Mostrando postagens com marcador secretaria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador secretaria. Mostrar todas as postagens

29 dezembro 2018

AGAPAN - Manifestação sobre o PL 224/2018, do Poder Executivo, que trata da reestruturação administrativa


Por meio desta, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), pioneira da luta ambiental brasileira e mundial, entidade que deste 1971 atua na defesa da vida no planeta, vem manifestar-se sobre os aspectos relativos à gestão ambiental da proposta de reestruturação administrativa disposta no Projeto de Lei 224/2018, do Poder Executivo. 

Enviado no dia 26 de dezembro (quarta-feira) pelo Poder Executivo à Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, em regime de convocação extraordinária, a pedido do governador eleito, Sr. Eduardo Leite, o PL 224/2018 (reestruturação administrativa) pretende a fusão da atual Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) com a pasta da Infraestrutura, resultando em uma “Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura”. A votação ocorrerá do dia 2 de janeiro de 2019, logo após o feriado. 

Desta forma, na mesma pasta estarão as responsabilidades atuais da Sema, acrescidas de atribuições como execução de obras de saneamento, políticas e projetos de infraestrutura tais como de energia e mineração, barragens, exploração de recursos minerais, regulação dos serviços públicos, entre outros. 
Diante de tal proposta, a sociedade deve questionar-se da necessidade e intencionalidade dessa mudança, se tem como finalidade qualificar a gestão ambiental ou a fusão atende mais a interesse econômicos do que de proteção ambiental. 
Afinal, qual a razão de existirem e quais os objetivos centrais dos órgãos ambientais? Parece-nos que os fins últimos dos órgãos de meio ambiente são distintos e muitas vezes opostos aos de infraestrutura. Então, se os objetivos e funções são radicalmente diferentes, qual seria a motivação desta proposta? 

A Agapan, cuja luta foi uma das razões para que o RS fosse pioneiro nos órgãos de gestão municipal e estadual no país, entende que os órgãos ambientais têm competências específicas que são incompatíveis com os da pasta de infraestrutura. A fusão proposta constituiu um enorme retrocesso na gestão ambiental do Estado do Rio Grande do Sul. 

As competências legais dos órgãos ambientais se traduzem em competências de fiscalização e de licenciamento ambiental o que concede a estes órgãos a atribuição do poder de polícia ambiental. Diante de tal lógica, colocar sob a mesma condução o órgão regulador e setores da economia regulados leva a crer na certeza de quebra de autonomia de quem tem a atribuição legal de fiscalizar e normatizar ou dos empreendimentos do estado. Nenhuma das possibilidades nos interessa na medida em que entendemos que os dois setores merecem ter seus interlocutores independentes para o bem do estado. Esse tipo de proposta ocorreu recentemente, em nível nacional, na propostas de fusão do Ministério do Meio Ambiente com a Agricultura, parecendo, pelas declarações, que para liberar a agricultura, sendo que esta mesma pediu para que não acontecesse, pois ia destruir nossa exportação de grãos, pois os países importadores não aceitariam este tipo de postura. O mesmo poderá ocorrer em relação aos nossos minérios e outras atividades de infraestrutura que perderão suas possibilidades de financiamento. 

Os órgãos ambientais compõem um sistema nacional e estadual, conforme a Lei n° 6.938/1981, da Política Nacional do Meio Ambiente, que instituiu o Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama) e a Lei Estadual n° 10.330/1994 que instituiu o Sistema Estadual de Proteção Ambiental (Sisepra). Lembramos ainda que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente coordena o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), responsável por normatizar atividades potencialmente poluidoras. Quem fiscaliza e licencia não pode ao mesmo tempo ser o empreendedor sob pena de chacota e demonstração de falta de seriedade. 

A Agapan conclama ao governador eleito, Eduardo Leite, que reflita e mude a proposta. Que reconheça que os órgãos ambientais têm as suas atribuições legais já consagradas na legislação brasileira e precisam de autonomia administrativa para agir. E, da mesma forma, coloca ao governador eleito que esse debate da autonomia dos órgãos ambientais remete a aspectos da legislação e também a questões éticas. 
Importante ter presente que, na prática, o PL 224/2018 acaba com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e desorganiza o sistema de proteção ambiental, podendo levar a conflitos e enfraquecimento das ações de proteção do patrimônio ambiental do Estado. 

Não acreditamos que o governador eleito queira iniciar a sua gestão com um sinal negativo para a sociedade gaúcha de que o meio ambiente não estará entre as prioridades do governo que inicia. 
Desejamos, isso sim, que o governador tenha um excelente mandato e nos dispomos a seguir ajudando os governos que desejem defender a vida e a saúde de nosso estado como um todo. 
Entendemos que, no momento tão importante do início de um governo, é fundamental que fique clara a prioridade para a qualidade de vida de nosso povo. 

Porto Alegre, 29 de dezembro de 2018. 











26 agosto 2015

Ambientalistas se reúnem com procuradora do Ministério Público Federal

Entidades buscam apoio contra a fragilização dos órgãos de proteção ambiental do RS e pedem informações sobre o andamento de processos da Operação Concutare.

Foto: EcoAgência
Representantes da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), da Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do RS (Apedema), do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá) e do Núcleo de Ecojornalistas do RS estiveram reunidos nesta terça-feira (25) com a coordenadora do Núcleo Criminal Especializado do Ministério Público Federal (MPF), procuradora Patrícia Maria Núñez Weber.

O grupo encaminhou à procuradora documento no qual solicita informações a respeito da Operação Concutare, deflagrada no dia 29 de abril de 2013 pela Polícia Federal. As ações penais decorrentes do inquérito podem ser acessadas nos links a seguir:  5088545-61.2014.4.04.7100 e 5090946-33.2014.4.04.7100
Segundo a promotora, as denúncias feitas à 7ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Porto Alegre resultaram em afastamentos de cargos, demissão dos acusados e bloqueios de bens e patrimônios. A fase atual do processo é de inquirição das testemunhas. Uma terceira denúncia deve ser feita, mas os detalhes não foram divulgados.

O grupo também manifestou preocupações devido à fragilização dos órgãos de proteção ambiental do Estado. Em resposta, a procuradora disponibilizou-se a solicitar uma reunião conjunta com o coordenador do Núcleo Ambiental da Procuradoria, procurador Nilo Camargo. No documento entregue, os ambientalistas relatam que “técnicos concursados na área ambiental estão sendo alijados dos processos de decisão técnica protetiva”, referentes aos licenciamentos, em favor da participação de outros agentes políticos ou econômicos na gestão ambiental.

Texto: Imprensa Agapan com colaboração da EcoAgência