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19 junho 2016

Escritor de A Fraude da Celulose visita Guaíba

Víctor Bacchetta - Foto: Imprensa Agapan
A convite da recém fundada Associação Comunitária do Balneário Alegria (ABA), o jornalista e escritor uruguaio Víctor Bacchetta, 73, autor de obras como A Fraude da Celulose e Aratiri y Otras Aventuras, esteve visitando a cidade de Guaíba (RS) neste sábado (18). A Agapan e a Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), de Guaíba, acompanharam a visita.

Referência no jornalismo ambiental, Bacchetta veio ao Estado a covite do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGCom/Ufrgs). No dia 14, palestrou em uma edição do evento Terça Ecológica, promovido pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul. Nos dias 15 e 16 integrou a programação da jornadas de estudos sobre Jornalismo e Conflitos Ambientais.
Esta não é a primeira vez que o escritor veio a Porto Alegre. Em 2008, palestrou durante o lançamento do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente (Mogdema), realizado na Assembleia Legislativa do RS. 

Para a Agapan, todas as iniciativas que tenham o objetivo de conscientizar a população sobre os perigos que ameaçam o ambiente natural e, consecutivamente, a vida merecem o apoio da entidade.

Conhecendo Guaíba

15 junho 2016

Guaíba | Moradores criam associação para se defenderem dos impactos de fábrica de celulose


Moradores vistoriam as margens do Guaíba, ao fundo da fábrica de celulose 
Foto: Arquivo ABA
No dia 4 de junho deste ano, um grupo de moradores da cidade de Guaíba (RS) fundou a Associação Comunitária do Balneário Alegria (ABA). 

Entre as finalidades descritas no Artigo 2º do Estatuto Social da entidade, consta a "defesa da habitação dos moradores da área de abrangência da Associação". O artigo também apresenta o objetivo de promover a defesa do meio ambiente e, em seu parágrafo único, "auxiliar a desenvolver um projeto sustentável, sem exploração e alternativo ao modelo econômico social".

Confira a entrevista com a presidente da Associação Comunitária do Balneário Alegria, Cristiane Montemezzo Simões.

04 março 2016

Agapan e moradores de Guaíba questionam reunião do MP/RS com a CMPC

Foto: Arquivo Agapan | Incêndio na CMPC em janeiro de 2016
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP/RS) publicou em sua página da internet notícia sobre a reunião que o promotor Daniel Martini, Coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente, e o promotor de Justiça de Guaíba, Valter Priebe, realizaram no dia 25 de fevereiro com diretores da empresa CMPC - Celulose Riograndense. 

"Por que não chamaram a Agapan ou representantes dos moradores?", questionou um morador do bairro Alegria, o mais impactado pelas emissões irregulares da fábrica. “Acho que vai virar pizza”, desabafou, demonstrando poucas esperanças de ter uma solução real e definitiva para o problema que enfrenta já há vários anos. 

06 setembro 2015

População continua sofrendo impactos da CMPC

Segundo relato de moradora de Guaíba (RS) , no dia 04/09/15, por volta de 12h30, a chaminé da empresa Celulose Riograndese  (CMPC) voltou a emitir fumaça escura (foto).

Imprensa Agapan 

02 setembro 2015

Agapan realiza primeiro debate em Guaíba

Entidade ambientalista é convidada a retornar ao município de Guaíba para ampliar debate sobre produção de celulose 



De  frente para a plateia de mais de cem pessoas, Francisco Milanez fala sobre impactos da produção de celulose













Após a realização da edição especial do Agapan Debate, no dia 31 de agosto em Guaíba (RS), no salão da Paróquia Nossa Senhora da Paz, ao lado da empresa Celulose Riograndense (CMPC), a comunidade do bairro Alegria, que sofre em primeiro plano os impactos da fábrica Celulose Riograndense, manifesta o desejo de que a Agapan retorne para ampliar o debate com moradores dos demais bairros da cidade.

O conselheiro e ex-presidente da Agapan, biólogo Francisco Milanez, um dos palestrantes do evento, falou sobre os riscos que o processo de branqueamento de fibras de celulose com a utilização de Cloro representa para os moradores e para o Guaíba. Milanez também alertou para os impactos causados pela grande quantidade de eucaliptos plantados no bioma Pampa. O tema também foi abordado pelo presidente da Agapan, engenheiro agrônomo Dr. Leonardo Melgarejo, que, durante a abertura do Agapan Debate, alertou para o grande consumo de água por parte dos eucaliptos. Melgarejo também falou sobre os perigos para a economia local e para os produtores gaúchos, que ficam reféns da indústria de celulose, que monopoliza o mercado comprador de eucaliptos no RS.

Moradora relata impactos da fábrica
A moradora de Guaíba Cristiane Montemezzo fez um relato sobre os problemas que a comunidade do bairro Alegria vem tendo com a fábrica. Além dos ruídos e do característico odor de ovo podre, a moradora informa que a diretoria da fábrica e a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), após inúmeras reclamações, não demonstram interesse de solucionar os problemas de forma definitiva. No ano de 2015, todos os relatórios mensais emitidos pela própria empresa apresentam inconformidade com os padrões legislados. 



Vídeo gravado por moradores e exibido no evento


Vários moradores que se manifestaram durante o debate, relataram sérios problemas, como dificuldade para dormir em função dos barulhos emitidos, inclusive durante a madrugada, estresse, cansaço excessivo, irritabilidade, entre outros, que afetam, de forma negativa, os seus dia-a-dia. Eles afirmam que se sentem abandonados pelo Estado e oprimidos pela fábrica de propriedade da chilena CMPC. 










Não é daqui (YES EXPORT)

Reprodução de tela
A empresa chilena que se instalou aqui no Rio Grande do Sul utiliza de diversos subterfúgios de marketing para se apresentar integrada à comunidade guaibense e ao estado gaúcho. A iniciar pelo nome, que remete a um estabelecimento de  origem gaúcha - Celulose "Riograndense" -; o patrocínio de artistas renomados do estado, que, em troca, entregam seus prestígios à empresa estrangeira; o grande volume de investimento em propagandas em jornais e patrocínios de eventos, e o financiamento de campanhas políticas. Dos 16 vereadores de Guaíba, cinco receberam doações de dinheiro da empresa para suas campanhas em 2012. No dia 11 de agosto desse ano, a Câmara Municipal de Guaíba apresentou a proposta de uma moção (Proposição 459/2015), subscrita por diversos partidos, manifestando apoio à CMPC por "um trabalho ilibado no quesito ambiental, ecológico e principalmente no social, como, por exemplo, os projetos sociais: Projeto Educação, Fábrical de Gaiteiros... " diz a nota, que segue apresentando o discurso propagandístico já bem difundido pela própria fábrica. 
Esses fatos, entre outros, comprovam o cercamento estratégico que a indústria, de produção altamente impactante e que representa riscos ambientais de grandes magnitudes, faz para maquiar sua aparência danosa para a sociedade gaúcha.

Alerta aos moradores e trabalhadores

Durante o debate, os moradores fizeram questão de deixar bem claro que não são contra os trabalhadores da fábrica e que as reclamações são contra a empresa apenas. A Agapan também alertou para que a população não se deixe enganar pela artimanha da empresa de colocar o seu discurso na boca dos empregados da fábrica e dos trabalhadores terceirizados, que, com medo de perderem seus rendimentos, podem ser facilmente coagidos a se manifestarem em apoio à indústria poluente.
Também foi alertado para que a população não se deixe enganar pela tentativa de reduzir a problemática da questão aos impactos causados no bairro, visto que tão importante quanto esses impactos são os riscos para o Guaíba e para o bioma Pampa, mais difíceis de serem percebidos a tempo de se fazer algo para evitar possíveis catástrofes irreversíveis. 

Presenças e apoios

O evento contou ainda com as participações de representantes da União das Associações de Moradores de Guaíba; da Associação Riograndense de Imprensa; do Instituto de Comunicação Social e Cidadania, que apoiou na documentação; da Câmara de Vereadores e da Associação Amigos do Meio Ambiente, que apoiou, ao lado dos moradores, a Agapan na realização desse primeiro Agapan Debate fora de Porto Alegre.
A mediação do debate foi feita pelo conselheiro da Agapan Eduardo Finardi Rodrigues, um dos advogados da entidade que acompanha o inquérito que corre junto ao Ministério Público e investiga denúncias feitas contra a empresa Celulose Riograndense.

Documentário

A documentação gravada em vídeo será exibida, após a edição, em data e local a serem anunciados em breve pela Agapan. Por solicitação do coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, promotor Daniel Martini, o material produzido no debate será enviado àquele órgão.

Texto e fotos: Heverton Lacerda/Imprensa Agapan


28 agosto 2015

AGAPAN DEBATE - ESPECIAL GUAÍBA




Mais um evento para entrar para a história da Agapan. Participe!

Em conjunto com moradores da comunidade do bairro Alegria, de Guaíba (RS), a Agapan está promovendo o primeiro Agapan Debate fora de Porto Alegre. 

