19 abril 2014

Agapan e Conselho Estadual de Saúde homenageiam professor Lewgoy

Flávio Lewgoy recebe comenda do Conselho Estadual de Saúde (CES).



Na última quarta-feira, 16 de abril, a Agapan entregou uma comenda ao professor Flávio Lewgoy, para registrar a importância de sua participação como representante da entidade no Conselho Estadual de Saúde (CES).

A placa foi encomendada pelo próprio colegiado, que completou 20 anos de existência em 2014. Uma homenagem pública aos integrantes do grupo ocorreu no dia 10 de abril, porém o professor Lewgoy não pôde comparecer devido à problemas de saúde.

O ambientalista, hoje com 88 anos, se emocionou muito e agradeceu a homenagem, levada a ele pelo presidente da Agapan, Alfredo Gui Ferreira, e pelos militantes Celso Marques, Maria Nazaré Melo e Cesar Cardia.

Lewgoy rememorou sua trajetória de participação no colegiado. Na época, o presidente do CES era o ex-deputado estadual, Antenor Ferrari. "Foi muito bom, pois ele abriu portas na Assembleia Legislativa", recordou Lewgoy.

O professor denunciou ainda as pressões que o colegiado sofre historicamente, como o lobby do agronegócio.

Agapan
(fotos: CCardia)

13 abril 2014

Recordações, amor e versos para Augusto Carneiro




(Credito: Facebook /Gonçalo de Carvalho)


Ambientalistas gaúchos fizeram uma homenagem ao seu pioneiro neste sábado, na banca na Feira Ecológica que ele ocupou por 25 anos

Saudades, mas sem dor – como bem lembrou o ex-presidente da Agapan, Francisco Milanez – foi o sentimento dominante na Feira de Agricultores Ecologistas neste sábado, 12 de abril, onde foi realizada uma homenagem a Augusto Carneiro, que faleceu na última segunda-feira, 7 , aos 91 anos. “É uma morte que não sofremos, pois Carneiro teve uma vida plena, foi incansável e só deixou amor entre nós”, disse o dirigente.


O ato, prestigiado por ambientalistas de distintas entidades e pelo público frequentador, resgatou da memória desse pioneiro em seu espaço de difusão da causa ambiental: a banca de livros que montava todos os sábados, desde a fundação da FAE, em 1989. “Aqui é tudo ecologia”, apresentava seu trabalho a quem passasse.



Livros voltaram à banca. (Crédito: CCardia/Agapan)




Embora sua atividade na feirinha fosse difundir teoria, Carneiro era um militante voltado para a ação. Para resgatar essa característica, os participantes do ato levaram para a banca que ele ocupou ao longo dos últimos anos, textos que ele distribuía para alertar sobre problemas da causa ambiental. Entre bergamotas e flores, também estavam expostos livros que contam sua trajetória como a recente biografia da jornalista Lilian Dreyer, Carneiro, depois de tudo um ecologista.
 
Sea Sheperd prestigiou a homenagem com cinco integrantes,aqui uma delas.  (Créditos: Agapan)


Houve ainda quem levasse fotos tiradas junto com o ambientalista, como os representantes do Sea Sheperd do Rio Grande do Sul. Galhos das árvores que Carneiro tanto defendeu serviram de suporte para documentos relacionados a sua história e atuação. E ele recebeu até uma canção, entoada à capela pelos poetas Mário Pirata e Pedro Marodin – O Samba dos Animais, de Jorge Mautner.


Pedro Marodin e Mário Pirata. (Credito: Agapan)
“O homem antigamente falava / Com a cobra, o jabuti e o leão

Olha o macaco na selva / Mas não é macaco baby, é meu irmão!

Porém durou pouquíssimo tempo / Essa incrível curtição

Pois o homem, rei do planeta / Logo fez sua careta / E começou a sua civilização

Agora já é tarde / Ninguém nunca volta jamais

O jeito é tomar um foguete / é comer desse banquete /Para obter a paz - aquela paz

Que a gente tinha quando falava com os animais”




Carneiro e Lutzenberger no início da Agapan. (Crédito: Já Editores)


Companheiro de Lutz

Carneiro foi fundador da Agapan em 1971, ao lado de José Lutzenberger e de dezenas de outros ambientalistas – uma cópia da ata estava exposta na banca na manhã deste sábado. “Se o Lutz alcançou essa culminância de ser uma personalidade mundial foi também porque tinha o Carneiro ao seu lado, secretariando tudo o que fazia”, registrou o também ex-presidente da Agapan, Celso Marques.


Lívia Zimermann. (Credito:Agapan)

A filha de outra pioneira da ecologia gaúcha, Hilda Zimmerman, Lívia, revelou que a amizade era tão intensa que Carneiro mais de uma vez financiou Lutz para que ele pudesse prestar serviços à preservação da natureza.

