismo e o discurso fácil. "Precisamos afirmar a livre iniciativa, o empreendedorismo e garantir a população à geração de trabalho e renda". Perguntas dos cidadãos: Afirmar a livre iniciativa de o poder privado especular sobre área pública, contra as próprias leis da livre concorrência de mercado? Afirmar o empreendedorismo sob os auspícios do poder público em desrespeito à Lei Orgânica Municipal, Código Estadual do Meio Ambiente e a própria Constituição Federal? E para quê mesmo? Para transformar área de preservação permanente em Playground privado de prédios para apartamentos de alto luxo, com vista para orla do maior patrimônio natural de Porto Alegre?

Isso é Matrix. Portanto, nessa lógica, os argumentos que beiram ao irracionalismo são: a Lei Orgânica de Porto Alegre, que determina que as áreas próximas às margens de rios ou cursos d’água são de proteção permanente. O Código Estadual do Meio Ambiente. A Constituição Federal, no caput do seu artigo 225, que prevê o direito coletivo ao meio ambiente, bem como o dever de todos em defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Realmente, é um discurso fácil, quase banal.

Quanto, a saber, à qual população garantir geração de trabalho e renda, cabe supor se tratar da população de empreiteiras, no mundo, que acorrerão à capital gaúcha, para montar escritórios e contratar consultorias junto a Câmara Municipal de Porto Alegre.

Sim, somos realmente modernos. Acreditamos piamente no “progresso pra burguesia e ordem pra malandragem”. Afinal, enquanto uma maioria de famílias vive em condições de marginalidade, sem regularização fundiária e urbanização de favelas que garanta o título de propriedade do terreno em que vivem, há gerações, ou a dignidade do endereço pra abrir uma conta no banco ou receber uma carta. Enquanto centenas de jovens e adolescentes espalham pela cidade a revolta produzida por décadas de prevalência dos interesses individuais e privados sobre os interesses sociais e públicos, traduzida em violência, assaltos, prostituição e drogadição. Uma minoria quer morar às margens do rio, lago ou mar.
Essa é a nossa Matrix: que pontualmente atende pelo nome de Pontal do Estaleiro.

Onde querem crer que prédios residências vão garantir segurança 24 horas contra esses que estão à margem da sociedade. Qualquer problema: cercas elétricas e segurança privada. Afinal, a segurança pública, os agentes públicos, os servidores públicos não servem pra nada mesmo. No máximo, para atrapalhar ou facilitar negócios milionários em benefício do capital privado e de caixas dois de campanha. Vide o próprio caso em questão.
Eis a nossa Matrix: Votar SIM ou Não Votar é tomar a pílula Azul. Votar NÃO ao projeto do Pontal do Estaleiro é tomar a pílula vermelha.

Qual pílula a população de Porto Alegre escolhe?

João Volino Corrêa
Presidente AMA
Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora

17 agosto 2009

No dia 23 de agosto, todos devem dizer Não!


Estaleiro Só "e mal acompanhado"


A Consulta Popular que será realizada em Porto Alegre, no próximo domingo, dia 23, é mais uma armadilha do poder público (Prefeitura e Câmara dos Vereadores) e dos empreendedores para se apossarem "democrática e legalmente" da Orla do Guaíba!


Dentre as nossas lutas socioambientais, essa é uma que requer maior paciência, persistência e resistência, visto que está em jogo, o FUTURO DE TODA A ORLA DA CAPITAL DOS GAÚCHOS!


Não queremos construção nenhuma na Ponta do Melo! Desejamos que aquele local seja a continuação de parques já existentes desde a Usina do Gasômetro! A ORLA, como um todo, é de Preservação Permanente e de Especial Interesse Cultural, protegida por Lei Federal e Lei Orgânica do Município.


Acontece que teremos que vencer batalha, por batalha. Primeiro, dizendo NÃO às residências que foram aprovadas pela maioria dos vereadores, que desconsideraram a vontade da população, em sessões traumáticas e tumultuadas, no ano passado na Câmara, como é do conhecimento de todos! Posteriormente, abrindo mais uma ferrenha batalha para não ter mais nada de construção, a não ser projetos que qualifiquem, democratizem a ORLA para uso público e paisagístico de lazer, esporte e cultura, conforme sua vocação natural!