A entidade ambientalista e os moradores de Guaíba querem debater a importância social, os impactos socioambientais e os riscos que a fábrica de celulose instalada no município representa para a cidade e para o rio Guaíba, para a saúde dos moradores, para a biodiversidade e preservação do bioma Pampa, para o desenvolvimento social do Estado gaúcho.
Venha participar e entre para a história do ambientalismo gaúcho junto à Agapan.


Palestrantes:

Francisco Milanez - conselheiro da Agapan, biólogo e arquiteto
Cristiane Montemezzo Simões - moradora de Guaíba



Abertura:

Dr. Leonardo Melgarejo - presidente da Agapan

 

Evento no Facebook (com mapa)


Dia: 31 de agosto de 2015
Hora: 19h
Endereço: Paróquia Nossa Senhora da Paz Av. República, nº 516, Bairro Alegria / Guaíba – RS 


A presença de todos é muito importante para o sucesso do evento. Contamos com você!

Ajude a divulgar!

03 agosto 2015

Emissão de fumaça escura preocupa moradores


Segundo a assessoria de imprensa da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), a emissão de fumaça que ocorreu no início da tarde dessa segunda-feira (3) na planta de Guaíba (RS) da fábrica Celulose Riograndense não apresenta riscos para a saúde dos trabalhadores e dos moradores. Não obtivemos informações sobre os elementos químicos presentes na fumaça.

Preocupada com a emissão de fumaça escura, uma moradora contatou a Fepam para obter informações e foi informada que se tratava de material particulado. 

25 julho 2015

Empresa é multada cinco vezes e Pellini diz que é "bobagem"

Foto enviada por morador de Guaíba
Em reportagem publicada neste sábado (25) no jornal Zero Hora, o repórter Itamar Melo apresentou o resultado de uma investigação com dados apontados pela Agapan e por moradores da cidade de Guaíba (RS), conforme publicado aqui (22/7), aqui (7/7) e aqui (16/7), que revelam preocupantes irregularidades ocorridas na fábrica da empresa Celulose Riograndese. 

A reportagem informa que a empresa "foi autuada cinco vezes pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) nos últimos 12 meses" e "teve que pagar R$ 446 mil em multas por emissões atmosféricas fora do padrão, excesso de ruído, produção de mau cheiro, liberação de enxofre e devido ao vazamento de dióxido de cloro". 

Ainda segundo a reportagem, a diretora-presidente da Fepam, Ana Pellini (que acumula o cargo de secretária da pasta ambiental do Estado), afirma que, com exceção do vazamento de cloro, "o resto foi bobagem". Esta afirmação causou surpresa aos dirigentes da Agapan, visto que a própria Fepam aplicou as multas. "Esta não é uma postura que possa ser aceita de quem está no comando dos órgãos ambientais do Estado", afirma o presidente da Agapan, Leonardo Melgarejo. "Se aconteceram infrações que motivaram multas,  estas não podem ser consideradas 'bobagens'", complementa. 

No dia 14 de julho, a Agapan protocolou ofício na Fepam, encaminhado à sua diretora presidente, dando conhecimento ao órgão ambiental sobre as denúncias oferecidas ao Ministério Público (MP/RS) e solicitando esclarecimentos sobre os dados apontados pelos relatórios. O ofício também solicita que a Fepam esclareça a população sobre descumprimentos dos limites das licenças de operação e suspenda imediatamente as atividades que apresentem irregularidades e riscos às comunidades, entre elas os moradores da cidade de Guaíba e cidades que se abastecem com a água do rio Guaíba.
Até a presente data (25/7) a Fepam não respondeu ao ofício.

Confira a reportagem completa da Zero Hora aqui.

16 julho 2015

Celulose Riograndense volta a descumprir padrões de licença de operação

Pelo sexto mês consecutivo de 2015, as operações da fábrica Celulose Riograndense, de Guaíba, apresentam descumprimento dos padrões máximos indicados pela Licença de Operação 2294/2015 concedidas pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

O relatório do mês de junho aponta diversas irregularidades, reproduzidas abaixo.

Desvio de Efluente Tratado

  • "Dia 23/06 houve um desvio na qualidade do efluente, impactando os valores de AOX, DBO5, DQO, Fenóis, Fósforo, Nitrogênio, Sólidos Suspensos e Sólidos Sedimentáveis."


SO2 da Caldeira de Recuperação 1

  • "16/06 valor ficou acima do limite de 130%, com valor de 130 mg/Nm3." 

Nesse caso, a causa apontada pelo relatório foi o "transbordo de efluente concentrado da evaporação".

SO2 da Caldeira de Recuperação 2
  • Dias 02, 03, 11, 14, 15, 16 e 24/06 valores foram acima do padrão e do limite de 130%.

A Agapan já apresentou ao Ministério Público (MP/RS) os dados com irregularidades apontadas nos relatórios dos meses anteriores. A Promotoria de Guaíba instaurou o Inquérito Civil 00970.00001/2015 para apurar as informações, junto às denúncias de moradores sobre impactos causados pela fábrica.

Entidade pede esclarecimentos à Fepam e suspensão de atividades potencialmente perigosas.

Nesta terça-feira (14) a Agapan protocolou o Ofício 001-07/2015 na Fepam dando conhecimento ao órgão ambiental sobre as denúncias oferecidas ao MP/RS e solicitando esclarecimentos sobre os dados apontados pelos relatórios. O ofício também solicita que a Fepam esclareça a população sobre descumprimentos dos limites das licenças de operação e suspenda imediatamente as atividades que apresentem irregularidades e riscos às comunidades, entre elas os moradores da cidade de Guaíba e cidades que se abastecem com a água do rio Guaíba.


07 julho 2015

Inquérito deve apurar denúncias de irregularidades em fábrica de celulose

Ministério Público do RS (MP/RS) vai instaurar inquérito civil para apurar denúncias de irregularidades na fábrica Celulose Riograndense, em Guaíba (RS). 

Gráficos apresentados em relatórios da fábrica
As denúncias foram encaminhadas por moradores impactados pelas atividades da fábrica e pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), que apresentou ao coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MP/RS (Caoma/RS), promotor de Justiça Daniel Martini, no dia 19 de junho, documentos que comprovam o descumprimento de limites de emissões máximas de resíduos estabelecidos pela Licença de Operação concedida pelo Estado do RS. 

Em reunião realizada nesta segunda-feira (6) na comarca de Guaíba do MP/RS, o vice-presidente da Agapan e membro da Comissão Jurídica da entidade, Eduardo Finardi Rodrigues, acompanhou o grupo de moradores que apresentou as denúncias à promotora Ana Luiza Domingues. 

"Os atuais danos lembram a época do início da empresa, quando ainda era chamada de Borregaard. Ou seja, houve a expansão da empresa, mas a situação ambiental aparenta regresso", denunciou um dos representantes dos moradores. 

Entre os principais problemas, os moradores citaram as fuligens, poluição sonora, redução da margem do rio Guaíba em virtude do porto construído pela fábrica, isolamento do bairro, tráfego intenso de caminhões, danos aos prédios residenciais e anel verde de tamanho inadequado em relação ao porte da fábrica. Também foi alertado sobre os perigos decorrentes das liberações de dioxinas no rio.
Paralelo ao inquérito do Ministério Público, a Agapan vai encaminhar ofício à Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam) solicitando esclarecimentos sobre as irregularidades apresentadas pela fábrica Celulose Riograndense e exigindo providências preventivas do Estado para evitar que consequências danosas possam prejudicar ainda mais os moradores de Guaíba e afetar a população de Porto Alegre e cidades próximas que se abastecem da água do rio Guaíba.

Leia também:
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22 junho 2015

Agapan e moradores de Guaíba denunciam irregularidades em fábrica de celulose

Monitoramentos indicam descumprimentos de padrões de lançamentos de efluentes líquidos e gasosos estabelecidos na licença ambiental. 

Os integrantes da Comissão Jurídica da Agapan Eduardo Finardi, vice-presidente da entidade, e Beto Moesch, conselheiro, acompanhados do secretário-geral, Heverton Lacerda, estiveram reunidos nesta sexta-feira (19), em Porto Alegre (RS), com o novo coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público do Rio Grande do Sul (Caoma/RS), promotor de Justiça Daniel Martini.
Também participaram da reunião três moradores do bairro Alegria, de Guaíba (RS), que, na ocasião, relataram a gravidade da situação que ocorre com relação à poluição oriunda da empresa Celulose Riograndense. 
Os moradores denunciaram as constantes emissões de materiais particulados no ar e ruídos excessivos, dia e noite. Também demonstraram preocupação com relação aos efluentes lançados no rio Guaíba.


Ultrapassando limites


Clique para ampliar.
A Agapan apresentou relatórios, divulgados pela própria empresa, que indicam descumprimentos de padrões de lançamentos de efluentes líquidos e gasosos estabelecidos na licença ambiental. No relatório de maio de 2015, mês em que houve vazamento de Dióxido de Cloro na fábrica, foi constatado o "não atendimento do padrão de Sulfetos no efluente tratado".