Como quando foi criado o Parque da Guarita, em Torres. “O governo não remunerava o Lutz no início, ele trabalhava de graça. E quem pagava o aluguel dele era o Carneiro”, lembrou ela.

Juntos, Lutz e Carneiro viajaram pelo interior do Rio Grande do Sul divulgando o trabalho da entidade – visitas essas que eram precedidas pelo envio de farto material sobre a iniciativas levadas a cabo pelos ambientalistas.


“Éramos recebidos com banda de música em todos os lugares que chegávamos porque o Carneiro já tinha se encarregado de mostrar o que fazíamos. Ele era um divulgador em massa na era pré-internet” definiu Marques.

As ideias de Carneiro inspiraram muitas outras iniciativas ligadas à causa em todo o Estado. Uma delas foi a criação da Afapan – Associação Farroupilhense de Proteção ao Ambiente Natural – levada a cabo pelo produtor agroecológico e coordenador da feirinha do Bom Fim Pedro José Lovatto após uma manhã de bate papo na casa de Carneiro, em 1982. “Aquela conversa foi decisiva não apenas para reorientarmos a nossa produção, que antes era feita com agrotóxicos, mas para criarmos essa organização na minha cidade”, recordou.


Celso Marques, ex presidente da Agapan, atual conselheiro. (Crédito:Agapan)



Militantes agradecem

As sentidas palavras daqueles que tomaram o microfone nesta manhã mostram o significado da luta ambientalista de Augusto Carneiro. Estes foram alguns dos depoimentos:

“Nunca vamos deixar de amar e respeitar essa pessoa insubstituível e essencial que foi o Carneiro. É uma fonte permanente de inspiração” - Celso Marques, ex-presidente da Agapan.

“Nossa responsabilidade enquanto ambientalistas aumenta diante desta perda, teremos que multiplicar o trabalho” - Ana Carolina Silveira Martins, pela Apedema.




Pedro José Lovatto vice-coordenador da Feira de Agroecologistas. (Crédito:Agapan)



“Desejo a ele tudo de melhor nessa nova etapa da sua grande existência. Ele partiu para uma nova jornada de paz” - Pedro José Lovatto, vice-coordenador da Feira de Agricultores Ecologistas.

“Carneiro era uma semente, que deu árvores, bosques, florestas. Que tenhamos muitas árvores Carneiros, Lutzenbergers, Hildas, Magdas, Giseldas, Roesslers” - Lívia Zimmerman, filha da pioneira Hilda Zimmerman.

“Carneiro é hoje nome de uma área no Jardim Botânico de Porto Alegre que guarda espécies raras endêmicas. É muito adequada, ele era uma espécie rara” - Rodrigo Marques, coordenador gaúcho do Sea Sheperd.



Milanez ex-presidente da Agapan. (Credito:Agapan)

“O que ele nos ensinou é a nunca desistir. Nunca. Estava aí, aos 90 anos, com sua simplicidade, humildade, fazendo o trabalho mais difícil. Eu queria ser como ele” - Francisco Milanez, ex-presidente da Agapan.


Naira Hofmeister

Assessoria de Imprensa Agapan

Créditos: Agapan, CCardia, Gonçalo de Carvalho(facebook)

11 abril 2014

Feira Ecológica faz homenagem a Augusto Carneiro



Carneiro na sua banca na Feira Ecológica do Bom Fim. (Credito: C Cardia)




Ambientalistas de Porto Alegre, frequentadores e produtores rurais da Feira de Agricultores Ecologistas do Bom Fim levarão recordações para a banca do pioneiro do movimento, falecido na última segunda-feira


O movimento ambientalista gaúcho fará a uma homenagem ao pioneiro da ecologia Augusto Carneiro, que faleceu na última segunda-feira, 7 de abril, em Porto Alegre, aos 91 anos. Um ato ocorrerá na Feira de Agricultores Ecologistas (FAE) do Bom Fim, espaço que Carneiro frequentou semanalmente desde sua criação, em 1989.


O ambientalista mantinha uma banca de livros na primeira quadra da FAE, onde vendia obras relacionadas à temática ambiental. "Aqui é tudo ecologia", dizia sempre, sorrindo, em um convite aos transeuntes para que parassem por alguns minutos em seu espaço. Aos que aceitavam a sugestão, Carneiro oferecia longos bate-papos sobre árvores, baleias, petróleo, indústria, etc...


Não havia quem saísse de sua banca sem pelo menos um xerox, esse dado por Carneiro, também sobre assuntos relativos à natureza. Para que a lembrança de sua figura e suas atitudes permaneça, a sugestão dos organizadores da homenagem é que cada participante leve algum material impresso, xerocado, e com a data a que se refere colocada a mão na parte superior do documento. A banca de Carneiro ficará totalmente preenchida por estas manifestações.