Estamos lutando tanto ou mais como em 1988! Nesse ano houve a fantástica subida na Chaminé do Gasômetro, por militantes da AGAPAN. Naquela época, éramos contra o "Projeto Praia do Guaíba". Se esse ato não tivesse acontecido, a ORLA, a partir do Gasômetro, estaria atualmente repleta de espigões!


Concomitante à subida da Chaminé, houve uma forte manifestação na Câmara de Vereadores, um abraço ao rio/lago Guaíba, entre outros eventos. Essa atitude forte e positiva da população porto-alegrense e gaúcha foi divulgada até mesmo em noticiários do centro do país! E conseguimos salvar aquele ma-ra-vi-lho-so trecho de ORLA, que é referência para todos os cidadãos de POA!

Tudo isto que estou recordando foi alvo de um excelente documentário da TVCOM, em agosto do ano passado, quando a AGAPAN celebrou os 20 anos do evento!


Voltando ao assunto Consulta Popular e Orla do Guaíba...


A pergunta que está sendo feita na Consulta também é ardilosa e capciosa! Tivemos uma audiência com o vice-prefeito e protocolamos uma denúncia a esse respeito. E ainda no último dia 14/08, no TRE, ressaltamos que a pergunta estava mal formulada!

Quanto aos empreendedores terem desistido de construir residências, é outro engodo! Pois eles podem perfeitamente vender o projeto, visto que nada foi por escrito. Os empreendedores têm muito dinheiro e condições uma para fazerem o que quiserem! Só barraremos esse propósito se estivermos UNIDOS NO NÃO!


Pergunto:

Quanto aos prédios de 12 ou 14 andares, expostos no projeto virtual, como estes poderão atender aos interesses paisagísticos, ambientais e de usos públicos e democráticos, de lazer e cultura da Orla? Certamente, o pôr-do-sol e aquele pedaço da Orla ficarão apenas na nossa imaginação...

Infelizmente, temos alguns amigos e amigas que estão se posicionando contra a não participação na consulta! Respeitamos a opinião deles. Porém a consulta vai acontecer e não poderemos nos OMITIR DE VOTAR, seja ela certa ou não!


Caso o SIM vença, não teremos mais chance alguma de barrar construções na ORLA pois a jurisprudência firmada dará respaldo para que tudo seja aprovado pelos poderes públicos, fortalecendo, dessa maneira, a liberalidade e a mercantilização das construções na ORLA! "Entregaremos de bandeja o mais característico, belo, harmonioso e democrático espaço naturalmente livre, que banha a capital do povo gaúcho"!

No dia 23 de agosto, todos devem dizer "NÃO"!!!


Vencendo o NÃO, continuaremos precisando de respaldo para começar uma nova batalha, com força, união e ações, visando adequar a Ponta do Melo com equipamentos condizentes, para dar continuidade ao espaço de Orla maravilhoso, que se estende desde a Usina do Gasômetro até aquele belíssimo local!


Para que esse parque público aconteça, necessitamos, primeiramente, contar com todos, dizendo NÃO ao Pontal do Estaleiro!!


Um fraterno, ecológico e comunitário abraço,


Sandra Ribeiro

Vice-presidente da Agapan


Vejam o vídeo aqui do gasômetro!

http://www.youtube.com/watch?v=6ES79OfSKsw



Aqui está o que foi noticiado no Jornal do Almoço do dia 10/08/09!

http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=72039&channel=45




16 agosto 2009

Dia 23 de Agosto: Locais de Votação da Consulta Popular



Caso tenha dificuldades em encontrar o local onde poderá votar, disque 156 (ligação grátis) que será informado. O serviço está disponível 24h/dia

Arquivo completo em PDF clique aqui:

Escola Estadual Almirante Barroso – Rua Capitão Coelho, 95, Ilha da Pintada
  1. Escola Estadual Alvarenga Peixoto – Avenida Presidente Vargas, Ilha Grande dos Marinheiros
    Escola Estadual Danilo Antonio Zaffari – Rua General Marcos Kruchin, 291, Farrapos
    Escola Estadual Lions Club P.A. Farrapos – Rua Dona Teodora, 1.156, Farrapos
    Escola Estadual José Garibaldi – Rua Dr. Caio Brandão de Mello, s/nº, Humaitá
    Escola Normal 1º de Maio – Avenida Presidente Franklin Roosevelt, 149, São Geraldo
    - Colégio Marista São Pedro – Rua Alvaro Chaves, 601, Floresta
    - Instituto Vicente Pallotti – Rua Tupi, 212, Passo D’Areia
    - Colégio La Salle São João – Rua Honório Silveira Dias, 645, São João
    - Escola Mãe de Deus – Rua Souza Reis, 132, São João
    - Escola Estadual Bahia – Rua Angelito Asmuz Aiquel, 125, Bela Vista
    - Escola José Cesar Mesquita – Avenida do Forte, 77, Vila Ipiranga
    - Escola Dom Luis Guanella – Avenida Benno Mentz, 1.560, Vila Ipiranga
    - Centro Comunitário Regional Noroeste (Antigo Cecoflor) – Rua Irene Capponi Santiago, 290, Cristo Redentor
    - Escola Estadual Ana Neri – Rua Joaquim Silveira, 730, São Sebastião
    - Escola Municipal Décio Martins Costa – Rua Cristóvao Jacques, 488, Sarandi
    - Escola Municipal Liberato Salzano – Rua Xavier de Carvalho, 274, Sarandi
    - Escola Estadual Itamarati – Avenida Francisco Rodolfo Simch, 617, Sarandi
    - Escola Municipal Presidente João Belchior Marques Goulart – Rua João Luiz Pufal,100, Sarandi
    - Vida Centro Humanístico – Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 2.132, Rubem Berta
    - Escola Municipal Presidente Vargas – Rua Ana Aurora do Amaral Lisboa, 60, Passo das Pedras
    - Escola Estadual Japão – Rua Enrico Caruso, 444, Jardim Itu Sabará
    - Escola Estadual Profª Gema Angelina Belia – Avenida Antonio de Carvalho, 495, Agronomia
    - Escola Estadual Rubem Berta – Rua Saturnino de Brito, 1.400 , Vila Jardim
    - Escola Estadual Fernando Gomes – Rua Frederico Guilherme Gaelzer, 168, Jardim do Salso
    - Escola Estadual Antão de Farias – Rua Bom Jesus, 505, Bom Jesus
    - Escola Estadual Monsenhor Leopoldo Hoff – Rua Moema, 255, Chácara das Pedras
    - Escola Estadual Professor Alcides Cunha – Rua Hélio Pimpão, 52, Protásio Alves
    - Escola Estadual Padre Balduíno Rambo – Rua Humberto de Campos, 130, Partenon
    - Escola Estadual Madre Maria Selima – Rua Tenente Ary Tarragô, 130, Aparício Borges
    - Conselho Tutelar Microrregião 4 – Rua Manoel Vitorino, 10, Partenon
    - Escola Estadual Jerônimo de Albuquerque – Rua Juarez da Távora, 550, Vila João Pessoa
    - Escola Estadual Dr. Martins Costa Junior – Rua Dona Firmina, 1.377, São José
    - Escola Municipal Padre Ângelo Costa – Rua Primeiro de Março, 300, São José
    - Escola Estadual Prof. Edgar Luiz Schneider – Av. Elias Cirne Lima, 100, Partenon
    - Colégio Marista Champagnat – Avenida Bento Gonçalves, 4.314, Partenon
    - Escola Elpidio Paes – Rua Inhanduí, 432, Cristal
    - Escola Estadual Prof. Afonso Guerreiro Lima – Rua Banco Inglês, 300, Santa Tereza
    - Escola Estadual Santa Rita de Cássia – Rua Silveiro, 1.640, Menino Deus
    - Escola Estadual Dom Pedro I – Rua Pedro Boticário, 654, Partenon
    - Escola Fundamental Monsenhor Leopoldo Neis – Est. dos Battilanas, 140, Cascata
    - Colégio Municipal Emílio Meyer – Avenida Niterói, 472, Medianeira
    - Escola Estadual Brigadeiro Silva Pais – Rua Professor Clemente Pinto, 555, Medianeira
    - Escola Municipal José Loureiro da Silva – Av. Capivari, 1.999, Cristal
    - Escola Estadual Jardim Vila Nova – Rua Fernando Pessoa, s/nº, Vila Nova
