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17 setembro 2017

Prefeitura corta mais de 3 mil árvores por ano em Porto Alegre

A média anual de cortes aumentou a partir de 2012, quando empresas terceirizadas começaram a fazer remoções.

Corte realizado em 2013 próximo à Câmara de Vereadores de Porto Alegre após ativistas serem retirados à força do local 



No quinquênio 2007/2011 a média anual foi de 2.419 remoções de árvores na capital gaúcha, totalizando 12.095 cortes no período. No quinquênio seguinte, 2012/2016, a média anual subiu para 3.913 remoções. Nestes últimos 5 anos, a Prefeitura de Porto Alegre cortou, diretamente ou através de terceirizadas, 19.569 árvores. Na comparação entre os dois períodos (quinquênios), o número de remoções de árvores aumentou mais de 60 %.

Entre 2007 e 2016, foram suprimidas 31.664 árvores e removidos 9.231 troncos, somando mais de 40 mil remoções de vegetais. Somente em 2016, foram 3.575 árvores cortadas e 809 troncos removidos. A compensação foi de apenas 1.472 mudas. Os dados foram coletados pela Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) junto à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam).
Segundo o biólogo Francisco Milanez, presidente da Agapan, apenas 30% das mudas plantadas sobrevivem, em média, em Porto Alegre em função de vandalismo, falta de rega, entre outros fatores. Ele explica que, por exemplo, para compensar os serviços ambientais de um Jacarandá (filtragem do ar, absorção de ruídos e poeiras, climatização do ambiente, fornecimento de sombra, entre outros) seria necessário plantar mil mudas da mesma espécie. Considerando o baixo índice de sobrevivência das mudas (30%), para compensar um vegetal adulto seria necessário plantar três mil mudas. Milanez ressalta que essa conta é válida no momento da plantação, quando o vegetal jovem tem massa muito inferior à do vegetal adulto. 

Para o ex-secretário da pasta de Meio Ambiente de Porto Alegre Beto Moesch, conselheiro da Agapan, que em 2007 comandou o plantio de 19.740 mudas, diante do abate de 2.393 árvores no mesmo ano, os números de 2016 mostram que a Prefeitura não está cumprindo a política ambiental brasileira referente às normas de compensação ambiental. “Porto Alegre, conforme apresentado, não está atendendo aos princípios do meio ambiente para garantir o equilíbrio ecológico”, afirma, referindo-se ao artigo 225 da Constituição Federal e aos códigos estaduais de meio ambiente e florestal. O ex-secretário, que é professor de Direito Ambiental, também ressalta que o plantio compensatório deve ter um número bem superior à quantidade de cortes. 

Projeto apresenta perigo ao permitir que o poder público terceirize decisão sobre podas

Podas mal feitas podem condenar uma árvore à morte. Quando o vegetal é podado de maneira errada, propositalmente ou por falta de conhecimento técnico, pode apodrecer, ser contaminado por fungos ou até quebrar facilmente. Um exemplo visível a todos em Porto Alegre são as podas feitas pelas companhias de energia elétrica em função dos fios de luz que passam sobre algumas árvores, que ficam em formato de “Y” ou forquilha, podendo perder o equilíbrio e quebrar facilmente com ventos fortes.

Com a desculpa de que a Prefeitura de Porto Alegre não tem a agilidade necessária para suprir as demandas por podas na Capital, o vereador Moisés Barboza (PSDB) apresentou o Projeto de Lei Complementar da  (PLCL 008/17) que altera a Lei Complementar nº 757, de 14 de janeiro de 2015, para que os serviços de podas sejam autorizados por particulares. A proposta foi discutida no dia 12 de setembro na na Frente Parlamentar de Empreendedorismo e Desburocratização da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Chama a atenção, entre outros aspectos, neste caso, o interesse de uma frente parlamentar que trata do “empreendedorismo”. Cabe ressaltar que são exatamente os interesses políticos partidários aliados aos interesse de empresas que estão sendo investigados por corrupção no Brasil. Nesse sentido, é natural que essa questão seja motivo de atenção redobrada.