Os relatórios também apresentam uma série de problemas e ultrapassagens de limites de emissões nos meses de janeiro (dias 7, 23 e 24), fevereiro (dias 1 e 2), março (dia 7), abril (dia 28) e ainda nos dias 4, 6, 7, 9, 10, 12, 13 e 27 do mês de maio. 

Gráfico produzido pela Agapan a partir dos dados dos relatórios
Além dos riscos iminentes para os moradores do bairro Alegria (alguns moram a menos de 50 metros dos muros da fábrica), um parecer técnico informa que o índice de risco da fábrica para acidente com cloro é de 38,19 pontos, quase dez vezes mais do que permite a categoria máxima do manual de risco da Fundação Estadual de Proteção ao Meio Ambiente (Fepam-RS), que é de apenas quatro.

Conforme dados apurados pelo químico e geneticista Flávio Lewgoy, conselheiro da Agapan, as emissões de elementos químicos da fábrica para a atmosfera e para o rio Guaíba são extremamente preocupantes. Segundo Lewgoy, as lagoas de tratamento de efluentes líquidos da fábrica lançarão aproximadamente 1.920 toneladas de clorofórmio por ano. Diariamente, serão lançados no ar 91 kg de flúor, 309 kg de cloro gasoso e 123 kg de cinza finíssima inalável. Já o Guaíba deverá ser impactado com até 180 toneladas diárias de organoclorados mutagênicos e cancerígenos, 28,8 toneladas de cloreto de sódio e 792 gramas de mercúrio (aproximadamente 280 kg por ano).

Fábrica é autuada por danos ambientais

Reunião no Caoma/RS
Durante a reunião, o promotor Daniel Martini recebeu informações da Fepam sobre a existência de dois autos de infração lavrados contra a empresa por crime de supressão vegetal.
Por solicitação do coordenador do Caoma, a Promotoria de Justiça Especializada de Guaíba designou uma audiência naquele município para dar prosseguimento ao Inquérito Civil que apura as denúncias. Por se tratar de demanda da área ambiental, o Caoma deverá acompanhar o inquérito.


Luta histórica
"Em 1972, a multinacional norueguesa Borregaard Celulose se instalou em Guaíba, no Rio Grande do Sul, em frente a Porto Alegre. Era terrível o mau cheiro que ela exalava, provocado pelo ácido sulfídrico (próprio da produção de celulose)."

Por se tratar de uma fábrica que representa grandes riscos para as populações dos municípios de Guaíba, Porto Alegre e outros próximos à fábrica e que dependem das águas do rio Guaíba para sobreviverem, a Agapan vem lutando desde a década de 1970 para alertar a população e, principalmente, os gestores públicos estaduais e municipais sobre o problema. 

As dioxinas geradas pelo uso do cloro no processo de branqueamento na celulose adotado pela fábrica é de extrema preocupação e pode causar grande impacto em caso de acidente. Dioxina é um subproduto industrial de certos processos, como produção de cloro, certas técnicas de branqueamento de papel e produção de pesticidas que pode gerar câncer e causar mutações genéticas. 

Imprensa dominada

Estratégias de comunicação buscam aproximação com a sociedade

Causadora de fortes impactos ambientais, tanto nas áreas de instalações industriais quanto nos campos onde plantam milhares de hectares de terras com eucaliptos para obtenção de matéria-prima, a atividade de produção de celuloso para fabricação de papel gera grande desgaste de imagem para as empresas que investem neste segmento. Para amenizar e tentar reverter essa imagem, as industrias aplicam grandes volumes de dinheiro para seduzir a opinião pública. Elas investem, por exemplo, em projetos culturais de aproximação com as comunidades das regiões onde atuam - para inserirem-se - e propagandas em jornais de grande circulação, assim como nos pequenos veículos de comunicação locais.

Com esta estratégia, a Celulose Riograndense - e suas antecessoras em Guaíba - consegue os beneplácitos do imprensa. Ao comprar páginas inteiras, estampar pseudo-mensagens alusivas à proteção ambiental e patrocinar projetos editoriais dos jornais, a fábrica busca o abafamento de debates e notícias quanto à sua pouca importância social para as comunidades, sobressaindo-se o aspecto econômico, que tanto agrada empresas, políticos e gestores públicos.
O jornal Zero Hora, em reportagem especial, por exemplo, chegou a chamar a monocultura de eucaliptos plantados no bioma Pampa de "ouro verde", uma clara evidência da influência do poder econômico sobre a produção jornalística do veículo. Muito pouco, ou quase nada, é discutido sobre os impactos culturais, sociais e ambientais da invasão da monocultura de eucaliptos no Rio Grande do Sul.


Heverton Lacerda
Secretário-geral
Jornalista