    - Escola Estadual Paulina Moresco – Rua Thome Antonio de Souza, s/nº, Aberta dos Morros
    - Escola Estadual Ceará – Avenida Arnaldo Bohrer, 98, Teresópolis
    - Escola Estadual Padre Reus – Av. Otto Niemeyer, 650, Tristeza
    - Escola Adventista de Porto Alegre – Avenida Otto Niemeyer, 2.124, Tristeza / Rua Dr. Pereira Neto, 475, Tristeza -
    - Escola Estadual Nações Unidas – Rua Manoel do Carmo, 100, Nonoai
    - Escola Estadual Clotilde Cachapuz Medeiros – Rua Arachanes, 242, Espírito Santo
    - Centro Comunitário Parque Madepinho – Rua Arroio Grande, 50, Cavalhada
    - Colégio Estadual Cônego Paulo de Nadal – Avenida Cavalhada, 4.357, Cavalhada
    - Escola Estadual Alberto Torres – Av. Rodrigues da Fonseca, 1.666, Vila Nova
    - Escola Estadual Dr. Pacheco Prates – Praça Nossa Senhora de Belém, s/nº, Belém Velho
    - Escola Estadual Oscar Coelho de Souza – Estrada do Varejão, 372, Lami
    - Escola Estadual Monte Líbano – Rua Lemuria, 10, Ipanema
    - Escola Estadual Professore Langendonck – Rua Jacunda, 365, Guarujá
    - Escola Estadual Custódio de Mello – Rua D – Vila dos Sargentos, 220, Serraria
    - Escola Estadual Dr. José Loureiro da Silva – Est. Retiro da Ponta Grossa, 3.541, Ponta Grossa
    - Escola Municipal Prof. Anísio Teixeira – Rua Francisco Mattos Terres, 40, Hípica
    - Escola Estadual Evarista Flores da Cunha – Praça Inácio Antônio da Silva, s/nº, Belém Novo
    - Escola Municipal Prof. Larry José Ribeiro Alves – Av. Economista Nilo Wulff, s/nº, Restinga
    - Escola Municipal Lidovino Fanton – Rua Manoel Faria da Rosa Primo, 940, Restinga
    - Escola Municipal Vereador Carlos Pessoa de Brum – Rua da Abolição, s/nº, Restinga Velha
    - Escola Municipal Dolores Alcaraz Caldas – Rua Carlos Niederauer Hofmeister, 85, Restinga
    - Salão Paroquial Igreja Nossa Sra. da Pompeia – Rua Barros Cassal, 220, Floresta
    - Paço Municipal da Prefeitura de Porto Alegre – Praça Montevideo, 10, Centro
    - Escola Estadual Estado do Rio Grande do Sul – Rua Washington Luis, 980, Centro
    - Colégio Estadual Inácio Montanha – Av. João Pessoa, 2.125, Farroupilha
    - Escola Estadual Duque de Caxias – Rua Gen. Caldwell, 1.175, Menino Deus
    - Instituto Estadual de Educação General Flores da Cunha – Avenida Osvaldo Aranha, 527, Bom Fim
    - Colégio Estadual Florinda Tubino Sampaio – Av. Montenegro, 269, Petrópolis
    - IPA – Rua Rua Coronel Joaquim Pedro Salgado, 80, Rio Branco
    - Smam – Av. Carlos Gomes, 2.120, Auxiliadora
    - Colégio Estadual Piratini – Rua Eudoro Berlink, 632, Auxiliadora
    - Escola Estadual Desiderio Torquato Finamor – Avenida Bento Gonçalves, 7.500, São José
    - Escola Estadual Maria Cristina Chika – Est. João de O. Remião, 6.505, Parada 16, Lomba do Pinheiro
    - Escola Municipal Heitor Villa Lobos – Rua Santos Dias da Silva, s/nº, Lomba do Pinheiro
    - Escola Municipal Afonso Guerreiro Lima – Rua Guaíba, 203, parada 11, Lomba do Pinheiro
    - Escola Municipal São Pedro – Beco da Taquara, s/nº, Lomba do Pinheiro
    - Escola Estadual Santa Rosa – Avenida Bernardino de Oliveira Paim, 665, Rubem Berta
    - Instituto de Educação São Francisco – Av. Baltazar de Oliveira Garcia, 4.879, Rubem Berta
    - Escola Estadual Ministro Poty Medeiros – Rua Vicente Celestino , 120, Rubem Berta
    - Escola Estadual Professora Luiza Teixeira Lauffer – Rua Nossa Senhora de Fátima, 201, Rubem Berta
    - Escola Municipal Chico Mendes – Rua Gentil Amancio Clemente, s/nº, Protásio Alves
    - Escola Estadual David Canabarro – Rua Lydia Moschetti, 200, Protásio Alves
    - Escola Estadual Mariz e Barros – Av. Ely Correa Prado, 915, Protásio Alves
    - Escola Estadual Benjamin Constant – Rua Souza Reis, 132 – São João
I