[Em destaque, edição realizada em 26 de abril de 2018] Em fevereiro de 2018, o mesmo vereador apresentou o PLCL 002/2018. Ambos tramitam na casa legislativa municipal.

Em relação aos aspectos ecológicos desta proposta, a preocupação da Agapan está relacionada às facilitações que podem ocorrer para as podas serem executadas por empresas desqualificadas sem acompanhamento técnico adequado e os desdobramentos que podem resultar na diminuição ainda maior de árvores em Porto Alegre. “O projeto é frágil, pois não dá garantias de quem vai fazer, efetivamente, a fiscalização dos cortes e podas”, afirma a conselheira e ex-presidente da Agapan, Edi Fonseca.

O ex-secretário de Meio Ambiente Beto Moesch ressalta que “a responsabilidade pelas questões ambientais é do poder público, e que casos emergenciais podem continuar sendo tratados pelo Corpo de Bombeiros”.

Já o presidente da Agapan, Francisco Milanez, entende que “os prazos precisam ser cumpridos pela Prefeitura, mas jamais o poder público deve liberar para que a decisão seja tomada pela iniciativa privada”.

Imprensa Agapan
Jornalista Heverton Lacerda

12 abril 2016

Agapan debate arborização e mudanças climáticas em Porto Alegre


Brack e Flávia
Com o tema "Arborização Urbana e Mudanças Climáticas: o caso de Porto Alegre", o Agapan Debate reuniu no dia 16 de abril de 2016 no auditório da Faculdade de Arquitetura da UFRGS mais de duzentos participantes para assistirem às palestras da pesquisadora do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Geografia/Análise Ambiental da UFRGS Flávia Moraes e o professor do Departamento de Ecologia da Ufrgs, Paulo Brack, coordenador do Ingá – Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais e da Apedema - Assembleia Permanente de Entidades em Defesa do Meio Ambiente do RS.
A moderação do debate, que teve a participação do público presente, foi realizada por Eduardo Ruppenthal, ambientalista do Mogdema - Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, biólogo e mestre em Desenvolvimento Rural (PGDR/Ufrgs).



Imprensa Agapan

12 fevereiro 2016

Agapan pede audiência pública sobre evento climático ocorrido no final de janeiro

Representantes entregam ofício
Em conjunto com outras entidades ambientalistas e movimentos sociais de Porto Alegre que constituem o coletivo "Cidade que queremos", a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) participou da entrega ao vice-prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB), e ao presidente da Câmara de Vereadores, Cassio Trogildo (PTB), nesta quinta-feira (11), de um ofício com pedido de audiência pública para esclarecer a população sobre os acontecimentos do dia 29 de janeiro, quando um inédito evento climático atingiu a capital gaúcha, derrubando milhares de árvores e fazendo estragos que deixaram os moradores preocupados e em estado de alerta. Segundo o documento, "mais de três mil árvores foram atingidas pelo temporal".

Câmara de Vereadores
O grupo critica o manejo inapropriado da arborização do município por parte da administração pública e cita, também, a recente manifestação de técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, que denunciam o sucateamento do órgão ambiental responsável por conservar as árvores de Porto Alegre. "Uma parcela considerável dos danos e prejuízos causados à população poderia ser evitada, caso a Smam dispusesse das condições mínimas necessárias para desenvolver ações programadas de manutenção preventiva da arborização da cidade", diz o documento dos técnicos de nível superior da Smam, que pode ser conferido na íntegra aqui.

Outra crítica apontada no documento é a falta de cumprimento da Lei 10.337, de 2007, "que estabelece que as redes de infraestrutura sejam exclusivamente subterrâneas no Centro, nas praças e parques e em vias de passeios densamente arborizados na capital". Segundo o grupo, o prazo para cumprimento da lei venceu em março de 2010.

A Agapan aguarda o agendamento da audiência pública e convida a população do município a participar do evento. A entidade vai divulgar a data assim que a mesma for definida pela Câmara de Vereadores.

Texto: Imprensa Agapan

25 julho 2015

‘A retirada de 330 árvores nos assusta’, diz presidente da Agapan sobre obras do Cais Mauá

Reprodução do Jornal Sul 21

Jaqueline Silveira

As obras no Cais do Porto irão implicar  no corte de 330 árvores, segundo aponta o Estudo de Impacto Ambiental|Foto: Guilherme Santos/Sul21
As obras no Cais do Porto irão implicar no corte de 330 árvores, segundo aponta o Estudo de Impacto Ambiental|Foto: Guilherme Santos/Sul21
Jaqueline Silveira
As obras de revitalização de Cais do Porto reacenderam o debate quanto à preservação ambiental de Porto Alegre. Recentemente foi entregue à prefeitura o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do empreendimento. Com 2,5 mil páginas, o documento aponta o corte de 330 árvores no trecho entre o Cais e a Usina do Gasômetro. Em compensação está previsto o plantio de 769 mudas, porém não há informações sobre o local onde será feita a reposição. O número de mudas a serem plantadas leva em conta a altura e o tipo de árvore removida. O estudo, realizado pela empresa ABG Engenharia e Meio Ambiente, analisou ainda a vegetação da área que receberá a obra e constatou que 90% dela se encontra na área em que deve ser erguido o empreendimento – 75% dela constituída de espécies exóticas.
Assim que tomou conhecimento de algumas das conclusões do EIA-Rima, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) divulgou nota criticando os projetos de revitalização do Cais Mauá e da Orla do Guaíba  que, segundo a entidade, não privilegiam a cidade e também trazem prejuízos ao meio ambiente. Além disso, a nota alerta que Porto Alegre está menos verde. Em 2014, conforme a Agapan, foram cortadas 2.951 árvores e foram plantadas 2.275, porém nem todas as mudas sobreviveram. Com base em dados fornecidos pela própria Secretaria de Meio Ambiente (Smam), a associação informa que, nós últimos 10 anos, foram derrubadas mais de 34 mil árvores na Capital. “Porto Alegre tem cada vez menos árvores nos bairros e mais carros circulando, congestionando e poluindo o ar”, diz um trecho do texto.
Atualmente, de acordo com estimativa da Smam, Porto Alegre tem 1,2 milhão de árvores. Novo presidente da Agapan, o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo argumenta que o corte de árvores preocupa a entidade, uma vez que a derrubada ocorre em locais concentrados e a reposição é feita em locais dispersos. Embora a associação não atribua o mesmo peso às espécies nativas e exóticas, ele sustenta que não “é um bom negócio” substituir uma “árvore adulta” por muda, já que não há garantia de vida da planta reposta. “A retirada de 330 árvores nos assusta. O índice de depredação é grande e a consolidação é baixa”, observa o presidente da Agapan.
Na região da Usina do Gasômetro, haverá a maior quantidade de árvores removidas para as obras|Foto: Guilherme Santos/Sul21
Na região da Usina do Gasômetro está a maior quantidade de vegetação removida para as obras. Estimativa é que Capital tem 1,2 milhão de árvores|Foto: Guilherme Santos/Sul21
Nova lei regra a compensação
Secretário do Meio Ambiente da Capital, Mauro Moura afirma que a prefeitura fiscaliza a reposição e que cada “árvore cortada é compensada”. No momento da entrega da obra, segundo ele, a Smam verifica se todas as medidas de compensação previstas foram cumpridas, já que a secretaria precisa emitir “um termo de recebimento” no encerramento do processo da licença. Ele acrescenta que os licenciamentos também são fiscalizados pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Além disso, Moura ressalta que, desde janeiro deste ano, está em vigor uma nova lei que aperfeiçoa as regras sobre a compensação e que a Sman está trabalhando para colocá-las em prática, uma vez que é uma legislação nova. Antes, a lei que regulamentava a compensação era de 1983. “As normas são de forma bem intencionada, mas as práticas nem sempre são bem intencionadas”, avalia o presidente da Agapan, citando o corte das mais de 300 árvores para revitalização do Cais. “É trocar o útil e necessário por uma promessa”, exemplificou Leonardo Melgarejo, sobre a futura reposição de 769 mudas.
O secretário do Meio Ambiente frisa, entretanto, que a quantidade de árvores a ser derrubada para a revitalização do Cais do Porto não é definitiva, pois o assunto ainda será discutido com a comunidade em audiência pública neste segundo semestre. “É uma proposta que não passou pelo crivo da Smam”, acrescenta Moura. O parecer da Secretaria do Meio Ambiente, segundo ele, só poderá ser emitido depois do debate com a população. Já sobre a obra de revitalização da Orla do Guaíba, o secretário afirma que está sendo feita “uma reavaliação” do projeto de arborização.
Secretário do Meio Ambiente que a quantidade de árvores a serem removidas para a revitalização ainda será discutida com a população e não é definitiva |Foto: Guilherme Santos/Sul21
Secretário do Meio Ambiente diz que a quantidade de árvores a serem removidas para a revitalização ainda será discutida com a população |Foto: Guilherme Santos/Sul21
Quanto ao conflito sobre o corte e reposição de árvores, Moura frisa que é natural a polêmica quando se trata desse assunto. “Às vezes, um morador não quer, por exemplo, uma árvore em frente a sua casa por questão que pode servir para o ladrão se esconder”, exemplifica o secretário, sobre os conflitos envolvendo o tema.
Corte e reposição de árvores para obra do Cais
Total de árvores a serem cortadas – 330
Total de árvores preservadas ou realocadas – 19
Total de árvores compensadas – 760
Usina do Gasômetro
Árvores derrubadas – 227
Árvores preservadas – 3
Compensação – 515
Praça Brigadeiro Sampaio
Árvores derrubadas – 15
Árvore transplantada – 1
Compensação – 46 mudas
Setor das Docas
Árvores Derrubadas – 57
Árvores realocadas – 14
Compensação – 145
Passagem Ramiro Barcelos
Árvores derrubadas – 23
Compensação – 47 mudas
Setor dos Armazéns
Árvores derrubadas – 8
Árvore transplantada – 1
Compensação – 16
Reposição da Avenida Beira-Rio está em andamento
Em 2013, a derrubada de árvores para a duplicação da Avenida Beira-Rio (Edvaldo Pereira), obra da Copa do Mundo, gerou protestos, batalha judicial, marchas e até o movimento “Ocupa Árvores”, que por 43 dias permaneceu acampado nos arredores na tentativa de impedir o corte. Porém, numa ação surpresa para evitar protestos, na madrugada do dia 29 de maio, a prefeitura, com o auxílio do aparato da Brigada Militar, retirou as árvores.
Em 2013, foram removidas mais de 200 árvores para a duplicação da Avenida Beira-Rio, obra da Copa do Mundo |Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Em 2013, foram removidas mais de 200 árvores para a duplicação da Avenida Beira-Rio, obra da Copa do Mundo.  Para evitar mais protestos, prefeitura removeu a vegetação na madrugada |Foto: Ramiro Furquim/Sul21
Ao total, conforme a assessoria de imprensa da Secretaria do Meio Ambiente, foram removidas 215 árvores correspondendo a uma área de 4,8 mil metros² de vegetação. Em contrapartida, deveriam ser plantadas 1.379 mudas, além da compensação em dinheiro destinado ao fundo que financia ações e equipamentos para área ambiental.
