21 maio 2014

Nota da Agapan sobre as antenas de telefonia

Estamos garantindo um direito democrático da população!


A Agapan esclarece sua posição diante das notas publicadas em jornais de Porto Alegre nesta quarta-feira, 21 de maio, a respeito da discussão sobre a legislação para antenas de telefonia móvel na Capital do Estado.

A entidade tem um posicionamento claro sobre o assunto e entende que a legislação deve ser restritiva para evitar riscos que a própria Organização Mundial de Saúde reconhece existirem ao classificar este tipo de radiação como “2b”, ou “possivelmente cancerígenas”.

No caso em debate, entretanto, agimos movidos não apenas por nossas convicções ecológicas, porém, em defesa do direito legítimo de a cidadania opinar sobre uma mudança legislativa de grande impacto na saúde pública.

Lembramos que as audiências públicas são instrumentos previstos na legislação municipal que conferem ao cidadão a possibilidade de incidir sobre as decisões que nossos representantes tomam no exercício de seus cargos. Ou seja, é uma medida altamente democrática, que garante transparência e participação da população nas decisões do poder público. Um dos instrumentos que permitiriam a concretização de uma das demandas mais vistas em protestos de rua de todo o mundo: a “democracia real”.

Colocar, portanto, a culpa pela “demora” na revisão de tal regra na Agapan não é adequado, visto que compete ao poder público prever a participação popular em debates como este.

Gostaríamos de salientar ainda que a realização da CPI da Telefonia na Assembleia Legislativa não tratou especificamente sobre esta este tema, mas sim, sobre o mau funcionamento dos serviços prestados pelas operadoras, que, aliás, se repetem nos demais estados brasileiros a despeito de suas leis serem menos restritivas que a de Porto Alegre.

Além disso, o seminário realizado nesta mesma casa, no final de 2012, jamais cumpriu com a função de audiência pública, embora tenha servido à cidadania como um excelente e qualificado fórum de debates, que contou com especialistas nacionais e estaduais altamente competentes. 

Por fim, ressaltamos nossa preocupação, embasada em inúmeros estudos publicados em importantes revistas científicas internacionais e na classificação da OMS, com os efeitos negativos que as antenas de telefonia móvel (assim como outros equipamentos, de uso público ou privado) podem ter sobre a saúde humana.

Não concordamos que uma lei restritiva possa ser causadora dos maus serviços da telefonia móvel, visto que a legislação de Porto Alegre foi baseada nas legislações suíça e francesa, onde o sinal de aparelhos celulares é de boa qualidade.

Atensiosamente,


Alfredo Gui Ferreira, presidente da Agapan

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