25 julho 2009

Em um mês, população de Porto Alegre decide futuro da Orla do Guaíba



Em um mês, população de Porto Alegre decide futuro da Orla do Guaíba

Inicia a contagem regressiva para a Consulta Popular que vai definir os rumos da Orla do Guaíba, considerada patrimônio natural e cultural da capital gaúcha. Isso sem considerar o potencial turístico da área de 83 quilômetros, que pode ser preservado com a criação de ciclovias, parques, restaurantes e museus. O fato é que no dia 23 de agosto, a população terá a oportunidade de definir o futuro das margens do Guaíba. Seja rio, seja lago, a Frente do Não vai defender a não construção de prédios nas margens. "Residenciais ou comerciais, o aumento do fluxo de automóveis e a descarga de dejetos vai impactar todo o fluxo da cidade", dizem os representantes da Frente do Não.

O Projeto Pontal do Estaleiro, na Ponta do Melo, pivô dessa discussão, prevê a construção de quatro edifícios residenciais e dois prédios para escritórios e consultórios. Além disso, integra o projeto um hotel com 200 apartamentos e centro de convenções, estacionamento com 1.449 vagas, uma marina, um píer para embarcações turísticas, uma esplanada pública de lazer e espaço para bares, restaurantes, lancherias e danceterias.

"Não para a privatização da Orla do Guaíba. Não para a construção de residências. Não esqueçam que o grande filé da especulação imobiliária é a construção de residências de luxo, que estão abocanhando as Áreas de Preservação Ambiental", denuncia Nestor Ibrahim Nadruz, arquiteto e urbanista, membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e segundo coordenador do Fórum das Entidades da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a quem "a edificação na orla abre um terrível precedente, ainda mais em uma área de interesse cultural. A integração entre o Guaíba e a população deve ser feita através de parques e áreas de lazer, não de espigões", defende Nadruz.

A Agapan é uma das entidades que forma a Frente do Não. Para os ambientalistas, a intenção de lucro pelos especuladores imobiliários está evidenciada na desistência de construção residencial na Ponta do Melo, pelos investidores, formalizada junto à Prefeitura. "A insistência da prefeitura em manter a consulta pública revela uma teimosia inexplicável e sem justificativa anunciada", observa Nadruz. Para o coordenador do Movimento Defenda a Orla, Cesar Cardia, o comportamento do executivo municipal e o posicionamento da maioria da Câmara dos Vereadores são questionáveis.

Desapropriação

No início de julho, a Prefeitura de Porto Alegre descartou a hipótese de desapropriar a área do antigo Estaleiro Só, onde está prevista a construção do empreendimento Pontal do Estaleiro. Nadruz propõe que o Executivo faça uma declaração de interesse público de desapropriação, de modo que, conforme o arquiteto, passe a ter cinco anos para angariar recursos e comprar a área. "O documento pode ser feito neste ano, haverá tempo para a prefeitura se preparar e aí acabamos com essa pendenga. Poderíamos fazer um parque depois", sugere.

Para o vice-presidente da Associação de Moradores do Centro, Paulo Guarnieri, a emenda atende aos interesses da sociedade. "Sonhamos que o poder público possa dar acesso universal àquela área, para que a Orla seja de uso comum. Isso é o que escutamos da população", acrescenta.

Além da Agapan, integra a Frente do Não o Núcleo Amigos da Terra - Brasil, Associação dos Moradores do Bairro Ipanema (Ambi) e outras nove entidades: Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba, Sindibancários, Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Associação dos Moradores da Vila São Judas Tadeu (Amovita), Associação Comunitária Jardim Isabel (Ascomjipe), Associação de Moradores do Centro de Porto Alegre, Centro Comunitário de Desenvolvimento da Tristeza, Pedra Redonda, Vila Conceição e Assunção, Sindicato dos Sociólogos do Rio Grande do Sul, Associação dos Moradores e Amigos da Auxiliadora de Porto Alegre (Ama) e Ong Solidariedade. Já a Frente do Sim é composta por duas entidades: Força Sindical e União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE).


Por Adriane Bertoglio Rodrigues, especial para a EcoAgência de Notícias Ambientais

www.ecoagencia.com.br

Prefeitura divulga locais de votação da Consulta Pública


No dia 23 de agosto, a população de Porto Alegre poderá exercer o direito de participar da Consulta Pública sobre a área do antigo Estaleiro Só, na Orla do Guaíba. Ao expressar o voto, que é facultativo, o eleitor decidirá os rumos da Capital e participará ativamente de mais uma etapa da história da Cidade. Haverá 90 locais de votação na cidade.

O que está em votação - Em 1995, o Estaleiro Só, que funcionava na avenida Padre Cacique (bairro Cristal), encerrou suas atividades. Após diversos leilões, realizados na tentativa de solucionar questões trabalhistas, a área onde ficava a empresa foi arrematada por empreendedores. Em 2002, foi aprovada a Lei Complementar nº 470, que definiu os padrões de construção permitidos no local, autorizando a construção de empreendimentos apenas comerciais. Em 2007, empreendedores manifestaram o interesse de construir no local um projeto misto, incorporando também unidades residenciais. Análise do Executivo e do Legislativo decidiu que caberá à população, por meio do voto direto, a definição do uso da área. Assim, no dia 23 de agosto, todo eleitor da Capital cadastrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), com situação regularizada até 24 de junho de 2009, poderá participar da votação.
A pergunta que será respondida:

Além da atividade comercial já autorizada pela Lei Complementar nº 470, de 02 de janeiro de 2002, deve também ser permitidas edificações destinadas à atividade residencial na área da Orla do Guaíba onde se localiza o antigo Estaleiro Só??

As respostas disponíveis:
1) (x ) NÃO
2) ( ) sim

Acesse a listagem de Endereços:

http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/cs/usu_doc/local_de_votacao_edital.pdf

Fonte: site PMPA

Foto: Fredy Vieira / Arquivo PMPA

07 julho 2009

A consulta popular e as razões do NÃO



A polêmica sobre edificações pretendidas na Orla do Guaíba, onde se destaca, o "Pontal do Estaleiro", na Ponta do Melo, tem as seguintes razões oriundas de pessoas de nossa sociedade, o que nos leva as seguintes considerações:

1- A negativa de ocupação da Orla do Guaiba por edificações, manifestada por muita gente terá que ser levada a ser legitimada com a presença das pessoas aos locais de votação e assim quebrar a intenção dos especuladores imobiliários, de sua avidez pelo lucro;

2- Comenta-se de que, como os investidores desistiram dos blocos residenciais, o expediente processual em andamento no municipio, devia ser arquivado, pois a desistencia pública foi formalizada pelos interessados;

3- Como a Prefeitura insiste em manter sobrevida num assunto liquidado, em termos de mudança de rumo, ela está revelando teimosia inexplicável, e sem justificativa anunciada;

4- Ouve-se também que, como as razões legais foram amplamente divulgadas por ambientalistas, urbanistas e técnicos da qualidade do prof. Rualdo Menegat, em uma entrevista feita ao JC, em momento algum houve esclarecimento pelo Poder Público da citação destes documentos legais pertinentes;

5- A Consulta Popular trás à Comunidade a seguinte pergunta: "Além da atividade comercial - já autorizada - também devem ser permitidas edificações residenciais, na área da Orla do Guaiba, onde se localiza o antigo Estaleiro Só?'