O secretário Mauro Moura afirma que o plantio das mudas está sendo feito e que parte da reposição vegetal ocorreu nos arredores da Avenida Beira-Rio. O restante seria realizado em outros lugares da cidade. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria do Meio Ambiente, a maior parte da compensação em dinheiro já foi cumprida (leia mais abaixo) – o que ocorre quando há inviabilidade de reposição na própria região. Já a compensação vegetal, exceto a entrega de 165 mudas ao viveiro municipal, está em andamento e irá se prolongar até o final do mês de outubro. Já quanto às áreas do plantio das mudas, a obtenção dessas informações revelou que a fiscalização da prefeitura é precária. O secretário pediu que as informações das áreas fossem solicitadas à assessoria de imprensa, que, por sua vez, repassou a outros setores. De terça-feira (21) até a tarde desta sexta (24), a Secretaria do Meio Ambiente não conseguiu disponibilizar os dados solicitados pelo Sul21.
Aliás, o acesso a esse tipo de dado é motivo de reclamação tanto da Agapan quanto do coletivo “Cais Mauá de Todos”. “Nós temos a mesma dificuldade de vocês só que há mais tempo”, afirmao sociólogo João Volino, representante do coletivo, sobre as áreas de reposição da vegetação.
Secretaria do Meio Ambiente não conseguiu informar ás áreas onde foram ou estão sendo plantadas as mudas em substituição as árvores derrubadas na avenida|Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
Secretaria do Meio Ambiente não conseguiu informar as áreas onde foram ou estão sendo plantadas as mudas em substituição às árvores derrubadas na avenida|Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21
“Depois desse conflito (derrubada de árvores na Avenida Beira-Rio) parece muito temerário cortar mais de 300 árvores”, avalia o presidente da Agapan, adiantando que haverá protestos dos ambientalistas com o fim de barrar a remoção dessa grande quantidade de árvores. Melgarejo afirma que assim que a entidade analisar detalhadamente o estudo do impacto ambiental pedirá uma agenda com a Smam para tratar do assunto.
Audiência popular
Já o coletivo “Cais Mauá de Todos” promoverá um audiência popular no dia 1º de agosto, às 15h, na Praça Brigadeiro Sampaio, um dos locais atingidos pelas obras de revitalização. Representante do grupo, o sociólogo João Volino diz que a ideia é debater com a população dos arredores para discutir o assunto. “A população entender que os espaços públicos precisam de uma ampla discussão com a sociedade”, argumenta ele, acrescentando que, se for necessário, deve ser realizado referendo ou plebiscito sobre obras em lugares públicos da Capital. Na Praça Brigadeiro Sampaio, há previsão de um estacionamento e a construção de uma alça elevada, mas a audiência quer oportunizar a exposição de diferentes pontos de vista sobre o modelo de revitalização de todo o Cais Mauá. “Esse modelo de projeto nós não concordamos. Nós queremos a revitalização da área, mas não ao preço de shopping e de estacionamento”, ressalta Volino, sobre as obras previstas em um dos cartões postais de Porto Alegre.
Na Praça Brigadeiro, também serão derrubadas mais de 40 árvores para revitalização. Em agosto, será realizada uma audiência popular para tentar barrar a obra no local|Foto: Guilherme Santos/Sul21
Na Praça Brigadeiro Sampaio serão derrubadas mais de 15 árvores para revitalização. Em agosto, será realizada uma audiência popular para tentar barrar a obra  no local|Foto: Guilherme Santos/Sul21
Fiscalização do MP
Promotora de Justiça e de Defesa do Meio Ambiente da Capital, Josiane Camejo explica que o Ministério Público não faz uma fiscalização direta em relação às licenças concedidas. Isso corre, segundo ela, quando, no curso de alguma investigação, vem à tona a notícia de que foi concedida licença a um cidadão ou a uma. Foi o que ocorreu no caso da remoção das árvores da Avenida-Beira, motivando o ingresso de uma ação civil pública pelo MP contra a prefeitura da Capital. O MP chegou a obter uma liminar para suspensão do corte, mas depois a Justiça liberou a remoção.
A promotora ressalta que o poder público não tem obrigação de encaminhar relatório sobre o cumprimento da compensação, como o plantio das mudas e os locais, entretanto, quando requisitado, em caso específico, os dados são encaminhados para análise do MP.