Um ato vai acontecer dia 12 de abril às 10h, mas o espaço estará montado desde as primeiras horas da manhã, como era costume do ambientalista.

Carneiro e Lutzenberger. (Credito: Jornal Já)


Augusto Carneiro integrou o grupo de expositores que deu origem à FAE, que em 2014 completa 25 anos. Foi também fundador da Agapan - Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural - a primeira ONG ambientalista do Brasil, ao lado de José Lutzenberger.

Naira Hofmeister
Assessoria de Imprensa
Agapan


07 abril 2014

Augusto Carneiro, o semeador ecológico



As sementes da ecologia foram lançadas,se espalharam pelo mundo com Augusto Carneiro. 
Fazia um trabalho de formiguinha como secretário voluntário da Agapan enviando cartas aos prefeitos, a governantes, a embaixadas, a presidentes, fundações do mundo inteiro denunciando e pedindo soluções para o equilíbrio ecológico.  Foi junto com Lutzenberger, Zimermann, um dos fundadores da nossa associação.

 Até 2012 ele acordava as 5 horas da manhã  para ir na Feira Ecológica conversar, divulgar, vender livros sobre ecologia e doar muitos folhetos,folders e xerox que recolhia com textos denunciando crimes ambientais. Escreveu livros e incentivou a publicação de muitos outros. Em 2013 continuava a ir, mas com menor frequencia após a perda de sua companheira Rosa.


  
Augusto Carneiro na audiência pública contra o Pontal do Estaleiro.
 Chegava de mansinho sem avisar nas audiências públicas na Câmara Municipal de Porto Alegre e na Assembleia Legislativa. No Pontal do Estaleiro estava sempre presente.

Hoje nosso amigo Augusto Carneiro nos deixou e nos despedimos com amor. Nossos sentimentos à família.

As sementes da ecologia foram lançadas, continuaremos.


Agapan

Fotos: Cesar Cardia, Vanessa Melgaré, Camara Municipal de Porto Alegre, arquivos.  

05 abril 2014

24/Abril Debate com Frei Betto: O modelo desenvolvimentista brasileiro e seus impactos socioambientais

 
O Brasil é um país que possui uma megabiodiversidade com expressiva parcela ainda desconhecida. Nossos ecossistemas brasileiros e nossas riquezas naturais são vitais à população brasileira e ao país, destacando-se a Amazônia como uma grande sistema que desempenha papel chave na regulação do clima sul-americano, inclusive planetário.
 
Enquanto nossas desigualdades sociais são as maiores entre os países, o modelo econômico e político vigente permite que empresas, em sua maioria multinacionais, se apoderem de nosso solo, água, biodiversidade e minerais. Prioriza-se um modelo colonial exportador decommodities que vem crescentemente degradando a natureza e as condições de vida e os direitos principalmente dos mais pobres. 
 
Este modelo de insustentabilidade, inerente ao capitalismo, teve uma fase de destaque há cerca de 50 anos, após o golpe militar. Agora se aprofunda em uma fase globalizante de hegemonia do capital financeiro e de megacorporações transnacionais. Impera a obsessão pelo crescimento econômico, pelo consumismo e produtivismo. Um modelo que faz questão de não reconhecer a finitude dos recursos naturais e também que qualquer forma de sustentabilidade não pode coexistir com a lógica de acumulação.
 
Paradoxalmente, uma década após a discussão de “Um Outro Mundo é Possível”, o Brasil acabou por tornar-se uma engrenagem estratégica no funcionamento desse modelo, ressurgindo a sua condição histórica de exportador de matérias primas. Emergem, de forma inusitada e avassaladora, o império da soja, do agronegócio e da exploração de minerais, dos megaempreendimentos e dos megaeventos, e com predomínio de recursos anabolizantes do BNDES. As campanhas eleitorais, por sua vez, fazem retornar a políticos e partidos parte das verbas utilizadas dessas grandes atividades perversamente impactantes, encobertos por grandes oligopólios de comunicação associados a este esquema.
 
A crise civilizatória está na mesa. Na conjuntura atual, de inquietação crescente, que teve um dos ápices nas manifestações de rua nas grandes capitais do Brasil, em junho de 2013, faz-se necessário e urgente que se levantem mais e mais estas questões, buscando-se caminhos para o restabelecimento dos movimentos e da construção de outros modelos, que priorizem a Vida.
 
Mogdema – Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente
 
Debate com Frei Betto:
Dia 24 de abril de 2014, às 18 h 30 min
Local: Auditório da Faculdade de Direito da Ufrgs, 
Av. João Pessoa n. 80, Porto Alegre-RS
Entrada franca
 
Convite no facebook: