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04 novembro 2019

Código Ambiental do RS: Um debate sobre a verdadeira urgência


A polêmica em torno das motivações do governo gaúcho para atropelar os processos democráticos de amplo debate em torno de propostas de alterações no Código Ambiental do RS e decretar regime de urgência na tramitação do Projeto de Lei (PL) nº 431/2019 na Assembleia Legislativa é a questão central do Agapan Debate que será realizado na próxima segunda-feira (11/11) em Porto Alegre (RS).

Para debater o tema, estarão presentes o advogado, professor e ex-secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre, Beto Moesh, conselheiro da Agapan, e o biólogo Luis Fernando Perello, analista ambiental da Fepam. A mediação do debate, que será realizado a partir das 19h no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, estará a cargo do presidente da Agapan, Francisco Milanez.

Palestras

Duas versões antagônicas do Código Estadual de Meio Ambiente
Beto Moesch é advogado formado pela Ufrgs, consultor e professor de Direito Ambiental, presidente da Fundação Ecossis, conselheiro da Agapan, coordenou a elaboração das leis ambientais do RS, com destaque para o Código Estadual do Meio Ambiente, foi responsável técnico da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RS, coordenou a Comissão de Meio Ambiente da OAB/RS, foi vereador de Porto Alegre por três mandatos consecutivos aonde presidiu a Comissão de Saúde e Meio Ambiente, ex-secretário do meio ambiente de Porto Alegre (Smam), foi dirigente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente - Anamma e membro do Conama.


Os desafios da gestão ambiental num cenário de retrocessos
Luis Fernando Perello biólogo, mestre em Biologia e doutor em Ciências pela Universidade Federal de São Carlos (São Paulo). Entre suas linhas de pesquisa, estão o planejamento da conservação voltado para áreas protegidas (zoneamento e o uso público). Durante dois anos, trabalhou como biólogo no Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Mantém estreita relação com a pesquisa aplicada onde tem especial interesse por espécies exóticas invasoras e ecologia de áreas úmidas. É revisor de periódicos. É analista ambiental da Fepam. Entre 2012 e 2014 chefiou a Assessoria Técnica da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura; ocupou a direção geral e foi nomeado secretário de Estado adjunto, ocasião em que criou a Reserva Estadual Banhado do Maçarico, com 6 mil hectares. Atuou na docência superior (PUCRS e Uniritter) nos últimos 11 anos. Integra os grupos de assessoramento técnico dos planos de ação nacional do ICMBio/Cemave para conservação de aves límicolas e das aves dos campos sulinos.

Entrada gratuita mediante disponibilidade de espaço.

Serviço:
Agapan Debate (último de 2019)
Local: Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs -  R. Sarmento Leite, 320 
Dia: 11 de novembro de 2019
Horário: 19 horas
Duração: 150 minutos
Realização: Agapan 
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26 setembro 2019

Mortandade de abelhas: o cenário é apocalíptico

“Temos que nos unir. A guerra é dura, mas não podemos perder a esperança”. Com esse sentimento, o Agapan Debate sobre a mortandade das abelhas encerrou na última segunda-feira (16/09), defendendo o acesso à informação e o engajamento, especialmente dos jovens. “De tudo que é mais importante, e que foi apresentado aqui, estão os jovens, que devem valorizar e defender a vida e a preservação das abelhas, possível com a Agroecologia, a verdadeira biotecnologia”, afirmou o presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Francisco Milanez. O Agapan Debate aconteceu no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, com a presença de mais de 80 pessoas. Mediado pela conselheira da Agapan e farmacêutica Ana Maria DaitVallsAtz, participaram do debate os engenheiros agrônomos Nadilson Roberto Ferreira (foto acima) e Sebastião Pinheiro.

Com o tema “Abelhas e polinização: do ser ao não ser”, Ferreira, doutor em Polinização pela Ufrgs e ex-coordenador da Câmara Setorial das Abelhas, Produtos e Serviços da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), onde é servidor, observa que 90% das polinizações no mundo ocorrem pelas abelhas e os 10% restantes, pelo vento, pela água e através de outros animais. “Nas culturas agrícolas, as abelhas respondem por 70% da polinização, garantindo a segurança alimentar das populações e renda para os produtores”. Ele destaca o valor movimentado pelo mel no mercado mundial. Em 2007, foi comercializado U$ 1,5 bi, sendo que o serviço ecológico da polinização no mundo foi estimado, naquele ano, em U$ 212 bi. Deste valor, U$ 148 bi estão relacionados à polinização pelas abelhas. “Infelizmente, o agronegócio não dá a devida importância a essa cadeia”, lamenta Ferreira, ao destacar que em 2018 no Brasil somente a polinização garantiu a circulação de U$ 11,35 bi. As abelhas são responsáveis por 66% dessas polinizações.

No RS é difícil estratificar essa produção. Enquanto há apenas uma espécie exótica, a Apis, 324 espécies de abelhas nativas estão catalogadas, sendo 24 destas, sociais e as outras 300, solitárias. “Muito pouco ou quase nada se sabe dessas abelhas e o cenário é apocalíptico”, exclama Ferreira, ao citar, entre as causas da mortandade, a ocorrência de doenças e pragas, como o ácaro (varroa destructor), a destruição do favo pela falta de manejo, as mudanças climáticas, a destruição de ambientes naturais provocada por desmatamento e queimadas, os monocultivos e o uso indiscriminado de agrotóxicos.

Sobre esse uso indiscriminado de agrotóxicos, muitos inclusive proibidos em outros países, o Governo Federal liberou, somente em 2019 (até o dia 17/09), 325 agrotóxicos. Desses agrotóxicos, classificados como altamente tóxicos, Ferreira cita os neonicotinóides, presentes em 75% dos méis do mundo. Destes, o que registra maior ocorrência é o inseticida Imidacloprid (Bayer), confirmada em 57% dos méis da América do Sul.

“As abelhas nativas são as mais sensíveis a esses venenos e reagem com excitação, tremores, convulsões e morte”, ilustra o pesquisador, que cita o Fipronil (Fenilpirozol), inseticida repelente que atinge o sistema nervoso das espécies e provoca convulsão e morte de abelhas e é encontrado em remédios contra carrapatos e pulgas de cães e para controlar insetos foliares e do solo, entre outros produtos que o contém.

Ferreira ressalta que “a natureza oferece remédios naturais para o que a pesquisa busca. Não é preciso criar nada que pretenda imitar uma espécie que já vive há mais de 70 milhões de anos em nosso Planeta, como é o caso das abelhas”. Ele questiona a falta de respeito e de valor à vida e suas espécies.


INTERESSES

Considerado infestante, especialmente nas lavouras de arroz, onde ocorre em frequência, beneficiado pela umidade do solo, o quitoco foi ovacionado por Sebastião Pinheiro por ser uma planta que gera um mel muito apreciado e com alto valor de mercado. Em sua palestra com o tema “Cuidem-se: nitrosoanima não é nitrosamina. O fogo volta a arder”, o engenheiro agrônomo, professor, escritor e pesquisador chama a atenção para ameaças que rondam a sociedade, a partir da liberação de diversos agrotóxicos.

Ao apresentar a Montanha Kailash, local de origem de várias religiões, como Budismo e Hinduísmo, Pinheiro falou sobre a relação entre inseto, pedra, universo, energia e vida. Para os povos antigos, “as abelhas são as lágrimas do Sol, o deus Rá”, comparou.

Sobre a mortandade de abelhas que ocorre em vários países, incluindo o Brasil e especialmente no RS, Pinheiro apresentou estudos que comprovam o interesse “maquiavélico”/mercadológico de multinacionais em potencializar esses efeitos e dizimar essas espécies, beneficiando a indústria química de alimentos com a produção, por exemplo, da nitrosamina, um veneno tóxico encontrado no leite materno, e do Fiproril, 27 mil vezes mais tóxico que o anterior. Pinheiro também citou a nicotina, um veneno extremamente perigoso, por sua rápida ação, considerada igualmente uma arma binária étnica e racial, pois atua de forma diferente sobre as raças. “Que interesse está por trás disso?”, questiona.

Ironizando a “casualidade” do RS ser o maior produtor de arroz orgânico no mundo e essas regiões estarem ameaçadas pela instalação de uma gigantesca mina de carvão, Pinheiro critica a contaminação desse importante alimento por arsênico, provindo da mineração de carvão. “Precisamos preservar o que é nosso”, exclama, ao analisar/avaliar ter percorrido, em sua fala, assuntos desde a energia da vida, passando pela liberação, pelo governo brasileiro, de agrotóxicos extremamente tóxicos, até chegar à ameaça que ronda a produção orgânica de arroz em assentamentos da reforma agrária na região Metropolitana de Porto Alegre com o carvão.

“Tudo está interligado. Precisamos nos unir com informação. Catalisar forças para o bem-comum”, defenderam os palestrantes.

Por Adriane Bertoglio Rodrigues

09 setembro 2019

Mortandade de abelhas é tema do Agapan Debate do dia 16 na Ufrgs

Clique na imagem para ampliar o cartaz.
O vertiginoso aumento da mortandade de abelhas nos últimos anos tem preocupado a sociedade e intrigado pesquisadores, cientistas e agricultores. A enigmática previsão atribuída ao renomado cientista Albert Einsten de que a humanidade teria apenas quatro anos de existência na Terra caso as abelhas viessem a desaparecer começa a ter sentido para alguns. Mas o que sabemos sobre isso e, principalmente, por que as abelhas estão morrendo?

É a partir dessa questão que será realizado o Agapan Debate do próximo dia 16, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, em Porto Alegre. O objetivo é discutir a respeito do tema e apontar caminhos para que o problema possa ser encarado com a seriedade e a urgência que a questão exige. Para isso, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) convidou os engenheiros agrônomos Sebastião Pinheiro e Nadilson Roberto Ferreira, que debaterão com o público presente sob mediação da conselheira da entidade e farmacêutica Ana Maria Dait Valls Atz. O Agapan Debate tem entrada gratuita e inicia às 19h.

Com o tema “Cuidem-se: nitrosoanima não é nitrosamina. O fogo volta a arder”, o engenheiro agrônomo, professor, escritor e pesquisador Sebastião Pinheiro, chama a atenção para ameaças que rondam a sociedade, a partir da liberação de diversos agrotóxicos. Sebastião Pinheiro é ativista científico em agricultura saudável, cromatografia de Pfeiffer e agroecologia camponesa. É técnico agrícola pela Unesp, Jaboticabal/SP, 1967; engenheiro agrônomo pela Universidad Nacional de La Plata (UNLP), 1973. pós-graduado em Engenharia Florestal, na Escola Superior de Bosques, UNLP, Argentina, 1975. Foi delegado brasileiro no Codex Alimentarius das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Pós-graduado em Toxicologia, Poluição Alimentar e Meio Ambiente na Bundesanstalt für Getreide-, Kartoffel- und Fettforschung (BAGKF), Alemanha, 1983. Investigou em Tucuruí o uso clandestino de herbicidas (Agente Blanco e Agente Laranja), em 1985.

Sebastião Pinheiro é autor e coautor de diversas publicações: “Agente Laranja em uma República de Banana”, “Biotecnologia: muito além da revolução verde” (por Henk Hobbleink, tradução e contribuição), “Agricultura Orgânica e Máfia dos Agrotóxicos no Brasil” (em parceria com Dioclecius Luz e Nasser Youssef Nasr); “Ladrões de natureza”; “Saúde no solo versus Agronegócios”. Traduziu de “Panes de Piedra” de Julius Hensel e “Húmus” de Selman Waksman. Em 1990, inicia os trabalhos na Universidade Federal do RS (Ufrgs) na Pró-Reitoria de Extensão Universitária e posteriormente no Núcleo de Economia Alternativa da Faculdade de Ciências Econômicas, como enlace com os movimentos sociais (MPA, MST, MMC e outros) até sua aposentadoria.


POLINIZAÇÃO

Já com o título “Abelhas e polinização: do ser ao não ser”, o também engenheiro agrônomo Nadilson Roberto Ferreira, ex-coordenador da Câmara Setorial das Abelhas Produtos e Serviços do Rio Grande do Sul, da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), onde é servidor.

Natural de Pernambuco, com graduação em Engenharia Agronômica pela UFRPE, fez Mestrado (Ecologia de Campo) e Doutorado (Polinização) pela Ufrgs, com coorientação da PUCRS. Com 18 anos de convivência no Sítio Harmonia/PE, praticando permacultura, agrofloresta (agricultura sintrópica), apicultura e meliponicultura, Nadilson presidiu a ONG AMAGravatá/PE por duas gestões (quatro anos).

Foi consultor de Produção Mais Limpa; diretor de paisagismo e ecologia (duas gestões Gravatá-PE); membro dos Amigos da Terra e EconciênciaRS; consultor em Ecodesign/Gaia Education: dimensão social, econômica, ecológica e visão de mundo, além de oficineiro e ministrante de cursos em meliponicultura nas secretarias de Educação e de Meio Ambiente da Prefeitura de Porto Alegre. Também ministrante de cursos e palestras na Ufrgs/ UCS/Embrapa/Emater/RS-Ascar/Anama/Econciência/Amigos da Terra. Escreveu o livro “Manual de boas práticas para a criação e manejo racional de abelhas sem ferrão no RS” (EDIPUCRS – Ed. Esgotada).

