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05 abril 2020

Manifesto por um combate à pandemia da COVID-19 que proteja toda a população brasileira

As organizações da sociedade civil abaixo-assinadas vêm a público apresentar as medidas que consideram urgentes neste momento em que a prioridade é controlar a pandemia, salvar o maior número de vidas possível e possibilitar a retomada da economia no mais rápido intervalo de tempo. A Presidência da República não tem exercido o papel que lhe cabe de coordenar o enfrentamento da pandemia com medidas sanitárias e com políticas públicas que garantam uma renda mínima aos trabalhadores e a capacidade das empresas, principalmente as micro, pequenas e médias, de sobreviverem e honrarem seus compromissos. A Presidência da República tem se colocado contra a política de isolamento social recomendada pela Organização Mundial da Saúde e hoje adotada pela maioria dos países, incitando a população a romper o isolamento social e aumentando o risco de expansão da pandemia. Diante da irresponsabilidade da Presidência da República, os Estados e Municípios brasileiros têm assumido a liderança na orientação e proteção da população, e o Congresso tem se tornado o espaço de iniciativas para a proteção social. Dentre elas, a criação de uma renda emergencial para os trabalhadores autônomos, desempregados e microempreendedores individuais. A irresponsabilidade da Presidência da República e a falta de diretrizes do Ministério da Economia, ambos responsáveis por uma política de redução da renda da população e dos recursos do Estado, são agravadas pela disputa política do governo federal com governos estaduais, com os quais deveria estar cooperando. Em vários países do mundo, muitos deles com PIBs inferiores ao brasileiro e com governos de diferentes orientações políticas, o poder executivo nacional já iniciou a implantação de medidas efetivas para o enfrentamento da pandemia em curso. No Brasil, frente às atitudes insensatas do governo federal, consideramos indispensável a criação de uma Comissão de Salvação Nacional, composta pelos governadores de todas as unidades da Federação e prefeitos dos maiores Municípios, imbuída do compromisso de atender a toda a população brasileira, sob a orientação das autoridades sanitárias, e capaz de mobilizar todas as instâncias públicas em articulação com as organizações da sociedade civil, independentemente de partidos e credos. Consideramos urgente a adoção das seguintes medidas: 
 1) reorientar a produção de empresas para a fabricação de itens prioritários no enfrentamento da pandemia e disponibilizar os recursos financeiros necessários para que o sistema de saúde possa atender a população com equipamentos de proteção aos profissionais, kits de testes, espaços hospitalares, leitos, respiradores, equipamentos de emergência, além de profissionais habilitados, o que implica a imediata revogação da EC95/2016, conhecida como “lei do teto de gastos”, e da Lei de Responsabilidade Fiscal; 
 2) ampliar os benefícios e os programas de transferência de renda para as famílias de trabalhadores formais e informais que tiverem sua capacidade de geração de renda diminuída pela crise, aumentando o número total de famílias atendidas pelo Programa Bolsa Família e o valor pago em, no mínimo, 20% e instituindo um programa de renda básica que atinja os 50% da população que hoje recebem até um salário mínimo; 
3) conceder isenções e incentivos fiscais para trabalhadores autônomos e microempresários; abrir linhas de crédito, com prazos dilatados, período de carência e juro zero para pequenos empreendimentos, sob a condição de manutenção dos empregados, e estabelecer subsídios e incentivos para que as empresas concedam licença remunerada aos trabalhadores; 
4) suspender o pagamento de serviços de utilidade pública como energia, água, gás e telecomunicações, suspendendo os cortes de fornecimento para os inadimplentes e os despejos por não pagamento de aluguéis, até o final da crise; 
5) suspender o pagamento das dívidas dos estados e municípios e, nos casos mais graves, garantir-lhes os recursos para o pagamento em dia dos servidores, sem qualquer redução dos seus salários, e para o pagamento de contratos com as pequenas empresas, cooperativas e prestadoras de serviços; 
6) taxar os bancos, grandes fortunas e dividendos de capital para a obtenção de recursos financeiros necessários para as medidas de enfrentamento da pandemia. Só a união de todas as autoridades governamentais, dos partidos políticos e das organizações da sociedade civil identificadas com a democracia e o atendimento a todo o povo brasileiro, independentemente de suas posições partidárias, permitirá que o Brasil atravesse a grave crise da pandemia COVID-19 com a menor perda possível de vidas humanas e que sejam retomadas as atividades econômicas com vistas ao bem-estar do conjunto da população. 
Porto Alegre, abril de 2020. 
Assinam este Manifesto:   

15 novembro 2015

Agapan Debate define ações contra PEC 215 e de apoio a indígenas

A partir da esquerda: José Cirilo, Vherá Poty, Ana Barros, José Catafesto

Participantes do último Agapan Debate de 2015, realizado na segunda-feira (9/11) em Porto Alegre, decidiram elaborar uma moção contra a PEC 215, que repassa ao Congresso Nacional as atribuições do Executivo, especialmente na demarcação de terras indígenas e quilombolas, e defenderam uma ação por crime de responsabilidade contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em defesa dos Guarani Kaiowá, que estão sendo dizimados no Mato Grosso do Sul, por interesse de terras e minerais e, pior, a demarcação está em processo de reconhecimento há no mínimo 30 anos. Para tanto, será criado um grupo de trabalho, composto por advogados e demais militantes da Agapan, na construção desses documentos, que também inclui uma ação junto ao Ministério Público Federal.