20 maio 2013

Junte-se a nós!

O apoio da AGAPAN aos jovens acampados - ao lado da Câmara Municipal de Porto Alegre -
e em defesa das árvores marcadas para morrer.

14 maio 2013

O exemplo do Gasômetro

Dia 6 de fevereiro de 2013 - 14h48min - jovens impedem o corte de árvores
Foto: Cesar Cardia/AGAPAN
O gigante desafio de lutar contra a especulação imobiliária e a tecnocracia.

A AGAPAN tem se esforçado para representar a inquietude das pessoas que amam Porto Alegre e se preocupam com no que ela está se transformando.

O exemplo do Gasômetro é extremamente didático porque a prefeitura não cumpriu a legislação de Impacto Ambiental, que manda que sejam feitos estudos comparativos de alternativas locacionais e tecnológicas para resolver o problema em questão, que é a saída de automóveis do centro da cidade em direção à Zona Sul. No caso da Av. João Goulart, que atravessa o Parque do Gasômetro, onde foram cortadas as árvores que geraram os protestos, trata-se de mais do que uma avenida, é uma ruptura num parque onde milhares de pessoas atravessam diariamente com seus filhos, carrinhos e tudo o mais que se leva a um parque, e que a prefeitura quer duplicar, duplicando com isto a ruptura e o risco.

Não há muito que se possa afirmar sobre a importância da obra, já que a prefeitura ainda não fez os estudos que devem comparar as alternativas com a alternativa de não fazer a obra e, somente então, poderemos saber qual é a alternativa melhor para a cidade, e se é realmente necessário esse gasto enorme para destruir um dos locais mais importantes de lazer da cidade.

O que não é dito é que os ambientalistas lutam por uma mobilidade urbana melhor para todos, que nos países ricos as cidades estão transformando avenidas centrais em parques e o trânsito funciona perfeitamente, que é possível elevar ou enterrar a pista para permitir que o parque não seja dividido, que somente usando as duas mãos para saída do centro e entrando no centro por outro ponto o problema poderia ser resolvido sem gastos e destruição.

Av. João Goulart, dia 6 de fevereiro - Foto: Cesar Cardia/AGAPAN

As árvores são a ponta de um gigantesco iceberg, que é a qualidade de vida de nossa cidade, que está sendo derretida pelos interesses especulativos de poucos.

O cidadão tem que deixar de ser levado por posicionamentos e campanhas demagógicas e entender que todos temos os mesmos interesses de qualidade de vida, só precisamos coordená-los de forma amorosa, para que nossa cidade se torne um paraíso para a vida. Talvez, só fiquem de fora os especuladores e seus amigos...

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel - Cesar Cardia/AGAPAN

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel - Cesar Cardia/AGAPAN

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel - Cesar Cardia/AGAPAN

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel - Cesar Cardia/AGAPAN

7 de fevereiro de 2013: população protesta contra a derrubada das árvores
na Praça do Aeromóvel - Cesar Cardia/AGAPAN

17 abril 2013

Manifesto da AGAPAN aos cidadãos de Porto Alegre

A AGAPAN, Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural, pioneira na luta ambiental, revive seus momentos de glória na defesa dos direitos coletivos para que todos tenhamos uma cidade mais humana e solidária para se viver.
6 de fevereiro de 2013 - jovens impedem a derrubada de árvores em Porto Alegre
Nos últimos tempos, foram muitas as manifestações e movimentos que agitaram as ruas e os bastidores da política municipal, que apreensiva, insiste em passar por cima dos direitos das pessoas de serem ouvidas e de terem garantido seu acesso a espaços públicos, como a hoje tão disputada Orla do Guaíba.
Já vimos esse filme de desrespeito às leis e às pessoas e hoje as reivindicações despertam em todos nós sentimentos cívicos de solidariedade, esperança e de autoconfiança.