Observe-se um dado aqui que, ao suprimir o sinal de interrogação desta pergunta, ela vira proposta afirmativa. Coincidencia? Também, no bojo da pergunta, insinua-se que a atividade comercial está autorizada. Que falácia! Sabe-se por acaso qual o tipo de construção comercial está autorizada e qual sua altura final? O sr. vice prefeito disse, por sua vez, nos jornais que a altura dos prédios comerciais será a mesma, (por acaso são os 13 ou 14 andares, vistos em propaganda de marketing, para um projeto que ainda não existe e não se sabe como será sua elaboração?). Deve ser consultada a Lei Orgânica primeiro. Outrossim, poderiamos ter uma pergunta mais expressiva e curta como: Qual sua posição quanto a edificações residenciais na Orla? É O QUE SE QUER SABER.

Alem disso a pergunta poderá induzir de maneira subliminar de que toda a Orla do Guaíba possa receber edificações. Os menos avisados poderão entender assim. Isto porque nossa lingua portuguesa é muito rica, pois um assunto pontual pode conduzir a conceitos genéricos, "democraticamente".

Em nosso entender, como a Sociedade está jogada para ser confundida, temos que alertá-la de cuidar de seus interesses de cidadania e votar, no dia 23 de agosto consciente de dizer NÃO, e salvar sua paisagem gratuita para todos que sonhamos ter ali um PARQUE. A Prefeitura que pare de ser usurária e dar benesses aos poderosos e exigir deles obrigações difíceis de cumprir, quando não esquecidas.


Nestor Ibrahim Nadruz
Arquiteto e Urbanista, membro da AGAPAN
2º Coordenador do Forum das Entidades da Câmara


Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba

03 julho 2009

Projeto Pontal do Estaleiro reflete atraso ecológico de Porto Alegre



Agapan questiona consulta pública, marcada para 23 de agosto, e inicia campanha pelo “não” à ocupação, seja comercial ou residencial.

A Orla do Guaíba é uma das mais valiosas e mais importantes áreas em termos paisagísticos e da ecologia urbana de Porto Alegre e, por isso, deve ser mantida, garantindo a melhoria da qualidade de vida da nossa cidade. Entretanto “a contínua tendência de ocupação dos espaços públicos urbanos nos coloca na contramão da história”, analisa o conselheiro Celso Marques, ao antecipar que “o projeto abre um precedente legal que ameaça o que ainda resta da Orla do Guaíba como patrimônio público”, e lamenta o descumprimento da Lei Orgânica do Município e do Estatuto da Cidade.

“O que estamos vendo é a tentativa de adaptar a lei aos interesses privados, quando esses é que devem se adaptar à legislação”, afirma Marques. Para ele, o cidadão porto-alegrense perde diante da ausência das funções normativas do Plano de Desenvolvimento Urbano e Ambiental de Porto Alegre (PDDUA), “que não mais contemplará esse espaço como de interesse público, para beneficiar os interesses privados da especulação imobiliária e da construção civil”.

A AGAPAN, pioneira do movimento ambientalista gaúcho e brasileiro, fundada há 38 anos, conclama os porto-alegrenses, a mais uma vez, serem os protagonistas da história ambiental e cultural da nossa cidade como fizeram há 21 anos, quando, num maravilhoso abraço ao Guaíba, disseram NÃO ao projeto Praia do Guaíba. “Se aprovado naquela época, hoje não teríamos a ORLA PÚBLICA, DE LAZER E CULTURA que se estende da Usina do Gazômetro até o Beira Rio”, lembra o ambientalista.

O NÃO ao projeto residencial do Pontal do Estaleiro é de fundamental importância para que outros projetos não privatizem a Orla. “O NÃO indicará, também, que os moradores da capital gaúcha tenham uma Orla naturalmente preservada, de acordo com a consciência ambiental e cultural que tanto identifica os cidadãos de Porto Alegre”, finaliza Celso Marques.


Charge: Angeli/ site uol