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29 julho 2011

Seminário "O Morro é Nosso - Um Projeto para o Morro Santa Teresa", dias 5 e 6 de agosto, no SENGE.


O Movimento em Defesa do Morro Santa Teresa convida para o Seminário "O Morro é Nosso - Um Projeto para o Morro Santa Teresa", dias 5 e 6 de agosto, no SENGE.

Nosso objetivo é promover um diálogo com a sociedade e as comunidades da área da Fase no Morro Santa Teresa. Queremos promover a formação dos indivíduos envolvidos, construir um processo que com base nas raízes da comunidade, na história e no imaginário do lugar, se possa planejar a melhor forma de intervenção neste território.

As secretarias de estado serão convidadas a colocar as suas estratégias em relação à área para construção de diretrizes preliminares. Além disso, pretendemos mobilizar a sociedade, as universidades e as entidades sindicais, ambientais e sociais para a busca de critérios para um projeto, metodologia e implantação no morro.

Objetivos

- Captar os dados existentes sobre a área;
- Reunir os diferentes atores relacionados;
- Apresentar outras iniciativas de regularização fundiária, parques públicos e urbanizações existentes no país e no mundo;
- Envolver, motivar e fortalecer a participação das comunidades que hoje ocupam a área;
- Buscar critérios sócio-ambientais de ocupação do território;
- Identificar os valores da comunidade, suas referências sociais, culturais, religiosas; - Criar uma nova forma de intervir no território;
- Iniciar um processo participativo e criar uma metodologia para elaboração coletiva de um projeto para o Morro Santa Tereza.


Programação:

Dia 5 de agosto (Sexta-feira)

19h30 - Morro Santa Teresa - O histórico de uma luta
- Apresentação do Movimento em Defesa do Morro Santa Teresa e das Associações de Moradores das comunidades que ocupam a área.
- Apresentação dos Secretários estaduais da Habitação, Meio Ambiente e Justiça e Direitos Humanos.

Dia 6 de agosto (Sábado)

8h às 9h - Credenciamento

9h às 12h - A construção de um projeto - Regularização e urbanização, Parque ambiental e descentralização da Fase
Painelistas:
- Betânia de Moraes Alfonsin (Professora do Curso de Direito - PUC/RS
Doutora em Planejamento Urbano e Regional - IPPUR/RJ)
- Beth Arruda (Presidente da Afufe - Associação dos Funcionários da Fase)
- Representante da Fundação Zoobotânica do RS (FZB)
- João Farias Rovati (Coordenação do Programa de Pós-graduação UFRGS/RS
Doutor em Projeto Arquitetônico e Urbanístico - Universite de Paris VIII/França)
- Representante das Associações de Moradores do morro

12h às 13h30 - Almoço

13h30 às 15h30 - Grupos de Trabalho

16h às 17h - Plenária (apresentação das propostas dos grupos, debate e encaminhamentos).

Dia 7 de agosto (Domingo)

9h30 - Caminhada orientada no Morro Santa Teresa

Foto: Eduardo Seidl

Contato: Katia Marko - (51) 8191.7903

22 agosto 2010

Movimento em defesa do Morro Santa Teresa faz visita de reconhecimento da área



Atividade foi acompanha por líderes comunitários.

“Ao vir aqui nesta área verde do morro é que a gente entende porque é tão valiosa”, disse Michele Silva, durante visita ao Morro Santa Teresa, em Porto Alegre. Michele é vice-presidente da Associação dos Moradores da Vila União, onde mora há 13 anos. “Comecei a dar valor a este lugar quando percebi que poderíamos perder a área. Antes, circular por aqui era automático”, analisa, ao se referir ao Projeto de Lei 388, apresentado pelo Governo do Estado em 14 de dezembro de 2009, que previa a venda de 74 mil hectares por um preço desproporcional ao valor de mercado e pela falta de detalhamento técnico, questionados por diversas organizações, sindicatos, ambientalistas e a comunidade.

Na votação do projeto no dia 16 de junho deste ano, a pressão dos moradores e o anúncio da morte do ex-deputado Bernardo de Souza fizeram com que a sessão da Comissão de Constituição e Justiça fosse adiada. Na época, o Ministério Público apresentou pedido de retirada de urgência do projeto, por já tramitar, naquela instituição, ação de reconhecimento de posse de mais de 1.500 famílias que, há décadas, ocupam parcialmente uma área do Morro, com o direito de uso garantido pela Medida Provisória nº 2.220, de 4/09/2001, que regulamentou as disposições do art. 183 parágrafo 1º da Constituição Federal. “A MP é garantida pela Emenda Constitucional nº 32/2001, ou seja, as comunidades têm direito à moradia e, portanto, a área não pode ser vendida, pois não é de domínio exclusivo do Estado”, disse a vereadora Sofia Cavedon, que acompanha o processo e participou da caminhada de reconhecimento do morro.

A visita ao Morro foi realizada no sábado, 21 de agosto, e reuniu quase 50 pessoas, que percorreram as vilas Santa Rita, Figueira, União, Santa Tereza, Ecológica, Gaúcha e Padre Cacique. “Viemos aqui para conhecer e acionar parcerias, como o MP e mesmo o Estado, através da Secretaria da Habitação e do Desenvolvimento Urbano, na regularização fundiária desta área e na construção de um Parque”, destacou Sofia, que anunciou para a segunda-feira, dia 23, às 15h30, reunião com o MP para combinar ações e estratégicas para concretizar esses projetos. “O MP tem equipe técnica para providenciar a regularização fundiária desses moradores, que têm o direito de permanecer e conservar o local”, salienta a vereadora.

VALORIZAÇÃO PARA A POPULAÇÃO

A riqueza ambiental, turística e cultural do Morro Santa Teresa foi comprovada durante o trajeto de quase 10 quilômetros. Entre ruelas e trilhas, representantes de instituições que defendem sua conservação puderam conferir a história do local. Júlio Pacheco, conselheiro da Associação de Moradores da Vila Padre Cacique, nasceu no Morro. “Nasci de parteira”, diz orgulhoso, ao destacar que seu pai, João Pacheco, já falecido, foi o primeiro morador do local, “há 68 anos”. Hoje com 50 anos, Júlio comprova, em fotos, o plantio de árvores realizado pela família nos últimos 44 anos. “Antes era tudo campo. Meu pai plantou muitas dessas árvores”.

Além da vegetação nativa, há prédios históricos, construídos no século XVIII. “Quando acabou a Revolução Farroupilha, Dom Pedro II celebrou a Paz do Poncho Verde em 1845 e, aqui, Dona Teresa foi o primeiro nome do morro, em homenagem à esposa do revolucionário” (Teresa Cristina Maria de Bourbon, com quem teve quatro filhos), conta Júlio, ao apontar para o prédio construído em 1869, transformado na época em convento e, hoje, em espaço para convivência dos menores infratores. O prédio foi projetado em estilo neoclássico pelo arquiteto francês Grandjean de Montigny, que veio para o Brasil com Dom João VI. “Hoje o prédio com paredes de quase um metro de largura está descaracterizado”, observa o morador, ao citar que o prédio onde hoje é o Asilo Padre Cacique foi residência de veraneio de Dom Pedro II. “As águas do Guaíba vinham até aqui perto”, lembra.

Incentivar o turismo cultural e ecológico na região do Morro Santa Teresa é defendido pelo movimento. “Para qualificar o turismo é preciso reformular esse espaço”, diz Sylvio Nogueira, do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, ao apontar para o horizonte e salientar a não construção de prédios que privatizem e bloqueiem da população o acesso ao Guaíba. “Não podemos permitir que sejam erguidos prédios e hoteis que tirem a visão do Guaíba da população, seja aqui no morro ou na Orla”, reforça o ambientalista.

UNIÃO DOS MORADORES

Integradas, as associações de moradores das vilas do Morro Santa Tereza têm desenvolvido projetos para garantir a melhoria da qualidade de vida das mais de 1.500 famílias de moradores. “Trocamos muitas ideias”, afirma Orlei Maria da Silveira, primeira secretária da Associação dos Moradores da Vila União Santa Teresa, que cita uma escola municipal de ensino primário e um posto de saúde, como serviços comuns a todos os moradores.

Darci Campos dos Santos, presidente da Associação da Vila Gaúcha, há 47 anos morador do Morro, afirma “zeramos os roubos e as drogas”. Essa conquista ele declara ser motivada pelas aulas de dança e de inglês, oferecidas de forma gratuita aos moradores, através de parceria com a ONG Canta Brasil. “Estamos instalando uma lan-house e vamos oferecer cursos de informática através de jovens universitários, que nos incentivam a dar uma nova direção a nossas associações”, diz Darci, ao citar o centro de recuperação de drogados, “criado pela dona Terezinha”, líder da comunidade da Vila Ecológica.

Ao final do percurso, Michele Silva, que não conhecia toda a riqueza preservada do Morro, diz que “não dá para explicar. Isso parece um sonho. É impossível projetar a construção de casas e prédios aqui, não dando acesso à população para um lugar tão lindo. Vindo aqui é que entendo porque a área é tão valiosa. É muito lindo para destruir”.

Estratégias de ação para essa conservação e alternativas de ocupação para a área serão discutidas e elaboradas nesta segunda-feira, dia 23, a partir das 19h, em reunião do grupo que integra o movimento em defesa do Morro Santa Teresa, que será realizada na sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB/RS), em Porto Alegre. Será apresentado relato da reunião da tarde com o MP sobre a regularização fundiária da área e iniciada a projeção de um parque ecológico no local. “A reunião é aberta a todos os interessados. O importante é viabilizarmos o acesso a toda a população, conservando a história e as áreas naturais”, diz Eduíno de Mattos, do Movimento Rio Guahyba, ao citar o abaixo assinado eletrônico O Morro é Nosso, que pode ser acessado pelo http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6198.

Informações

EcoJornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

Foto:geral Movimento da Orla

Foto pessoas no morro/ Adriane BR


21 junho 2010

Projeto de venda do Morro Santa Tereza volta à pauta no próximo dia 22

Em Porto Alegre, Assembleia Legislativa pode retirar urgência do polêmico PL 388. Movimentos ambiental e de moradores mantêm campanha em defesa do Morro



É grande a pressão sobre os deputados gaúchos para a retirada do regime de urgência do PL 388/09, que propõe a venda de 74 hectares do Morro Santa Tereza, em Porto Alegre. Diversas entidades se manifestam a favor da ampliação do debate, principalmente pela desproporcional valorização da área e falta de detalhamento técnico, argumentos que a cada dia demonstram a necessidade de cautela, num momento pré-eleitoral e em que as atenções se voltam para a Copa do Mundo. No último dia 16, a morte do ex-deputado Bernardo de Souza fez com que a sessão da Comissão de Constituição e Justiça fosse adiada, onde o projeto está sendo apreciado. Assim, o debate será retomado na próxima terça-feira (22).

Para o deputado Raul Pont (PT), “a tese da urgência é uma falácia”. Isso porque, conforme anunciado pelo Governo do Estado, o vencedor da licitação terá um prazo de cinco anos para construir as nove novas instalações da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Fase) em áreas da periferia de Porto Alegre e no interior do Estado. “O Executivo teve três anos e meio para apresentar o projeto e agora pede que a Assembleia o aprecie em 30 dias”, critica Pont.

“O argumento da falta de recursos orçamentários não se sustenta”, afirma Ponto, ao lembrar que, no final de dezembro de 2009, “a Assembleia, por maioria, liberou para o Executivo quase R$ 1 bilhão do Fundo de Previdência (resultado da venda das ações preferenciais do Banrisul) para uso de investimentos”. Já em maio passado, a Assembleia autorizou o Governo a buscar recursos no BNDES na ordem de R$ 150 milhões. “Dinheiro não falta e sua falta não se justifica”, destaca Pont.


Ausência de proteções

Além de deputados, entidades sindicais e movimentos populares também questionam o projeto, “que negocia apenas a venda da área. Não existe um projeto para a Fase, não existe proposta de regularização das moradias e não há garantia para as áreas de proteção e os prédios históricos”, destaca o diretor do Semapi, Paulo Mendes Filho.

Para o representante do Semapi, a ausência de avaliação de preço mínimo, entre o patrimônio a ser alienado ao objeto que se destina, torna o projeto ainda mais questionável. “O Governo tem uma avaliação do imóvel por R$ 89 milhões, valor que, conforme engenheiros especialistas, está muito abaixo do mercado e das oportunidades de negócio que o cercam”, observa Mendes, ao comparar que, enquanto o valor do hectare no Morro Santa Tereza está sendo negociado a quase R$ 1 milhão, na área do Estádio dos Eucaliptos, do Internacional, localizado na parte baixa do bairro, cada hectare é avaliado a R$ 10 milhões.

“A área é nobre, com vista maravilhosa, mata nativa e prédios históricos, e poderá ser valorizada, abrigando condomínios privados”, alerta o presidente do Sindicato dos Engenheiros do RS, José Luiz Azambuja. “Atualmente, não há índices construtivos definidos para aquela área, até porque os 74 hectares são públicos, mas, após a venda, isso poderá mudar”, antecipa, ao analisar não entender a pressa de venda de um patrimônio tão valioso, para uma implantação prevista em cinco anos, mesmo com a existência de recursos do Governo Federal para a reestruturação da Fase, “exigida e necessária”. Pelo baixo valor de avaliação atribuído à área, o Senge ofereceu análise de especialistas, os quais indicam que o terreno pode ser melhor avaliado.


Posses em tramitação

Outro grave problema do projeto é ignorar a ação que tramita no Ministério Público de reconhecimento de posse de mais de 1,5 mil famílias que, há décadas, ocupam parcialmente uma área do Morro, em especial nas vilas Ecológica, Gaúcha e Santa Tereza, com o direito de uso garantido pela Medida Provisória nº 2.220, de 4/09/2001, que regulamentou as disposições do art. 183 parágrafo 1º da Constituição Federal. “Essa MP está em plena vigência, garantida pela Emenda Constitucional nº 32/2001. Ou seja, aquelas comunidades já têm direito à moradia naquele local com urbanização e, portanto, a área não pode ser vendida, pois não é de domínio exclusivo do Estado”, salienta a vereadora de Porto Alegre, Sofia Cavedon (PT), que acompanha o processo.

De acordo com o texto da minuta de retirada de urgência apresentado pelo Ministério Público, “pela legislação nacional, os ocupantes têm direito de permanecerem no local. Além disso, a Constituição gaúcha prevê que as áreas do Estado que se encontrem subutilizadas ou não utilizadas sejam destinadas para a habitação”. Segundo o desembargador Júlio Almeida, coordenador de meio ambiente do MP, “se a área da Fase encontra-se nessas condições, tanto que o Governo pretende aliená-la, deveria ser destinada a assentamento de população de baixa renda”.

O Ministério Público é uma das entidades que se manifestou a favor da retirada do regime de urgência do PL 388, assim como o Tribunal de Justiça do RS, Ministério Público do RS (Promotoria de Justiça de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística), Defensoria Pública do Rio Grande do Sul (Núcleo de Regularização Fundiária), Câmara de Vereadores de Porto Alegre (por unanimidade), Semapi/RS, Sindicato dos Engenheiros do RS (Senge/RS), Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea/RS) e Encontro Gaúcho de Estudantes de Direito (Eged), com apoio de ONGs ambientais via Apedema (Associação Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente), que mantém manifestações e o abaixo assinado eletrônico O Morro é Nosso, que pode ser acessado pelo http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/6198.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues - AGAPAN
Especial para EcoAgência de Notícias EcoAgência