Dayrell - fevereiro de 1975
Como ambientalistas e defensores da vida, sentimos renovadas nossas esperanças ao acompanharmos a renovação do gesto exemplar do então estudante e membro da AGAPAN Carlos Alberto Dayrell, em 25 de fevereiro de 1975, que subiu em uma árvore tipuana, na avenida João Pessoa, impedindo seu corte para dar lugar à construção do Viaduto Imperatriz Leopoldina, defronte à Faculdade de Direito da Ufrgs. Outro momento inesquecível na história de Porto Alegre foi em agosto de 1988, quando militantes da AGAPAN subiram até o topo da chaminé da Usina do Gasômetro e colocaram uma faixa de 40 metros de comprimento com os dizeres “NÃO AO PROJETO PRAIA DO GUAÍBA – AGAPAN”. O objetivo da manifestação foi conclamar a população a comparecer na Câmara de Vereadores e impedir a votação do Projeto, cuja aprovação transformaria a Orla do Guaíba, privatizando o mais valioso patrimônio público de Porto Alegre, entregando-o à sanha da especulação imobiliária. Mas, como dizia José Lutzenberger, “nossas derrotas são permanentes e nossas vitórias, temporárias”. Isso significa que os 72 km de Orla do Guaíba continuam ameaçados e até hoje não foi privatizada pela permanente mobilização da sociedade civil.
 
Agosto de 1988 - a subida na Chaminé da Usina do Gasômetro
A luta continua.
A AGAPAN considera que a dimensão política do movimento ecológico vai além de ideologias partidárias. As vitórias que obtivemos em quatro décadas não teriam acontecido sem a participação inteligente, criativa e generosa dos estudantes e de todos os militantes que fazem parte da AGAPAN. Neste momento de glória, em que o movimento estudantil e os cidadãos ressurgem com força e vigor, saudamos e nos colocamos como personagens e protagonistas de mais essa luta. Ao comemorar 42 anos, a AGAPAN continua lutando para preservar a Orla do Guaíba como patrimônio publico e sempre à disposição do bem-estar coletivo da sociedade.

Saudações ecológicas da AGAPAN!

Porto Alegre, abril de 2013.

09 outubro 2012

Morre uma ativista

Tatiana de Carvalho, ativista do Greenpeace falecida neste domingo,
reunida com representantes da AGAPAN no dia 25 de setembro, logo após
a verificação das árvores da Rua Gonçalo de Carvalho. Foto: Miriam Löw/AGAPAN

Tatiana de Carvalho, coordenadora da campanha da Amazônia do Greenpeace, faleceu neste domingo (7/10), após uma queda na cachoeira Poço Azul, nos arredores de Brasília. Tinha apenas 36 anos de vida.

Tatiana de Carvalho - Foto: Greenpeace
O trabalho em prol da conservação da Amazônia e da dignidade de seu povo marcaram sua história pessoal e profissional.Começou a carreira no Greenpeace em 2002, como coordenadora da campanha de transgênicos. Na organização, também chegou a liderar a campanha da soja e a apoiar as de clima/energia e pecuária. Entre 2010 e 2011, foi analista sênior de conservação do WWF Brasil. Corajosa, idealista, ao longo dos anos realizou muitas viagens pela Amazônia para conhecê-la melhor e, assim, defendê-la. De volta ao Greenpeace, seu conhecimento da região a levou a assumir a liderança da campanha pela Amazônia.

Verificação na Gonçalo de Carvalho em 25 de setembro
Foto: Sandra Ribeiro/AGAPAN
No dia 25 de setembro passado, Tatiana esteve em Porto Alegre para tratar com diversas entidades ambientalistas da campanha "Desmatamento Zero". Ela ligou para a vice-presidente da AGAPAN, Sandra Ribeiro, quando fazíamos a verificação das árvores da Rua Gonçalo de Carvalho com moradores e técnicos da SMAM. Logo após a verificação do estado das árvores na Gonçalo de Carvalho aconteceu uma reunião de ativistas da AGAPAN com a Tatiana.

Com: O Eco