O Agapan Debate é promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural. A Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, que sediará a atividade, fica na rua Sarmento Leite, 320, em Porto Alegre.

Assessoria de Imprensa da Agapan
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
51-99813-1785
Instagram: @agapan1971

18 julho 2019

Agapan Debate impactos da Megamineração


Megamineração - Impactos na Saúde, na Economia e no Meio Ambiente é o tema do Agapan Debate da próxima terça-feira (23/07), às 19h, no Auditório da Cúpula Central da Engenharia Mecânica da Ufrgs. Haverá palestra do pneumologista Carlos Nunes Tietboehl Filho, sobre “As doenças respiratórias causadas pela extração e queima do carvão mineral”, e do auditor fiscal da Receita Estadual do RS, João Carlos Loebens, sobre “A mineração que empobrece o Brasil". A mediação do debate é do jornalista e vice-presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), Heverton Lacerda. 

Carlos Nunes Tietboehl Filho é mestre e doutor em Pneumologia e especialista em Medicina do Trabalho (Ufrgs) e em Toxicologia Aplicada (PUC/RS). Trabalhou como pneumologista no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (Ufrgs), no Hospital Sanatório Partenon (SES-RS) e no Serviço Social da Indústria (Sesi-RS). Atualmente coordena a Comissão de Doenças Ocupacionais e Ambientais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 

João Carlos Loebens é auditor Fiscal da Receita Estadual do RS, formado em Administração de Empresas pela Unisc, mestre em Administração e Gerência Pública pela Universidade de Alcalá/Espanha, doutorando em Economia e atualmente diretor de Cidadania e Educação Fiscal do Instituto de Justiça de Fiscal. 

A Cúpula Central da Engenharia Mecânica da Ufrgs fica na rua Sarmento Leite, 425, e o auditório tem entrada pelos fundos. 

Assessoria de Imprensa da Agapan 
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues 
51-99813-1785 

Instagram: @agapan1971

28 março 2019

Sebastião Pinheiro: os totens e os agrotóxicos

O auditório lotado assistiu a um Sebastião Pinheiro entusiasmado pela vida em uma noite memorável falando sobre agrotóxicos e seus malefícios presentes e futuros para a humanidade. E elogiando as grandes iniciativas locais, como por exemplo, a criação da Coolmeia, que viabilizou o grande crescimento dos alimentos com qualidade, orgânicos, no Rio Grande do Sul e o Brasil. 

O Agapan Debate da última segunda-feira (25), realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, abordou o tema Agrotóxicos e seus Impactos na Sociedade. O que se viu foi um chamamento à participação de todos em uma sociedade que ama a humanidade e todos os seres vivos. Lembrou em vários momentos a importância da própria Agapan, criada em 1971, para a luta contra os agrotóxicos, agradecendo ela estar forte até os dias de hoje. 

O palestrante usou a imagens de totens indígenas para dizer que ‘agrotóxico’ pode ser entendido como um totem real nos dias de hoje - é inatacável, trata-se de uma crença, faz parte de uma religião em que as pessoas simplesmente acreditam ser inevitável. 

Sebastião foi duro ao verificar que a sociedade vive hoje alienada da forma de produzir sua alimentação. Citou o grande geógrafo Milton Santos: “A força da alienação vem de uma fragilidade dos indivíduos quando só conseguem identificar o que os separa e não os que os une. O mundo não é formado pelo que existe, mas também efetivamente pode existir”.

Francisco Milanez, presidente da Agapan, que conduziu a mesa dos trabalhos, disse que as pessoas não se dão conta que se pararem de consumir alimentos contaminados, em pouco tempo acaba o mercado dos agrotóxicos. 

Sebastião destacou que a estrutura mundial de poder, mercado e conhecimento está vinculado ao funcionamento de um grande complexo industrial militar. E que conhecimento para beneficiar a vida e a produção de alimentos com qualidade é de conhecimento de populações nativas há centenas de anos. No entanto, grandes empresas, como a Cargil, que detem 90% do fósforo mundial e controle sobre outros componentes básicos, manejam os mercados e o conhecimento de pesquisas em favor da vida de forma a obter para maiores rendas financeiras. Da mesma forma, ADM, Louis Dreyfus, Bunge e Nestlé. 

O pesquisador historiou a liberação cada vez em maior número de agrotóxicos no Brasil, chamando de marionetes da indústria do veneno os políticos e funcionários que liberam a comercialização destes produtos de circulação proibida ou bastante restrita em outros países. Eles fazem a adoração do agrotóxico, considerou. Citou que há casos de proibição da exposição do tema ‘agroecologia’ em institutos agrotécnicas e apoio à soja resistente ao glisofato até pela Embrapa (1998). 

Na palestra, ainda destacou opções de uso benéfico do pó de rocha na agricultura e outras práticas hoje utilizadas pela agroecologia familiar. 

Ao final, fez um chamamento à ação contra a prática da admissão pela nossa sociedade do alimento com agrotóxico. Embora sem venenos, a produção orgânica vendida em supermercados ao preço de ouro não é resultado da agroecologia – “apenas esta consegue oferecer preços viáveis e justos”. 

O vídeo integral da palestra estará disponibilizado em alguns dias no canal da Agapan no YouTube.


Lançamento do livro AgroEcologia 7.0
Na mesma noite, foi realizado o lançamento do livro “AgroEcologia 7.0”, de autoria do próprio Sebastião Pinheiro. Originado em uma primeira impressão mimeografada distribuída a mão em 1983, teve uma segunda edição ampliada em 1986, como nos anos seguintes. Agora, a edição comemora esta longa caminhada em 663 páginas.

Aponta o autor, na apresentação, que, graças ao livro, muitos passaram a desenvolver teses acadêmicas, muitas dezenas de empresas surgiram e foi abreviada a agonia da agricultura moderna, que “em estertores mudou seu nome para Agronegócios e busca desesperadamente hegemonia para o autoritarismo servil.”

A fila de autógrafos foi longa. A impressão de 1500 exemplares do livro tornou-se viável por meio do financiamento coletivo. Exemplares do livro podem ser adquiridos através do e-mail agroecologia7.0@gmail.com.



Prêmio Agapan de Ecologia
Durante a programação do Agapan Debate, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural ofereceu o troféu Padre Balduíno Rambo ao seu ilustre associado e palestrante da noite, Sebastião Pinheiro.

Sebastião Pinheiro, em um breve currículo, é técnico agrícola pela Unesp, Jaboticabal/SP, 1967; Engenheiro Agrônomo, Universidad nacional de La Plata (UNLP), 1973. Pós-graduado em Engenharia Florestal, na Escola Superior de Bosques, UNLP, Argentina, 1975. Foi delegado brasileiro no Codex Alimentarius das Nações Unidas em Haia, na Holanda. Pós-graduado em Toxicologia, Poluição Alimentar e Meio Ambiente na Bundesanstalt für Getreide-, Kartoffel- und Fettforschung (BAGKF), Alemanha, 1983. Investigou em Tucuruí o uso clandestino de herbicidas (Agente Blanco e Agente Laranja), em 1985. 
É autor e coautor de diversas publicações: “Agente Laranja em uma República de Banana”, “Biotecnologia: muito além da revolução verde” (por Henk Hobbleink, tradução e contribuição), “Agricultura Orgânica e Máfia dos Agrotóxicos no Brasil” (em parceria com Dioclecius Luz e Nasser Youssef Nasr); “Ladrões de natureza”; “Saúde no solo versus Agronegócios”. Traduziu de “Panes de Piedra” de Julius Hensel e “Húmus” de Selman Waksman. 
Em 1990, inicia os trabalhos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) na Pró-Reitoria de Extensão Universitária e posteriormente no Núcleo de Economia Alternativa da Faculdade de Ciências Econômicas como enlace com os movimentos sociais (MPA, MST, MMC e outros) até sua aposentadoria.
Ativista científico em agricultura saudável, cromatografia de Pfeiffer e agroecologia camponesa.



Texto: João Batista Santafé Aguiar
Edição: Heverton Lacerda
Fotos: Sandra Mendes Ribeiro, Heverton Lacerda, Edi Fonseca

18 março 2019

"Agrotóxicos e seus Impactos na Sociedade" é o tema do primeiro Agapan Debate de 2019

Dia 25 de março, às 19h, na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs

Você já parou para pensar sobre os impactos dos agrotóxicos (venenos agrícolas) no corpo humano, na gestação, no leite materno, nos animais, na alimentação e nos recursos naturais, que são finitos?

Alguma vez já lhe chamou a atenção o fato de que o Rio Grande do Sul é o estado que mais consome agrotóxicos e, ao mesmo tempo, onde mais ocorrem casos de câncer e suicídios? É possível afirmar que existe alguma relação direta entre esses fatores? Talvez, as respostas para essas questões não sejam tão simples, mas é perfeitamente compreensível que a sociedade esteja preocupada com esses dados e em busca de esclarecimentos.

Foi pensando nessas importantes questões socioambientais que a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural escolheu para a inauguração da série Agapan Debate 2019 o tema "Agrotóxicos e seus Impactos na Sociedade". E para jogar luz sobre esse emergencial problema, contaremos com a palestra do renomado engenheiro agrícola, professor e pesquisador Sebastião Pinheiro, personagem referencial na pesquisa em agroecologia. 

Abelhas
Quem acompanha as notícias sobre meio ambiente, saúde e sociedade deve também estar preocupado com o crescente sumiço de abelhas, imprescindíveis para a produção de alimentos e manutenção da vida. Durante o Agapan Debate, também traremos informações sobre as mais novas iniciativas, que contam com o apoio da Agapan, sobre a questão.

Não deixe de participar. O evento será realizado no dia 25 de março, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), e conta com o apoio da Assessoria de Gestão Ambiental (AGA) da Ufrgs.


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Entrada franca.

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Agapan lança grupo aberto para divulgar eventos

13 março 2019

Agapan lança grupo aberto para divulgar eventos

A Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) criou um grupo no WhatsApp para os inscritos receberem informações sobre os eventos promovidos pela entidade, em especial o Agapan Debate.
A próxima edição do Agapan Debate, primeira de 2019, será no dia 25 de março, segunda-feira, às 19h, na Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. O tema em debate será “Agrotóxicos e seus impactos na sociedade”, com a participação do engenheiro agrônomo e florestal Sebastião Pinheiro. Coloque na sua agenda!
A inscrição no grupo é livre, inclusive para não-associados. Não se trata de um grupo de discussões, mas para os inscritos receberem os informes da entidade. Os grupos no WhatsApp têm a limitação de 256 participantes.

Para participar do grupo, basta clicar aqui.

10 setembro 2018

Agricultura orgânica prioriza a Certificação

Agapan Debate fortalece importância da certificação para produção de alimentos limpos.

A Certificação Orgânica foi o tema central do Agapan Debate realizado na última segunda-feira (03/09) à noite, no terceiro andar da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, em Porto Alegre. Participaram em torno de 100 pessoas, entre estudantes, agricultores e consumidores, que conheceram a história de duas famílias de agricultores ecologistas gaúchos. Foram debatedores Silvana Bohrer, presidente da Associação dos Produtores da Rede Agroecológica Metropolitana (Rama) e Vilson Stefanoski, presidente da Associação de Agricultores Solidários do RS, que reúne agricultores de 23 municípios gaúchos e que participam da Feira de Agricultores Ecológicos (FAE), que acontece todos os sábados de manhã na Redenção, da Feira do Menino Deus nas quartas-feiras e sábados e da Feira do IPA nas quintas-feiras. O debate foi mediado por Renato Barcelos, conselheiro da Agapan e advogado ambientalista.

O Agapan Debate iniciou com o presidente Francisco Milanez avaliando a crescente busca por alimentos orgânicos por parte da sociedade, que tem priorizado a segurança alimentar e nutricional. “Ao mesmo tempo que aumenta o número de feiras ecológicas, acompanhamos atentos o patenteamento da vida por parte das transnacionais, que exploram as sementes e as plantas descobertas pelos agricultores”, lamenta o biólogo, ao elogiar que a inclusão da certificação participativa na Lei dos Orgânicos é projeto apresentado pelo Rio Grande do Sul.

Para a agricultora agroecológica Silvana Boehrer, engenheira agrônoma e proprietária, há 18 anos, do Sítio Capororoca, no bairro Lami, em Porto Alegre, agroecologia é biodiversidade e reúne cultura e viver bem. O interesse e o envolvimento cada vez maior do consumidor também são destacados por Silvana, ao apresentar a estrutura da Rama, uma organização de certificação participativa, que reúne agricultores, técnicos e consumidores, além de representantes da sociedade civil, como universidades e Emater/RS-Ascar. “É um sistema de certificação solidário, em que um agricultor valida o trabalho e a produção do outro”, explica, ao justificar o selo de certificação orgânica participativa que o agricultor recebe, que é idêntico ao selo entregue via auditoria.

No caso da Rama, que congrega agricultores de Porto Alegre e Viamão, uma nova adesão só é aceita e o agricultor integrado à Rede depois de um ano de capacitação, tendo então sua propriedade avaliada e iniciando o processo de certificação. “Em todas as propriedades agroecológicas que integram a Rama, priorizamos a biodiversidade produtiva”, diz Silvana.


EQUILÍBRIO BIOMINERALIZADO


Vilson Luiz Stefanoski é agricultor ecológico desde 1991,quando adquiriu oito hectares para horta, feijões , batata e aipim. Desde 1994 participa da FAE, aos sábados de manhã na Redenção e trabalha com biomineralização desde 2003. Atualmente integra o Comitê de Ética do Pré Núcleo Sudeste Gaúcho, da Rede Ecovida, que congrega agricultores ecologistas de Viamão, Tapes, Mariana Pimental, Guaíba, Sentinela do Sul e de Cerro Grande do Sul. Ele defende o equilíbrio da planta, só possível a partir do equilíbrio do solo, buscado pela família Stefanoski.

“Não existe inseto praga, mas inseto com fome”, afirma Stefanoski, ao ressaltar que uma planta equilibrada não adoece. “Só adoece a planta desequilibrada, então, nos perguntávamos como chegar ao equilíbrio?”, recorda, ao considerar complicado o período entre 1992 e 1998, “porque perdemos muita produção com os experimentos em busca desse equilíbrio do solo, planta e natureza”.

A mata nativa, que ocupa 4 hectares na propriedade dos Stefanoski em Cerro Grande do Sul, foi uma espécie de laboratório. Com mais de cem anos, a mata serviu de experimentos com minerais, em parceria e com a colaboração de Nelson Diehl, Glaci Campos e Jaime Carvalho. “No início,em 1998, importávamos pós de rocha de Alagoas e usávamos na ração dos animais, diminuindo o ataque de pragas e doenças”, conta o agricultor, que foi assessorado também por Sebastião Pinheiro, que lhe orientou a fazer uso do granito e do basalto presentes na propriedade, reduzindo custos e agregando ao tratamento das produções fungos e bactérias do leite azedo.

Em 1998, a família Stefansoki teve o apoio ampliado com o assessoramento do engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Marcelo Biassusi, que começou, com Vilson, os testes de biomineralização.”Em dez anos, diminuímos de 48% para 19% os custos de produção da terra, o que nos permitiu também, se não a totqalidade, um grande nível de equilíbrio do solo”, lembra Vilson.

Hoje, entre micro e macrominerais, a propriedade da família Stefanoslki garante sua diversificada produção de alimentos com 140 espécies. “Desde 2005 não aplicamos mais caldas nem biofifertilizantes, e não temos mais doença”, comemora o agricultor, que afirma “não é difícil ser independente dos pacotes de sementes e agroquímicos”.

“A Agroecologia ensina o agricultor a pensar, entender os fundamentos básicos da vida e a construir a verdadeira sustentabilidade da sua produção”, finaliza Vilson, ao citar o tripé do equilíbrio: agricultura familiar, agricultura orgânica e venda direta ao consumidor.

Texto: Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues/Agapan

30 agosto 2018

Agapan Debate Certificação na próxima segunda-feira, dia 3



Certificação Orgânica: Verdades, Mentiras, Propostas de Avanços. Este é o tema central do Agapan Debate que acontece na próxima segunda-feira (03/09), às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. São debatedores Silvana Bohrer, presidente da Associação dos produroes da Rede Agroecológica Metropolitana (Rama) e Vilson Stefanoski, presidente da Associação Agroecológica. O debate tem entrada franca e será mediado pelo conselheiro da Agapan, o advogado ambientalista Renato Barcelos. 

As duas diferentes formas de certificação participativa é o tema da palestra da agricultora agroecológica Silvana Boehrer, engenheira agrônoma e proprietária, há 18 anos, do Sítio Capororoca, no bairro Lami, em Porto Alegre. Silvana integra o grupo de Turismo Rural de Porto Alegre desde a fundação, em 2005, e da Opac-Rama, também desde a fundação, em 2010, estando na coordenação. 

Com o tema Agroecologia, orgânicos e certificação, o agricultor Vilson Luiz Stefanosky é natural de Carlos Gomes, colônia polonesa do interior de Erechim (RS). É agricultor ecológico desde 1991, participa da Feira de Agricultores Ecológicos (FAE), que acontece todos os sábados de manhã, na Redenção, em Porto Alegre, desde 1994 e trabalha com biomineralização desde 2003. Atualmente é coordenador da Associação de Agricultores Solidários do RS, que reúne agricultores de 23 municípios gaúchos e que participam da FAE, da Feira do Menino Deus nas quartas-feiras e sábados e da Feira do IPA nas quintas-feiras. Stefanosky também faz parte do Comitê de Ética do Pré Núcleo Sudeste Gaúcho, da Rede Ecovida, que congrega agricultores ecologistas de Viamão, Tapes, Mariana Pimental, Guaíba, Sentinela do Sul e de Cerro Grande do Sul. 


Assessoria de Imprensa da Agapan 
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues 
Cel.: 51-99813-1785

13 junho 2018

Arborização de Porto Alegre é tema do Agapan Debate do dia 18


Porto Alegre, durante muitos anos, foi considerada uma das capitais mais arborizadas do Brasil. Atualmente, passa por um momento preocupante em relação à manutenção de suas árvores e, consequentemente, da qualidade do ar que respiramos, entre outros sérios problemas ambientais e de saúde pública. Por esse motivo, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) traz o tema novamente para o debate com a finalidade de estimular a reflexão acerca dos benefícios das árvores para o clima e para a qualidade da vida nas cidades.

Reiteramos a denúncia de que são cortadas, em média, dez árvores por dia em Porto Alegre. Nos últimos 10 anos, foram mais de 30 mil árvores suprimidas e 9.231 troncos arrancados. Somente em 2016, foram suprimidas 4.384 árvores.  Os números de 2017 ainda não foram disponibilizados pelo poder público em função de mudanças realizadas pela gestão municipal. A responsabilidade sobre as podas passou da Secretaria Municipal do Meio Ambiente para a Secretaria Municipal de Urbanismo. Precisamos mudar isso!

Outra constatação preocupante são as podas inadequadas que mutilam e levam nossas árvores a adoecerem e, aos poucos, desaparecerem. A primeira grande luta da Agapan, em 1973, foi justamente para acabar com as podas indiscriminadas, que impediam nossas árvores de florescerem. A partir da sensibilidade do poder público da época, que ouviu e qualificou seu corpo técnico com a ajuda de José Lutzenberger, a beleza natural de nossa arborização foi transformando a fisionomia da cidade. Porto Alegre, durante muitos anos, passou a ser referência em nível nacional, como uma das capitais mais arborizadas e com flores nas diversas estações do ano, refletindo na qualidade de vida de seus habitantes! A luta da Agapan não foi em vão!

Impressão de tela PLCL 002/2018
Infelizmente, com a complacência de várias gestões municipais incapazes de perceber o vital serviço ambiental fornecido pelas árvores, esse cenário está regredindo e Porto Alegre corre sério risco de perder sua beleza arbórea. Na Câmara de Vereadores, ainda tramita (com previsão se ser votado logo) o PLCL nº 002/2018, de autoria do vereador Moisés Barboza, que libera a supressão e o transplante de vegetais em casos de omissão do órgão público responsável. Se aprovado, será um grande retrocesso para Porto Alegre. 


Estamos atentos e continuaremos lutando, com apoio de parte da sociedade consciente, para que a nossa cidade volte a ser conhecida por sua bela arborização.


Agapan Debate contará com especialistas sobre a arborização urbana de Porto Alegre

O Agapan Debate da próxima segunda-feira (18/06) abordará o tema “Arborização Urbana de Porto Alegre”. Promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), o evento é gratuito e acontece a partir das 19h no Auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. Serão palestrantes o ex-secretário de Meio Ambiente da Capital Beto Moesch, consultor ambiental, e o biólogo Flávio Barcelos Oliveira, gerente de Arborização Pública e Urbana da Prefeitura de Porto Alegre até 2017.

Sob mediação da ex-presidente da Agapan Edi Xavier Fonseca, acontecem as palestras "Arborização urbana: um patrimônio ainda não devidamente tutelado", por Beto Moesch, advogado, consultor e professor de Direito Ambiental, presidente da Fundação Ecossis, conselheiro da Agapan. Moesch coordenou a elaboração das leis ambientais do RS, com destaque para o Código Estadual do Meio Ambiente. Foi responsável técnico da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do RS, coordenou a Comissão de Meio Ambiente da OAB/RS, foi vereador de Porto Alegre por três mandatos consecutivos, presidindo a Comissão de Saúde e Meio Ambiente. Ex-secretário do Meio Ambiente de Porto Alegre (Smam), foi dirigente da Associação Nacional dos Órgãos Municipais de Meio Ambiente - Anamma e membro do Conama.

Flávio Barcelos Oliveira vai falar sobre “Porto Alegre das Árvores - Planejamento, Legislação e Competência”. Biológo pela PUCRS, trabalhou 42 anos na Prefeitura de Porto Alegre, onde foi gerente de Arborização Pública e Urbana (na Smam, 1977 a 2017), foi diretor de Administração de Parques, Praças e Jardins, coautor do Plano Diretor de Arborização Urbana de Porto Alegre e do Atlas Ambiental de Porto Alegre (Porto Alegre cidades das árvores). Presidiu a Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) de 2001 a 2003.

A mediação do evento será realizada por Edi Fonseca, ex-presidente da Agapan por dez anos, onde é membro do Conselho Superior. A professora da Rede Pública Estadual e do Município de Viamão é especialista em Geografia. Edi também coordenou a Coleta Seletiva da PMPA, foi analista Ambiental do Programa Pró-Guaíba na área de Educação Ambiental. Foi assessora do Projeto Guaíba Vive.

SERVIÇO:
Agapan Debate
Gratuito
Segunda-feira, dia 18 de junho
19h
Auditório da Arquitetura da Ufrgs

Contatos com a imprensa:
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
51-99813-1785

17 abril 2018

Vida ameaçada pela mineração é tema de mobilizações em Porto Alegre

A mineração é a bola da vez. Enquanto o governo e os deputados gaúchos forçam a flexibilização das leis, com o pretexto de agilizar o licenciamento ambiental, empresas mineradoras, inclusive estrangeiras, chegam nas prefeituras, escolas e associações comerciais com projetos favoráveis à exploração de minérios, como chumbo, zinco, titânio e zircônia. Na região de Caçapava do Sul, por exemplo, há indícios também da existência de ouro e cobre, que atraem empresas como a Iamgold Brasil, canadense, e a Votorantin Metais Holding, brasileira. A população atingida por esses empreendimentos tem se mobilizado e busca alternativas mais sustentáveis para suas comunidades, como o turismo, a gastronomia e a arte. 

Com o propósito de defender a preservação de suas comunidades, vocações e culturas, mais de 150 pessoas, entre moradores das comunidades de Palmas, distrito de Bagé, e de São José do Norte, no extremo sul, entre o Oceano Atlântico e a Lagoa dos Patos, estiveram no dia 9 de abril em Porto Alegre para buscar apoio e chamar a atenção para os riscos ambientais e sociais que esses empreendimentos oferecem. Elas participaram, à tarde, de uma audiência pública na Assembleia Legislativa e, à noite, do Agapan Debate, realizado no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs. O evento foi promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), que neste mês completa 47 anos de ambientalismo 100% voluntário. 

Sob a mediação de Francisco Milanez, presidente da Agapan, os professores e pesquisadores Jaqueline Durigon e Caio Floriano dos Santos, ambos da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), palestraram sobre o Projeto Caçapava do Sul: a vida no Pampa em risco, e sobre a Mineração em São José do Norte: para quê e para quem? 


BIODIVERSIDADE AMEAÇADA 

Jaqueline Durigon é bióloga, doutora em Botânica pela Ufrgs. Atualmente, é professora adjunta da Furg, representando a universidade no Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã, que abrange 28 municípios da região. Já o oceanógrafo Caio Floriano dos Santos é mestre em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, doutor em Educação Ambiental e professor substituto na Furg no curso de Gestão Ambiental do Campus de São Lourenço do Sul. 

Antes de iniciar sua apresentação, Jaqueline citou, como encaminhamento da audiência pública, realizada à tarde, o agendamento de uma reunião técnica com o Ibama e a Fepam, com participação popular e das universidades, para apresentar planos de estudo sobre o zoneamento ecológico, que define o uso dos territórios do Estado. 

Sobre o Projeto Caçapava do Sul, na Bacia Hidrográfica Rio Camaquã, Jaqueline lista uma série de deficiências do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima), cujas críticas foram encaminhadas pelos moradores ao Ministério Público Estadual e Federal e à Fepam, denunciando, entre outras coisas, a ausência de um plano emergencial no caso de acidentes e a inexistência de um Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad). Para Jaqueline, os projetos afetam áreas importantes da biodiversidade, prioritárias para a conservação, com espécies endêmicas sendo descobertas, muitas já entrando na lista de espécies ameaçadas de extinção. 

“Setores da economia, como a mineração, estão se sobrepondo a mecanismos de regulação e a interesses sociais”, lamenta Jaqueline, ao citar, a partir de 2015, a ocupação pela Votorantin de espaços públicos, promovendo eventos nas praças e exibindo vídeos nas escolas. “Apesar de toda a sedução por parte da empresa, há grande pressão popular contra esse projeto”, reforça Jaqueline, ao destacar o apoio da universidade no incentivo à pecuária familiar, por exemplo, aliada à conservação dos campos nativos, investimentos que fortalece o turismo na região. 


BANHADO É ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE 

No outro lado do Estado, entre o litoral e a Lagoa do Peixe, o Banhado do Estreito, em São José do Norte, está ameaçado pelo projeto de mineração Retiro. A resistência dos moradores da região foi apresentada por Caio Floriano dos Santos, na palestra Mineração em São José do Norte: para quê e para quem? 

Caio conta que o projeto Retiro iniciou na década de 90, e sua importância oscilou no decorrer dos anos, até 2014, quando foram realizadas duas audiências públicas, em Rio Grande e em São José do Norte, “com a população em massa se posicionando contra a instalação da mineradora”. 

“Só vejo desastre e tragédia”, diz Dinarte Coelho Amorim, morador de São José do Norte. “Não vamos esmorecer, vamos atrair mais pessoas para ajudar”, anuncia. Também moradora de São José do Norte, a agricultora Elisete Amorim analisa o “desrespeito ao nosso Criador. Fazemos parte desse ambiente e temos que protegê-lo, buscando fortalecer o potencial turístico com mínimo impacto, conciliando as funções de artesão, agricultor e pescador”, sugere. 

“A mineração é uma faca na cabeça o tempo todo”, diz a moradora de Palmas, Vera Collares, ao defender a união das comunidades. Já a advogada Ingrid Birnfeld questiona o EIA-Rima do Caçapava do Sul, feito pela própria empresa, e diz acreditar no arquivamento do Projeto. “Precisamos iniciar um novo projeto que empore as comunidades e preserve esse que é um dos 24 territórios montanhosos do Estado, áreas de Preservação Permanente”, defende. 

“Povo gaúcho, não deixe acontecer isso aqui”, conclamou Péricles Massariol, natural de Colatina, no Espírito Santo, um dos municípios atingidos pelo rompimento da Barragem de Mariana, Minas Gerais, há dois anos. Em Porto Alegre, onde mora há quatro anos, Péricles conta que sua família vive em Colatina, resistindo a toda dor da destruição causada por Mariana. 

No ano em que comemora 47 anos de fundação, a Agapan participa da Feira Ecológica do Bonfim nos segundos sábados de cada mês. O espaço reúne muito bate-papo sobre as lutas ambientais, atuação 100% voluntária, e venda de camisetas para a construção da sede da entidade. “Importante a adesão de mais pessoas e suas contribuições para a causa ambiental, que é de todos”, convida Heverton Lacerda, vice-presidente da Agapan, ao anunciar para breve, nas redes sociais, o vídeo do Agapan Debate sobre as ameaçadas da mineração no Estado. 

A Agapan completa 47 anos de fundação (27/04/1971) e comemora no dia 28, sábado, no Ateliê da artista plástica Zoravia Bettiol, com exposição e venda de telas de artistas gaúchos, que doaram suas obras para a reconstrução da sede da Agapan, destruída em 2006, e aceita doações. 

Veja mais fotos do evento aqui. 
Acesse (em breve) aqui o vídeo do Agapan Debate do dia 9 de abril. 

Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues 
51-99813-1785

15 março 2018

Riscos da mineração no Pampa é tema do primeiro Agapan Debate deste ano

Uma das atividades que mais impacta e representa riscos constantes de desastres no meio ambiente, a mineração de metais pesados é o foco principal do evento Agapan Debate que será realizado no próximo dia 9 de abril, às 19h, no auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs). O evento é promovido pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) e conta com o apoio da Universidade e da Assessoria de Gestão Ambiental (AGA) da Ufrgs. 
Diante da possibilidade de projetos de mineração serem instalados no bioma Pampa gaúcho, a Agapan realizou neste ano duas viagens para verificar de perto as situações de Palmas, distrito de Bagé, na região da Campanha, e São José do Norte, localizada no extremo sul do RS, entre o Oceano Atlântico a Lagoa dos Patos. A Diretoria da Associação, que viajou acompanhada de associados e interessados no tema, conversou com representantes das comunidades e lideranças locais. 
Para aprofundar o conhecimento sobre a questão e ampliar esse importante debate, a Agapan convidou as comunidades visitadas para participarem desta edição do Agapan Debate. 
As palestras técnicas serão apresentadas pelos pesquisadores Jaqueline Durigon e Caio Floriano dos Santos, ambos da Universidade Federal do Rio Grande (Furg). 

Confira mais detalhes.

17 novembro 2017

Mesmo ameaçada de extinção, FZB gera riquezas para o Estado

Para que ampliar o orçamento de fundações extintas? No caso de extinção da FZB, quem será responsável pelos acervos científicos e naturais?


Foto: João Batista/Agapan
Com estas e outras perguntas, aconteceu o Agapan Debate sobre a importância da Fundação Zoobotânica do RS (FZB) para a ciência e para a conservação das espécies. A atividade, última do ano, aconteceu na noite de segunda-feira (13/11) no auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, e reuniu mais de 50 pessoas, entre estudantes, técnicos e pesquisadores.

16 novembro 2017

Zoobotânica pode não ser extinta no governo Sartori

Foto: Darcy Campani
Confira aqui a cobertura do jornalista Cleber Tentardini sobre o Agapan Debate do dia 13 de novembro publicada no sítio de internet do jornal JÀ. 

Em breve, publicaremos o vídeo do evento. 

12 setembro 2017

Movimento ambientalista recorda história e projeta o futuro da luta ecológica

Alvo de espionagens e ataques de "ecopornografia", que permearam a história da luta ambientalista gaúcha, o futuro do ativismo ecológico e seus reflexos no rumo da nossa sociedade foram pautas do Agapan Debate realizado nesta segunda-feira (12) em Porto Alegre.  


Elenita, à esquerda, Milanez, ao centro, e Belmonte, à direita na mesa.


Para tratar sobre o histórico do movimento ambientalista do RS, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) trouxe de Santa Catarina a professora e pesquisadora gaúcha Elenita Malta Pereira, doutora em História pela Ufrgs e autora de "Roessler: O homem que amava a natureza" (2013) e "A conquista da cidadania: Movimentos sociais na história do Brasil" (2015). Com a mediação do presidente da Agapan, Francisco Milanez, Elenita apresentou uma detalhada linha do tempo sobre o surgimento da luta ambiental no Rio Grande do Sul, que em 1971 culminou com a fundação da Agapan. Elenita ressalta
Elenita Malta Pereira
que a Associação foi criada por José Lutzenberger e Augusto Carneiro, ao lado de outros parceiros, em um contexto social imerso nos regramentos impostos pela ditadura militar. Durante a Assembleia Geral de Fundação da Agapan, realizada no dia 27 de abril de 1971, Lutz (como passou a ser conhecido Lutzenberger) proferiu a palestra “Por uma ética ecológica”, publicada posteriormente no jornal Correio do Povo em 29 de agosto de 1971. “Agapan não chegou a sofrer uma repressão de fato, mas era vigiada por agentes do governo”, informou a historiadora. O suposto salvo conduto tinha como principais razões a amizade de Lutz com o almirante Luis Belart e o fato de a luta ecológica não ser vista como uma “ameaça comunista”.
Além do precursor Henrique Luis Roessler (1896-1963), Elenita também registrou a influência de Padre Balduíno Rambo (1906 - 1961), autor de A Fisionomia do Rio Grande do Sul, no surgimento do movimento ecológico. Em 2016, Rambo foi homenageado pela Agapan com a inclusão de seu nome no troféu que a entidade entregará no dia 25 de setembro deste ano (2017) ao vencedor do Prêmio Agapan de Ecologia. A cerimônia será realizada no colégio Anchieta às 19h.
Entre os diversos recortes de jornais apresentados pela pesquisadora, destaques para as lutas da Agapan em defesa da arborização, contra os agrotóxicos e a poluição gerada pela fábrica de celulose Borregaard (atual CMPC), localizada na cidade de Guaíba, às margens e sempre poluindo o rio Guaíba. O lançamento do Manifesto Ecológico, a promulgação da Lei 7747/1981 (Lei ambiental), e a tragédia conhecida como maré vermelha, considerada uma das mais impactantes do RS, também foram relembradas, assim como a fundação da Cooperativa Ecológica Coolméia e a criação da Feira dos Agricultores Ecologista, esta última uma conquista do movimento ambiental que permanece forte e tem sido cada vez mais valorizada pela população que já compreende a importância de uma alimentação saudável, sem agrotóxicos e que ainda promove uma dinâmica de produção social mais justa, limpa e ecológica.
Elenita é editora do blog  A voz da Primavera. Da mesma forma que o palestrante que deu sequência ao debate do dia 11, a pesquisadora reconhece na comunicação uma ferramenta importante para fortalecer a luta ambiental. Ela lembra que Lutz utilizava o termo “ecopornografia” para se referir às propagandas pagas pelas empresas poluidoras para melhorar a imagem de venenos e projetos maléficos à sociedade. Nos dias atuais essa prática continua sendo muito utilizada no que se conhece pelo termo em inglês Greenwashing, técnicas de marketing empregadas para encobrir os malefícios causados por determinadas operações e para criar uma imagem (falsa) positiva de suas atuações. Outra estratégia de empresas poluidoras, como a CMPC (antiga Borregaard), é a intensa compra de espaços em jornais, revistas e apoios a projetos sociais com o objetivo único de gerar uma falsa sensação de inserção e serventia social. Com essa prática, a empresa cala jornais e jornalistas, que optam pelo valor econômico da questão em detrimento da cobertura jornalística de interesse social. Outro exemplo, que não foi citado por Elenita, é a opção que a indústria chilena CMPC fez na escolha do nome da planta de Guaíba para induzir o sensação de inserção social: Celulose Riograndense, como se fosse, de fato, um empreendimento gaúcho.
Roberto Villar Belmonte
O jornalista e professor universitário Roberto Villar Belmonte, que há mais de duas décadas atua no movimento ambientalista, falou sobre os desafios do ambientalismo no Rio Grande do Sul. Ao mesmo tempo em que atua em pesquisas na área de Comunicação Social junto à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Belmonte ministra a disciplina de Jornalismo Ambiental no Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter).
Na palestra que proferiu no Agapan Debate nesta segunda-feira, Belmonte posicionou sua análise em quatro aspectos: comunicação, articulação, formação e financiamento.
Ele ressaltou que a “Comunicação não é apenas transmissão de informações”. Segundo o professor, “a construção de sentido se dá na interação entre pessoas”.
O palestrante destacou que, no contexto atual de “transição de um mundo analógico para um mundo digital”, a luta ecológica encontra uma sociedade atrelada ao entretenimento. Ele relaciona e classifica os diferentes níveis de acesso às informações nos conceitos amplos de sociedade da informação, sociedade do conhecimento e sociedade do entretenimento, este último um grande desafio para a comunicação do movimento ambientalista por se tratar de um segmento social amplo e que apresenta maior dificuldade para atentar-se aos temas ambientais quando abordados de formas mais profundas e complexas. Neste ponto, foi possível perceber uma convergência com o sentido do termo “ecopornografia” referido por Elenita. “A indústria busca capturar a bandeira ambiental”, afirmou o Belmonte. O pesquisador também destaca que a indústria domina a comunicação, em função do grande aporte financeiro. Aos movimentos sociais, resta encontrar alternativas mais criativas para continuar na briga, através de atuações voluntárias, como já é tradicional, ou encontrando novas formas para fortalecer o tão importante ativismo ecológico.
Em relação à formação, o palestrante destacou a importância de realizar campanhas de novos sócios para apoiarem e atuarem nas entidades ambientalistas, projetos permanentes de educação, aproximação com universidades e formação de novas lideranças.  
Belmonte também falou sobre os desafios de financiamentos de projetos em relação à necessidade de manter a autonomia do movimento ambiental.
A reflexão sobre essa questão justifica-se e tem grande importância dentro de um contexto no qual indústrias e grandes empresas poluidoras buscam cooptar lideranças do movimento ambiental para atuarem em conjunto com suas marcas, seduzindo com montantes financeiros aplicados à projetos que pouco ou nada somam à efetiva luta pela preservação do ambiente natural.
“Quem paga a conta?” e “Por quê?”. Com essas duas questões, o professor e ambientalista encerrou sua palestra, deixando para o grupo de participantes que acompanhou o Agapan Debate a partir da plateia do auditório da Faculdade de Arquitetura da Ufrgs, jovens lideranças e ambientalistas com longa data no movimento, importantes pontos para serem refletidos e debatidos na sequência.
Fonte: Imprensa Agapan


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O desafio do Movimento Ambientalista Gaúcho (Uniritter) Parabéns ao professor Roberto Villar Belmonte e seus alunos vencedores do Prêmio José Lutzenberger de jornalismo 2010!