18 agosto 2008

Agapan lança abaixo-assinado pela preservação da Orla do Guaíba


No dia em que comemorou os 20 anos da subida e ocupação da Chaminé da Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) lançou uma Campanha de Assinaturas em Defesa da Orla do Guaíba. A ação é realizada em parceria com os Movimentos Porto Alegre Vive, Viva Gasômetro e Rio Guahyba e com a ONG Solidariedade, com apoio dos Movimentos Ecológico Popular e de Luta em Defesa da Orla Pública do Rio Guaíba, e da Associação de Moradores do Bairro Ipanema.
O lançamento aconteceu na tarde chuvosa deste domingo,17, dentro da Usina. "Há 20 anos, queriam demolir até mesmo esse prédio", lembra o então presidente da Agapan, Celso Marques, o primeiro a assinar o documento.

Durante a solenidade de comemoração, a atual presidenta da Agapan, Edi Fonseca, entregou uma homenagem aos quatro corajosos que subiram a chaminé, Gert Schinke, Gerson Buss, Sidnei Zomer e Guilherme Dornelles. "Entregamos uma obra do cartunista Santiago que na época produziu diversos cartuns pela preservação da orla”, observa Edi, ao salientar que os 70 quilômetros de orla devem ser mantidos como espaço público, voltado para a cultura e o lazer.

RESGATE

Para os homenageados, é preciso resgatar o radicalismo do discurso ecológico. "São lutas dignas que nos mantêm nesse enfrentamento pelo respeito às leis", defende Gerson Buss. Para Gert Schinke, "o assédio à orla deve acabar", afirma, ao citar o Parque Marinha do Brasil como uma área resultante daquele "áureo momento da militância ecopolítica, que deve ser resgatada".

O arquiteto Udo Mohr, aluno do pioneiro Demétrio Ribeiro, lembra uma frase repetida pelo mestre, de que "a história do urbanismo de Porto Alegre é uma sucessão de tragédias". Para ele, os projetos urbanísticos são "deploráveis", pois desvalorizam a paisagem e descaracterizam o perfil da cidade.
Para Miriam Löw, conselheira da Agapan, "essa tragédia que vivemos, que é a ocupação e privatização dos espaços públicos pela especulação imobiliária, se deve ao modelo civilizatório que tem o consumo como seu ícone", diz, ao considerar esse abaixo-assinado como "um recomeço".

Informações
Assessoria de Imprensa da Agapan/RS

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